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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SIMBOLISMO GUIMARÃES ROSA, MAIS UMA VEZ ...

Eu, como pesquisadora de Guimarães Rosa, estou bem interessada no Simbolismo...
Pesquisando na internet, achei isso aqui:
"O que caracteriza a poesia simbolista?
Na França, a poesia da segunda metade do século XIX assumiu duas formas: o Parnasianismo e o Simbolismo. Os parnasianos consideravam um poema o fruto de um exaustivo trabalho de sabedoria e perfeição rítmica e musical que pretendia descrever objetivamente a realidade. Da evolução do Parnasianismo surgiu o chamado Simbolismo, que queria fugir da rigidez estética parnasiana em direção a uma poesia mais livre nos temas e na forma. Seu objetivo era ter como base a sugestão, a criação de imagens fluidas e a apresentação subjetiva da realidade, expressa pelo uso de sinestesias e metáforas sutis."


Acho isso tão interessante!
Leiamos, agora, as palavras do próprio Rosa a Günter Lorenz:

"Escrevi um livro não muito pequeno de poemas, que até foi elogiado. Mas logo, e eu quase diria que por sorte , minha careira profissional começou a ocupar meu tempo. Viajei pelo mundo, conheci muita coisa, aprendi idiomas, recebi tudo isso em mim; mas de escrever simplesmente não me ocupava mais. Assim se passaram quase dez anos, até eu poder me dedicar novamente à literatura. E revisando meus exercícios líricos, não os achei totalmente maus, mas tampouco muito convincentes. Principalmente, descobri que a poesia profissional, tal como se deve manejá-la na elaboração de poemas, pode ser a morte da poesia verdadeira. Por isso, retornei à 'saga', à lenda, ao conto simples, pois quem escreve estes assuntos é a vida e não a lei das regras chamadas poéticas. Então comecei a escrever Sagarana. Nesse meio termo [entre os poemas de Magma e Sagarana] haviam transcorrido dez anos, como já lhe disse; e desde então não me interesso pelas minhas poesias, e raramente pelas dos outros. Naturalmente digo isso, porque é um dado biográfico, pois não aconteceu que, um belo dia, eu simplesmente decidisse me tornar escritor; isto só fazem os políticos. Não, veio por si mesmo; cresceu em mim o sentimento, a necessidade de escrever e, tempos depois, convenci-me de que era possuidor de uma receita para fazer verdadeira poesia."(Diálogo com Guimarães Rosa. P.70)
Não parecem posições semelhantes?
Eu acho!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Guimarães Rosa e o simbolismo?

Sim, sim, sim, sei que essa relação pode parecer inaceitável a qualquer concepção conteudística de literatura (eca)...isso porque Guimarães Rosa, se for imprencidível enquadrá-lo em alguma escola literária, foi um modernista muito crítico, mas um modernista: É inegável que respirou o mesmo "oxigênio mental" de um James Joyce -o que para mim é claro, especialmente quando considero a relação com o universo infantil...
Mas se os modernistas da primeira geração- precisando destruir as escolas anteriores, sobre as quais queriam vigorar, supervalorizaram aspectos formais e ridicularizaram os simbolistas pelo seu afã de valorizar aspectos supra-racionais do Homem através da busca pela subjetividade ou a imaginação que revelariam aspectos inconscientes - na segunda geração modernista, o caráter iconoclasta cedeu lugar a perspectiva de observação da realidade social e política, para que na terceira geração modernista pudessem surgir pensamentos que resgataram e recompuseram as idéias como as dos simbolistas:Falo de Clarice Lispector e também de Guimarães Rosa.
Mas por quê?
O Movimento literário conhecido como Simbolismo trazia para a literatura os questionamentos epistemológicos de sua época - fins do século XIX e começo do XX até a Primeira Guerra, quando se começava a duvidar dos benefícios da racionalidade.

Para Clarice Lispector, por exemplo, o reaproveitamento de técnicas simbolistas pode ser observado no constante questionamento do subjetivo e muitas outras coisas sobre as quais não tenho condições de comentar muito bem.
E para Guimarães Rosa?
Como sempre, em se tratando de Rosa, as coisas não são nada simples, isso porque em sua escrita, sempre, vigora o paradoxo!Por que isso?
Sabemos que a escrita de Rosa foi sempre preocupada com a oralidade do sertanejo - são famosas as cadernetas de viagem pelo sertão, onde ele teria anotado as composições lingüísticas que ouviu- e daí resulta em uma performance escrita muito diferenciada,que se permitia adotar a imprecisão de certas palavras, valorizando seu aspecto sonoro, para nos reportar ao indizível, em outras palavras, a performance escrita era bastante MUSICAL, em uma nova espécie de nefelibatismo (que para os simbolistas era "andar com toda a cabeça nas nuvens"). A diferença estava no fato de que os modernos da terceira geração já não queriam mais somente observar a realidade não somente a partir da destruição formal (como na 1a. geração) ou somente da reconstituição crítica direta ( como na 2a.geração), mas era preciso escolher uma perspectiva de observação onde fosse possível integrar ambas as técnicas em uma imensa consciência estética expressa pelas palavras, onde o universo lingüístico ultrapassou as informações dos dicionários, pois usou a construção de um grupo semântico que contruiu seus próprios referentes, subjetivando a escrita literária. Assim que Guimarães Rosa instalou-se sobre o sertão, mas criou personagens sertanejas que ultrapassavam a terra do sertão : iam ao seu EU profundo, ao sonho, ao simbólico, como Alfredo Bosi lembrou em seu texto referencial:partiam "do inferno para o céu".
Olha, não sei mesmo se alguma dessas coisas que eu escrevi aqui fazem algum sentido -só sei que eu não consegui pregar o olho até agora pensando nelas-o tempo dirá se desse a mato sai algum coelho...