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quarta-feira, 22 de abril de 2026

IAs comentando minha tese/livro

 

         


Mandei o PDF da minha tese/livro sobre as estórias de Guimarães Rosa , defendida na área de História em 2014. Vejamos os comentários....

CHAT GPT:


Entre História e Literatura, esta pesquisa parte de uma aposta: não olhar apenas para o texto final, mas para os processos de escrita.
Em Escrevendo a lápis de cor, leio  a partir de um conjunto heterogêneo de fontes: as estórias publicadas nos anos 1960, seus cadernos manuscritos preservados em arquivos públicos e uma correspondência singular — cartões-postais desenhados trocados com sua neta ainda em fase inicial da linguagem.
É nesse trânsito entre materiais que a tese se constrói. Ao invés de separar obra, rascunho e vida, o trabalho os coloca em relação, revelando uma escritura em movimento — fragmentária, experimental, muitas vezes próxima da lógica infantil de lidar com a linguagem.
A partir dessas fontes, a tese tensiona uma questão clássica: se a História tende a organizar o tempo em narrativas lineares, as “estórias” rosianas operam como interrupção — deslocando sentido, desmontando cronologias, abrindo espaço para o imprevisto.
A infância, nesse contexto, não aparece como tema, mas como chave de leitura: uma forma de relação com a linguagem marcada pela invenção, pela instabilidade e pela recusa de significados fixos.
O risco — e também a potência — está aí: ao privilegiar o processo, o fragmento e o inacabado, a análise exige do leitor uma postura menos passiva, mais próxima de quem também experimenta a linguagem.
No limite, a tese sugere que compreender  não é apenas interpretar suas obras, mas acompanhar os gestos de sua escrita — onde História e Literatura deixam de ser campos opostos e passam a se constituir mutuamente.

Gemini (gostei mais)

Esta tese de doutorado, intitulada "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa", defendida por Camila Rodrigues em 2014 na USP, apresenta uma contribuição original ao campo da História Social ao investigar a produção rosiana da década de 1960 — as chamadas "estórias" — sob a ótica da infância e da ficcionalidade.  
​Abaixo, apresento um comentário crítico focado nos pontos solicitados:
​1. A Relação entre História e Literatura
​A pesquisa rompe com a dicotomia tradicional que separa a História (domínio da verdade factual) da Literatura (domínio da invenção).  
​Mediação pela Ficcionalidade: A autora utiliza o conceito de "ficcionalidade" como uma instância mediadora. Ela propõe que tanto o discurso literário quanto o historiográfico são construções narrativas, e que a escritura de Rosa, ao questionar o tempo linear, dialoga profundamente com as reflexões da historiografia contemporânea sobre a narrativa.  
​A "Escritura a Lápis de Cor": O título metáfora faz referência ao uso físico de lápis coloridos por Rosa em seus manuscritos, simbolizando uma função transitória e imaginativa que desafia o "peso da temporalidade" e a rigidez da História tradicional.  
​2. O Uso de Fontes e Arquivos Públicos
​Um dos pilares da tese é o rigoroso trabalho de pesquisa em arquivos, indo muito além dos textos publicados.
​Acervos Consultados: A pesquisa baseou-se em materiais do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) e da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).  
​Os Cadernos Manuscritos: Foram analisados cerca de 30 cadernos, divididos em séries de "Estudos para a obra", "Anotações" e "Anedotas". Nesses espaços escriturais, a autora "flagrou" o processo de criação de Rosa, onde o registro de falas de terceiros e rascunhos de linguagens revelam uma escrita caleidoscópica que se alimenta do cotidiano e do espontâneo.  
​3. A Correspondência com as Netas (Vera e Beatriz)
​O trabalho destaca uma fonte documental inusitada e de grande valor sensível: os cartões-postais trocados entre Rosa (o "Vovô Joãozinho") e suas netas Vera e Beatriz Helena Tess, na década de 1960.  
​Diálogo com a Infância Real: Essa correspondência (publicada no livro Ooó do vovô) mostra Rosa tentando estabelecer comunicação com crianças de 3 a 4 anos que ainda não dominavam a norma culta da língua.  
​Laboratório Linguístico e Afetivo: A autora analisa como Rosa atuava quase como um "secretário" da neta, transcrevendo as falas dela e interagindo com seus desenhos. Esse exercício privado de flexibilidade linguística é visto como um reflexo da busca do autor por uma "visada adâmica" — uma relação com a palavra que precede os significados pré-estabelecidos, típica do universo infantil que ele explorou em obras como Primeiras Estórias.  
​4. Conclusão do Comentário
​A tese demonstra que a infância em Guimarães Rosa não é apenas um tema literário, mas uma experiência cultural e de linguagem. Ao utilizar fontes primárias manuscritas e documentos pessoais, a pesquisa prova que o processo criativo de Rosa era um fenômeno histórico em si, onde a "linguagem hermética" do autor se encontrava com a pureza e a ausência de normas da fala infantil.


A conclusão do Gemini é o qyeveu queria destacar: a infância , na escritura (termo de crítica genética) de Guimarães Rosa é um artifício de uso da linguagem, rumo a um resultado mais criativo, de qyem está vendo o mundo pela primeira vez, como uma criança. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Escrevendo a lápis de cor : Infância e história na escritura de Guimarães Rosa


Acaba de se tornar disponível para download a minha tese de doutoramento "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa.
Para acessá-la, clique AQUI.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Tá chegando a hora...


Já será na próxima sexta feira! Eu conto conto com a presença de todos (em pessoa ou em pensamento), pois todos vieram me acompanhando nesses cinco anos de trabalho e já agradeço de antemão!
Como trilha sonora desta última semana eu destaco a versão brasileira de "Cielito Lindo" (cantiga que Rosa escreveu no postal que enviou a Ooó de Guadalajara) temos a trilha sonora desta semana final do meu doutorado: "... ai ai ai ai, tá chegando a hora ..."



sábado, 22 de setembro de 2012

Objetivo da pesquisa...


Estive pensando uma coisa: talvez eu não estude Guimarães Rosa. 

Em minha pesquisa de doutorado eu estudo mesmo é História, através da escritura de Rosa, mas isso é apenas um detalhe: não acho que minhas pesquisas (de mestrado ou doutorado) vão esclarecer coisas tão inéditas sobre Rosa, coisa que especialistas na área das letras não apontaram, estão apontando ou apontarão... mas para a área de  História, onde a coisa pega mais, penso estar enveredando por caminhos bem novos!

Talvez eu esteja atingindo um estado sobre o qual meu orientador comentou certa vez: é um grau de maturidade na pesquisa, onde a investigação passa a refletir sobre si mesma e experimenta  uma sinceridade para consigo mesma e toda a  angústia que isso traz... disso, espero, saem os bons trabalhos na área de História. 

Vamos ver o que eu vou conseguir produzir, mas a angústia tá pesando cada vez mais!

sábado, 3 de setembro de 2011

POESIA ORAL


Quando eu contei na terapia que tinha entrado no doutorado e ia estudar infância na escritura de Guimarães Rosa minha terapeuta disse mais uma das suas colocações assustdoras (daquele tipo que eu prefiro nem pedir explicação na hora, sabe?)... ela disse apenas:
"-Meus parabéns Camila! Aliás penso que esse seu doutorado vai ser mais um motivo para você rever algumas coisas que ainda estão em aberto sobre sua infância, e isso não é só com você, porque na verdade o que todo mundo passa a vida procurando por algo que ocupe a sensação da mãe na fase intra uterina..."

Na hora eu fiquei com medo desta fala, achei que ela estivesse atropelando um pouco os assuntos, mas acabei me esquecendo, até que esta semana eu li um texto que me fez pensar que talvez ela tivesse razão:

“Indefinível, senão em termos de afastamento, articulação entre sujeito e objeto, entre Um e Outro, a voz permanece inobjetável, enigmática, não especular”. Ela interpela o sujeito, o constitui e nele imprime a cifra de uma alteridade. Para aquele que produz o som, ela rompe uma clausura, libera de um limite que por aí revela, instauradora de uma ordem própria: desde que é vocalizado, todo objeto ganha para um sujeito, ao menos parcialmente, estatuto de símbolo. O ouvinte escuta, no silêncio de si mesmo, esta voz que vem de outra parte, El a deixa ressoar em ondas, recolhe suas modificações, toda ‘argumentação’ suspensa. Esta atenção se torna, no tempo de uma escuta, seu lugar, fora da língua, fora do corpo.
Jogo, ritmo vocálico anterior à instauração de um espaço e tempo mensuráveis, e que só é ‘sentido’ na medida em que esta palavra designa direção e processo: a voz se encontra simbolicamente ‘colocada’ no indivíduo desde o nascimento, significando (por oposição, segundo D. Vasse, ao fechamento do umbigo) abertura e saída. Mais tarde, entrada em conjunção histórica, a criança assimilará a percepção auditiva ao calor e à liberdade anunciados pela voz materna – ou à austeridade protetora da lei, significada pela voz do pai. Experiência equívoca: à imagem em que pesa a presença do significado materno se opõe o iconoclasma da ordem e da razão, mas o equívoco vem de mais longe: no útero a criança, já se banhava da Palavra viva, percebia as vozes e, como se diz, melhor os graves do que os agudos: vantagem acústica a favor do pai, mas a voz materna se ouvia no íntimo contato dos corpos, calor comum, sensações musculares apaziguadoras. Assim se esboçavam os ritmos da palavra futura, numa comunicação feita de afetividade modulada, de uma música uterina que, reproduzida artificialmente ao lado de um recém nascido, provoca imediatamente o sono e, ao lado de uma criança autista (na terapêutica de A. Tomatis), deflagra uma regressão salvadora.
À medida que se afaste o doce ‘não lugar’ pré natal e que tome consistência a sensação de um corpo-instrumento, a voz, por sua vez, se ajustará à linguagem, em vista de uma liberdade. O símbolo vai invadir o imaginário.Pelo menos, subsiste a memória de um engodo fundamental, a marca de um antes, puro efeito de ausência sensorial, que cada grito, cada palavra pronunciada, parece ilusoriamente poder preencher. Tocamos aqui, como penso, nas nascentes da poesia oral.”


(ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Belo Horizonte : ufmg.Pp.15-6)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Está escrito na parte dedicada a Guimarães Rosa no "Museu da Lingua Portuguesa":


Esta é uma das aproximações que eu estou propondo entre a obra de Guimaraes Rosa e a infância.
Me emocionei demais quando li isso no Museu!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010



Balõezinhos


Na feira do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.


No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.


Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.


Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.


Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de cor são a única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável.


O vendedor infatigável apregoa:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem um círculo inamovível de desejo e espanto.

domingo, 30 de maio de 2010

Somente uma questão de baixa auto-estima?

Confesso estar passando por sérios problemas existenciais.Claro que o que corre mais riscos com isso é minha pesquisa de doutorado, por vários motivos: eu fico desanimada, eu acho que ela não faz nenhum sentido para ninguém além de eu mesma e por isso é um estorvo assim como eu sou... blá, blá, blá.
Eu fico com essas sensações mais fortes em mim quando percebo que minha vida é mesmo minha pesquisa, mas que ela, apesar de ser tudo para mim,não se enquadra em lugar nenhum: Não é uma pesquisa literária (não sei fazer e nem quero fazer análises ou interpretações literárias), nem historiográfica (não estudo no Arquivo do Estado e nem meu tema é a escravidão, o açúcar no Século XVIII ou o marxismo)... é apenas uma pesquisa sobre a escritura de Guimarães Rosa, aquele que eu considero - e outros também consideram- o que temos de melhor por aqui.Claro que a maioria vai dizer que eu quero discutir o sexo dos anjos, mas é a minha pesquisa. Eu considero importantes as discussões sobre o imaginário,não é à toa que, como historiadora, declaro que meus livros favoritos são "Os reis taumaturgos" de Marc Bloch e "Visão do paraíso " de Sérgio Buarque de Holanda, que se questionaram práticas que apesar de parecerem discussões tolas, nos explicaram com mais propriedade os mecanismos intrínsecos de certas sociedades ou grupos sociais, como o caso da taumaturgia "explicava" muitos dos motivos medievais; e como o imaginário utópico foram a força motriz da colonização. Ora, eu pergunto, quantas coisas em nossas vidas são reais e quantas não são apenas construções virtuais, artísticas, lingüísticas ou simbólicas que se incorporam em nós até que elas mesmas se "encorparam" no mundo?
Assim é nosso universo espiritual, nossa pátria, nossos times de futebol,nossos autores favoritos... assim é a infância (eis o grande mote da minha pesquisa de doutorado)
O grande problema é que eu não sou nenhum Sérgio Buarque ou Marc Bloch, então que me dá atenção, além do meu orientador? Talvez (e talvez mesmo) meu namorado...
Só isso.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Resumo do projeto de doutorado " Infância é coisa, coisa?- Crianças inventam sentidos para a História na obra de Guimarães Rosa" (PROVISÓRIO)

"A proposta desta pesquisa de doutorado é a de tentar encontrar um lugar legítimo para a História na obra de João Guimarães Rosa, considerando as possibilidades e conflitos do seu tempo. Sugerimos que um dos diferenciais mais fortes da escrita rosiana está em sua aproximação do ponto de vista infantil, que aparece em representações lingüísticas e imagéticas em sua escrita literária e também em documentos paralelos como correspondências. Nosso enfoque supõe que esta preocupação com a percepção infantil,para dar conta de novos olhares sobre a História em um período no qual sua legitimidade sofreu forte questionamento, também foi algo percebido por outros nomes importantes do século XX, como James Joyce e Walter Benjamin, entretanto ainda não foi tema de nenhuma pesquisa de grande fôlego a partir
da obra rosiana, como estamos projetando."

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meditações sobre um cavalinho de pau E.H. Gombrich

Foi Carlo Ginzburg, em seus livros Mitos Emblemas sinais e Olhos de Madeira (Ginzburg, 2005; 2007) que indicou um caminho remeteu às idéias de E.H. Gombrich, em seu texto Meditações sobre um cavalinho de pau, como um caminho possível de decifração de imagens pelo historiador. Em meu doutorado, pretendo interpretar símbolos referentes à infância não sónos textos escritos de Guimarães Rosa, mas também coleção de desenhos produzida em sua correspondência com as netas.
Gombrich trabalha sempre com a idéia de representação como produtora de "substitutos" da realidade- com a ajuda da imaginação criadora, que tem função de comunicar- pois “toda imagem será de algum modo sintomática de seu criador, mas pensá-la como uma fotografia de uma realidade preexistente é compreender mal todo o processo de feitura de imagens(...) na linguagem do quadro de criança, continua a ser reconhecida a função psicológica da ‘representação’. A criança recusará uma boneca perfeitamente naturalista em favor de alguma ‘bruxa’ monstruosamente ‘abstrata’ que seja mais ‘fofinha. É possível até mesmo que prescinda totalmente do elemento ‘forma’ e tome o travesseiro ou o edredom por sua chupeta predileta-um substituto ao qual quer entregar o seu amor. Mais tarde na vida, dizem os psicanalistas, pode entregar esse mesmo amor a alguém vivo, digno ou indigno dele."

E.H. Gombrich. Meditações sobre um cavalinho de pau. P. 04)

Isso é lindo, não é?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

'Tempo Rei' e Teoria da História

Estou achando,por enquanto, que fazer doutorado na área de Teoria da História é como ouvir umas músicas do Gilberto Gil, que sempre estão meditando sobre o tempo e os tempos que vão se seguindo...
Começando com Parabolicamará,trazia os primeiros pensamentos sobre as novas relações entre Tempo - o da "onda luminosa" que, para transmitir informações, levava "o tempo de um raio, tempo que levava Rosa pra aprumar o balaio quando sentia que o balaio ía escorregar"... isso em um baião super dançante "ê, mundo dá volta, Camará!"
E depois a genial Tempo Rei:



Eu acho que a gente estuda História (especialmente a Teoria da História) para levantar questionamentos assim : "Tempo Rei, Oh Tempo Rei!Transformai as velhas formas do viver ensinai-me Oh Pai! O que eu, ainda não sei"
Ninguém, sozinho, poderá resolver todos os problemas da História do Brasil, mas nos vale levantar questionamentos, sem sermos bruscos ou formalistas , o que significaria uma crença errônea na absoluta capacidade humana de viver somente a partir do racional ... como pensaríamo, então, nossa cultura baseada na cordialidade e em tudo o que isso acarreta de bom e de ruim (como nos alertou Sérgio Buarque), como poderíamos analisar as coisas apenas pelo racional (por exemplo, como um estudioso de um músico como Tom Zé conseguiria um bom resultado se apenas assistisse aos seus shows sentado e analisando racionalmente? E as outras linguagens que ele desperta para serem desenvolvidas - a dança, os ritmos, etc?)
Um dos pontos chave dos estudiosos é perceber um espaço ótimo entre ele e as fontes, sempre descoberto a partir de tentativas de aproximação e afastamento: mobilidade de perspectiva é uma noção importantíssima para o Historiador da Cultura...
No Brasil, questionamentos claros podem estar expressos em letras de canções (como não cansa de dizer Luiz Tatit) e aí não é preciso falar alemão para filosofar, mesmo que a própria canção de Gil nos lembre que a quaqlquer momento o pensamento "poderá não mais fundar nem gregos, nem baianos"... e então?
Então sigamos, lembrando que Guimarães Rosa respondeu em uma entrevista que brasilidade seria um "sentir pensar"... se é assim, porque nós precisamos interpretar a História da Cultura do Brasil como se esta fosse um "pensar sentir"? Não é! É primeiro um sentir e muitas vezes só um sentir, é preciso prestar atenção nisso pra que depois possamos pensar sobre...
Chega, né?
Bom fim de semana a todos os meus possívies leitores !

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Meninices de Rosa...


Em 2003/4 eu fiz uma experiência muito interessante de apresentar os jogos de linguagem de Rosa a crianças. Foi marcante, claro!
Hoje eu tenho contato com algumas daquelas crianças - hoje já adolescentes - e no último domingo,quando eu fiz aniversário, recebi votos de parabéns de uma delas,com cheiro de lembranças :"
Manu : Parabéns Camila, um beijão do Guilherme - lherme!! " rs
Em nossas atividades de dividir as palavras em pedacinhos e tentar transformá-los em outros significados, esta menina chamava o Guimarães Rosa de "Guilherme-lherme", então eu a chamava assim ... eu nunca vou me esquecer, e quando ela se lembrou disso, depois de anos, foi um grande presente que eu ganhei: PELO MENOS UMA ALUNA NÃO SE ESQUECEU DAS NOSSAS BRINCADEIRAS COM O ROSA!


Por isso que eu não posso desistir do doutorado, não posso mesmo...
Que o Rosa esteja conosco, sempre!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Acabo de entrar no doutorado em História, no qual devo seguir a linha de pesquisa iniciada pelo meu mestrado.
Se no mestrado eu queria descobrir qual a concepção de História realmente adotada por Guimarães Rosa, e como esta aparece em sua obra literária, descobri que esta está mesmo mais voltada para a forma que pensaram o tempo durante a modernidade.
Ok,não muitas novidades até aqui - embora minha leitura seja uma bomba que vai contra a maioria das leituras da posição da História em Guimarães Rosa, porque ela não considera, de forma alguma, relações diretas entre o texto da "verdade do acontecido" e o texto ficcional . No doutorado eu propus uma pesquisa que se especificasse na abordagem de um dos temas caros aos que respiravam os ares da modernidade - como Guimarães Rosa - que é a atenção devotada ao olhar infantil para os processos históricos. Com esta mesma preocupação -delimitando pela época, inclusive - Rosa tem alguns companheiros de peso, como James Joyce, ou mesmo Walter Benjamin.
Interessantíssimo, não? Eu acho!
Porém meu orientador - que também deve ter achado tudo isso muito interessante,porque a proposta dá conta de discutir seriamente temas de TEORIA DA HISTÓRIA PURA, problematizando conceitos de temporalidades,de linguagem lúdica,e especialmente de duração,na forma específica como foram encarados pela modernidade - fez uma exigência prática,que obviamente tornará mais viável a pesquisa complicadíssima que estou propondo (que abarcará leituras em pedagogia,psicologia, história, lingüística, semiótica, etc...), mas é tão terrível atender a tal! Como acrescentar mais um autor a pesquisa?
Que autor brasileiro poderia dar as mãos a Guimarães Rosa nesse movimento todo?
Nenhum na prosa brasileira, eu suponho!
Mas me lembro do que escreveu Oswaldino Marques:

"Não se perturbe o leitor com o enquadramento indistinto de João Guimarães Rosa nas esferas da poesia e da prosa, pois a sua textura verbal cobre a dupla extensão dessas categorias. Não foi por acaso haver a ele cabido a primazia de gerar uma nova forma de expressão literária, onde se
fundem, de modo orgânico, a prosa e o poema. À falta de um termo corrente, fomos forçados a cunhar o vocábulo prosopoema, para nomeá-la."

[MARQUES, Oswaldino. Canto e plumagem das palavras.]

Ora, então posso brincar com poetas também? Parece que sim.
E o mais interessante deles parece ser Manoel de Barros, que sofreu assumida influência da escrita de Rosa - especialmente na relação com a linguagem que estabeleceu (Linguagem e vida são uma coisa só) e isso ambos também parecem ter aprendido com as crianças.


Ótimo, ótimo. então qual é o
problema?
O problema é que eu posso gostar muito de Barros, achar genial e
legal, MAS ELE NÃO É GUIMARÃES ROSA!
Pessoa fiel, é um horror!
Não rolou aquela paixão ainda, nem mesmo ao ler trechos lindíssimos e reveladores como este:


"Quando o rio está começando um peixe,

Ele me coisa

Ele me rã

Ele me árvore.

De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos."
Mundo Pequeno (do livro "O Livro das Ignorãças")

Será que meu doutorado será uma aprendizagem da traição?
Vou começar relendo "Dom Casmurro" (risos)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

DOUTORAMENTO?

Terminei minha pesquisa de mestrado agora e a desenvolvi naquilo que eu julguei ser o melhor dos mundos para alguém como eu : Eu lutei muito para conseguir encaixar tudo como eu queria e acabei no departamento certo, com o orientador certo, com o fomento certo e fui julgada pela melhor banca a respeito do meu tema. Nada mais justo, afinal este trabalho foi planejado e desenvolvido com a maior paixão mundo, para chegar até ele eu tinha me preparado desde há muito tempo, o que eu deixei claro em um texto que escrevi para a "Folha dirigida" em 2006, com o nome "A importância de dar continuidade aos estudos"... naquela época eu ainda acreditava nessa importância...
Mas e agora? Agora eu posso estar pessoalmente muito contente com o resultado do meu trabalho porque eu consegui o que eu me propus fazer (indicar novas possibilidades de estudo sobre a história e a literatura de Rosa), mas de que servirá isso se ninguém vai ler este texto? Você pode argumentar que ele ainda será publicado, eu respondo : Não será. Não será porque para isso eu teria que matar mais leões e agora eu vejo que não vale a pena. Agora eu sou uma mestra, desempregada e desiludida.
Não sou uma pessoa preguiçosa, nem desmotivada, eu adoro ser incentivada a dar o melhor de mim (um professor do colégio onde eu dava aulas no ano passado me disse uma vez que ele tinha saudade de quando ele também era empolgado em ensinar como eu estava...) mas essas características não me mantiveram empregada, e o título pouco ou nada me ajudará nessa situação. Você ainda pode levantar "mas e o doutorado?"... pois então:
Doutorado era o esperado de alguém que trilhou um caminho como o meu até agora, mas por incrível que pareça ele não estava nos meus planos para 2009. Eu queria continuar com as aulas, estudando para dar aulas, mas as portas da realidade se fecharam todas para mim e eu continuo tendo que responder (agora já sem muita paciência ou educação) se não vou prestar concurso para lecionar no Estado. ODEIO QUANDO ME PERGUNTAM ISSO. Primeiro porque eu já prestei esse concurso e passei, só não assumi. Não assumi porque eu não queria aquilo naquele momento, eu tinha me formado havia 3 meses e queria experimentar o melhor dos mundos de um pesquisador, fazer o mestrado perfeito, assim fiz. O que me incomoda mais na possibilidade de dar aulas no Estado é só uma coisa: A total estabilidade. Eu sei de muita gente que está na educação pública porque é mais cômodo, não é preciso muito empenho intelectual (no sentido de evolução, estudo) para se manter ali e alguém como eu, movida pela paixão, pela empolgação logo vai sentir um peso de morte ali... aquilo não me atrai, então se eu vier a prestar concurso público de novo vai ser porque tudo continuou dando errado para mim... aí, camaradas, talvez eu preferisse ser balconista das Casas Bahia. Por enquanto estou na fase do questionamento. Vamos ver que resposta vou conseguir dar ...