quarta-feira, 22 de abril de 2026
IAs comentando minha tese/livro
sexta-feira, 14 de abril de 2017
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Escrevendo a lápis de cor : Infância e história na escritura de Guimarães Rosa
Acaba de se tornar disponível para download a minha tese de doutoramento "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa.
Para acessá-la, clique AQUI.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Tá chegando a hora...
sábado, 22 de setembro de 2012
Objetivo da pesquisa...
Estive pensando uma coisa: talvez eu não estude Guimarães Rosa.
Em minha pesquisa de doutorado eu estudo mesmo é História, através da escritura de Rosa, mas isso é apenas um detalhe: não acho que minhas pesquisas (de mestrado ou doutorado) vão esclarecer coisas tão inéditas sobre Rosa, coisa que especialistas na área das letras não apontaram, estão apontando ou apontarão... mas para a área de História, onde a coisa pega mais, penso estar enveredando por caminhos bem novos!
sábado, 3 de setembro de 2011
POESIA ORAL
"-Meus parabéns Camila! Aliás penso que esse seu doutorado vai ser mais um motivo para você rever algumas coisas que ainda estão em aberto sobre sua infância, e isso não é só com você, porque na verdade o que todo mundo passa a vida procurando por algo que ocupe a sensação da mãe na fase intra uterina..."
Na hora eu fiquei com medo desta fala, achei que ela estivesse atropelando um pouco os assuntos, mas acabei me esquecendo, até que esta semana eu li um texto que me fez pensar que talvez ela tivesse razão:
“Indefinível, senão em termos de afastamento, articulação entre sujeito e objeto, entre Um e Outro, a voz permanece inobjetável, enigmática, não especular”. Ela interpela o sujeito, o constitui e nele imprime a cifra de uma alteridade. Para aquele que produz o som, ela rompe uma clausura, libera de um limite que por aí revela, instauradora de uma ordem própria: desde que é vocalizado, todo objeto ganha para um sujeito, ao menos parcialmente, estatuto de símbolo. O ouvinte escuta, no silêncio de si mesmo, esta voz que vem de outra parte, El a deixa ressoar em ondas, recolhe suas modificações, toda ‘argumentação’ suspensa. Esta atenção se torna, no tempo de uma escuta, seu lugar, fora da língua, fora do corpo.
Jogo, ritmo vocálico anterior à instauração de um espaço e tempo mensuráveis, e que só é ‘sentido’ na medida em que esta palavra designa direção e processo: a voz se encontra simbolicamente ‘colocada’ no indivíduo desde o nascimento, significando (por oposição, segundo D. Vasse, ao fechamento do umbigo) abertura e saída. Mais tarde, entrada em conjunção histórica, a criança assimilará a percepção auditiva ao calor e à liberdade anunciados pela voz materna – ou à austeridade protetora da lei, significada pela voz do pai. Experiência equívoca: à imagem em que pesa a presença do significado materno se opõe o iconoclasma da ordem e da razão, mas o equívoco vem de mais longe: no útero a criança, já se banhava da Palavra viva, percebia as vozes e, como se diz, melhor os graves do que os agudos: vantagem acústica a favor do pai, mas a voz materna se ouvia no íntimo contato dos corpos, calor comum, sensações musculares apaziguadoras. Assim se esboçavam os ritmos da palavra futura, numa comunicação feita de afetividade modulada, de uma música uterina que, reproduzida artificialmente ao lado de um recém nascido, provoca imediatamente o sono e, ao lado de uma criança autista (na terapêutica de A. Tomatis), deflagra uma regressão salvadora.
À medida que se afaste o doce ‘não lugar’ pré natal e que tome consistência a sensação de um corpo-instrumento, a voz, por sua vez, se ajustará à linguagem, em vista de uma liberdade. O símbolo vai invadir o imaginário.Pelo menos, subsiste a memória de um engodo fundamental, a marca de um antes, puro efeito de ausência sensorial, que cada grito, cada palavra pronunciada, parece ilusoriamente poder preencher. Tocamos aqui, como penso, nas nascentes da poesia oral.”
(ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Belo Horizonte : ufmg.Pp.15-6)
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Está escrito na parte dedicada a Guimarães Rosa no "Museu da Lingua Portuguesa":
Me emocionei demais quando li isso no Museu!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Na feira do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.
No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.
Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.
Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.
Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de cor são a única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável.
O vendedor infatigável apregoa:
— "O melhor divertimento para as crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem um círculo inamovível de desejo e espanto.
domingo, 30 de maio de 2010
Somente uma questão de baixa auto-estima?
Eu fico com essas sensações mais fortes em mim quando percebo que minha vida é mesmo minha pesquisa, mas que ela, apesar de ser tudo para mim,não se enquadra em lugar nenhum: Não é uma pesquisa literária (não sei fazer e nem quero fazer análises ou interpretações literárias), nem historiográfica (não estudo no Arquivo do Estado e nem meu tema é a escravidão, o açúcar no Século XVIII ou o marxismo)... é apenas uma pesquisa sobre a escritura de Guimarães Rosa, aquele que eu considero - e outros também consideram- o que temos de melhor por aqui.Claro que a maioria vai dizer que eu quero discutir o sexo dos anjos, mas é a minha pesquisa. Eu considero importantes as discussões sobre o imaginário,não é à toa que, como historiadora, declaro que meus livros favoritos são "Os reis taumaturgos" de Marc Bloch e "Visão do paraíso " de Sérgio Buarque de Holanda, que se questionaram práticas que apesar de parecerem discussões tolas, nos explicaram com mais propriedade os mecanismos intrínsecos de certas sociedades ou grupos sociais, como o caso da taumaturgia "explicava" muitos dos motivos medievais; e como o imaginário utópico foram a força motriz da colonização. Ora, eu pergunto, quantas coisas em nossas vidas são reais e quantas não são apenas construções virtuais, artísticas, lingüísticas ou simbólicas que se incorporam em nós até que elas mesmas se "encorparam" no mundo?
Assim é nosso universo espiritual, nossa pátria, nossos times de futebol,nossos autores favoritos... assim é a infância (eis o grande mote da minha pesquisa de doutorado)
O grande problema é que eu não sou nenhum Sérgio Buarque ou Marc Bloch, então que me dá atenção, além do meu orientador? Talvez (e talvez mesmo) meu namorado...
Só isso.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Resumo do projeto de doutorado " Infância é coisa, coisa?- Crianças inventam sentidos para a História na obra de Guimarães Rosa" (PROVISÓRIO)
da obra rosiana, como estamos projetando."
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Meditações sobre um cavalinho de pau E.H. Gombrich
Foi Carlo Ginzburg, em seus livros Mitos Emblemas sinais e Olhos de Madeira (Ginzburg, 2005; 2007) que indicou um caminho remeteu às idéias de E.H. Gombrich, em seu texto Meditações sobre um cavalinho de pau, como um caminho possível de decifração de imagens pelo historiador. Em meu doutorado, pretendo interpretar símbolos referentes à infância não sónos textos escritos de Guimarães Rosa, mas também coleção de desenhos produzida em sua correspondência com as netas. sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
'Tempo Rei' e Teoria da História
Eu acho que a gente estuda História (especialmente a Teoria da História) para levantar questionamentos assim : "Tempo Rei, Oh Tempo Rei!Transformai as velhas formas do viver ensinai-me Oh Pai! O que eu, ainda não sei"
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Meninices de Rosa...
Hoje eu tenho contato com algumas daquelas crianças - hoje já adolescentes - e no último domingo,quando eu fiz aniversário, recebi votos de parabéns de uma delas,com cheiro de lembranças :"Manu : Parabéns Camila, um beijão do Guilherme - lherme!! " rs
Em nossas atividades de dividir as palavras em pedacinhos e tentar transformá-los em outros significados, esta menina chamava o Guimarães Rosa de "Guilherme-lherme", então eu a chamava assim ... eu nunca vou me esquecer, e quando ela se lembrou disso, depois de anos, foi um grande presente que eu ganhei: PELO MENOS UMA ALUNA NÃO SE ESQUECEU DAS NOSSAS BRINCADEIRAS COM O ROSA!
Por isso que eu não posso desistir do doutorado, não posso mesmo...
Que o Rosa esteja conosco, sempre!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Se no mestrado eu queria descobrir qual a concepção de História realmente adotada por Guimarães Rosa, e como esta aparece em sua obra literária, descobri que esta está mesmo mais voltada para a forma que pensaram o tempo durante a modernidade.
Ok,não muitas novidades até aqui - embora minha leitura seja uma bomba que vai contra a maioria das leituras da posição da História em Guimarães Rosa, porque ela não considera, de forma alguma, relações diretas entre o texto da "verdade do acontecido" e o texto ficcional . No doutorado eu propus uma pesquisa que se especificasse na abordagem de um dos temas caros aos que respiravam os ares da modernidade - como Guimarães Rosa - que é a atenção devotada ao olhar infantil para os processos históricos. Com esta mesma preocupação -delimitando pela época, inclusive - Rosa tem alguns companheiros de peso, como James Joyce, ou mesmo Walter Benjamin.
Interessantíssimo, não? Eu acho!
Porém meu orientador - que também deve ter achado tudo isso muito interessante,porque a proposta dá conta de discutir seriamente temas de TEORIA DA HISTÓRIA PURA, problematizando conceitos de temporalidades,de linguagem lúdica,e especialmente de duração,na forma específica como foram encarados pela modernidade - fez uma exigência prática,que obviamente tornará mais viável a pesquisa complicadíssima que estou propondo (que abarcará leituras em pedagogia,psicologia, história, lingüística, semiótica, etc...), mas é tão terrível atender a tal! Como acrescentar mais um autor a pesquisa?
Que autor brasileiro poderia dar as mãos a Guimarães Rosa nesse movimento todo?
Nenhum na prosa brasileira, eu suponho!
Mas me lembro do que escreveu Oswaldino Marques:
"Não se perturbe o leitor com o enquadramento indistinto de João Guimarães Rosa nas esferas da poesia e da prosa, pois a sua textura verbal cobre a dupla extensão dessas categorias. Não foi por acaso haver a ele cabido a primazia de gerar uma nova forma de expressão literária, onde se
fundem, de modo orgânico, a prosa e o poema. À falta de um termo corrente, fomos forçados a cunhar o vocábulo prosopoema, para nomeá-la."[MARQUES, Oswaldino. Canto e plumagem das palavras.]
Ora, então posso brincar com poetas também? Parece que sim.
E o mais interessante deles parece ser Manoel de Barros, que sofreu assumida influência da escrita de Rosa - especialmente na relação com a linguagem que estabeleceu (Linguagem e vida são uma coisa só) e isso ambos também parecem ter aprendido com as crianças.
Ótimo, ótimo. então qual é o
problema?
O problema é que eu posso gostar muito de Barros, achar genial e
legal, MAS ELE NÃO É GUIMARÃES ROSA!
Pessoa fiel, é um horror!
Não rolou aquela paixão ainda, nem mesmo ao ler trechos lindíssimos e reveladores como este:
"Quando o rio está começando um peixe,Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos."
Mundo Pequeno (do livro "O Livro das Ignorãças")Será que meu doutorado será uma aprendizagem da traição?
Vou começar relendo "Dom Casmurro" (risos)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
DOUTORAMENTO?
Doutorado era o esperado de alguém que trilhou um caminho como o meu até agora, mas por incrível que pareça ele não estava nos meus planos para 2009. Eu queria continuar com as aulas, estudando para dar aulas, mas as portas da realidade se fecharam todas para mim e eu continuo tendo que responder (agora já sem muita paciência ou educação) se não vou prestar concurso para lecionar no Estado. ODEIO QUANDO ME PERGUNTAM ISSO. Primeiro porque eu já prestei esse concurso e passei, só não assumi. Não assumi porque eu não queria aquilo naquele momento, eu tinha me formado havia 3 meses e queria experimentar o melhor dos mundos de um pesquisador, fazer o mestrado perfeito, assim fiz. O que me incomoda mais na possibilidade de dar aulas no Estado é só uma coisa: A total estabilidade. Eu sei de muita gente que está na educação pública porque é mais cômodo, não é preciso muito empenho intelectual (no sentido de evolução, estudo) para se manter ali e alguém como eu, movida pela paixão, pela empolgação logo vai sentir um peso de morte ali... aquilo não me atrai, então se eu vier a prestar concurso público de novo vai ser porque tudo continuou dando errado para mim... aí, camaradas, talvez eu preferisse ser balconista das Casas Bahia. Por enquanto estou na fase do questionamento. Vamos ver que resposta vou conseguir dar ...


