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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Pacarrete (2019), Allan Deberton

 



PACARRETE

Assisti ontem a este filme de 2019, dirigindo pelo cearense Allan Deberton, e achei que gostaria mais. Afinal, ele é livremente inspirado na história real de uma bailarina cearense, mas ficou faltando alguma coisa. Talvez essa história pudesse ter sido contada de um jeito mais engraçado, sei lá.

A atuação de Marcélia Cartaxo como Pacarrete é o ponto alto do longa. Nós, espectadores, a achamos uma graça; achamos ranzinza, grosseira e teimosa, uma chata até, como pode ser uma artista idosa fragilizada pelas vulnerabilidades da velhice. Isso a torna uma pessoa ainda mais difícil de lidar e, no fim, nos compadecemos dela, claro. Mas não dei uma risada com ela, o que salvaria a personagem e talvez o filme todo.

A maior parte do elenco de apoio fica no mediano, mas um ou outro ator é bem ruim. Para mim, o maior problema está no roteiro previsível porque, embora haja momentos de pura ternura, belas memórias e a emocionante cena da fita VHS, a belíssima cena final parecia estar praticamente prevista desde o início.

Queria tanto escrever maravilhas sobre este filme, mas desta vez não foi possível. Talvez pelo filme, talvez por mim, talvez pelas expectativas não alcançadas. Para mim, não funcionou tão bem. Seria a minha boca já muito amarga para esse cubo de açúcar cor-de-rosa choque, ou foi pelo riso que nunca veio? 

domingo, 19 de julho de 2026

Devoradores de estrelas, ET ao contrário

 

 

DEVORADORES DE ESTRELAS (Project Hail Mary, 2026), dirigido por Phil Lord e Christopher Miller: Foi por recomendação que, enfim, assisti a essa ficção científica delicinha e emocionante, com uma trilha sonora muito boa. São duas horas de muita ciência, imagens incríveis e um roteiro cheio de graça, lambuzado de afeto e humor. Claro que me lembrou E.T. – O Extraterrestre, só que ao contrário. Como alguém disse nas redes, fazia tempo que a iminência do fim do universo não deixava na gente essa sensação de leveza.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Live sobre humor e Linguagem infantil

 

Cartaz de divulgação 

Tive que gravar um vídeo convidando 

A live foi muito divertida, ficou registrada no YouTube e você pode assistir aqui.
Falei da infância nas estórias de Rosa, e da pesquisa sobre Pedro Bloch, foi um prazer.
Usei algumas imagens :
Registro que Guimarães Rosa fez da fala da sua neta Vera Tess quando ela tinha de 3 para 4 anos. É muito interessante esse registro da Vera porque mostra que ela entendeu a diferença entre criança e adulto vá partir do uso da linguagem. O vovô fala ratinho porque cresceu e aprendeu pronunciar o R.


Anedota do livro "o incrível humor da criança", de Pedro Bloch.
Aqui o humor , como brincadeira, vira o verbo RISAR


Pedro Bloch: Escutador de crianças 

Trecho do livro Tutaméia no qual Guimarães Rosa convoca as crianças para interpretar o mundo.



Seleção de 11 anedotários infantis que usei como fontes em minha pesquisa de pós doutorado

Os Dicionários infantis de Pedro Bloch

Como leitura introdutória para a live, disponibilizei para as organizadoras três artigos, que podem ser baixados nesses links:

 

2- Anedotários de Pedro Bloch: uma história de humor, livros e crianças, publicado no ebook  Diálogos Possíveis: História e Literatura em Perspectiva. São Carlos: UFSCAR/CPOI, 2021;


Ainda sobre Pedro Bloch :

4- Pedro Bloch: Um escutador da graça das crianças, publicado na Revista childhood & philosophy,  em 2018;

Para terminar, uma imagem nossa, na live



terça-feira, 13 de julho de 2021

Um capítulo sobre Pedro Bloch

 


No Ebook “Diálogos Possíveis: História e Literatura em Perspectiva – Vol. 1 e 2”, organizados por Thiago Sampaio (Unesp) e Alex Rogério da Silva (ufscar)  e disponível gratuitamente em PDF,   saiu um um capítulo sobre pesquisa de pós doc intitulado 

  ANEDOTÁRIOS DE PEDRO BLOCH: UMA HISTÓRIA DE HUMOR, LIVROS E CRIANÇAS e você pode ler nas páginas 129-159 deste link.

Este texto  texto é um dos resultados da minha pesquisa de  pós-doutoramento em História Cultural do Humor intitulada "Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história
cultural do humor e da criança (1952 - 2002)", pela USP entre 2015,
2017.

É bem divertido, garanto ! 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Sobre a censura ao humor no Brasil em 2019


O Brasil vive um caso de censura explicito em relação ao especial de natal do Porta dos Fundos 2029  .Vejamos o que diz o Henry Bugalho sobre esse contexto 



Acho esse cenário assustador, temo dias muito piores. Não vi o especial porque não sou assinante Netflix, mas até gosto do humor do Porta dos Fundos, nunca me senti ofendida quando abordam as coisas que eu acredito, talvez porque sou uma cientista (pesquisei até humor, inclusive) e saiba que é humor, um discurso múltiplo, totalmente diferente, até oposto à pobre leitura unilateral da Bíblia proposta pelos fundamentalistas. Tomara que possamos reagir agora, tentar cortar o mal maior enquanto inda é possível.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Artigo sobre os Dicionários de Humor Infantil de Pedro Bloch

Capas dos dicionários de humor infantil de Pedro Bloch

É com imenso prazer que compartilho com todos a publicação do artigo sobre os dicionários de humor infantil de Pedro Bloch pela Revista de História da USP , que é o melhor texto que produzi durante minha pesquisa de pós doutorado. Trata-se de um material muito divertido, com o qual amei trabalhar. Para ler, acesse aqui.

Espero que gostem.

sábado, 7 de julho de 2018

A Copa do Mundo e a História da Cultura do Divertimento



Como sabem eu sou uma pesquisadora na área de História Cultural e minha mais recente pesquisa está vinculada a uma modalidade recente da historiografia, a História Cultural do Humor, mais especificamente as anedotas de crianças. Nesses dias de Copa do mundo eu recebi um parecer sobre um artigo que submeti que destacava minha perspectiva como original pois eu utilizo "fontes que poderiam ser consideradas efêmeras ou menores, voltadas à CULTURA DO DIVERTIMENTO, e considero índices privilegiados para se ESCUTAR AS VOZES DOS ATORES DO PASSADO"
Para quem conhece a historiografia não é novidade o interesse extremo por objetos relacionados a cultura do divertimento, como história dos bares e botecos, da boemia,das revistas e livros pornográficos, dos líbelos e panfletos, do esporte, da canção, etc, tudo isso diz coisas sobre a sensibilidade do passado que a História oficial nunca alcaçaria, porque divertimento é humano e se está no tempo, também é história. Tanto é história que esta cultura também está submetida a outras engrenagens sociais (no caso do futebol, os altos valores que fazem circular ou a corrupção de entidades como a FIFA, por exemplo)... mas no fim é tudo em torno de algo tão demasiadamente humano, o divertimento!
Preguiça desse povo que só bate na tecla do "pão e circo"

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Pedro Bloch: Um escutador de crianças



Cumprindo a meta 3 para meu 2018, acaba de ser publicado na revista childhood & philosophy o artigo "Pedro Bloch: Um escutador das crianças", a primeira produção sobre o meu pós-doutorado! O conteúdo é o mesmo da palestra que ministrei na UERJ em agosto de 2017 e trata dos anedotários infantis de Bloch! Boa leitura!

domingo, 23 de julho de 2017

Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa e o Humor


Um texto do poetinha que acho que tem tudo a ver com HUMOR:

"Realmente, quando em meio a um discurso lógico nos deparara um grão de 'não senso', somos inconscientemente tocados pelo riso, que é o tédio da lógica ou pela poesia, que é a lógica do mistério. Um nó qualquer se desfaz em nosso espírito e vivemos um instante de liberdade no seio de uma ordem sem nenhum dogma."

(Vinicius de Moraes - "A poesia do não senso" - trecho de uma fotocópia de jornal colada em um dos cadernos manuscritos de Guimarães Rosa em seu acervo no IEB, sem indicação de data ou veículo em que foi publicado. Mais sobre este texto, humor e Rosa, confira o artigo "ANEDOTÁRIOS NOS CADERNOS DE ANOTAÇÕES: UMA VEREDA ESPIRITIUOSA NOS MANUSCRITOS DE GUIMARÃES ROSA"

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Começo do meu trabalho sobre o humor com criança Pedro Bloch foi em Guimarães Rosa


A primeira citação direta ao projeto de Pedro Bloch com as anedotas infantis que encontrei foi no livro de Guimarães Rosa que estudei no mestrado. Vejamos o trecho:

"Deixemos vir os pequenos em geral notáveis intérpretes, convocando-os do livro "Criança diz cada uma! ", de Pedro Bloch:
O TÚNEL. O menino cisma e pergunta: - "Por que será que sempre constroem um morro em cima dos túneis?"
TERRENO. Diante de uma casa em demolição, o menino observa: - "Olha, pai! Estão fazendo um terreno!"
O VIADUTO. A guriazinha de quatro anos olhou do alto do Viaduto do Chá, o Vale, e exclamou empolgada:
- "Mamãe! Olha! Que buraco lindo!"
A RISADA. A menina - estavam de visita a um protético - repentinamente entrou na sala, com uma
dentadura articulada, que descobrira em alguma prateleira : - "Titia! Titia! Encontrei uma risada!"
O VERDADEIRO GATO. O menino explicava ao pai a morte do bichinho: - "O gato saiu do gato, pai, só ficou o corpo do gato."

(ROSA, João Guimarães. Tutaméia: Terceiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967, p. 8-9.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Mais um parágrafo do relatório final

MAIS UM PARÁGRAFO IMPORTANTE:

"Sublinhamos a atitude de Pedro Bloch como autor, pois ele, já na década de 1960, ao assumir a criança não apenas como personagem representada em suas narrativas, mas também como sujeito coautor delas, deixando que o mirim expresse sua voz via comicidade, faz do humor uma chave para uma melhor a compreensão do fenômeno infância, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma nova sensibilidade em relação à criança e à infância, aproximando-se do que depois Raymond Williams denominaria como nova “estrutura do sentimento” (WILLIAMS, 1977, p. 150-8), o que é de grande interesse para a História Cultural." Camila Rodrigues ""Anedotas infantis de Pedro Bloch : Narrativas de história cultural do humor e da criança (1960 - 2002" 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Apreensão infantil e o humor


PINKER, Steven. Toca do coelho adentro. In: Do que é feito o pensamento – a língua como janela para a natureza humana. Trad. Fernanda Ravagnani. São Paulo:Cia das Letras,2008.

Neste livro, Steven Pinker escreve um capítulo excelente sobre como as crianças costumam empreender extensas explorações de linguagem e por isso analisar seu discurso pode nos ajudar a compreender sua cosmologia e, claro, gerar situação engraçadas ao empregar “o código da linguagem com segurança suficiente para entender coisas improváveis como uma vaca pulando sobre a lua e um pato fingindo com a colher, ou expressar suas percepções infantis como ‘thinkthe Wind wants to get in out of the rain” [“acho que o vento quer entrar e sair da chuva”] ou “Ioften Wonder when people pass me by do they wonder about me” [“Sempre fico pensando quando as pessoas me passam elas ficam pensando em mim] (PINKER,2008, p. 43)

[Pinker esclarece que essas apreensões infantis que utilizou foram feitas pelo escritor Lloyd L.Brown do discurso de sua filha]


domingo, 15 de janeiro de 2017

O começo do fim do pós doc

Ainda não sei se vou pedir prorrogação do pós doc para escrever um ensaio e publicar em livro, mas a princípio devo terminar esta etapa em julho, então já comecei a escrever o relatório final. Tem duas possibilidades para o título do relatório, qual vocês preferem : com cirquinho ou com escárnio? (com Emoji e tudo mais)... Gostam?




ou 


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Humor criando novas lógicas de pensamento

(Nota de rodapé 99 de Marta Rosas de Oliveira, A tradução de humor: aspectos linguísticos e culturais na produção, leitura e transcriação de piadas. Diss. mestrado, Univ. Federal da Bahia, 2001, p. 68. A autora refere-se a seguinte entrevista, traduzida por ela própria LIVERSIDGE, Anthony. Interview: Edward De Bono.OMNI, March 1985p.75-6;116,118-20)

Humor criando novas lógicas de pensamento

(Nota de rodapé 99 de Marta Rosas de Oliveira, A tradução de humor: aspectos linguísticos e culturais na produção, leitura e transcriação de piadas. Diss. mestrado, Univ. Federal da Bahia, 2001, p. 68. A autora refere-se a seguinte entrevista, traduzida por ela própria LIVERSIDGE, Anthony. Interview: Edward De Bono.OMNI, March 1985p.75-6;116,118-20)

sábado, 25 de junho de 2016

Respostas engenhosas de crianças

O Catraca Livre publicou um site com respostas engenhosas de crianças.
Uma delas me chamou a atenção especialmente:

Tudo a ver com a "carta enigma" que o Guimarães Rosa escreveu para a irmã quando menino:  o pensamento da criança  de dividir palavra por palavra - escrita e falava- se lambuzando na linguagem ... sensacional!