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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Balanço das metas para 2024: Melhor que ano passado!

 



Eu sei que deveria estar postando a Retrospectiva e o Prêmios Melhores 2024, mas esses dão muito trabalho, por hora consegui adiantar o balanço das metas que tracei em janeiro, para ter uma ideia de que se o ano foi bom ou ruim. Vejamos quais foram cumpridas, parcialmente cumpridas ou não cumpridas :


1 - CONTINUAR VIVA

META CUMPRIDA : Não corri risco de vida em 2024, mas fiquei bem ruim como nunca em abril e maio, com dengue e cirurgia. Mas cumpri a meta com sucesso e cá estou vivíssima.

 

2 - VIVER EXPERIÊNCIAS SENTIMENTAIS E AUMENTAR MEU AMOR PRÓPRIO

META CUMPRIDA : Nesse ano eu diminui o alcance dessa meta, queria só viver experiências sentimentais e isso consegui com sucesso, sem rasurar meu amor próprio, que até aumentou, tanto que acredito que possa tomar algo maior como meta em 2025. Veremos!

 

3- ME REINVENTAR PROFISSIONALMENTE

META NÃO CUMPRIDA: Estava tudo ruim nesse campo, sem luz no fim do túnel e continuou assim. Na verdade, passou tão rápido, em deu tempo de me reinventar: tantas prioridades, especialmente de saúde. Deixa pra 2025.

 

4- CONHECER E CURTIR SAMBAS E ROLÊS

META CUMPRIDA : Como sempre mantive uma rotina de samba em minha vida, conheci novas rodas no  Maria Zélia, inclusive algumas tradicionais cariocas e no dia da Consciência Negra, no Samba do Sol que sempre é uma delicia. Além do instrumental, como sempre maravilhoso, eu também conheci outros rolês, visitei exposições e foi maravilhoso flanar pelo centro de São Paulo fora do carnaval e ganhar um pouco mais de São Paulo para mim. Isso ninguém me tira mais.

 

5- CONTINUAR TREINANDO O QUANTO PUDER

META CUMPRIDA : Cumpri mesmo, apesar de tudo! Fui treinar super fraca,  com dengue e tudo, e no fim deu tudo certo, ganhei até massa muscular nas pernas, ui ui ui...

 

6 -CUIDAR DE MIM E DE QUEM AMO

META CUMPRIDA : Cumpridíssima, eu diria. Cuidei muito de mim, dos meus sentimentos, não me joguei de cabeça, me priorizei e quando senti que estava sobrando, me levantei da mesa sem brigas ou alarde, só amor próprio. E em dezembro, depois de cinco anos, acompanhei a alta da minha mãe no tratamento no Instituto do Câncer, que foi minha maior conquista do ano! Continuemos!

 

7- LER PELO MENOS UM LIVRO POR MÊS

META CUMPRIDA : Continuando a pegada de 2023, li bastante, vinte e um livros, bem mais do que um por mês, embora tenha tido meses que não li nenhum! Como no ano passado, o destaque foi a Biblioteca do Sesc Pompéia, que me emprestou tantos volumes,mas até do que esses que concluí a leitura, e que assim seja mais e mais em 2025! Além desses empréstimos, eu também ganhei livros, o que foi uma delicia, porque me mostrou que, apesar de parecer que vivo na total solidão lendo e escrevendo sobre minhas leituras, tem sempre alguém que vê, que acompanha, que gosta que gostaria de receber minha opinião sobre os livros. Esse ano eu só comprei um livro usado, o Claro Enigma do Drummond, que comprei depois de ler o volume da biblioteca e quis ter o meu. Maravilhoso livro do tempo da madureza. Viva os livros, meus melhores amigos!

 

8- ESCREVER

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Meta difícil de cumprir todos os anos, dá trabalho e não vem sendo cumprida desde 2022,nesse mundo sem leitores, escrever é também é importante para mim, porque tem sempre alguém que lê e se nutre do escrito.Esse ano, além do blog, que mantenho à duras penas e falta de tempo para me sentar para escrever, também vim escrevendo  pequenas resenhas imediatas após os shows do instrumental, no ônibus mesmo, e publicado no Instagram, o que tem sido interessante. Também escrevi (e li)   sobre Caetano Veloso, que é sempre desconcertante. Sigamos!

 

9- CONTINUAR A BUSCA PELA MINHA ANCESTRALIDADE E ESPIRITUALIDADE

META CUMPRIDA : Essa ligação nunca é cortada e me dá ânimo de acordar a cada novo dia. Assim seja no próximo ano, pelo resto do ano pelo resto da vida!

 

10- PROSPERAR

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Sim, mantive minha saúde apesar das pestes,  evolui bastante, enriqueci espiritualmente e espalhei alegria e conhecimento por onde andei. Não me acertei no campo profissional, embora tenha trabalho com produção de conhecimento o tempo todo, um dia vai dar frutos. Não encontrei o amor no tempo da madureza, mas vivi experiências muito boas, estou na fé que estou pronta para amar e ser amada de novo. Falta ainda ter mais forças para me libertar mais e andar com minhas próprias pernas, mas tudo tem seu tempo e o meu será em breve !

 

Em se tratando de metas, 2024 foi melhor do que 2023. Se no ano passado tive seis metas cumpridas, 1 parcialmente cumprida e três não cumpridas, esse ano cumpri sete metas, tive duas parcialmente cumpridas e apenas uma não cumprida. Aos poucos a vida vem  melhorando. Assim seja!
Em janeiro posto as metas para 2025!

sexta-feira, 15 de março de 2024

Canto da sereia e o cancioneiro para os Orixás

 
Um dos meus livros da vida 😍

O CANTO DA SEREIA: De todas as decepções amorosas que tive na vida (quem nunca?), as mais dolorosas foram/são as com negros, que me contaram histórias, dizem revelar "segredos" desse passado ancestral que nos foi roubado. Quando se acha que essa busca de toda uma vida pode ter chegado ao fim, mas foi só mais uma ilusão, a punhalada é violenta. Como dói...

Aí eu volto a um dos meus livros da vida e vou buscar os orixás no belo cancioneiro brasileiro e tudo vale à pena.

Orô pandeiro

Orô viola 🎶

domingo, 10 de janeiro de 2021

Torto Arado: Servidão - Ancestralidade - Mulher

 

À esquerda, a capa de Torto Arado, por Linoca Souza
À direita, a foto de Giovanni Marrozzini em Nouvelle (2010)

Venho dizendo que é muito difícil falar desse livro, mas é impossível não falar. Como sei que nunca vou conseguir escrever sobre como ele merece, então vou tentar  pontuar algumas questões que julgo importantes e , evitando dar spoiler, pelo menos não muito, mas é que tem coisas que acho que preciso comentar. Quis muito que esse livro fosse bom, fosse mágico, fosse arrebatador, mas como quase nunca meu desejo é realizado, comecei a ler sem expectativas. Planejava ler até a virada do ano e se fosse preciso, no começo de janeiro, mas comprei na primeira semana, dia 8 de dezembro, mas só recebi dez dias depois, comecei a ler dia 18  e terminei dia 26: o Livro de dezembro! Presente de Natal!

Durante a leitura já fui sentindo essa dificuldade de falar sobre ele, é tão mágico, não dá para comentar muito, mas é urgente recomendá-lo. Na hora que terminei, no final de um ano apocalíptico como foi 2020, não sabendo o que dizer, disse apenas: Que tiro foi esse?

Como demorou um pouco para chegar (os pedidos ultrapassaram o previsto em dezembro e foram precisas novas edições), eu assisti as resenhas no Youtube, todas eram unânimes : se trata de um livro que nasceu clássico.   Um dos Youtubers disse que tem tantas coisas nesse livro que é impossível comentar. Não foi só eu. Estou tentando escrever sobre faz tempo, mas é tão enorme, que eu acho um pecado profanar. Vou tentar ler a partir de três tópicos que mais me chamaram a atenção  porque se ampliam  e podem meio que sintetizar o romance. Avisando que avisando  estes não são os únicos que julgo  importantes do livro, nem os  únicos que eu gostei, mas são os que mais me tocaram e sobre eles me sinto ligeiramente confortável para comentar: 1 Terra – Escravidão- Servidão;  2 Brincadeiras de Jarê- Encantaria  - Ancestralidade ;3-  Mulheres fortes e unidas;

1 Terra – Escravidão- Servidão
O livro é sobre  uma comunidade rural, a partir da história da família do curador Zeca Chapéu Grande, sua esposa a parteira Salu e seus quatro filhos, que passaram a viver de “morada” na fazenda Água Negra com o fim da escravidão, no interior da Bahia, e foram trabalhar em regime de servidão. Quem narra são as duas irmãs mais velhas, Bibiana e Belonisia (cada uma narra um capítulo). Em tempo, fala-se de pessoas que saíram da escravidão e passaram à servidão, até o surgimento de novos tempos com lutas sociais.

A epígrafe do romance é só TODO o capítulo 28 de Lavoura Arcaica de Raduam Nassar (livro que reli imediatamente  após terminar Torto, ainda em 2020)  

capítulo 28 de Lavoura Arcaica, de Raduam Nassar

Nesta entrevista Itamar conta que o arado torto que aparece no romance é um instrumento de trabalho arcaico, que veio dos antepassados de Belonísia e que "se deformou com o tempo, mas ainda continua rasgando a terra para semear a vida”. Itamar diz  também que a ideia do título foi retirado de um trecho de Marília de Dirceu, de Thomás Antonio Gonzaga, e todo o imaginário do trabalho com a terra na literatura brasileira é pontuado no romance. Foi fácil encontrar na internet:

“A devorante mão da negra Morte

Acaba de roubar o bem que temos;

Até na triste campa não podemos

Zombar do braço da inconstante sorte:

Qual fica no sepulcro,

Que seus avós ergueram, descansado;

Qual no campo, e lhe arranca os frios ossos

Ferro do torto arado.”  (Marília de Dirceu)

 

Percebe-se de  cara que é uma história de gente que tem a terra como parte de si, do seu corpo , e seu habitat, afinal  como os donos da fazenda não os permitia ter nenhum bem durável,  não tinham casas de alvenaria,e até  vivem em casas feitas de barro (terra). Segundo conta a filha de Zeca Chapéu Grande,  Belonísia, a mais ligada ao pai:

“Meu pai, quando encontrava um problema na roça, se deitava sobre a terra com o ouvido voltado para seu interior, para decidir o que usar, o que fazer,onde avançar, onde recuar.

Como um médico à procura do coração." p.100

Além de Belonísia, que não se via separada da terra, para todos eles a terra  também era tudo, mas embora nela labutassem dia a dia para dar a terça parte da produção ao seu dono (tipo na idade média mesmo) e ainda agradecendo-lhes pela chance de poder trabalhar naquele chão, a vida que levavam ao cultivar para alimentação própria, sem dinheiro, quase sem autonomia não era justa, como conta Bebiana:

“se algo acontecesse a eles, não teríamos direito à casa, nem mesmo à terra onde plantavam sua roça. Não teríamos direito a nada, sairíamos da fazenda carregando nossos próprios pertences. Se não pudéssemos trabalhar, seríamos convidados a deixar Água Negra, terra onde toda uma geração de filhos de trabalhadores haviam nascido. Aquele sistema de exploração já estava claro para mim.”p.83

Isso tudo me lembrava o tempo todo a canção Estrela Maga dos ciganos, do Elomar Figueira Melo:

"É tanta coisa pur dever tanto pagar

Sem receber tanto que dar

Chega! Já num guento mais não

 (...)

E inquanto na face da terra havê tiranos,

Vassalos e susseranos

Sinhorio e servidão

Fico lá incima hospedado com os Reis Mago

Nos camim de São Tiago

Num boto os pé nesse chã"


Nada é exposto diretamente pelas narradoras, nenhuma das três, mas a narrativa vai nos fazendo ver, cada vez mais claramente, a realidade daquele povo, juntamente com o momento em que eles mesmos vão se enxergando como são : escravos não são mais, não recebem mais açoite (embora a mãe de Zeca narre lembranças dessa época sofrida na tal fazenda Caxangá ), mas às vezes se dizem índios porque sabem que há lei para protegê-los; sabem que são trabalhadores, mas a qualquer hora os donos podem chegar e tomar-lhes o plantio, sem dó. É uma vida muito “análoga à da escravidão”. Demora um pouco, no tempo e na narrativa, para que os irmão mais jovens das protagonistas e netos de Zeca Chapéu Grande  passem a falar em termos  como “quilombolas”, que poderia inseri-los  sob a proteção legal:

“Não podemos mais viver assim. Temos direito à terra. Somos quilombolas” p.187

Nada acontece por acaso, mas não posso deixar de tomar como curioso que, ao mesmo tempo em que lia,  fico sabendo da história do resgate de Madalena Gordiano (46 anos), essa mulher tão bonita, que viveu 38 em regime análogo à escravidão na casa de uma família, em Patos de Minas (MG). Escrava em pleno século XXI? Pois é. Como no romance, a historia não  para nela , mas  possivelmente se estende a sua família ,sua  irmã . É muito ter a "nossa saga" brasileira jogada na cara. Como prosseguir?

Do outro lado dessa vida de trabalho braçal  sem fim na roça, temos um dos trechos mais bonitos do livro em minha opinião, quando Bibiana conta  

“Meu pai não era alfabetizado, assinava com o dedo de cortes e calos de colher frutos e espinhos da mata. Escondia as mãos com a tinta escura quando precisava deixar as digitais em algum documento. De tudo que vi meu pai bem-querer na vida, talvez fosse a escrita e a leitura dos filhos o que perseguia com mais afinco. Quem acompanhasse sua vida de lida na terra ou a seriedade com que guardava as crenças do jarê, acharia que eram os bens maiores de sua existência.Mas pessoas como nós, quando viam o orgulho qe sentia dos filhos aprendendo a ler e o valor que davam ao ensino, saberiam que era o bem que mais queria poder nos legar.”P. 66

Emocionou-me muito essa parte porque ele me remeteu, de alguma forma,  ao meu pai, que não era analfabeto, mas estudou menos do que gostaria, só que  gostava dos livros e do saber e, segundo minha mãe conta, quando casou levou duas malas, uma de roupas e outra de livros para nova vida. Já idoso e começando a ter esquecimentos, lia todo dia, o dia todo, uma cópia impressa com erros da minha dissertação  que ficava no quartinho dele. Certamente tinha orgulho de mim, e eu dele tenho muito.

2 Brincadeiras de Jarê- Encantaria  - Ancestralidade

Outra das maiores belezas de Torto Arado é todo seu caráter mágico. Muitas vezes, lendo sobre a infância de Bebiana e Belonísia, pensei que estivesse lendo estórias mágicas das crianças de Guimarães Rosa (minha especialidade), ou mesmo em outras descrições do decorrer do livo, parecia que  estava lendo algum texto de realismo fantástico. Isso porque, junto às personagens, estão sempre seus ancestrais, encantados, santos,espíritos e outras manifestações mágicas, o que é muito bonito e importante.
Zeca Chapéu Grande é um curador de Jaré, pai espiritual de toda a comunidade, que o procurava para curar males do corpo (já que medicina estava distante), mas especialmente da alma. Quando apareciam doentes assim, ficavam alguns dias em sua casa, conta Bebiana

“Não eram hóspedes, visitas ou convidados. Eram pessoas desconectadas de seu eu, desconectadas de parentes e de si. Eram pessoas com encosto ruim, conhecidos e também desconhecidos de todos. (...) O que mais chegava à nossa porta eram as moléstias do espírito dividido, gente esquecida de suas histórias, memórias, apartadas  do seu próprio eu” P. 33 e 39  

Religião daquele povo, as “brincadeiras de jarê” tratam-se de

“uma religião de matriz africana, mais especificamente um candomblé de caboclo, que existe exclusivamente em cidades do Parque Nacional da Chapada Diamantina (...)Uma de suas principais particularidades é o grande sincretismo religioso, com influência do catolicismo, da umbanda e do espiritismo kardecista. Pode ser considerado um amálgama das nações bantu e nagô, as quais se uniram o culto aos caboclos.” (Wikipédia)

 Nada mais brasileiro e bonito. Nessas práticas, no romance, quem comanda as festas e as homenagens é o curador Zeca Chapéu Grande, mas ele também recebe a ajuda, incorporado  ou não, de Encantados,que, diferentemente das entidades da umbanda,

“não são necessariamente de origem afro-brasileira e não morreram, e sim, se "encantaram", ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo em seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras. Na Encantaria, as entidades estão agrupados em famílias e  possuem nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem.” (Wikipédia)

A confiança nessas forças e energias, ao que parece, está sustentada na presença constante dos ancestrais para dar apoio e proteção em todos os momentos da vida. Os encantados e encantadas, que viveram desde antes, sabem de tudo, conheceram os ancestrais mais longínquos, sabiam quais das coisas que acontecem agora são repetições de acontecidos com ancestrais nessa terra. Saber (não apensas acreditar) da sua importância  como guias para  a vida das personagens é o que me parece dar a sentido àquelas vidas tão sofrida que levam.  Eis  o verdadeiro tesouro do povo preto. Muito emocionante.

3-  Mulheres fortes e unidas  

O último tópico, mas não menos importante (muito ao contrário, talvez o mais importante mesmo) seja a união das mulheres nessa saga toda. Além das duas irmãs narradoras, que possuem uma ligação muito íntima, que os acontecimentos da trama só reforçam e que, mesmo quando elas se afastam, nunca morre, também temos as suas  ancestrais e até mesmo as encantadas são a marca feminina desse romance. Na entrevista do autor, citada acima, ele lembra que no cenário rural do sertão da Bahia as mulheres têm protagonismo muito forte na família e na comunidade, porque elas sobrevivem mais tempo, guardam as memórias.

Encerro este texto com outro trecho que muito me tocou:

Amigas, afeto

O afeto que Belonísia ganha, sem querer, de sua amiga Maria Cabocla e nunca vai saber como lhe agradecer. Eu não tenho os cabelos crespos, mas é cacheado e, como cresci numa família branca, de gente de cabelo liso, eu também demorei muito para receber um carinho na cabeça, e foi fora da família, como se aquele meu cabelo diferente não tivesse o direito de receber um carinho, não por maldade, mas porque , inconscientemente, funciona assim. Eu sei como é e só agradeço aos meus orixás e encantados por, ainda que tarde, tenha tido essa oportunidade na vida. E mais de uma vez.

Que livro, gente! Que livro! 

 

 

 


sábado, 14 de dezembro de 2019

RELEMBRANDO 2019: Retrospectiva do blog (1o. semestre)



A tradicional retrospectiva do blog Pequenidades em 2019, o ano que não podia ter sido, mas será que foi? Vou dividir em duas partes, para caber no Blogger um comentário mês a mês. Vamos ao primeiro semestre:

JANEIRO - Comecei com muito medo da tragédia que o ano estava ensaiando ser, mas tentei levar de boa, como uma continuidade do ano de 2018, curtindo muito a Casa das Caldeiras, que eu sabia que me salvava a vida mas não sabia que seria por tão pouco tempo. Vale observar que no primeiro rolê do ano eu estava toda na defensiva, vestida com as roupas e as armas de Jorge
Pilantragi janeiro 2019

Desde o início 2019 era o  ano com gosto de  "até quando vou sobreviver"? O panorama político, que já ia de mal a pior, desde janeiro foi resumido pelo poema de  Augusto de  Campos

Poema de "O Mito", de Augusto de Campos, jan, 2019

FEVEREIRO – Desde o ano passado estava muito preocupada com a saúde de minha mãe, sabíamos que ela ia passar por uma cirurgia grande, estávamos esperando ser chamada. Mas em fevereiro eu ministrei uma palestra abordando cem anos de representação da menina negra na literatura infantil brasileira em  três momentos (Flor Encarnada de Arnaldo Oliveira Barreto, 1921; A Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado, 1986 e Menina Pretinha. da Mc Soffia, 2016), para o Sesc, começando a destacar a questão do ano: a ANCESTRALIDADE. 
personagens 
Ainda em janeiro ganhei um cd do raper Gui do Guetto rap na rua, e me voltei para essa cultura black. Mas ao  mesmo  tempo, como todos os anos nessa época,  eu já estava ansiosa para o carnaval, que seria só em março, eu  achava que seria bem na hora do carnaval, por isso quis aproveitar muito o pré carnaval e aproveitei todos os ensaios, foi muito gostoso.
Pré Carnaval TaradoNiVocê

MARÇO – Era carnaval e eu pulei os quatro dias, deliciosamente, escrevi detalhes sobre todos os dias aqui. Foi um carnaval sem palmitagem, glória a Deus! Ao mesmo tempo, li um livro  indicado pelo amigo Luiz Henrique, era Espírito da Intimidade e foi muito importante para pensar questões sentimentais entre pretos e pretas e novamente, sobre a palavra do ano, ancestralidade, com trechinhos lindos assim:
"A intimidade, em termos gerais, é uma canção do espírito, que convida duas pessoas a compartilharem seu espírito. É uma canção que ninguém pode resistir. Acordados ou dormindo, em comunidade ou sozinhos, ouvimos a canção. Não conseguimos ignorá-la."

(Sobonfu Somé. O Espírito da Intimidade - Ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar. Trad. Deborah Weinberg. 2a. ed.  Odysseus Ed., 2007,  p. 25.)



ABRIL- Cirurgia de mamãe. Foi muito tenso, mas estivemos todos juntos em nome de um bem maior que era a recuperação dela e tudo ocorreu da melhor forma. Afora isso, eu estava curtindo muito meu cabelão, mal sabia que, em breve, ele seria cancelado,  lamentavelmente. Mas com esse cabelão eu fui ao último Samba Rock plural na Casa das Caldeiras, querendo mais contato com a ancestralidade, mas ainda foram tentativas frustradas, só que renderam para o ano todo, como neste diálogo:
Sorrisos negros 

 Também em abril eu fui a uma festa de Hip Hop nas Caldeiras, foi amor à primeira vista...depois acabei me especializando um pouco nesse ritmo, mas tudo começou ali!
 

novos óculos
MAIO- Comecei a querer modificar meu visual, o que se estendeu o ano todo e nem sempre foi para melhor, mas em maio foi positivo, pois comecei a  usar óculos roxos, bem charmosos.
Mas era o mês da Virada Cultural e o Sesc Pompéia  fez uma linda homenagem à Cultura Africana, era perto e deu para curtir um pouco e voltar depressa para ficar com mamãe, e ter curtido foi ótimo, pois me  levou a retomar aquela essencial busca pela ancestralidade, sonhada há tanto tempo e que agora parecia estar mais próxima. Na Virada eu me diverti  no show Essênc'Iyá: lê Aiyê convida Paula Lima e Ellen Oléria
cartaz do show na Virada

Até que, infelizmente, chagamos no último rolê do projeto Todo Domingo Musical na Casa das Caldeiras e tentamos nos divertir ao máximo! 
JUNHO- Nesse mês as coisas começaram a ficar mais corridas, pois passei a acompanhar minha mãe no hospital para tratamento toda semana, o que me sugava muita energia. Como tinha tempo livre na sala de espera, usei para ler bastante, começando pela biografia Matinho da Vila: Reflexos no espelho,  que comentei neste post. Ainda nas leituras, preocupada com ancestralidade, conheci e comentei aqui sobre o conto de Conceição Evaristo, A gente combinamos de não morrer, que fala tanto sobre a realidade do negro no Brasil do atual governo. Ainda neste mês teve o lançamento de Almodóvar, muito bem acompanhada da minha amiga Rosane, sobre o filme, postei nesse link. Aliás, junho foi um mês que eu passei com  Rosane  algumas  vezes, numa delas conheci o belo Sesc 24 de maio, onde tirei essa foto, bela, mas cheia de melancolia
São Paulo, no Sesc 24 de maio

Assim foram os primeiros seis meses de 2019, muita coisa mudaria depois, mas elas só comento na semana que vem! :)




terça-feira, 11 de junho de 2019

A bela voz da ancestralidade : Tiganá Santana

Tiganá Santana

Mano! Mano! Mano!
Como faz com UM HOMEM DESSE, FALANDO UMAS COISAS DESSAS?
Acho que eu desejo algo assim para minha vida! 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ricardo Aleixo e a ancestralidade

Primeiro chegou a mim a fala de Ricardo Aleixo nesse vídeo:

"... ter convivido com meus pais, que foram as duas pessoas mais admiráveis que eu já tive a chance de conhecer,  significou a a possibilidade de pensar a ideia de ancestralidade não  como é comum a boa parte dos negros no Brasil - pensar em uma África mítica - a minha África é a minha casa. E pensar, também, a partir do momento em que foram nascendo os filhos ... foi o momento em que eu comecei a pensar na ancestralidade não como aquilo que está dado, mas a partir da poética da cosmogonia africana : ancestre é também aquele que ainda não veio e isso é o que determina a circularidade e a sobreposição dos tempos ..." (27' e 29')

Depois tem o poema:

ANCESTRAL
é quem
vive no meio
do tempo
sem tempo:
é quem veio
e já foi
e é também
quem
ainda não
veio

Ricardo Aleixo, poeta das minhas performances!