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domingo, 7 de novembro de 2021

Hilda Hilst e Guimarães Rosa: Especulações

 


Quando li o belíssimo  livro de entrevistas da Hilda Hilst Fico besta quando me entendem, em 2013,  muitas vezes eu achei colocações de Hilda semelhantes às propostas rosianas. Na época não dei muita bola, pensei que era minha ideia fixa em ver Rosa em todo lugar... mas voltando a dar uma olhada nas anotação, continuo achando, não igual, mas tão parecido :


Essa negação da lógica é o fundo do projeto das estórias.

Pois bem, ao passear pela POESIA COMPLETA DE HILDA HILST, que ganhei de aniversário esse ano, achei:

"Segundo Leo Gilson Ribeiro, 'poucas pessoas compreenderam que Hilda Hilst, depois de Guimarães Rosa, estava trazendo a mais profunda revolução à Literatura contemporânea brasileira' (P.563)

Eu não vou dizer que sou uma dessas poucas pessoas, mas pelo menos me ocorre que talvez eu não estivesse viajando muito quando via algumas semelhanças entre Hilda e Rosa!?🤨São escritores da minha vida!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Do desejo


Um dos livros da minha poeta favorita Hilda Hilst, se chama "Do Desejo". Nele os poemas versam sobre o desejo e os quereres que movem a vida humana.

Eu quis muito em 2017. E tive. Foi maravilhoso.
Agora tudo continua em paz e calmamente a vida segue, mas esse querer insatisfeito eu não levarei para 2018. 
A vida é tão rara e, no fundo, tão simples. Para quem não a está vivendo.


domingo, 12 de outubro de 2014

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito. Hilda Hilst

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Tenho me fatigado todos os dias
Vestindo, despindo e arrastando amor
Infância, sóis e sombras.
Vou dizer coisas terríveis à gente que passa.
Dizer que não é mais possível comunicar-me.
(Em todos os lugares o mundo se comprime.
Não há mais espaço para sorrir ou bocejar
De tédio).
As casas estão cheias. As mulheres parindo
Sem cessar, os homens amando sem amar
Ah, triste amor desperdiçado
Desesperançado amor, serei eu só
A revelar o escuro das janelas, eu só
Adivinhando a lágrima em pupilas azuis
Morrendo a cada instante, me perdendo ?
Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Preparo-me e aceito-me
Carne e pensamento desfeitos. Intentemos,
Meu pai, o poema desigual e torturado.
E abracemo-nos depois em silêncio. Em segredo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Auto descoberta como mulher

Capa de "O tempo, Camila- mini contos", de Elias José (1971)


Estranho,mas esses mini contos de Elias José, que achei certa vez na biblioteca da FFLCH, juntamente com outros  autores (as) como Hilda Hilst, Manuel Bandeira e Clarice Lispector, ajudaram a  formar a Camila mulher ali na passagem do século XX para o XXI!  E outras narrativas que já não me servem mais, naquele momento foram fundamentais, como algumas canções "femininas" de Chico Buarque,
  a paixão de Maria Bethânia, a solidão poética do livro  A Ostra e Vento de Moacir C. Lopes, tal qual sua adaptação para o cinema de Walter Lima Junior. E sobretudo Almodóvar e a solidão crônica de seu Fale com ela, a quem devo a honra de soltar meus cachos sempre, doa a quem doer

A respeito dessas coisas todas, nesse meu momento atual, só me lembro do fim de  Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges :"Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro"

Mas antes, vamos ao mini conto de Elias José:


Camilamor
Camila, mande à merda a tristeza. Me possua, me destricha, faça de meu corpo sala e quarto, onde se entra e sai quando quer. E, no ato da posse, esqueça tudo. Vamos resumir o mundo em nossos corpo se em cada movimento nosso o mundo se movimentará; em cada sorriso teremos a certeza de que a vida ficou mais bonita. Vamos singularizar nossos sonhos e você verá como cabem aqui. Não mais distâncias. Seremos gêmeos, nascidos num só corpo. E os homens, vendo nossos corpos unidos, pensarão em fantasmas, bichos anormais, metade peludo, metade sem pelo. Nós vamos rir dos homens. Um riso grande de duas bocas fundidas numa só.Camila? Por que Camila? Porque se for mulher é Camila. Se não for Camila nem é mulher.Os russos vão a Marte. Os americanos voltam à Lua. Eu me desliguei do mundo e faço, calmo, a eterna viagem no que no corpo de Camila.

Elias José 

domingo, 18 de agosto de 2013

Venho de Tempos Antigos - Hilda Hilst


Venho de Tempos Antigos
Hilda Hilst

Deus pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante sorvete de cereja.
Deus: Uma superfície de gelo ancorada no riso.


Venho de tempos antigos. Nomes extensos:

Vaz Cardoso, Almeida Prado

Dubayelle Hilst... eventos.

Venho de tuas raízes, sopros de ti.

E amo-te lassa agora, sangue, vinho

Taças irreais corroídas de tempo.

Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.

Como se pisássemos em avencas

E elas gritassem, vítimas de nós dois:

Intemporais, veementes.

Amo-te mínima como quem quer MAIS

Como quem tudo adivinha:

Lobo, lua, raposa e ancestrais.

Dize de mim: És minha.

Texto extraído do encarte à edição de "Cadernos da Literatura Brasileira", editado pelo Instituto Moreira Salles - São Paulo, número 8 - Outubro de 1999.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Hilda Hilst e sua "paixão sensorial pelos sons ou pelo desenho das palavras, por sua grafia..." Leo Gilson Ribeiro

 
Em entrevista ao crítico literário Leo Gilson Ribeiro, que foi publicada recentemente na  coletânea de entrevistas de Hilst "Fico besta quando me entendem", organizada por Cristiano Diniz,a poeta comenta:
 
"O ummm russo, com essas reverberações ameaçadoras do m depois do u profundo, abissal, u sinto como demais verdade, sensorial, é um barulho que vem de dentro, perigosíssimo, talvez o homem tenha extrapolado a utilidade do intelecto, talvez se tivesse tido noção da periculosidade implícita desse som, sei lá, mântrico, aterrador, seria outra coisa o intelecto e não esse ummm apavorante " Hilda Hilst, 1980.
 
Temos também trechos de divulgação do livro :

 
 

sábado, 17 de julho de 2010

Diálogo - Hilda Hilst

Diálogo Hilda Hilst

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Tenho me fatigado tanto todos os dias vestindo, despindo e arrastando
amor, infância, sóis e sombras.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

VISÕES DE SEXO POR HILDA HILST; MENINA DE 18 ANOS E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, DESENHO DE MILTON DACOSTA




Colada à tua boca a minha desordem

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer." HILDA HILST


Âmanga

Vou te dar meu âmago
Como fosse manga rosa
Para você provar minha carne
como fosse a polpa
para você beber meu gozo
como fosse o sumo
para você morder meu osso
como fosse o caroço MENINA DE 18 ANOS

Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua." DRUMMOND

sábado, 24 de janeiro de 2009

A VERDADE SOBRE COMO EU TÔ

Tô chorando muito. Tenho falado com minha terapeuta pelo celular no terminal de ônibus, para dizer confissões doloridas e íntimas a ela e a todos os que estão ao meu redor. Tô lendo trechos de “O amor nos tempos do cólera”, do Gabo, pela milésima quinta vez. Tô ouvindo “Memórias,crônicas e declarações de amor”, da Marisa Monte. Tô lendo muito versos da Hilda Hilst, como se eu tivesse 20 anos novamente...Resumindo, tô no meio da dor da separação, lugar de onde eu tentei fugir dramaticamente no ano passado (sem sucesso), mas esse ano aconteceu alguma coisa em mim, acho que não estou mais capaz de sentir desejo, carinho, ciúme, alegria, raiva, não sou mais capaz de sentir nada que não seja puramente a dor da rejeição... todas as rejeições. Tem de ser assim, pra gente tentar se limpar e conseguir seguir caminhando.
Como eu disse a alguém, isso vai passar, tantas vezes já passou, eu só não sei se vou sobreviver dessa vez. Veremos.