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sábado, 2 de novembro de 2019

Afro futurismos de Ben





Essa música é de 1974, do disco mais afro futurista de Ben, que é "Táboa de Esmeralda". Me lembra tanto o curta "Afronautas", de Nuotama Bodomo ( EUA - 2014), que vi na mostra de cinemas africanos em julho, ele conta que em 1969, enquanto os norte americanos se preparam para lançar a Apollo 11, na Zâmbia um grupo de exilados está tentando passar à frente e chegar primeiro à lua. pois também os africanos tinham o "impulso de sondar o espaço ...e voar sozinho até as estrelas"
Isso é Afro futurismo, isso é dar voz à narrativas de pessoas cujo passado foi negado, e também qualquer chance de futuro , pois suas vozes foram silenciadas! Se isso não for História, o que mais seria?
#OMelhorDoBrasilÉJorgeBen

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

'Zumbi' de Jorge Ben ao vivo em 1973


"Na primeira vez em que foi tocada em público, no ano de 1973, no Festival Phono 73, 'Zumbi' era uma balada encharcada de emoção. Contava de forma embargada a ancestral saga dos negros brasileiros, terminando num crescente, com apelos entre nostálgicos e desesperadamente esperançosos de 'eu quero ve-ê-er", e uma lenta listagem dos reinos africanos, cada nome sendo pronunciado como se fosse uma instância mágica, capaz de evocar por si uma espécie de força mística. A parte final da primeira apresentação de 'Zumbi' marca um dos ápices da performance vocal na carreira de Jorge Ben. Da capacidade expressiva de uma voz que oscila entre a estabilidade e o caos, a doce melodia e o grito. " Paulo da Costa e Silva. A tábua de esmeralda, p. 125

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Sobre o cancioneiro de Ben



"... Quanto mais eu ouvia Jorge Ben, mais eu percebia que sua música é capaz de induzir a um determinado estado de espírito: um estado de plenitude e força, capaz de inspirar uma atitude altiva perante a vida. Não por acaso sua lira é recheada de incríveis heróis, obstinados e orgulhosos guerreiros. Seja qual for o tema tratado em suas canções, parece sempre haver uma voz de fundo, meio gaiata, gritando surdamente, "ME GUSTA MUCHO VIVER!", como no final do Jazz Potatoes. " Paulo da Costa e Silva In: "A Táboa de Esmeralda", p 10-1.

 Acho que é bem isso, mesmo! Só acrescentaria um detalhe ao trecho, quando ele diz que a música de Ben é " recheada de incríveis heróis, obstinados e orgulhosos guerreiros", caberia dizer que isso também inclui guerreiras e heroínas e que, em sua maioria, eles e elas são belos e negros. Até onde eu eu sei, não existe em nosso cancioneiro, uma coleção de hinos que exalta tão lindamente essas figuras; Salve Jorge! Viva, viva, viva Jorge!