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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"Dois", poema de James Ribeiro


Dois
E quando em nudez, em pé,
Na sua frente,
Levemente puxou os cabelos.
E beijou com gosto.
A transou no beijo,
Mordeu o lábio inferior.
E tratou de descer
Cheirando todo seu corpo,
Instintivamente.
E quando chegou,
Passou a língua,
Sentiu o calor que extrapolava
E sentiu DE-MO-RA-DA-MEN-TE...
Era como se permitir voar
Em chão, e não estar preso,
A não ser pelas mãos.
Que ao acariciar seus cabelos,
Se fez rebolar vagarosamente.
Amoleceu as pernas, babeou.
E ofereceu de dentro
De seu tesão,
Seu delírio em líquido.
Em penugem eriçada
E unhas arranhando
Tudo que fosse pele.
Sugada. Escorrida pela perna.
Sorria.
James Ribeiro

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

"Famintos",de James Ribeiro : poesia escrita por um preto

Foto publicada no grupo Biblioteca do Povo Preto - BPP


Famintos


Primeiro comeu a minha orelha,
Delicadamente.
Aos poucos...
E se alimentava, também,
Do arrepio que me escapava.

Depois pelo pescoço,
E era instantâneo o cio.
E não me escapava, outrora,
Reinava em mim.
Consumia em gosto adentro.

Comeu meu peito,
Conduzindo a saliva e a língua,
Meu mamilo. Duro.
Endurecendo e delirando.
Favorecendo...

E desceu pela barriga,
Apertando os dentes,
Apetitosamente
A boca que, na procura da fome,
Me tirava o gosto.
Que de tanto gosto,

Foi parar ali: rígido.
Ardendo em aguardo.
Uma abocanhada precisa.
E o sugar do sumo.

Era hora da sobremesa, enfim,
E caprichosamente
Me pôs em seu prato,
Acariciando meus cabelos,
E me colocando pra comer.

Bom apetite!

James Ribeiro 

Poeta James Ribeiro, 
foto do acervo pessoal em 2018