Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

"Os três obás de Xangô", um filme de Sérgio Marchado

 

"Os três obás de Xangô", Sérgio Machado 

Ontem no fim da tarde de domingo e feriado de setembro de setembro, fui ao CineSesc assistir um documentário delicioso e bem brasileiro. 

No caminho, vem vendo bolsonari*tas de verde amarelo no metrô, deviam estar indo ou vindo de manifestação na Paulista (lugar que, por essas e por outras, evito aos domingos!) , uma tristeza ...

Ainda no caminho comecei a ver belezas: parece que já é primavera em São Paulo e os tapetes de ipê amarelo tomam a cidade, inclusive a rua Augusta 


Fui ficando mais doce, depois do azedume

bolsonari*ta metrô, entrei no Cinesesc borifada de amarelo 💛 

Um dos meus lugares favoritos de São Paulo 

Entrando lá, fui logo tirar selfie  com o filme que fui assistir, que vi o cartaz no cinema em Niterói e agora tinha a chance de assistir em São Paulo por 10 reais!



O filme é uma ode a amizade entre Jorge Amado,Dorival Caymmi e Carybé , que receberam o cargo de Obá de Xangô (defensores do Candomblé e  intermediadores entre terreiro e sociedade) e assim foram troçando  um desenho do que seria a baianidade.

Com fotos e vídeos de época riquíssimos, leitura de alguns trechos de cartas entre os três,o documentário enchendo olhos de beleza na telona, faz a gente sonhar como deve ter sido bom ter vivido e convivido com essa tríade à época da formação daquilo que até hoje reconhecemos como um ser baiano.

Assistir a um filme no cinema, ainda mais um tão especial como o Cinesesc,tem todo um significado especial, que é sentir a reação do público. No caso foi muito calorosa a recepção, o filme foi aplaudindo e alguém até gritou no final VIVA O POVO DE TERREIRO ❤️😍

VIVAS! 

Mais uns vez o Cinesesc fazendo a diferença 😍

Comentário posterior 

AMIZADES : Disse Sérgio Machado que seu filme"3 OBÁS DE XANGÔ" emociona não porque é triste, mas talvez porque nos relembra uma época em que os relacionamentos eram mais sólidos e era possível e até inevitável que figuras como Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi firmassem  amizade tão frutífera !

🤔


terça-feira, 1 de julho de 2025

Homens pretos não choram, Stefano Volp





Emprestei da Biblioteca do SESC Pompéia e  li "Homens pretos (não) choram" (2022), de Stefano Volp. São dez  contos escritos no contexto da quarentena pela pandemia de COVID 19, os textos tratam da vida de homens pretos, destacando o campo da  afetividade. Partindo desse recorte, Volp consegue abordar temas delicados ou até tabus, como racismo, masculinidade negra, masculinidade tóxica , sexismo, machismo, solidão, traumas, medos, felicidade, etc. Uma leitura excelente para homens, em especial os pretos.
Com dois prefácios,  escritos por Sérgio Motta e Jeferson Tenório, escritores expoentes da literatura negro-brasileira, os autores comentam como foi para eles,homens pretos, a leitura deste textos tão  contundentes. Mas a leitura não interessa apenas a homens pretos. Eu, uma mulher negra, durante a leitura, levava o livro nas mão enquanto esperava o metrô  na estação Trianon MASP  e me surpreendi ao encontrar outro leitor, um homem branco, lendo atentamente o mesmo livro. Ambos os volumes com a etiqueta branca nas lombadas: foram emprestados de biblioteca, esse lugar mágico que une as pessoas por interesses comuns.
Por abordar feridas abertas na sociedade brasileira no século XXI, recomendo a leitura deste livro a todos, em espécie a pretos e pretas.

No Instagram eu fiz um comentário rápido sobre os dez contos e copio aqui:




1 SECO :  Como uma boa introdução ao tema do livro, o primeiro conto ,Seco, conta a história de Heleno, um militar já avô, que sentindo próximo o final da vida e escrevendo seu testamento ao som de Tim Maia, coloca-se em luta dolorosa com a pergunta : o que foi que lhe secou por dentro e o fez incapaz de chorar por toda a vida?



2 VITRINE :  No aplicativo de encontros gay Pinder, Blackurso_31 é o nickname de um capixaba preto, gordo e tímido que trabalhava como  cozinheiro em Copacabana e visitava as vitrines em busca de um match. Quando conseguiu um, ele que era um adaptado na cidade, teve que reagir ao racismo com fúria.



3 Bilola Um poeta negro vive de ofertar poesia no metrô, esperando juntar alguns trocados para se sustentar e é constantemente rechaçado. Um dia um homem lhe faz uma oferta grande, que ele desconfia, pois sua mãe o havia ensinado a não dar pérolas aos poucos.
Um trecho :
"Não havia prazer em acumular rejeições, tampouco  em naturalizá-las.  Ele só não detinha as ferramentas cirúrgicas para sondar e elaborar sua dor. Acumulava-as no pesado saco de sua alma e prosseguia "("Bilola", Stefano Volp, in "Homens pretos (não) choram,p.69


4 DONA TAGARELA :  É um dos meus contos favoritos. Aluízio é um policial que  obrigado pelo chefe a fazer sessões de terapia com Thiago ,um  psicólogo negro,  que lhe explica :"você me paga pra te levar até onde você quiser ir, em qualquer lugar da sua mente. Ao ver as coisas com um ponto de vista treinado, posso ajudá-lo a encontrar sua cura."(P.85)
Embora tivesse medo ,pois  sabia que " armadilha de palavras é uma das coisas mais perigosas do mundo. Um homem envenenado pelas próprias palavras não tem honra alguma"(p. 84), Aluízio acaba soltando as suas palavras e entrando nos labirintos de seus traumas e medos.



5 MEIA NOITE :  Uba espera ansioso pelo dia dos pais para saber se o filho está recebendo bem todo o cuidado com que tem lhe tratado. Cinco minutos antes do grande dia, é visitado pelas dolorosas memórias da relação com seu pai.


6 BARBA : Ricardo é um homem preto casado com Lucinha e frequenta a elegante barbearia de Russo, um albino  o que tem "mãos de fada", cujos clientes fechavam os olhos e entravam em transe". (p.114) Um dia o barbeiro coloca um bilhete na mão do cliente e a trama se inicia... 

NÃO CHORAM: Mais uma vez... um trecho do conto "barba". Ricardo, um homem casado, percebe uma ligação diferente com seu barbeiro Russo, que um dia coloca em seu bolso um cartão marcando um encontro. Assustado com isso, pensa logo na esposa ciumenta, com quem tinha a melhor das relações :
"Conhecendo a esposa que tinha,precisou queimar o cartão e jogar as cinzas no bueiro da cidade. Foi ao realizar esse exercício que ele decidiu contar tudo para a esposa. Ela merecia saber. Daria um jeito de dizer que tinha algum problema psicológico. Não entraria em detalhes, nem falaria de Russo, mas, sim, diria que estava pensando em outra pessoa e que isso agora o atrapalhava. Lucinha faria um escândalo, mas ele sabia que, se fosse sincero, poderiam passar por aquilo juntos. A esposa era a pessoa mais incrível que ele já conhecera. Não poderia enganá-la daquela maneira." P.117

Não vou contar o final, só postei para destacar como tem relações amorosas incríveis. AMOR É SORTE!


7 SABONETE :  Wagner é um  adolescente  virgem que ,em busca das primeiras experiências, procura Yara ,a "fácil", que os mais velhos chamavam Sabonete. Com a moça consegue conversar e refletir sobre como os homens são machistas e ele pode pensar com sua própria cabeça .



8 PIO : Outro sobre paternidade e um dos que mais gostei. Conta a história da relação cheia de densidade e comunicação difícil entre o pai solteiro Leo e seu filho Renatinho.


9 SEM : Depois da partidas de futebol, Ramon procura seu pai para perguntar qual a diferença entre abuso sexual e estupro, pois um amigo teria sofrido uma investida desse tipo. Para seu espanto  o pai respondeu que a diferença estava no ato sexual,  mas que nenhum dos dois acontecia com homens.  Mais uma história sobre como a masculinidade tóxica pode oprimir os homens.


NÃO CHORAM - São onze contos no livro Homens pretos não choram, de Stefano Volp. Vou postar um comentário rápido sobre cada um deles.
10 FLORESCER : O mais belo conto do livro, conta a história de Amildo, um homem de poucas palavras, que morava com sua bicicleta Luiza. Por alguma artimanha do destino, acaba indo trabalhar na estufa do Seu Rosa, onde as flores acabarão curando suas feridas mais profundas.






sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

História Social da beleza negra, Giovanae Xavier: beleza como resistência ao racismo

Quando emprestei da 
Biblioteca do Sesc Pompéia 

Comentário de fim de leitura 14 de fevereiro 2025

"HISTÓRIA SOCIAL DA BELEZA NEGRA (2021) : Concluí a leitura. É uma pesquisa de doutoramento publicada em livro sobre construção e manutenção do racismo nos EUA através da publicidade de cosméticos feitos por brancos, que pretendiam "suavizar" traços de negritude a qualquer custo. Mas é , sobretudo , um texto sobre como a comunidade negra reagiu e inverteu esse jogo. Termina assim :

"Sugerindo, nas entrelinhas, as lutas pelo direito à beleza, historicamente negado às mulheres negras, um anúncio (com dizeres "Você também pode ser uma beleza fascinante") tranquilizava as consumidoras (de produtos de beleza agora produzidos por negras). Não seria mais preciso 'invejar uma garota' e 'seus charmosos cabelos e compleição '. Tal qual a escravidão africana, inveja era coisa do passado. O espelho de Oxum (imagem da capa do livro) refletia um futuro de beleza para as mulheres negras, finalmente elevadas ao posto de 'aristocrata da penteadeira'." (P.136)
Só tenho a agradecer à minha mãe Oxum por ter me feito ver, desde menina, a sua bela e fascinante face divina quando me olho no espelho! 💛🧡❤️"

Enfim li esse livro muitas vezes amargo, mas muito importante, ainda que tantas vezes me lembrou as intragáveis aulas de História dos Estados Unidos na Faculdade! Mas tem resistência e isso é maravilhoso! 

Recomendo muito a leitura a quem tiver coragem .

Capa com o espelho da Oxum 

Giovana Xavier é uma professora e pesquisadora , ativista das causas das mulheres negras. Que bom termos mulheres como ela no Brasil.


A beleza negra de Giovana Xavier


Durante a leitura eu fui comentando:

11 fevereiro
Camila Zahabe Rodrigues
BELEZA NEGRA : Deixei o livro do Mia Couto pra depois e comecei  ler "História da beleza negra", de Giovana Xavier. A referência e temática eu já conhecia por alto, desde quando escrevi o projeto de pesquisa sobre os primeiros romances de Jeferson Tenório, mas só agora estou lendo. Trata-se da publicação de uma pesquisa em História sobre como  os negros (especialmente negras) estadunidenses apareciam na imprensa e publicidade (especialmente a de cosméticos) desde a passagem do século XIX para o XX. O capítulo inicial chama-se "imprensa e negra e Grande Migração". Pensando nos EUA de 2025, quando imigração é eleita pelo novo governo como a grande vilã do projeto de pais, começar a ler uma história da negritude estadunidense justamente pelas cartas escritas no contexto da migração de negros saindo do sul e tentando se estabelecer em outros lugares, aponta que esse é o momento de ler esse livro, já que a mobilidade dos povos continua a ser grande questão para a  História. Estou só no começo da leitura, mas já vi que,  partindo de objetos interessantes, Xavier encontra ganchos para refletir sobre a problemática negra em diferentes aspectos e coloca questões capitais , como  sobre tradução dos termos referentes a raça : o que e  em quais momentos  significava dizer "Black", "mulato",  "of color" , etc? Muito pano pra manga. 
12 fevereiro
BELEZA NEGRA: Continuo lendo quando posso, é um excelente trabalho de pesquisa, trata de assuntos e termos capitais para o debate sobre a negritude ,mas não posso negar que está sendo 
um fardo ler sobre os EUA (nunca curti), ainda mais sobre a construção da estrutura racista naquele país. Estranho tanto estar lendo sobre os Estados Unidos, digamos que não costumo "desperdiçar" muito tempo sobre o país , para além de saber das notícias incontornáveis.  Infelizmente para mim, lendo constato que muito do que construímos como identidade racial no Brasil veio daquele imaginário inimaginável. Apesar das diferenças gritantes (numéricas e culturais), desde há muito me parece que aquela  realidade nos foi "imposta" como modelo, sem adaptações. Lendo o texto isso fica cada vez mais claro e não consigo conter uma careta de nojo. Ainda nem mergulhei na indústria cosmética (beleza negra do título), mas já está intragável .Enfim , sigamos rumo ao fim do livro. 🙏🏾

Comentário:
Um ponto importante que não destaco na resenha, para não deixá-la muito grande: a indústria cosmética desenvolvida por brancos, criava produtos agressivos, às vezes com soda cáustica,para clarear peles retintas e alisar cabelos crespos. As propagandas, por sua vez, insistiam na ideia de "correção" daquelas características , como se ser negro(a) fosse um erro. Apenas depois de "corrigirem"  esse "equívoco" em sua aparência, as pessoas poderiam pensar em almejar posições sociais simples, como empregos. Em alguns lugares, pessoas "não corrigidas", chegavam a ser agredidas fisicamente,ou até mortas. Isso começou a mudar quando os negros passsaram a cuidar de produtos estéticos para negros, só então se poderia pensar em uma beleza negra, que não estava errada, nem precisava ser "corrigida".
,

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

FECHE OS OLHOS PARA VER A VERDADE:"Se eu fechar os olhos agora", Edney Silvestre

 

Em um dia frio de verão 


CONTÉM MUITOS SPOILERS 
Terminei de ler o segundo livro de janeiro e também do ano : Se eu fechar os olhos agora(2009), de Edney Silvestre. Fiquei muito satisfeita com a leitura, mais do que eu imaginei quando eu  via o exemplar na biblioteca, com esse título lindo e instigante, mas como não tenho boas experiências com livros de belos títulos, dessa vez deu certo e no fim foi outro grande presente!

Eu não conhecia o autor de nome, soube pela orelha do livro que é um jornalista com experiência na área cultural, mas fiquei muito encantada ao saber que se trata de seu primeiro romance e que, em 2010, ganhou o prêmio Jabuti de melhor romance e o Prêmio São Paulo de Literatura como melhor livro de autor estreante! Grandes feitos! E não é para menos, o livro agrada demais, é divertido, mas não é raso, aliás muito ao contrário: é pesado, especialmente os temas centrais, mas a escrita e os narradores são um caso à parte. oxigenam a narrativa!

Resumindo o enredo, o livro conta a história de dois meninos de 12 anos, que numa manhã de 1961, fogem da escola, no interior do RJ e acabam encontrando o corpo nu e dilacerado de uma mulher morta com requintes de crueldade, como até um seio cortado. Na hora eles  não a reconheceram, mas rapidamente souberam de tratar de Anita, a jovem esposa do dentista, que logo assumiu ser o assassino. Porém, os meninos duvidaram que ele, tão velho e franzino, teria condições de matar aquela mulher grande e forte com incontáveis facadas. Muito inspirados nos filmes que viam no cinema, resolvem investigar por conta própria essa morte, visitando locais estratégicos, como o cartório em busca de documentos e a casa da morta, de madrugada. Nesses passeios noturnos, encontram um senhor que toda noite fugia do asilo onde morava e também vagava pela cidade. Os três, então, duas crianças e um idoso, passam a investigar o caso, descobrindo uma trama intrigada envolvendo a  família Marques Torres , que comandam a cidade desde os tempos imemoriais.

PERSONAGENS E SUAS TRAMAS

Centrais na trama,  Paulo Roberto e Eduardo, são jovens estudantes muito amigos, saindo da infância, abrindo os olhos para o mundo adulto, para os quais terem encontrado o corpo daquela mulher foi um marco: a partir dali nada mais seria como antes. Paulo Roberto é o "mais escuro", órfão de mãe, mora com o meio irmão mais velho e o pai, que o espanca, sempre dizendo que ele merece apanhar porque ele tem o sangue ruim da mãe. Provavelmente essa mãe era negra, por isso ele é o "escuro" que o pai e o irmão. Infelizmente esse caso não é mais desenvolvido, o que seria bom, porque logo saberemos que um dos temas centrais do livro, na história de Anita, é esse ódio a mulheres negras.  Já Eduardo não é rico, mas tem uma vida mais estruturada, família, uma bicicleta importada, mesmo que já antiga, é muito inteligente, vive ensinando Paulo, lhe empresta livres, inclusive o dicionário, lhe passa cola e nem mesmo para ele Paulo conta sobre a violência que sofre do pai. A amizade deles é o frescor do livro. 

Outro personagem central é Ubiratan, que os meninos chamam "nosso velho", que vive no asilo, mas é muito lúcido e ativo, tanto que caminha toda madrugada, onde encontrou os meninos. Quando ele entra na investigação, ela realmente toma forma, ele é um homem maduro, conhece a gente da cidade, seus podres, e vai, ele mesmo, se envolvendo de tal forma que , em cero momento, toda o caso para si, pois o que os meninos não sabem com clareza, só desconfiam de algo, é que ele , mais jovem, foi torturado pela ditadura de Vargas , o mesmo presidente que manteria relações próximas à família Marques Torres. É Ubiratan quem dá a dica para que eles cheguem na primeira descoberta.

A primeira coisa que descobriram, no cartório, foi que Anita nasceu Aparecida, filha de uma negra com um dos poderosos Torres. No centro da trama está a obsessão dos Torres por meninas negras, que "adotam" para lhes servir de amante, como na época da escravidão. Assim foi com Elza, mãe da Aparecida/Anita, e também com ela que, parda, nasceu clara de olhos verdes, sendo obrigada a se passar por branca quando saiu do orfanato para se casar com o dentista.

O marido de Anita era um homem religioso, atendia os pobres por  caridade, no entanto era um homossexual reprimido, só casou com a jovem Anita bem mais velho, para assistir e fotografar ela praticando os atos mais libidinosos com seus ex colegas de seminário, os quais, certamente, ele desejava secretamente. Embora a prática tivesse que ser secreta, é claro que a cidade toda sabia da história de que Anita dormia com todo mundo, era a mais vagabunda da cidade, etc. 
Assim como sua mãe Elza e sua avó Madalena, Aparecida teve que abrir mão de si mesma e de se transformar num objeto para o prazer dos poderosos da cidade. E o seu final, um feminicídio  propriamente dito, foi a ter o corpo dilacerado com muito ódio e abandonado ao relento, o que foi aceito por todos, pois aquela mulher, enfim purgava os pecados da cidade toda.

POSTAGENS DURANTE A LEITURA 

Embora eu tenha passado uma semana com esse livro sem abri-lo, quando o fiz, a leitura foi rápida, pouco mais de dez dias. 
Vejamos como fui comentando 

16 DE JANEIRO
OLHOS: Há mais de uma semana eu emprestei da biblioteca "Se eu fechar os olhos agora",do Edney Silvestre, meu próximo livro,mas ainda não consegui começar a ler, pois  a ressaca da leitura após Carlabê não me deixava. Espero que se resolva.
Novamente eu escolhi o livro pelo título, mesmo sabendo que assim as chances de decepção são enormes, mas sobre esse eu acho que vai dar certo,  ganhou o Jabuti de melhor romance 2010, e conheço a história por cima, é  um livro "de época" e sei que aborda o racismo e, pelo título, uma procura para ouvir (não ver) dentro de si mesmo as vozes do passado. Adoro essa ideia. Adoro esse título. Tomara que goste!


17 DE JANEIRO
OLHOS : "... hoje eu sei que nos acontece a todos,na hora que a vida abandona nosso corpo e ele todo se relaxa, e o esfíncter se abre e...Essa também era uma palavra que eu nunca tinha ouvido. Nem lido. Esfíncter. Eu tinha doze anos e palavras como essa não eram ditas na minha casa. A gente não conhecia palavras assim. "  (Se eu fechar os olhos agora,p.8

                       


Eu também não conhecia essa palavra, mas achei genial a maneira que romance mostra que quem vai narrar é alguém já adulto, que tem vocabulário, mas que na época narrada, tinha apenas doze anos e nunca tinha ouvido falar em Esfíncter.

21 DE JANEIRO 

Levei o livro pra ler no 
Sesc Consolação 

22 DE JANEIRO 
OLHOS: Só tinha lido a introdução,mas como tive que renovar o empréstimo por mais duas semanas, só agora realmente comecei a ler o romance. Embora o tema seja bem pesado, trata-se de um feminicídio : dois amigos de doze anos encontram o corpo de uma mulher morta de forma brutal numa cidade do interior do RJ em 1960 e passam a investigar quem a matou. A  leitura é muito agradável, pois entramos na mente dos meninos que estão descobrindo a vida. Embora não seja rico, Eduardo, "o menino comprido" é filho de uma família estruturada com mãe e pai, enquanto  Paulo, "o menino mais escuro", mora com o pai que o espanca e irmão mais velho aleatório e não tem ninguém para cuidar dele. O mais legal do livro até agora  é a amizade entre eles... Vamos ver como vão investigar a história da morte de Anita, a mulher do dentista...



23 DE JANEIRO 
OLHOS : No romance, um dos meninos que acharam a mulher morta, já adulto, fecha os olhos e tenta rememorar aquele dia muitas vezes . Mas a memória é também construída e sempre duvidosa: "Eu ouvi, mesmo,ele duvidaria, passados tantos anos,a voz que agora permeia essas recordações? Ou acrescentei a música a lembrança daquela noite? Imaginei,imaginei ali, imaginei então, que a mulher que só tínhamos visto morta, em vida gostava do bolero de Augustín Lara. Que ouvia Noche de Ronda na vitrola, ou na rádiovitrola (sic), ou no toca-fitas. Ou soube mais tarde que ela se embalava em canções assim chorosas, lamentos de amores pedidos, súplicas nostálgicas. Não. Não. Eu nem sei como era a vida dela naquela noite. Imaginei a canção mais tarde. Ouvi canção mais tarde. A música em espanhol, a voz na noite, tudo foi acrescido e... Não. Não. Não. Tenho certeza:ouvi naquela noite. Uma voz de homem.Acho que era. Faz sentido: voz masculina. 'Ella se fue', ele canta . Quem lamentava o abandono era ele. Uma voz masculina. Acho. Voz masculina, grave. Na mesma noite do dia em que encontramos o corpo dela. (Edney Silvestre. 'Se eu fechar os olhos agora',p. 35) 'Imaginei'. 'Acho. Tenho certeza'...

24 DE JANEIRO 
OLHOS: Nem cheguei na metade, mas o livro começou a se definir melhor. Agora Paulo e Eduardo, vagando pela cidade na madrugada para investigar a morte da mulher do dentista, conheceram um idoso que foge do asilo toda noite e o convidaram para investigar também. Interessantíssimo porque os garotos de doze anos, quase crianças,  e o que chamam de "nosso velho", juntos podem passar desapercebidos nos lugares. Já descobriram coisas muito importantes sobre a verdadeira identidade de Anita, a morta, que não revelo aqui para não dar spoiler (pelo menos por enquanto), mas que pode ter tudo a ver com a causa de sua morte violenta. Tô amando essa leitura!

Epígrafe 

26 DE JANEIRO (ouvindo Fica comigo esta noite, com Nelson Gonçalves, música citada no romance)
OLHOS : Estou há poucas páginas do final do livro e, como vinha reparando, embora se trate da investigação de um feminicídio, o crime em si, como e quem executou, foi  o que menos me importou, mas sim o seu motivo que revela  uma sociedade interiorana hipócrita e conservadora. Mas sobretudo, o sabor do romance é a forma empolgante como foi narrado, por quantas vozes? Ainda não sei como certeza , mas sei que é sempre em forma de diálogos que mostram um Brasil profundo! Embora eu tenha dito,dias atrás, que  a obra não chama a atenção pelas inovações literárias (estou com Carlabê na cabeça!), agora nos finalmentes , sei que a narrativa vai ter um final, que ainda não li, mas sei que vem narrada de forma não cronológica e talvez um pouco diferente da toada quase oral do livro até então. Não sei se é realmente um "plot twister" (ainda não sei muito usar esses novos termos...), mas é uma modificação no tempo e na narrativa que eu não esperava. Sim, já estou com saudades dos meninos Paulo e Eduardo e também do "nosso velho" Ubiratan, mas sobretudo, vai demorar para esquecer da jovem morta com requintes de crueldade e cuja morte  ninguém lamentou!😢

Como acontece quando eu gosto muito de um livro,gravei até um pequeno vídeo ao final. Quando os meninos visitaram o barraco de Madalena, avó de Anita, a mulher que haviam encontrado morta, eles já sabiam que ela nascera pobre, de nome  Aparecida e foi resgatada de um orfanato para se casar com o dentista. O ingênuo menino Eduardo, que nunca tinha estado numa casa tão miserável e pouco sabia sobre as limitações das mulheres pretas, pardas e  pobres, começa a se perguntar porque Anita não ajudava a avó


Madalena, Elza, Aparecida/Anita. Ficou muito marcada em mim essa leitura da terrível história de uma linhagem de mulheres com seus corpos usados  




Ao mesmo tempo em vivíamos amargos dias de misoginia literária , eu estava lendo esse livro super centrado nessa questão. Osso. Mas super Super recomendo a leitura deste romance!

Texto que escrevi para os grupos de leitura que participo no Facebook 

"Li "Se eu fechar os olhos agora"(2009), de Edney Silvestre e gostei muito. Em 1961, dois meninos de doze anos  encontram o corpo de uma mulher brutalmente assassinada  e passam a investigar o caso. Em certo momento se unem a Ubiratan, um idoso que  também tinha interesse em desvendar o crime. Uma narrativa polifônica, muito bem escrita, que parte de fragmentos de memória  e nos convida a fecharmos os olhos para vermos a verdade de uma sociedade presa em jogos de poder, desprezo  para com as mulheres e muito racismo. É um romance de entretenimento, mas não é tolo, aborda questões importantes e ao final  nos deixa um gosto amargo na boca ao pensar que Anita, a morta, representa tantas  mulheres (inclusive as de sua família) que, usadas até o limite, são atacadas e  descartadas na tentativa de purgar a culpa de toda uma sociedade. "



sexta-feira, 26 de maio de 2023

Jeferson Tenório escreve sobre o caso Vini Jr: Escrita da História pós-colinial

 


Punho fechado: dos Panteras Negras ao esporte atual, símbolo antiracista 


No final de maio de 2023 o futebolista negro Vinícius Junior (22), conhecido como Vini Jr, que atualmente joga pelo Real Madrid e pela Seleção Brasileira, foi vítima de racismo na Europa ao ser chamado de macaco, e o mais impressionante, ter um boneco seu pendurado pelo pescoço, após atuação no jogo Valencia x Real Madrid. uma cena lamentável
A imagem de um boneco negro pendurado pelo pescoço
incita o reavivamento de um ódio racial de séculos

Com a pouca ou nenhuma reação imediata de seu time ou mesmo de La Liga, responsável pelo futebol espanhol, foi o próprio Vini Jr quem tomou para si a responsabilidade de reagir, em pronunciamento lúcido, corajoso  e impactante:



Dolorido demais. Porém fundamentais essas falas de Vini. Sobre isso tratou a coluna de 23 de maio de 2023 de nosso expoente escritor negro Jeferson Tenório no portal UOL, que ficou restrita aos assinantes, mas com paciência consegui ter aceso e transcrevo aqui na íntegra:



Caso Vini Jr. já é um marco  histórico na luta antiracista global (Jeferson Tenório colunista UOL em 23/05/2023 11h24)

"Assim como Rosa Parks, ativista negra que, em 1955, no Alabama (EUA), se recusou a ceder um lugar no ônibus para uma pessoa branca, ou ainda quando Martin Luther King liderou um movimento para que os negros pudessem entrar numa piscina num hotel  em 1965, a atitude do jogador Vinicius Jr. diante de torcedores racistas deve ser encarada como mais um desses marcos históricos que pontuam um posicionamento importante na luta contra o racismo.

Encarar esse episódio como um marco nos  ajuda a ter uma dimensão histórica, lucida e complexa da recorrência do racismo. Após toda a reação global, que extrapolou o  ambiente futebolístico e ganhou, com isso, contornos diplomáticos, a Europa tem agora uma grande oportunidade para se pensar e se reconhecer como racista. É dolorido olhar para as próprias feridas colonialistas, mas necessário e urgente. Sem essa reflexão profunda, não sairemos de punições individuais, que são importantes, mas não atacam o problema em sua essência.

O avanço da extrema-direita na Europa não pode servir como desculpa para que nada seja feito ou para encarar a violência racial apenas como crime de ódio. A naturalização do racismo é um dos instrumentos de sobrevivência do próprio racismo. A banalidade do mal, como diria a filósofa Hannah Arendt, não consiste em pensar a maldade como algo banal, mas como um projeto social que faz a maldade se passar por algo banal. Como algo sem importância, comezinho e corriqueiro. Nesse sentido, a estrutura do futebol parece ser um espaço próprio para isso, como se torcer pudesse estar acima de tudo. Um lugar para extravasar as paixões. Um lugar onde um xingamento racista pode ser minimizado, pois, num estádio, no calor da hora, tudo é permitido, como se a lei, ali dentro, perdesse toda a autoridade.

O caso de Vini Jr. é feito de eventos absurdos. O presidente da liga espanhola acusa Vini Jr. de manchar a imagem do Real Madrid. Em outras palavras, o que ele está dizendo é o seguinte: olha, se você foi chamado de macaco pelo estádio inteiro, se penduraram um boneco enforcado com o número da sua camisa, fique quieto, sua reclamação pode atrapalhar o nosso campeonato. Este tipo de argumento é a evidência mais cristalina de que a manutenção do racismo é um projeto, fruto de uma ideologia e de uma herança colonialista muito mal resolvida.

As reações a esses episódios racistas de Vinicius Jr. infelizmente não irão acabar com o preconceito, porque não existe bala de prata contra o racismo. Não há um antídoto único, não há um remédio único. Cuidemos para não cairmos nessa armadilha. A questão está para além da punição de torcedores, clubes e ligas. A questão está na sociedade espanhola, está na Europa e em como essas práticas racistas são naturalizadas há séculos."

No excelente texto do professor, escritor e pesquisador de colonização e discursos pós-coloniais,  Jeferson Tenório vemos pontuados marcos históricos, simbólicos e atuantes que, em resumo, indicam uma narrativa da História do povo negro esboçada por eles mesmos, em suas ações e reações a fenômenos que lhes tocam, como racismo e discriminação. Na fala de Tenório identificamos a expressão de um intelectual negro do nosso tempo, com um grande conhecimento sobre questões da vida do povo preto e também de todo um ideário a ele relacionado. 

Teoricamente, para o historiador, trata-se de uma pequena joia, apontando caminhos para que os historiadores problematizem questões desafiadores para a escrita da História na passagem do século XX para o XXI,  e que se apresentam  atuais e apontam narrativas da História pós-coloniais (que nas palavras de Homi Bhabha em "O Local da cultura" (1998), estão  amparadas no pensamento dialético "que não recusem ou neguem a alteridade que constitui o domínio simbólico  das identificações psíquicas e sociais."

Por estas questões e pela qualidade literária de seu textos, eu gostaria de fazer um estudo sobre Jeferson Tenório, que assim como Lima Barreto no inicio do século XX, neste século é um autor brasileiro que me representa em amplos sentidos.  

Em 17 de junho, no amistoso entre Brasil e Guiné a seleção brasileira entrou em campo toda vestida de negro, repudiando o racismo e apoiando o Vini. Uma linda homenagem onde se instaurou a frase
 

Pena que nesse dia especial, houve mais um caso de racismo, porque não há bala de prata contra o racismo


quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Tenda dos Milagres: o romance sobre Pedro Arcanjo, o herói mestiço brasileiro

 


Depois do contato com o  deslumbrante Mar Morto em Agosto, setembro foi a vez de Tenda dos Milagres. Como Jorge foi muito lido, não é nada difícil encontrar um exemplar de seu livro , com todos os preços, vendidos na internet, mas  nesse caso me dei muito mal. Logo no começo do mês eu comprei uma edição barata, que está muito mofada, o cheiro é insuportável e isso, também, acabou atrasando a minha leitura. Em 13 de setembro, já imaginando que poderia estar no fim do livro, cheguei a publicar no Facebook:


Ai tive outras distrações no mês e, como o livro não estava em condições de me acompanhar o tempo todo, fui retardando a leitura, o que me deu muita tristeza, porque estava realmente gostando dele. Em 21 de setembro eu desabafei:



Mas porque ele acabou tomando meu mês todo, peguei amor no livro, e antes de terminar, já estava com saudades

 Não pude escrever sobre o livro assim que terminei, porque tive que acompanhar a Mostra de Cinemas Africanos, mas escrevo em 12 de outubro, mas publico em 30 de setembro porque, é fato, Setembro foi o mês do romance Tenda dos Milagres.

A história de Pedro Arcanjo, Pedro Arcanjo, mestiço, que é o herói brasileiro que Jorge Amado inventou: é intelectual, poliglota, professor, mas se estudou e escreveu teses e tratados, foi (também) para cumprir obrigação ao seu orixá, que o elegeu Ojuobá (olhos) de Xangô, por isso ele devia saber de tudo, conhecer todas as tradições e costumes, pra lutar a "guerra santa" contra o candomblé em Salvador nos anos 30 e contra o racismo, sempre. O melhor é que, no livro, nada disso soa contraditório, eu mesma sou um pouco assim também: é só o Brasil! Depois assisti aos capítulos da série Global sobre o romance e o filme de Nelson Pereira dos Santos, que comento aqui, e todo aquele ambiente mágico de Jorge Amado ganhou caras, cores, sons e me emocionou demais!

TENDA DOS MILAGRES HOJE - Já em outubro 2021, um acontecimento me fez pensar como é preciso que os brasileiros leiam essa obra de Jorge Amado, pois infelizmente, os anos passam, de 1930 a 2021, as questões abordadas no romance são discussões muito necessárias




quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

NÃO À NORMALIZAÇÃO DO RACISMO , por Paulo Scott

 


NÃO À NORMALIZAÇÃO DO RACISMO - "... ao longo de mais de 30 anos eu tinha sido um inferno que tornava todos os outros infernos eventuais do cotidiano meras fagulhinhas na normalidade geral, que o meu olhar, MEU MODO DE LER A VIDA, RECUSAVA A NORMALIDADE ENGESSADA PELO DISTÚRBIO QUE AS PESSOAS CHAMAVAM DE RACISMO, pela devastação psíquica por ele causada, não importa o que os outros dissessem para tentar me convencer de que não estava tão ruim assim de que o ódio contra os pretos e o nojo em relação aos pretos estavam menores, de que no passado a coisa tinha sido muito pior... " "Marrom e Amarelo", Paulo Scott, p. 60

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Carta de William Lynch

IDENTIDADE NEGRA - Como todo processo de identidade a consciência negra é a mais difícil no Brasil, porque ela é menosprezada. No meu caso, que sou negra de pele clara, ela é negada até hoje. Mas eu, como historiadora (a História é a saída sempre), já consigo ver o quanto isso é ainda um projeto colonizador para fazer com que os negros na América se odiassem entre si e que ainda funciona.
Para quem duvida, leiam a carta do escravagista europeu William Lynch , que em 1712, foi convidado a falar sobre controle de negros nos EUA. (IN: https://informativocentroculturalhumaita.wordpress.com/…/h…/)
"Carta de William Lynch
Neste texto vemos um método de controle de escravos utilizado há quase 300 anos. Sua eficácia parece ter sido realmente comprovada. ATÉ QUANDO?
Virginia, 1712.
Senhores:
Eu saúdo vcs, aqui presentes nas beiras do Rio James, no ano de 1712 do nosso Senhor.
Primeiro, devo agradecer a vcs, senhores da colônia da Virgínia, por me trazerem aqui.
Estou aqui para ajudá-los a resolver alguns dos seus problemas com escravos.
O convite de vcs chegou até a mim, lá na minha modesta plantação nas Indias do Oeste onde experimentei alguns mais novos, e outros ainda velhos, métodos de controle de escravos.
A Antiga Roma nos invejaria se o meu programa fosse implementado.
Assim que o nosso navio passou ao sul do Rio James, nome do nosso ilustre Rei, eu vi o suficiente para saber que o problemas de vcs não é único.
Enquanto Roma usava cordas e madeira para crucificar grande número de corpos humanos pelas velhas estradas, vcs aqui usam as árvores e cordas. Eu vi um corpo de um escravo morto balançando em um galho de árvore a algumas milhas daqui.
Vcs não estão só perdendo estoques valiosos nesses enforcamentos, estão tendo tb levantes, escravos fugindo, suas colheitas são deixadas no campo tempo demais para um lucro máximo, vcs sofrem incêndios ocasionais, seus animais são mortos. Senhores! Vcs conhecem seus problemas; eu não estou aqui para enumerá-los, mas para ajudar a resolvê-los!
Tenho comigo um método de controle de escravos negros. Eu garanto que se vc implementar da maneira certa, controlará os escravos no mínimo durante 300 anos. Meu método é simples e todos os membros da família e empregados brancos podem usá-lo.
Eu seleciono um número de diferenças existentes entre os escravos; eu pego essas diferenças e as faço ficarem maiores, exagero-as.
Então eu uso o medo, a desconfiança, a inveja, para controlá-los. Eu usei esse método na minha fazenda e funcionou; não somente lá mas em todo o Sul.
Pegue uma pequena e simples lista de diferenças e pense sobre elas. Na primeira linha da minha lista está “Idade”, mas isso só pq começa com a letra “A”. A segunda linha, coloquei “Cor” ou “Nuances”. Há ainda, “inteligência”, “tamanho”, “sexo”, “tamanho da plantação”, “status da plantação”, “atitude do dono”, “se mora no vale ou no morro”, “Leste ou Oeste”, “norte ou sul”, se tem “cabelo liso ou crespo”, se é “alto ou baixo”.
Agora que vc tem uma lista de diferenças, eu darei umas instruções, mas antes, eu devo assegurar que a desconfiança é mais forte do que a confiança e que a inveja é mais forte do que a adulação, o respeito e a admiração.
O escravo negro, após receber esse endoutrinamento ou lavagem cerebral, perpetuará ele mesmo, e desenvolverá esses sentimentos, que influenciarão seu comportamento durante centenas, até muilhares de anos, sem que precisemos voltar a intervir. A sua submissão à nós e à nossa civilização será não somente total, mas também profunda e durável.
Não se esqueçam q vcs devem colocar o velho negro contra o jovem negro. E o jovem negro contra o velho negro. Vcs devem jogar o negro de pele escura contra o de pele clara. E o de pele clara contra o de pele escura. O homem negro contra a mulher negra.
É necessário qe os escravos confiem e dependam de NÓS. Eles devem amar, respeitar e confiar somente em nós.
Senhores, essas dicas são as chaves para controlá-los, usem-nas. Façam com que as suas esposas, filhos e empregados brancos também as utilizem. Nunca percam uma oportunidade.
Meu plano é garantido e a boa coisa nisso é que se utilizado intensamente durante um ano, os escravos por eles mesmos acentuarão ainda mais essas oposições e nunca mais terão confiança em si mesmos, o que garantirá uma dominação quase eterna sobre eles.
Obrigado, senhores.
William Lynch "

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Feriado da Consciência Negra IMAGENS

Ok, ok, somos todos iguais e o que importa é a consciência humana... mas ainda existem humanos mais humanos que outros. Porque ainda existem os humanos que sofrem de racismo, são vítimas de genocídios, são os primeiros a levar a culpa (até quando nem houve crime, isso já aconteceu comigo!), ainda são os primeiros descartados nos processos seletivos de emprego por exemplo, são os silenciados, os que são facilmente presos, repreendidos, vetados, etc, que AINDA É PRECISO UM DIA PARA REFLETIRMOS SOBRE COMO É A VIDA DO NEGRO NO BRASIL, SIM! 
#ConsciênciaNegra✊🏿