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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O ato de ler o mundo ...


Gostei de ler uma colocação assim no Facebook, onde sempre a cultura escrita é elevada em detrimento de outros saberes. A meu ver o problema esta no "em detrimento". É uma questão de luta de poderes...
Na página 224 da minha tese eu usei esta citação de Paulo Freire:

"ao ir escrevendo este texto [sobre a importância do ato de ler], ia ‘tomando distância’ dos momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a ‘leitura’ do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre,ao longo de minha escolarização, foi a leitura da ‘palavra mundo’”. 
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler, 1988, p. 12-3.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Conto: A despedideira - Mia Couto

"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeirissímo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comercia palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo. Falar é outra coisa vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra e me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada
Lembro desse encontro, dessa primogénita primeira vez. Como se aquele momento fosse, afinal toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por a parava. A brisa sem voar, quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. O último escapava entre os seus dedos. Não levava o cigarro à boca. Em seu parado gesto, o tabaco aí mesmo se consumia.
Ele gostava assim: a inteira cinza tombando intacta no chão. Pois eu tombei igualzinha àquela cinza. Desabei inteira sob o corpo dele Depois, me desfiz em poeira, toda estrelada no chão. As mãos dele: o vento espalhando cinzas.
Nesse mesmo pátio em que se estreava me coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.
Era essa tarde, já descaída em escuro. Ressalvo. Diz-se que a tarde cai. Diz-se que a noite também cai. Mas eu encontro o contrário: a manhã é que cai. por um cansaço de luz, um suicídio da sombra. Lhe explico. São três os bichos que o tempo tem: manhã, tarde e noite. A noite é quem tem asas. Mas são asas de avestruz. Porque a noite as usa fechadas, ao serviço de nada. A tarde é a felina criatura. Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras. A manhã, essa, é um caracol, em adolescente espiral. Sobe pelos muros, desenrodilha-se vagarosa. E tomba, no desamparo do meio-dia.
Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo reflectida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora, distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos, tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida. Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu amor.
Assim, ele virá para renovar despedidas. Quando a lágrima escorrer no meu rosto eu a sorverei, como quem bebe o tempo. Essa água é, agora, meu único alimento. Meu último alento. Já não tenho mais desse amor que a sua própria conclusão. Como quem tem um corpo apenas pela ferida de o perder. Por isso, refaço a despedida. Seja esse o modo de o meu amor se fazer eternamente nosso.
Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns."

Mia Couto, In O Fio das Missangas

domingo, 11 de agosto de 2013

Nas pegadas do Rosa - Mia Couto


Peço licença para divulgar aqui, na integra, a transcrição da comunicação dita por Mia Couto no Seminário Internacional Guimarães Rosa, organizado pela PUC - Minas em 1998 e que foi publicado no mesmo ano em edição especial da revista Scripta. Deliciem-se com as palavra do lindo Mia Couto.
Mia couto palestrando em outro evento em 2011, mas sempre o Mia, ...

Nas pegadas do Rosa  Mia Couto 
Digo a vocês que estou aqui em pânico, mas sinto, ao mesmo tempo, muito gosto de estar aqui convosco e partilhar. Eu sou realmente um biólogo. Sempre me perguntam o que eu sou, eu nunca digo que sou escritor, porque tem um lado triste de ser escritor, por isso digo sempre que sou biólogo.
Eu nasci numa pequena cidade que fica num pântano, no centro de Moçambique. A cidade era tão pequena que sonhava de fato ser cidade; havia um projeto de construir ali uma cidade bem no meio do lamaçal. E ela se sonhava sendo uma cidade europeia e, como uma cidade europeia e, como uma cidade europeia que sonhava ser, tinha um pequeno cinema. E nós, em tempos da minha infância, esperávamos pelo domingo, pela matinée de domingo, porque era o único espaço onde, naquela penumbra, daquela sala, nós  escapávamos daquela realidade e saíamos daquele lugar que sonhava ser cinema. Naquele lugarzinho, aos domingos, havia um funcionário que me fascinava e que era a única presença disciplinadora naquela sala. Era o arrumador, com lanterninha, de uma sala onde se fabricava o sonho. E eu sempre perseguia uma obsessão que era aquela do arrumador do cinema. Em vez de me sentar na sala, passava para o palco, para o écran,  e me arrumava para além daquela toalha luminosa, que era o lugar do sonho.
E isso vai acontecer pela mão de um arrumador, que era João Guimarães Rosa. Esse encontro deu-se de uma maneira mais fortuita.
Eu comecei a escrever poesia primeiro, depois fui escrever  contos. Eu era jornalista. E esses contos foram os primeiros contos que eu escrevi, num primeiro livro. Chama-se Vozes anoitecidas. Contos muito marcados pelo encontro que tive com o escritor que deveria estar aqui, chamado Luandino Vieira. Foi Luandino Vieira que me fez fazer este clic, e me autorizou a fazer coisa que aprecio muito fazer. As estórias que eu queria contar não podiam ser contatadas no português normal, no português que, afinal, Moçambique adotou como língua oficial.
Eu vi, mais tarde, depois de ter publicado esse livro, uma entrevista  com Luandino Vieira em que ele falava que ele tinha em mim, ele tinha a partir de um escritor que nós não conhecíamos, que se chamava Guimarães Rosa. Eu fiquei alertado, avisado, e queria muito que esses livros, desse tal escritor, chegassem até mim. Eu devo dizer que não chegavam livros do Brasil em Moçambique. Nós estávamos em plena guerra e não havia troca comercial alguma, nem cultural, com o Brasil. Então eu pedi a alguém, foi uma operação bem complicada, pedi a alguém que trouxesse um livro. E quando eu li, a primeira impressão é que eu não estava ali.
Quando chegou o primeiro livro, Primeiras estórias, houve um fenômeno curioso. Eu não conseguia entrar naquele texto. Era como se eu não lesse, ouvisse vozes, que eram as vozes da minha infância. Os livros de Guimarães Rosa quase me atiram para fora da escrita. E, para eu entrar naquele texto, eu tenho de fazer apelo a um verbo que não é o verbo ler, que é um outro verbo que provavelmente não tem nome.   O que me tomava principalmente  não era a invenção de palavras, mas havia ali uma poesia, a tal arrumação que funcionava muito como os dançarinos de Moçambique, os dançarinos da África em geral, naquele exato momento em que eles estão entrando  em transe para serem possuídos pelos espíritos. Aquele  flagrante  daquele momento em que aquilo já não é dança, mas já é outra coisa. Era isso que acontecia naquela linguagem. Era uma linguagem, quase uma linguagem de transe, que permitia que  outras linguagens tomassem posse dela. E isso era fundamental num país em que há uma amálgama, há uma ficção que se chama Moçambique.  Moçambique não é uma nação ainda, é um projeto de nação, portanto é uma espécie de categoria  ficcional que nós estamos inventando, numa situação em que existem vários povos com suas próprias línguas, numa situação em que 80% não tem a língua portuguesa como língua materna, em que há muita gente que não fala sequer português. Nessa circunstância é urgente que haja esse tipo de linguagem que é como a dos dançarinos a que me referi e como a linguagem que Guimarães Rosa usa e que permite essa situação de pulsão e de troca de diálogo, de cultura, para criarmos este corpo que ainda é um projeto  e que é Moçambique.
Eu, quando penso sobre a questão de Guimarães Rosa, de Luandino Vieira e nesse tipo de trabalho literário que estou fazendo em Moçambique, eu imagino que entre esses três casos existe uma relação que eu gostava de tocar aqui, que não é literária.  Para que o escritor chegue a esse relacionamento com esse tipo de linguagem, ele tem que ser, sobretudo, não escritor em momentos da sua vida. Ele tem que escapar daquela lógica, que é a escrita enquanto sistema de pensamento. Então significa que em qualquer um desses casos - Luandino Vieira esteve preso, não sei quantos anos, 14 anos, 17 anos -, num lugar onde a palavra devia ter peso, ela se transforma numa espécie de espaço redentor de salvação.  Guimarães Rosa reencontrou esse encantamento da linguagem, da fala, da anedota, do provérbio.
No meu caso, em particular, digamos, eu cheguei a essa possibilidade da escrita pelo lado não-literário, pelo lado da não escrita também, pelo lado da oralidade. Eu vivo num país onde os contadores de histórias têm grande importância. Nessas zonas rurais eles são, de fato, os grandes defensores, os grandes reprodutores dessa via antiga dos valores rurais. Os contadores de histórias têm um sistema muito ritualizado de narrar, o que é cerimônia muito coplicada, com interdições: não se pode contar histórias de dia porque senão fica careca, tem que contar histórias de noite. E dos rituais, uma das normas é que o contador de histórias nunca se intitule ele próprio um criador; ele está reproduzindo a palavra divina dos antepassados.
Então, no final, ele tem de fazer uma operação bem delicada que se chama o fechamento da história, ele tem que fechar a história. E ele chega ao fim da história, é como se falasse com a história, como se a história fosse uma entidade, ele vira para ela e diz : ‘Voltem para a casa, Zavane e Guama (serão o equivalente a Adão e Eva, o primeiro casal humano). E é dentro desta caixa que estão as estórias’. Então ele diz: ‘Voltem para a casa, Zavane e Guama’. Se ele faz isso, a assistência fica doente e é chamada uma doença de sonhar. E João Guimarães Rosa foi, para mim, um contador que não fechou a história e que nos deixou, pelo menos para mim, essa incurável doença e sonhar.
Muito obrigado.
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COUTO, Mia. Nas pegadas do Rosa. In: Scripta (Edição especial do Seminário Internacional Guimarães Rosa), Belo Horizonte, v. 2, no. 3, p. 11-13, 2 sem. 1998.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Diaba e sua filha, de NDiaye



"Há em Moçambique um provérbio que diz : a vida de cada um é um rio. Assim pensando, o tempo que nos cabe para viver é alimentado por uma fonte eterna : a infância. E assim dita, a infância não é um tempo passado, mas a capacidade infinita de nos renovarmos entre nascentes e estuario.
Este conto de Marie Dianye (A Diaba e sua filha) é uma história extraordinária, repleta de mistério e sedução, que confirma , em mim, a ideia de que aquilo que chamamos de literatura infantil é, muitas vezes, um esteriótipo fundado numa falsa menoridade da criança e na verdadeira  arrogância do adulto. Este conto fala desse rio que apenas existe se nos olharmos como eternos inventores da nossa própria infância. Na margem desse rio, nenhuma história tem idade porque toda a narrativa está fora do tempo.
Nesta história não há lugar, não há nomes, tudo é nocturno, o que sucede está envolto em brumas. Todos nós habitámos essa casa de luz calorosa onde uma diaba se recorda de ter sido feliz. Todos nós fechamos a porta do preconceito, e nada mais queremos saber sobre os que ficam confinados na outra margem. longe da nossa existência.
NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são colectivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e mauls, em anjos e monstros. Nestas páginas se inscreve, enfim, a facilidade em culparmos e diabolizamos os que são diferentes e o modo como os sinais de aparêcia ( no caso, os pés de cabra) se erguem como marca de fronteira entre os "nossos" e os"do lado de lá".
Terminou com o recurso a  um outro provérbio africano, que diz : eu sou os outros.  Marie Dianye confirma a verdade desse aforismo numa história em que se desfazem as fronteiras entre homem e animal, entre humanidade e demónios, os do bem e os do mal. Os outros que somos (ou que poderíamos ser) desfilam neste apelo para reencontrarmos, na diversidade das criaturas que somos, a nossa própria humanidade."
Mia Couto. Orelha do livro A Diaba e sua filha, de Marie Dianye

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Mia Couto no Roda Viva




Entrevista interessantíssima! Adoro várias partes, especialmente a que ele fala da plasticidade da língua portuguesa, coisa que Rosa sempre acreditou...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Um Caminho feito para não haver chão - Mia Couto


Entre o autor e o seu texto existem caminhos, existem tempos. O caminho que separava  Rosa do texto rosiano foi o  da poesia. Os tempos foram os do Sertão. João Guimarães Rosa trilhou o caminho da poesia para poder sair de todos os existentes  caminhos. Os tempos do sertão fizeram com que ele escapasse do tempo. Porque esse sertão, construído com poesia, não era da ordem da geografia.

Cada escritor procura, nessa ausência de lugar, o seu universo único. Essa procura faz-se para além daquilo que ele próprio pode entender. Porque essa criação se furta ao território da racionalidade. A maior parte das vezes, os escritores escrevem exatamente  porque não sabem. E quando sabem eles escrevem para deixarem de saber.

Certa vez, José Saramago me confessou que, já depois de muito livro escrito, ele se encontrou numa espécie de encruzilhada existencial no que respeita à adoção de um estilo que, sendo inovador,   fosse a marca da sua individualidade. Para definir essa hesitação, Saramago fez uso do célebre verso drummondiano ‘e agora José?’. Por muito que explicasse Saramago sabia que não dava nenhuma explicação. Na verdade, o modo de operar de cada escritor pertence ao domínio que está para além daquilo que ele pode racionalizar.

Tal como acontece com Rosa, não parece haver nos primeiros textos de Saramago algo que faça adivinhar o estilo já maduro e que, depois, ficou consagrado como marca pessoal do autor. E, no entanto, já há qualquer coisa nas primeiras criações que indiciam uma inquietação, e atuam como a forja do que seria não exatamente em ‘estilo’ mas um idioma particular. O edifício que daí resulta é uma escrita que se deixa apropriar pela oralidade, uma escrita plural que se deixa inundar pela Vida. Uma escrita que não pode ser apenas lida. Mas precisa ser escrutada. Porque ela é feita de vozes, de margens, de veredas.

Um dos segredos da maturação de Rosa está no quanto ele tornou a página permeável a falas e sotaques que não são exatamente apenas do Brasil, mas surgem como um Brasil pessoal, o Brasil de Rosa, uma nação encantada que só pode ser dita por palavra que por inventar.

A viagem que, após a sua chegada de Paris, Rosa empreende pelos sertões de Mina Gerais é, afinal, uma deslocação interior, um revoltear do seu chão mais íntimo. Terá sido aí que Rosa descobriu a sua linguagem causadora, a um tempo, de proximidade e estranhamente? Não sei. Duvido. Porque em todo escritor há um percurso lento e cego que não se tanto de revelações como de esquecimentos. É verdade que o próprio JGR defende que a inspiração  é uma espécie de transe. Mas esse transe serve mais para calar e ocultar o que é certo e sabido.

Rosa não escreveu sobre o universo sertanejo. Ele inventou esse universo. E usou essa invenção contra aquilo que ele sentia como ameaça: a invasão de um território uniformizado, modernizado, à custa da anulação do espaço mítico. Onde o mundo sugere a diluição de afetos o escritor propõe um clã, onde a modernidade impõe a uniformidade, o escritor contrapõe a soberania da intimidade. Onde  os novos tempos sugerem uma aldeia global, o escritor ergue uma casa, uma residência  para a alma, uma raiz para a individualidade.

  Mia Couto

(texto de apresentação do livro “Antes das Primeiras Estórias”, de João Guimarães Rosa)