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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Caetano lê poema Logun Edé, de Eduardo Brechó

Logun Edé
Nos contam os mitos, e uma canção de Caetano, que  Logun Edé é o "menino Deus de corpo azul dourado", 
filho de Oxum Ipondá e Oxóssi Inlè ou Érinle.
No vídeo Cae lê poema de Eduardo Brechó, um poeta negro,
cuja obra cultua os orixás, membro da banda Aláfia.
Neste poema ele trata de Logun Edé: 



COISA MAIS LINDA! 

domingo, 12 de outubro de 2014

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito. Hilda Hilst

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Tenho me fatigado todos os dias
Vestindo, despindo e arrastando amor
Infância, sóis e sombras.
Vou dizer coisas terríveis à gente que passa.
Dizer que não é mais possível comunicar-me.
(Em todos os lugares o mundo se comprime.
Não há mais espaço para sorrir ou bocejar
De tédio).
As casas estão cheias. As mulheres parindo
Sem cessar, os homens amando sem amar
Ah, triste amor desperdiçado
Desesperançado amor, serei eu só
A revelar o escuro das janelas, eu só
Adivinhando a lágrima em pupilas azuis
Morrendo a cada instante, me perdendo ?
Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Preparo-me e aceito-me
Carne e pensamento desfeitos. Intentemos,
Meu pai, o poema desigual e torturado.
E abracemo-nos depois em silêncio. Em segredo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Trechinho de "A chave do poema", de Manuel Bandeira

"Mas isso não é poesia, é enigma". Eu vos direi no entanto que toda poesia é enigma. Toda palavra, antes que lhe conheçamos o significado, é um enigma formidável." (A Chave do Poema, Flauta de Papel - Manuel Bandeira)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poema gera poema?

Bom dia aos que acordaram de madrugada para trabalhar, como eu! Comecemos o dia de trabalho com um poema de Eduardo Prado Vieira, composto por inspiração da primeira leitura do livro Primeiras Estórias, em dezembro de 1962:
INTERROGAR - Eduardo Prado Vieira

A coisa quieta
Que descansa no retrato, na lâmpada
Ou na pedra de gelo.A coisa real
Que está ali, existe, mas é vazia, falsa
E incapaz.Incomunicável, o retrato se mostra.
Incomunicável, a lâmpada acende o que dela nem sabe.
Incomunicável, o gelo é a água polida, pele toda, carne só, de repente sem exterior.
E eu. Que vejo e calo,
Como um sábio de coisas incolores,
Aprendiz de outras fluindo.
Meu suave Guimarães Rosa:
Por que existe algo em lugar de nada? (Revista Leitura - Rio de Janeiro)

O QUE ACHARAM DELE?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

No ritual do Poema

Tenho vivido momentos de contato próximo com o ritual poema, me lambuzando dele (para além das palavras). me transformando nele...
Esta semana a Praça do Relógio virou mesmo a FLORESTA NEGRA (a dos contos de fadas) sob uma escandalosa lua cheia, falamos das experiências da temporalidade no poema e - como sempre acontece quando entramos no ritual POEMA - tudo ao redor mudou, gente viu coisas maravilhosas acontecendo no mundo, como se vissemos tudo como se fosse a primeira vez e a vida falava mais alto que a linguagem, assim como acontecia nos primeiros anos de nossas vidas-então abriram-se os portais do "devir criança".
A última vez que experimentei isso foi quando fui aluna do Claudio Willer em 2006 e recebia serenatas de violino na Paulista, ou vivia toda uma história de amor no tempo imediato do metrô...era a experiência do poema atuando na minha vida e fazendo tudo estar em movimento!
Desta vez nós VIMOS ATÉ UMA LAGARTA no meio do caminho e eu pude até perguntar, como no poema de Bandeira:
"-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?"
E alguma esfera de comunicação partiu dele, como se me informasse: "A gente começa a experiência poema"
Eu acho que mereço, merecemos pois sempre foi esta nossa busca!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Trabalho do POEMA

"O trabalho do POEMA desempenha um papel emblemático ao entrar em uma subjetividade extrema para atingir o sujeito em todo sujeito, passar do formalismo do signo a uma poática da sciedade. (...) O poema não sabe mais. Não ensina um saber. Não ensina. Evidentemente. Mas ele mostra. Trabalha o insabido. Nem à margem, nem fora dela." Henri Meschonnic

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Esse eu ganhei e nem parecia poema, parecia discurso, parecia verdade... É VERDADE!

O POEMA :

"Paradoxos e Oxímoros

Este poema se ocupa da linguagem num nível muito simples.
Observe-o falando com você. Você observa além de uma janela
Ou finge se inquietar. Você o entende. Você o entende mas você não o entende.
Você o perde, ele perde você. Vocês se perdem um do outro.

O poema é triste porque ele quer ser seu, e não pode.
O que é um nível muito simples? É aquele e outras coisas mais,
Pondo um sistema deles em jogo. Jogo?
Bem, na verdade, sim, mas considero jogo como sendo

Uma coisa exterior mais intensa, um fantasioso papel-padrão,
Como na divisão de virtudes destes longos dia de agosto
Sem garantias. Ilimitado. E antes que você o perceba
Ele se perde no vapor e tique-taque das máquinas de escrever.

O jogo foi feito mais uma vez. Acho que você só existe
Pra me fazer querer jogá-lo, no seu nível, e depois nem ligar
Ou ter adotado uma atitude diferente. E o poema
Me registrou suavemente a seu lado. O poema é você "

John Ashbery

O DISCURSO :

"Você não tem significado fechado , nem é um lugar hermeticamente fechado, você sempre renova as coisas em volta e sempre se renova...quero dizer, você é legível, mas legível como são os melhores poemas..."

Caio