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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"A garota canhota",de Tsou Shih-Ching, um filme fofo



A Garota Canhota: mais um conteúdo oriental no catálogo da Netflix, mas desta vez sem ser dorama. O filme tailandês A Garota Canhota (2025), de Tsou Shih-ching, é uma gracinha. Todo falado em mandarim, acompanha a vida de uma mãe solteira e de suas duas filhas, que se mudam para a frenética capital Taipei e passam a trabalhar em um mercado noturno.

Tudo é contado a partir do olhar da pequena I-Jing (Nina Ye), a filha mais nova, de cerca de seis ou sete anos. Canhota, ela carrega o estigma de, segundo as tradições, ter a “mão do diabo”, o que a faz sofrer e criar ideias mirabolantes a respeito disso. À parte esse conflito, I-Jing exala fofura e conquista todo mundo ,você também vai. Seus olhos revelam o colorido da cidade enquanto ela tenta compreender as tramas da vida e da própria família, em uma narrativa marcada por um frescor inigualável.

Gostei do filme. Mas sou suspeita pra falar de personagens meninas🤩


segunda-feira, 20 de março de 2023

Aquecendo o coração: Lembrança das meninas de Rosa

 

Detalhes das imagens da meninas: Acima a da etiqueta no caderno
à esquerda a do meu pingente e à direta a da capa do meu livro.

Na capa de um dos cadernos manuscritos de Guimarães Rosa que analisei na minha tese de doutorado "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa"  encontrei colada na capa de um deles uma  pequena etiqueta com o desenho de uma menina. Embora o traço lembre bastante o de outros desenhos rosianos, não é possível afirmar que ele foi feito pelo escritor.
 
 Capa do caderno com o desenho da
 menina etiquetado embaixo, à esquerda

Mais importante foi observar que a ideia de "menina" compunha o ambiente de criação das estórias dos anos 1960 e no dia da defesa da tese, em agosto de 2014, eu usava um pingente muito semelhante ao desenho da menina. 
Meu pingente de menina


A respeito desta presença nas estórias, destaquei quatro personagens meninas como protagonistas das estórias, e outras 12 personagens que, sendo crianças, adultas ou idosas,  foram chamadas de menina nos contos das Primeiras Estórias (1962) e Tutaméia (1967). Sobre isso escrevi esse  artigo para a Revista Caderno Espaço Feminino (UFU)  
 
Capa do meu livro, com a menina sendo  redesenhada por
Marcio Reiff entre o centro e o fim da imagem

Para a capa do meu livro (tese) publicado pela Editora Desconcertos, pedi ao ilustrador Marcio Reiff que desenhasse essa menina, e assim ele o fez.

Só quis lembrar dessas coisas lindas e boas para adoçar um pouco a minha vida nesta segunda feira em que começa o outono de 2023.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

LUTE COMO UMA MENINA

 


LUTE COMO UMA MENINA - Toda essa história tenebrosa da menina grávida me tocou imenso,nem consigo comentar muito. Só quem é mulher, quem já foi menina, quem viveu esse susto de caminhar encantada nesse mundo masculino e violento do adulto, entende o tamanho disso. Tem muita gente que acha que as mulheres (agora até as meninas) no Brasil não tem o direito de serem elas mesmas, de existirem, nem de serem meninas no seu tempo! São sempre as culpadas de tudo. Como podem ver, não tenho ainda uma fala coerente sobre isso tudo, é doído demais. Que tristeza!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A imagem das meninas negras



Meninas negras leitoras . In: Google imagens

Como sabem, desde pelo menos minha tese, eu amo falar sobre as meninas (crianças do sexo feminino),tenho artigos sobre isso , como este sobre as personagens meninas nas estórias, ou este sobre a correpondência desenhada entre o Vovô Joãozinhho e sua netinha Ooó .
Em fevereiro desse ano eu falei no SESC CPF, por breves trinta minutos, sobre a representação da menina negra na literatura infantil brasileira em três momentos que julguei importantes no que tange o tema da representatividade da criança negra nesse recorte de cerca de cem anos: a Princesa Flor Encarnada (1921), texto adaptado por Arnaldo de Oliveira Barreto, ilustração de F. Richter ; A Menina Bonita do Laço de Fita (1986), texto de Ana Maria Machado, ilustrações de Walter Ono e Claudius Ceccon e Menina Pretinha (2016), de MC Soffia. Na comparação, interessou-me observar e problematizar quem eram essas meninas, como e porque foram representadas como foram, nos textos e nas figuras a elas relacionadas, etc.

A discussão é cada vez mais pertinente, pois se hoje ainda é difícil representar adequadamente as pessoas negras (as dificuldades vão desde a falta de vontade ou a inabilidade, ou proibição mesmo como no caso do comercial do BB vetado pelo governo federal, até a falta de materiais próprios como paleta de cores, pro exemplo), imagina como era isso no passado. Mesmo que não tivemos tempo para discutir esses temas na ocasião, alguns pontos chegaram a ser levantados para reflexões futuras, e lembro que escrevi um texto que deve ser publicado em breve.

Como hoje eu já comecei a pesquisar outro tema relacionado aos meus estudos sobre História Cultural da infância, por ora me despeço desse assunto mostrando algumas figuras (diferentes das que eu analisei na palestra e no texto) dessas meninas, como aperitivo.
Flôr Encarnada (1921), por F. Richter



Menina Bonita do Laço de Fita (1986),
 por Walter Ono

Menina Bonita do Laço de Fita (1999)
por Claudius Ciccon


















Menina Pretinha (2016), Mc Soffia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Texto arrumado

Figura 1 - Desenho de Luiz Jardim representando Nhinhinha e o sapo miraculoso.
Fonte- ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, capa

Eu solicitei revisão e meu artigo sobre as meninas de Rosa foi ajustado na Revista Caderno Espaço Feminino. Agora já dá para ler direitinho e se apaixonar pelas quatro meninas das estórias de Rosa neste
link

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

"Novas Representações "FeMeninas” em Guimarães Rosa", Camila Rodrigues


Acabo de saber que, em dezembro, o meu artigo "Novas Representações "FeMeninas” em Guimarães Rosa"  foi publicado na revista Caderno Espaço Feminino. Foi publicado assim, sem edição nenhuma, então nem pude inserir algumas referências que tirei para manter o anonimato e nem corrigir errinhos como diagramar melhor a imagem que uso,  perdoem... a ideia era sempre melhorar o texto, mas eles precisavam publicar logo o número então dessa vez, já foi.

Esta síntese de análise de personagens femininas em Rosa foi inspirada na palestra que eu dei na UNIBES cultural em Maio de 2016. 


Na apresentação falam o seguinte sobre o meu texto:
Os corpos de meninas e a representação das crianças são o alvo do artigo Novas Representações "FeMeninas” em Guimarães Rosa, de Camila Rodrigues, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP. Esse destaque da mulher quando criança pode esboçar um desenho do novo papel social assumido pelo feminino na década de 1960-70.

Aos que tiverem curiosidade, boa leitura. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As meninas na História Cultural da criança


Conversando com um amigo da História Econômica, ele comentou  que há uma dificuldade em encontrar fontes sobre as meninas nos registros referentes ao trabalho infantil, especialmente em comparação com a incidência dos meninos. Achei interessante, especialmente porque na História Cultural as meninas dominam, né?
Começando pelas cantigas <3 nbsp="" p="">

sexta-feira, 17 de junho de 2016

História das Mulheres no Brasil


Por que cabe escrever uma História das meninas? Silvia Fávero Arend, lembrando o óbvio mas que fica ocultado pelos 'DONOS DA NARRATIVA : "a experiência de 'ser menina' muda ao longo dos séculos no Brasil " (p. 65-6)

Silvia F. Arend atribui a mudança do "ser menina no Brasil" às desigualdades socioeconômicas ... ok,,, mas eu, uma historiadora da cultura. não acho que seja apenas isso, claro... com diferentes abordagens que não se excluem a gente vai contando a História das meninas do Brasil.

Silvia  lembra que, devidos aos manuais de educação infantil publicados da primeira metade do século XX, 

"as brincadeiras saudáveis eram as que não colocavam em risco o corpo da menina. Para elas, agora, era apenas as bonecas (NOTA: "ao longo do século XX, a indústria paulatinamente transformaria os brinquedos e as outras diversões infantis em mercadorias. As bonecas - seja as em formato de bebê, nos anos 1940 e 1950, seja as com aparência de uma jovem [a Suzi e, posteriormente, a Barbie] a partir da década de 1960 até os anos 2000 - seriam grandes sucessos de vendas no Brasil.) as panelinhas, os ferros de passar, as imitações de tanques de lavar roupas; e, para os meninos, os carrinhos, os barcos, as ferrovias, as bolas e as raquetes". (p. 71)


Acho ótima e verdadeira essa síntese, eu mesma fui uma menina que colecionou bonecas (em formato de bebês e de jovens), porque era fenômeno de vendas, sim... mas, para mim, elas foram, sobretudo, objetos de resinificação, encenei e articulei as realidades com elas porque, como sempre acontece com as crianças, eu reatribui significados aos objetos que me foram ofertados. Outro trecho :

"Para além da socialização para  o exercício de papéis no interior da família, as referidas brincadeiras e diversões contribuíam no processo de educação dos indivíduos de acordo com o que se espera de mulheres e homens na idade adulta. Docilidade, meiguice, serenidade e resignação eram características consideradas femininas ao passo que as esperadas dos varões eram a coragem, opoder de decisão e a competitividade - valores e práticas que também seriam aprendidos na escola, agora entendida  como local por excelência para a educação formal das crianças e jovens de ambos os sexos." P.71

Lembrar que o modelo de criança a partir do Brasil república era o menino, varão, escoteiro ,,, e as meninas de Rosa vêm romper, em certa medida, um pouco essa noção na década de 1960.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Representações femininas de crianças no século XX

Título:
 As quatro meninas das estórias de Guimarães Rosa: representações femininas de crianças no século XX

Sinopse :
Durante a década de 1960 o escritor João Guimarães Rosa modificou sua forma de escrever literatura, pois seus textos ficaram mais condensados, com narrativas curtas que ele denominou Estórias. Especialmente nos livros “Primeiras  Estórias” (1962)  e “Tutaméia: Terceiras Estórias” (1967), a infância aparece caracterizada de diversas formas, com muitos personagens crianças, mas com o diferencial de que, ali , não são plenamente representados apenas meninos, como na primeira fase, mas também meninas, que passam a ser mais frequentes em quantidade e em importância, esboçando certa tendência do século XX em  retratar o feminino com destaque, o que nas estórias aparece, surpreendentemente, a partir das crianças. Para abordar estes temas trataremos especialmente das personagens meninas Nhinhinha, Brejeirinha, Fita Verde e Dajaiai, que protagonizam textos rosianos.

Dia :
06 de junho de 2016 (segunda feira)

Hora:
9:00

Evento gratuíto

Local :  UNIBES (Rua Oscar Freire, 2500, ao lado do Metrô Sumaré)

terça-feira, 8 de março de 2016

No dia Internacional da Mulher, abordo as MULHERZINHAS DO ROSA



Nesse slide que apresentei na defesa da tese vemos a representação gráfica de três delas (Nhinhinha, Brejeirinha e Fita Verde). A quarta, Dajaiai, até hoje não possui uma imagem além das palavras de Rosa ...
Como amo essas meninas!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Crianças e ideologia

Está circulando nas redes sociais o seguinte post (por respeito, retirei o nome a foto da autora) :

Eu tinha visto essa postagem várias vezes aqui no Facebook, e não ia compartilhar porque não concordo com nada que está expresso nela, mas ai comecei a pensar que é exatamente por isso que devo falar dela,  para expor meus argumentos. A primeira coisa que me à mente aqui, fazendo uma leitura rasteira, é que, se for o caso de modelar a cabeça das crianças com brinquedos, no caso exposto, os mais desrespeitados seriam os meninos, porque são eles que não apreenderiam a brincar de lavar louça, cozinhar (ou seja, a cuidar de suas vidas por si mesmos).

Mas, como sabem, não acredito que seja  tão simples e direto assim. Também não posso concordar com nenhum discurso que defende que as bonecas são idiotas.

 Segundo as pesquisadoras do "Museu do Brinquedo":


" Pesquisando sobre a história da boneca, podemos destacar que ela está ligada a história dos homens. Como réplica de si mesmo, o homem elevou os diferentes tipo de bonecos a símbolo cultural a acompanha-lo em suas múltiplas experiências, fazendo desse objeto, desde oferenda religiosa, objeto de culto, figura de magia, ídolo, amuleto ou talismã, lembrança mortuária, até chegar ao uso infantil, como brinquedo." (Telma Anita Piacentini e Monica Fatin. "Museu do brinquedo como centro cultural infantil" In: LEITE, M. I. & OSTENTO, L. E. (org). Museu, educação e cultura, 2005, p.62).
Logo, nem as bonecas e muito menos as meninas são ou podem ser consideradas como idiotas... ainda bem que as crianças não reajam sempre da forma como os adultos planejaram. Acho que nós adultos sabemos bem pouco sobre como funciona a cabeça das crianças, só se preocupam em modelá-las em suas ideologias, enfim.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

As minhas meninas



As Minhas Meninas

Chico Buarque


...
Olha as minhas meninas
As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim

Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão

As meninas são minhas
Só minhas na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo
Marcar seus caminhos
Nas faces
Com as linhas
Das noites de não
 

E a solidão
Maltratar as meninas
As minhas não

As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração