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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Natal Amargo: Novo filme de Almodóvar


NATAL AMARGO: Uma obra sobre cinema, sobre roteiristas e suas narrativas. Achei engraçada, com muito humor negro, autorreferente e, sobretudo, um pouco morna. Não sei se chegou perto ou superou "O Quarto ao Lado" (2024), também sobre a brevidade da vida e gravado em inglês, e o último trabalho do diretor que eu tinha visto.

Parece mais com o belo "Dor e Glória" (2019), não só porque fala do envelhecimento e da proximidade da morte, mas sobretudo pela questão do filme dentro do filme (aqui seria um roteiro dentro do outro). Mas, nesse aspecto e saindo do universo almodovariano,  nem se aproximou de "Valor Sentimental" (2025), que para mim segue sendo o melhor do ano.

Mas, mesmo morno, um Almodóvar novo é um acontecimento. Vou querer, e precisar, assistir de novo, refletir, para falar com mais propriedade. Por hora, agradeço o privilégio de poder ter assistido a um lançamento de Almodóvar no telão do Cinesesc, ter meu cérebro e meus olhos alimentados por aquela estética, por aquela perspectiva de mundo, de cinema e das narrativas que moldaram minha juventude.

Coisas assim fazem a vida valer a pena.

Fui assistir usando cores  fortes,  cores de Almodóvar: azul, vermelho,  amarelo ... tudo junto em alguma harmonia. Pelo menos eu tentei. Não sabia que, no filme,  teriamos muitos azuis maus gelados ligados a hospitak e crises de pânico/ansiedade; alguns verdes mais apagados  ligados a triste personagem Patricia, amarelos tristes nas persinagens Natália e Raul e, especialmente, os  looks vermelhos fortíssimos da linda cineasta Elsa (possível alter-ego  de Almodovar ) naquele cenário paradisíacos branco e preto da ilha de Lazarotte ...

Outros comentários 



Algumas fotos 


Na esquerda Elsa, de vermelho. 
Na direita Natália, de amarelo. 

Em cima Raul, alter-ego de Almodóvar
Em baixo eu, também na frente da biblioteca 

Raul: cineasta em crise 




Elsa e Patrícia .Rosa e verde


Um acontecimento em cores

Me divirto. 




domingo, 30 de junho de 2019

Um monólogo de "Dor e Glória", de Almodovar

Asier Etxeandia interpreta Albarto Crespo

No filme  "Dor e Glória" de Pedro Almodóvar, um momento impactante é quando o basco Asier Etxeandia, no papel do ator Alberto Crespo,  interpreta um belo  monólogo do cineasta em declínio Salvador Mallo.

Em frente ao fundo vermelho vivo, comum ao Almodóvar tradicional (mas quase inexistente em Dor e Glória, quando os vermelhos tendem mais para o vinho), conta uma história de amor homossexual adolescente, que imediatamente me lembrou o conto "Frederico Paciência", de Mário de Andrade. Mais tarde, no filme, ficamos sabendo que uma das personagens que teriam dado origem ao monólogo se chama Frederico.


Coincidência deliciosa, né?
Vamos ver um breve trecho do monólogo, para nos deliciarmos?




"Estávamos em 1981 e Madrid era nossa!"

sábado, 29 de junho de 2019

Dor e Glória : O Outono alaranjado de Almodóvar

Um registro perdido no tempo

Nesta última semana assisti  mais um filme de Pedro Almodóvar, o  Dor e Glória, na companhia de uma grande amiga e, como sempre, foi uma baita experiência. Fazia tempo que não ia ao cinema  e sobretudo fazia tempo que não via um Almodóvar, por isso praticamente pedi a uma amiga, que tem o mais belo olhar sobre as coisas que eu conheço, para assistir comigo. Fomos no famoso cinema da Augusta, hoje Cine Itaú, o antigo Espaço Unibanco e regressar àquele lugar que foi tão meu, onde vivi tantas experiências cinematográficas, foi como voltar a uma vida que eu achei que não existisse mais, mas ela existe e eu posso participar dela, ainda.
 Sobre o filme, deixei passar alguns dias, para o impacto esfriar um pouco e ainda acho que poderia falar de alguns temas interessantes, como os atores, a questão do desejo, as lembranças da infância, mas sobre tudo isso tantos já falaram com mais propriedade que eu que eu quero apenas deixar um brevíssimo comentário sobre a mudança estética  que eu vi ocorrer  nesta obra .
Continuamos vendo um filme no qual as  famosas "cores de Almodóvar", por si só, já dizem muito e são, sem dúvidas, personagens da película. Mas estas estão diferentes. Os tons mais usados são os azuis  e os vermelhos, mas ambos se apresentam mais frequentemente em tons  menos quentes do que de costume. Seja na caverna onde o personagem principal morou quando menino, ou na casa mal iluminada que vive na maturidade para afastar as crises de enxaqueca, a luz, que destaca a cor, é economizada, como se estivéssemos mesmo num alaranjado pôr do sol.
Seria o outono da cinematografia de Almodóvar?Vejamos algumas imagens:




Cores se diluem no começo do filme.
A mãe: flores

O reencontro: tons mais claros
Paisagens oníricas: vermelho e Amarelo formando o alaranado pôr do sol



Muito azul e vermelho em todo o cenário


Azul e vermelho na casa



A infância: pontos vermelhos
Edoardo: O desejo é um espaço em branco