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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cangaço Novo 2a. Temporada


Terminei de assistir à rápida e intensa segunda temporada de Cangaço Novo, série que adorei acompanhar, como comentei AQUI.

Como foi um sucesso internacional no catálogo do Prime e deixou gostinho de quero mais, a segunda temporada chegou, mesmo curta, com apenas sete episódios e sem muitas conclusões. Ainda assim, adorei assistir.

Nos primeiros episódios, a qualidade da produção encheu meus olhos! Tudo muito cinematográfico, com cara de grande produção nacional. Do centro para o final, a qualidade se mantém, mas o roteiro perde um pouco a força e as cenas de ação, de modo impressionante, se destacam.


MINHAS EXPECTATIVAS

Antes de assistir a segunda parte, já mantinha algumas expectativas.

Na primeira temporada de Cangaço Novo, do Prime, para mim o grande destaque foi que o protagonista Ubaldo, interpretado por Allan de Sousa Lima, acabou perdendo brilho para sua irmã cangaceira Dinorá, vivida pela maravilhosa Alice Carvalho.

Para a segunda temporada, minha expectativa era que outras mulheres também se destacassem na trama, sublinhando a força da mulher nordestina. Pensei especialmente na bela e misteriosa Dilvânia, interpretada por Thainá Duarte, e em Zeza, vivida pela veterana Marcélia Cartaxo.

Elas foram confirmadas nos primeiros episódios, muito bem produzidos esteticamente.

No segundo episódio, como eu queria, outras mulheres além de Dinorá estão ganhando destaque. O mais incrível, para mim, foi a citação textual de trechos de Grande Sertão: Veredas durante um sonho da irmã mais nova da família Vaqueiro, Dilvânia. Suponho também que haja uma referência direta à cena em que um homem tenta domar um cavalo no marcante filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, que considero a melhor adaptação de Guimarães Rosa para o cinema. Nem comento que surgiu um cangaceiro chamado Fafafá, como no bando de Urutu Branco, em Grande Sertão: Veredas.

Além disso, a própria personagem Dilvânia, a menina milagreira, é uma figura comum no imaginário popular brasileiro e, por isso, lembra muito a protagonista do conto A menina de lá, que estudei na minha tese. Para ela, escolheram como tema a música Menina Jesus, de Tom Zé. Amei.


FINAL DA TEMPORADA E DESTINO DA SÉRIE

A figura da temporada foi Dilvânia, cuja história abre o primeiro episódio e cujo canto encerra o último. Foi muito bom ter trazido, na temporada mais cruelmente violenta, um fundo místico tão característico do sertão brasileiro. Dilvânia, com suas poções, a menina milagreira, encarna todo esse universo; em sua jornada, couberam preces, Grande Sertão e coragem.

O belo final, com Dilvânia professando sua fé e Ubaldo cumprindo seu quinhão na vida de um ladrão, permite tanto encerrar a série quanto dar continuidade a ela. Vai depender da recepção na plataforma. Se continuar, sugiro que invistam em bons roteiros, até pra sustentar a exploração de cenas  de ação.

Foi muito bom ver uma produção nacional tão boa.

domingo, 9 de novembro de 2025

Cangaço novo

 

  


Depois da deslumbrante " Contos do Loopi",  no meio de tantas opções no Prime que acho que não valem meu tempo, foi a vez de devorar a série"Cangaço novo". E essa super valeu.

Produção nacional da Prime de 2023, é muito bem feita e não à toa fez o sucesso que fez. Depois de ver os primeiros episódios escrevi 

"  CANGAÇO NOVO

Comecei a assistir à série ontem. Gostei muito : historicamente é mesmo assim,nenhum movimento  acaba com a morte de seus membros, sem que os motivos de sua formação tenham se resolvido. Os cangaceiros dos anos 1930, o grupo de Lampião, podem até ter sido exterminados pela polícia, mas o cenário não mudou tanto assim no século XXI, continuamos vendo miséria, o abandono do poder público e a aposta na violência como única reação possível. Só ganharam novas "tecnologias". 

É uma série de ação, mas também  se destaca pela trilha sonora e pela estética: belas cenas no Nordeste, a caatinga, os bravos homens e mulheres!

Um preciosismo: talvez pudessem ter cuidado mais da linguagem. Apesar do visual cru e cruel, como a história pede, desconfio muito de que membros de grupos armados no sertão do Ceará falariam quase sem sotaque,  e que, mesmo nos momentos de maior ira, se limitassem a xingar com simples “caralh*s...”. Isso até os moleques que soltam pipa na minha rua falam! Um certo “adoçamento”, talvez herança da TV aberta, que no streaming acaba por empobrecer a trama.

Afora isso, tô curtindo e pretendo continuar assistindo."

Claro que depois achei algumas controvérsias 

"Há controvérsias: Isabela Boscov gostou de não terem sotaque ... Quem sou eu pra falar algo kkkk mas não é uma coisa que atrapalhou, foi só um comentário"

Mas nada supera a qualidade da produção. A atuação do Allan Souza  como Ubaldo Vaqueiro , e duas irmãs Divania - por Thainá Duarte, a mesma que interpretou Anita em "Se eu fechar os olhos agora" e dá super conta de fazer personagens "mudas" - e Dinorah, pela dona da série toda, a maravilhosa Alice Carvalho 😍

Claro que  lembrou tanto Grande Sertão ! Pelo banditismo, mas no caso sem Diadorim, aqui tem Dinorah, a MARAVILHOSA Alice Carvalho! Foi no delírio dela que Lampião e Maria Bonita (uma figura meio azulada, que parecia Nossa Senhora Aparecida) vieram falar! Ela é mais protagonista que o irmão HAMLET 😍

Gostei tanto  que  tinha certeza que já tinha a segunda temporada, porque é tão comentado... Ainda não tem! Vamos esperar, a produção está em processo... eu  eu quero mais!