Mostrando postagens com marcador Vinicius de moraes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vinicius de moraes. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

“Afro é todo o Brasil e está dentro da gente”: Os Afro sambas de Baden Powell (1990)


 “Afro é todo o Brasil e está dentro da gente”: Os Afro sambas de Baden Powell (1990)
Camila Rodrigues (publicado originalmente em 16.10.2018)

Conforme havíamos lembrado no final do texto sobre os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, de 1966, em 1990,  dez anos depois da morte de Vinicius em 1980, Baden Powell regravou as oito faixas do álbum original e acrescentando mais três músicas ainda inéditas, inaugurando uma outra fase na história do disco. Inicialmente a ideia da nova gravação surgiu do convite de um banco a Baden Powell, pois  gostaria de presentear seus clientes com uma peça original e então gravada com toda sorte de tecnologia já disponível, coisa que falta na primeira gravação do álbum tido como dos mais importantes da história da música brasileira. Dois anos depois o disco foi lançado na França e posteriormente no Brasil pela gravadora Bicoito Fino.  Nesta continuação do legado dos Afro-sambas, além do violonista Baden Powell participando como compositor, arranjador, diretor musical e vocalista, o disco também contou com os vocais do Quarteto em Cy,  um time de músicos reconhecidos como Ernesto Gonçalves no contrabaixo;Paulo Guimães na flauta; Sutinho na bateria, tamborim e agogô; Flávio Neves no afoxé; Alfredo Bessa no ganzá, cuíca atabaque, tamborim  e berimbau; Flavio Neves no atabaque, no banzá, no surdo  no berimbau.

O disco contém onze faixas, dez de autoria dividida entre Baden e Vinicius e uma canção que abre o trabalho, Abertura, apenas composta pelo violonista. Além das oito músicas já gravadas na primeira versão, agora dispostas em ordem diferente, a obra conta com as canções inéditas, a terceira faixa, Labareda, e Variações sobre Berimbau. Como já destacamos a herança afro do primeiro disco, aqui comentaremos brevemente uma ou outra alteração percebida na comparação entre as gravações originais e as novas, mas nos debruçaremos  sobre esta tríade de faixas inéditas, comentando mais detalhadamente suas ligações com o legado cultural afro.

As  regravações do primeiro álbum começam a partir da segunda faixa, com a canção sobre a peleja dos orixás contra a divindade das folhas no  Canto de Ossanha ,  na qual as cordas dos violão de Baden brilham na contestação “do homem que cai no canto de Ossanha traidor”, com o vocal de fundo do Quarteto em Cy. Na quarta faixa retomamos ao tema de Tristeza e Solidão de forma bastante melancólica e na quinta faixa, Canto de Pedra Preta, assim como na versão original, a entidade volta a ser louvada com uma marcação percussiva forte, remetendo ao Samba de Roda. Na sexta faixa retoma-se o sofrido  Canto de Xangô, com uma percussão bem marcada, mas unida ao som delicado das flautas  que combinam com o vocal do quarteto de vozes femininas que clamam ao orixá para, enfim, morrer de amar. Nas faixas seis e sete, Bocochê e Canto de Iemanjá, ouvimos com uma maior qualidade de gravação, os dois belos afro-sambas amplamente conhecidos. Na penúltima faixa do disco, Tempo de amor, destaca-se o ritmo mais acelerado da disputa entre o violão de Baden e a percussão fortemente marcada, que vem sempre pontuada pelo canto das Cys, no belo louvor contra o amor em paz. Mas a regravação que mais impressiona é mesmo a da última canção, o Lamento de Exu, que na versão original era uma peça instrumental, caracterizada como um lamento vocal, agora já  ressalta fortemente a percussão atuando junto ao violão de Baden, e mesmo continuando sem letra, a canção é pontuada com chamamento ao orixá iorubano Exu em suas diversas manifestações como Tiriri, Marabô, Lalu, e na sequencia o violão dá lugar a percussão, como se a divindade convocada já estivesse presente, ouvem-se palmas de louvor ao orixá mais conhecido e considerado como mais próximo do ser humano.

Sobre as três canções inéditas do álbum, a canção instrumental, Abertura, é o que poderíamos chamar de uma síntese sonora dos Afro-sambas, aquele samba mais nego sobre o qual falamos no texto sobre o primeiro disco, e não sendo nenhuma das cantigas conhecidas como Afro-Sambas, nos traz um um ambiente sonoro, legitimando os Afro como um estilo musical próprio. Nesse álbum tudo é muito melhor trabalhado, expondo aos nossos ouvidos a presença de outros instrumentos antes ocultados pelo protagonismo do sensacional violão de Baden. Na segunda música inédita, a terceira faixa Larareda, novamente um samba de roda tão utilizado em rituais religiosos afro-brasileiros,  surge uma figura feminina, remetendo a  entidade Pomba-Gira do mesmo nome que a canção e que, no afro samba,  é caracterizada assim:

Labareda
O teu nome é mulher
Quem te quer
Quer perder o coração
Rosa ardente
Bailarina da ilusão
Mata a gente
Mata de paixão

reforçando a educação sentimental de Vinicius de Moraes, na qual viver é amar e amar é sofrer. Como nos lembra o artigo de Ricardo de Paula, se nos terreiros, entre outras coisas, a figura da Pomba-Gira é a responsável por fornecer aconselhamentos de toda a ordem, mas especialmente nos assuntos afetivos, a presença desta canção no disco experimenta novamente a exposição do tema a partir do imaginário afro-religioso.

Na nona faixa do álbum, a inédita Variações sobre Berimbau, vamos encontrar uma ligação mais direta com a história do primeiro disco, quando nos deparamos com o resultado musical da influência sofrida por Baden Powell, depois de ouvir pela primeira vez na Bahia ainda na década de 1960, o som do instrumento de percussão chamado berimbau. Conforme nos conta o músico e pesquisador musical Carlos Sandroni,

O beribaum se tornou a principal referencia musical da capoeira, embora também fosse ‘usado pelos afro-brasileiros em suas festas e sobretudo no samba de roda, como até hoje ainda se vê, se bem que muito raro e como não deixa de alertar o historiador Mauricio de Barros Castro, em sua tese Rosa do mundo: Mestre João Grande: entre a Bahia e Nova York, o berimbau fazia parte da cultura baiana, tendo sido apropriado pela vadiação não apenas para cantar e tocar, mas também para avisar a chegada da polícia desde a época em que jogar capoeira era proibido, o que sublinha a importância desse som para a história do negro brasileiro. Ainda que já na década de 1950 o compositor baiano Oscar da Pena, O Batatinha, tivesse utilizado o repertório da capoeira em suas composições, foi mesmo com as canções de Baden e Vinicius da década seguinte que o tema ganhou notabilidade. Segundo depoimento do etnólogo baiano Waldeloir Rego sobre nosso compositor, em seu Capoeira Angola: Ensaio sócio-etnográfico :

Aproveitando sua estada na Bahia, tive a oportunidade de conhecê-lo e trocar ideias sobre a música popular brasileira no presente. Baden não perdeu um só instante,às voltas com o capoeirista Canjiquinha (Washington Bruno da Silva), de quem recolheu muitos toques de berimbau e suas respectivas cantigas .

Algumas dessas cantigas são entoadas por Baden na faixa nove do disco, como:

menino quem foi teu mestre?
Meu mestre foi Salomão
A ele eu devo dinheiro, saber e obrigação
Quando  o segredo de São Cosme quem sabe é São Damião
Ê ê Camará
Paranauê, paranauê Camará

ou assumindo a alusão ao mundo da capoeira: “Capoeira é pra valer/Joga bonito que eu quero aprender”.    Segundo a tese de Mauricio B. Castro citada acima,  embora pouco se fale disso, em meados do século XX a capoeira, “não apenas sua temática, mas também sua musicalidade e linguagem” foram absorvidas por uma geração de  compositores brasileiros. Musicalmente esta influência estava sintetizada no som do berimbau, que além da capoeira, também fazia referência  e nesse contexto que ela contribui na composição nos Afro-sambas pois,segundo Castro,em 1963, um ano antes do golpe militar, Baden Powell e Vinicius de Morais lançaram a primeira música de uma série de Afro-sambas,como ficariam conhecidas as canções da dupla que remetiam à cultura afro-brasileira. A música se chamava Berimbau, instrumento de capoeirista que Baden imitava ao violão.

Sobre os afro-sambas, é preciso lembrar um acontecimento posterior a sua última gravação , já perto de sua morte em 2000 Baden se converte ao  culto evangélico, este que costuma considerar como errados posicionamentos diferentes ao seu, e passa a repreendê-los  duramente,  o que o levou nosso compositor  a renegar alguns afro-sambas, como podemos ler em entrevista dada em 1999, na qual afirma que:

Afro é todo o Brasil. Está dentro da gente. Eu e Vinicius gostávamos.(…)  Os caras pensam que fizemos música para macumba, candomblé. Não tem nada disso, não. É coisa de cultura.(…) Sou evangélico. Minha religião é Cristo. A briga dos evangélicos é com o Candomblé mesmo, não com a música. Você pode tocar o que quiser.(…) Não posso louvar, mas posso falar sobre o caso e tudo. Está entendido? “Berimbau” e “Consolação” são afro-sambas, posso fazer. “Canto de Iemanjá”, não, estaria contribuindo para uma coisa errada. A música, se existe, ela existe, não tem problema. Posso tocar no violão, mas não é o caso. Não é proibido, interditado, nada disso. Posso até falar muito bem, mas não louvo.

Independente do posicionamento evangélico extremista de Baden, sobrevoamos os afro-sambas em busca de marcas da herança africana naquelas composições, as encontramos bem fortes, tanto no registro da década de 1960 quanto no da década de 1990, lembrando que, ainda tenhamos esporádicas tentativas anteriores, de fato foi com esse álbum que se deu a popularização do uso dos elementos da cultura e religião afro na canção brasileira, e até hoje, ao ouvi-lo, os negros brasileiros saúdam uma identificação ali presente, como podemos observar nesse interessante comentário de Izaías de Oliveira no vídeo do disco de Baden no Youtube :

“Toda vez que escuto este disco tenho a certeza que DEUS me fez negro por um motivo ser melhor! (sem ofensa racista), Toda melodia deste maravilhoso disco foi baseado na cultura, etnia e religião africana. Baden Powell usou de toda sua performance de excelente violonista e musico para esta que uma obra de inspiração única!”

Encantados, nos despedimos dos afro-sambas, destacando tantas questões por eles levantadas que foram e ainda não importantes para se pensar a presença da cultura afro na música nacional e, mais uma vez, convidamos os leitores a para compartilhar e comentar estes discos sensacionais, bem como as questões por eles levantadas.

Refências

POWELL, Baden. Os Afro Sambas . Rio de Janeiro (Acesso 29 jul 2018)
BESOURO Anêmico (blog). Os Afro-sambas de Baden Powell (1990). 10 de agosto de 2015.
Os Afro-sambas (1990).

Bibliografia

BARROS, Mariana Leal de. Labareda, teu nome é mulher: análise etnopsicológica do feminino à luz de pombagiras.392 f. Tese (Doutorado em Psicologia)- Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010
CASTRO, Mauricio Barros de. Rosa do mundo: Mestre João Grande: entre a Bahia e Nova Yourk. 2010. 277 f. Tese (Doutorado em História) – Universidade de São Paulo, São Paulo.
PAULA, Ricardo de. A figura da pomba-gira. In: Blog Loja Axé.
PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
REGO, Vandeloir. Capoeira Angola: Ensaio sócio-etnográfico. Editora Itapuã, 1968
SANCHES, Pedro Alexandre. Evangélico, músico não diz mais “saravá”.In:  Folha de São Paulo, São Paulo 13 de julho de 1999.
SANDRONI, Carlos. ANDRONI, Carlos. Adeus à MPB. In: Berenice Cavalcanti; Heloísa Starling; José Eisenberg. (Org.). Decantando a República: inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. v. 1 Outras conversas sobre os jeitos dacanção. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004, p. 23-35.
SILVA, Isabela Martins de Morais. É,não sou : Ensaios sobre os afro-sambas no tempo e no espaço.2013. 290f.Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade Estadual Paulista, Araraquara.
Versão recente melhora clássico de Baden. Folha de São Paulo. 29 fevereiro, 2008. Disponível em : (Acesso 29 jul 2018).

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Toques do Candomblé nação Angola

Belo vídeo dos toques de Candomblé.
Ouvindo, além da vibração que vai levando a sente em um ritmo forte que não à toa leva ao transe, os interessados como eu, vamos  reconhecendo nomes, saudações, ou mesmo alguns versos soltos ... no meu caso, em especial  reconheci os para Oxum, que não sei reconhecer o toque no atabaque, mas deve estar sendo tocados no ritmo Ijexá, como costumam ser para Oxum. Reconheci emcionada que em 12'09" tem o verso do canto de Oxum, que faz parte da canção do Vinicius de Moraes e Toquinho :Nhem-nhem-nhem-xorodô...Fé-fé xorodô. Em 14:42 aparece uma variaçãp do belíssimo canto para Oxum: "Oro mi má/Oro mi maió/Oro mi maió/Yabado oyeyeo/Oro mi má/Oro mi maió/Oro mi maió/Yabado oyeyeo.
De resto é tudo lindo, parece que a gente "entende" o que estão dizendo: é mágico.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Aconteceu: Virou Manchete

Quando eu digo que pesquiso a coluna sobre falas infantis de Pedro Bloch na revista Manchete, alguns torcem o nariz, dizendo que ela era uma espécie de Revista Caras da época e tal. Pode até ser mesmo, mas além de eu saber que não vou estudar propriamente a revista Manchete toda (pós doutorado é um estudo tópico, né?), eu ainda acho que taxar, de antemão, a revista como ruim é absurdo. Segundo minhas pesquisas para escrever o capítulo final da tese, no final da década de 1950 e começo da de 1960, era na Manchete que se publicava a coluna ‘Poesia é Necessária’ (seleção poética feita por Rubem Braga, coluna na qual foram primeiro publicados alguns dos poemas de Vinicius de Moraes, que depois fariam parte do livro A Arca de Noé, por exemplo). É que o Rio de Janeiro na década de 1960 era culturalmente exuberante e isso também pode ser identificado nas páginas coloridíssimas da revista Manchete...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Rancho das Namoradeiras

Ontem, no show, Salmaso explicou que, antes da dela, a única gravação de " Rancho das Namoradeiras", parceria de Vinícius de Moraes e Ary Barroso,era a de Angela Maria, ai  Salmaso comentou que na primeira gravação tinha a  participação de um  coral de garotos, como se fossem anjos que observavam tudo ...
Eu achei essa gravação ... adoro a internet ... Clique aqui, para ouvir um pouco da história da canção popular no Brasil!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Adeus ao Carlos Vilaró, o dono da "casa que não era"

Lendo a lista de mortes de 2014 soube que em fevereiro o artista plástico uruguaio Carlos Vilaró morreu aos 94 anos. Vocês sabem que a músca "A Casa" foi originalmente composta pelo Vinicius e as filhas do artista na casa dele, que depois virou um hotel. 
A história da música é contada no livro Histórias de canções: Vinicius de Moraes., de Wagner  Homem e & Bruno De La Rosa:

Tudo começou durante o período em que Vinícius de Moraes trabalhou na embaixada brasileira em Montevidéu e tornou-se amigo do artista uruguaio Carlos Vilaró, que, em 1958, havia começado uma construção pouco convencional. Inicialmente era apenas uma casa de lata. Com o tempo foi acrescentando novas partes, todas com formas arredondas e pintadas de branco para contrastar com o azul do céu. O espaço, conhecido como Casapueblo, tornou-se um hotel com mais de setenta quartos, que levam os nomes de seus hóspedes mais ilustres. [....] Nas suas estadias na Casapueblo, Vinícius brincava com as filhas do anfitrião dizendo, “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada” e terminava com os versos “Mas era feita com pororó [termo indígena que significa palavras ocas; lega-lega]/ Era a casa di Vilaró”. Os versos finais da letra foram substituídos na gravação por “Mas era feita com muito esmero/ na rua dos bobos, número zero”. (HOMEM; ROSA, 2013, p. 172-3)

Está um pouco atrasado, mas deixo meus agradecimentos ao Vilaró por tudo e,em especial, por ter inspirado a melhor definição de infância que eu já ouvi: "não tinha teto, não tinha nada ..".mas era tudo!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Projeto A arca de Noé, de Vinicius de Moraes


No livro  "Histórias e Canções: Vinicius de Moraes", escrito por Wagner Homem & Bruno De La Rosa que foi publicado em 2013 pela editora Leya, há um capítulo só sobre o projeto "A arca de Noé", contando a história que muito me interessa. Interessa a mim, especialmente, este trechinho:
A arca de noé" foi  o último trabalho em disco de Vinicius. Desde 1950, ele escrevia esporadicamente poemas para crianças, eventualmente publicados em jornais. Em 1970  Vinicius reuniu seus poemas infantis no livro " A arca de noé" , dedicado a seus filhos - Susana, Pedro, Georgiana, Luciana e Maria -, pela editora Sabiá, com poemas já publicados e outros inéditos". (p. 169) 

Procurei esta edição nas Bibliotecas da USP, mas só encontrei a da Cia das Letrinhas, dos anos 90 (estranho não?)... no catálogo das bibliotecas públicas de São Paulo encontrei em três delas... vou procurar consultar, porque quero ver demais como foi que a Sabiá editou aqueles poemas para crianças ... no novo (e completíssimo) site do Vinicius temos as seguintes informações :

"A ARCA DE NOÉRio de Janeiro, Sabiá, 1970Mais conhecidos pelo disco feito para crianças, os poemas da A Arca de Noé foram escritos por Vinicius muitos anos antes de sua primeira edição. Eram feitos para seus filhos Suzana e Pedro de Moraes. Por muitos anos, eles ficaram guardados. Só em 1970, o conjunto de poemas infantis ganha o mundo. Seu lançamento ocorre na Itália, país onde a presença do poeta era constante, seja através de diversas visitas e temporadas ou de traduções de sua obra.

É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado

É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado L’Arca. No mesmo ano, seus poemas musicados na Itália são lançados em livro no Brasil. Dez anos depois, dois discos dedicados ao conjunto de poemas infantis de Vinícius também são lançados no país, com o mesmo nome do livro. 
A Arca de Noé tornou-se um dos livros mais populares de Vinicius de Moraes por ter criado um laço com as crianças. Todas as gerações têm nos seus poemas uma porta de entrada no mundo da literatura e da música popular brasileira. Ao mesmo tempo, no âmbito musical, foi o primeiro trabalho que apresentou a ele Toquinho, parceiro até o fim da vida.
            NOTA BIBLIOGRÁFICA
           Capa e ilustrações de Marie Louise Nery"

Inclusive, no site do Vinicius a gente pode ver a capa do livro de 1970 :

domingo, 1 de setembro de 2013

"Recado de Primavera", de Rubem Braga


Quando entra setembro, sentimos que se  aproxima a  necessária primavera... nos preparando para recebê-la, compartilho um dos textos distribuídos na emocionante exposição "Rubem Braga - Fazendeiro do ar", no museu da Língua Portuguesa em São Paulo... só para lembrar que, em certos momentos, a vida NÃO  é feita só de tristeza, frio e feias visões e sentimento de fracasso ...há também a fecunda primavera!

domingo, 3 de abril de 2011

No show Partimpim I Adriana diz um texto assim:

Boa tarde, tem crianças na platéia? É um prazer muito grande estar cantando aqui mais uma vez , e vocês devem achar que eu digo isso em todos os lugares, em todas as tardes,e eu digo mesmo, mas aqui é verdade! A gente vai fazer uma canção que conta a história de um menino que sonhava em se tornar poeta e ele não só sonhou em se tornar um poeta, como de fato se tornou um grande, um imenso poeta, ele não só se tornou um imenso poeta, como modificou a maneira de se escrever poesia e de se escrever canções no Brasil, entre muitas outras coisas que ele modificou no Brasil. Só é possível que este espetáculo exista porque ele existiu. O nome dele era Vinicius e a história dele é assim:

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ELOMAR POR VINICIUS DE MORAES

"(...)Pois assim é Elomar Figueira de Melo: um princípe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo, a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou "causos" escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste.(...)."

Vinicius de Moraes - Abril de 1973.
Vejam um exemplo:

domingo, 31 de janeiro de 2010

AUSÊNCIA

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo
da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.




MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

tenho tudo para ser feliz , mas acontece que eu sou triste...

Sei que eu ando sumida desse espaço...
E como alguns sabem, não é por causa de nenhum grande acontecimento bom ou mal na vida.
Nos últimos dias encontrei algumas das melhores pessoas ótimas deste mundo, e quando isso acontece me "lembro" que eu tenho tudo para ser feliz e o Robinho até voltou...
Só que elas, apesar de eu sempre acreditar de verdade que desta vez pode ser diferente, acabam indo embora. Robinho tem data marcada para ir embora novamente...
Por enquanto estou permanecendo.


Dialética - Vinicius de Moraes



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

sábado, 25 de abril de 2009

O mundo infantil

Etmologicamente a palavra infância vem do latim in­fans, pressupõe literalmente a “ausência de fala”, e deve corresponder ao grupo que abarca os indivíduos de pouca idade –crianças - ou que ainda não adquiriram o direito de serem ouvidos em eventos importantes, como em contexto de juízo.
Em relação às crianças, entretanto, mais do que a impossibilidade de falar, observamos mais acentuadamente a impossibilidade de serem ouvidas, já que sabemos que as crianças falam muito, desde quando estão começando a exercitar experiências de linguagem nos primeiros tempos de vida, - quando se expressam através de “palavras mágicas”, até atingirem outra fase no processo de comunicação, quando constroem e aprendem a lidar com seu próprio discurso. Esta fase inicial do desenvolvimento lingüístico está sempre centrada no recurso da palavra, que é uma das formas com a qual as crianças acreditam ser possível (re)construir o mundo a sua volta.
As crianças conseguem construir outro tipo de discurso sobre o mundo, porque elas não tem nenhum pudor em confiar na "liberdade de inventar". Em seus jogos, nenhuma das regras que sustentam nossa convivência em sociedade - como estabelecimentos temporais ou especiais - valem da mesma forma, pois ali o que vale mais são as regras do seu jogo... Eu vou estudar o universo infantil em meu futuro doutorado, e hoje eu penso que uma das melhores "definições de criança" está na música "A Casa", de Vinicius de Moraes: Pertence ao mundo dos infantes aqueles que conseguem viver na casa que "não tinha teto, não tinha nada..." nada material, pois tudo é construído pela imaginação...
É por isso que eu penso que as crianças deveriam receber mais incentivos de diversas linguagens, as musicais,imagéticas, narrativas e etc, que vão para além dos estímulos trazidos pela televisão, ou pelo computador...
Eu penso isso influenciada por leituras de muitos intérpretes, mas atualmente o discurso que tem mais vezes acessado meu pensamento é o desenvolvido por
essa palestra do Café Filosófico.
Como ela tem cerca de 50 minutos, se não quiser acompanhá-la, ligue o som do seu PC e se delicie com uma ótima animação para a música de Toquinho e Vinicius de Moraes:


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sem mais adeus

Na tarde segunda-feira, dia 06 de abril de 2009, chovia uma chuva melancólica e constante. Eu fui até a FAPESP pedir a interrupção da minha bolsa de mestrado por conta da minha defesa, o que é, em si ,uma atividade melancólica. Então, depois, eu entrei no Pão de Açucar do Alto da Lapa para tomar um café e estava tocando essa música. Infelizmente eu me identifiquei com ela. Tinha feito, sem muito sucesso, exatamente isso que fala na letra da música no sábado anterior ...

Isso deve significar que as coisas estão tomando rumo do fim, que vão mudar e minha trilha sonora também!
Tomara!