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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Crianças resenhistas


No site da Editora Cosac Naify, que puplicou um edição capichadíssima do Pinóquio - A história de um boneco no final de 2010, agora podemos ler pelo menos duas resenhas do livro escritas por crianças .

Como já dei a referência, vou copiar os textos aqui porque  vale  muito:

Era uma vez um pedaço de pau que um dia foi parar na oficina do senhor ANTÔNIO que tinha o apelido de Cerejo mas que não gostava desse apelido. Um dia o mestre Cerejo foi trabalhar e pegou um pedaço de pau que falou não me golpei com tanta força e o mestre cerejo virou e viu que não tinha ninguem na rua e falou deve ser coisa da minha imaginação então entrou um carpinteiro que cujo nome era GEPPETTO procurando um pedaço de madeira para fazer um boneco o cerejo deu a madeira que falava, sem saber GEPPPETO foi para casa fazer o boneco pouco antes de ser terminado o boneco ja foi malcriado.GEPPETTO pegou pelas pernas de PINÓQUIO e o botou no chão para ver se ele andava mas ele não conseguio então GEPPETTO o segurou pela mão e tentou fazer que ele andasse e não que ele conseguio mas ele começou a corre para lá e para cá até que saiu de casa e GEPPETTO foi atras dele até que um guarda que estava por lá prendeu GEPPETTO. E PINÓQUIO votou para casa e encontrou o grilo falante só que PINÓQIO não gostava deescutar o grilo falar atirou um pedaço de madeira no grilo que o matou. Eu gostei muito do livro acho que as crianças vão adorar porque alem de ser uma historia classica e boa prende muito a atenção.Gabriel Jeneci, 10 anos  Postada  em 13/12/2011 

“O livro foi uma surpresa, é bem diferente do filme de Walt Disney, mas além de ser diferente, ele é muito divertido, mostra que se você não ouvir as pessoas que te amam, você vai se dar mal na sua vida e estragar a vida de outras pessoas. A personagem que eu mais gostei foi a Fada dos Cabelos Turquesa, porque ela é uma grande mãe de coração e esta sempre ajudando os outros, principalmente o boneco Pinóquio. Pinóquio, no começo um menino bobo e irresponsavél, fácil de se enganar. Mas no final ele se tornou um menino de bem, trabalhador, obediente e amável. Recomendo este livro para crianças maiores de dez anos. Porque em algumas partes o vocabulário se torna complicado. As ilustrações do livro são bem bonitas, são estilo antigo, quando a gente fala do Pinóquio lembra do desenho animado, as do livro são diferentes.”Luiza Pereira, 10 anos Postada em 13/12/2011
Legal que tenha chamado a atenção para a diferença em relação à versão Disney e o cuidado em lembrar perspectivas de época: "desenhos antigos", vocabulário difícil para crianças com menos de 10 anos (rs)...Claro que todo texto escrito por crianças, especialmente os que são bem escritos como esses, levantam muitos questionamentos sobre quanto da opinião da própria criança (sem intervenção de adultos, que costumam ser intrusos) há ali. Mas não acho MESMO que as crianças não podem construir e expressar suas próprias opiniões, que são sempre peculiares e irreverentes. MNem toda criança precisa escrever resenhas assim como essas, mas todas deveriam ter o DIREITO AO ACESSO À VERSÃO ORIGINAL DE COLLODI, com o pau que lamentava e tudo, antes de terem seu imaginário dominado pelo desenho dos anos 1940, que é lindo, claro, mas o original é bem melhor! 

domingo, 18 de novembro de 2012

Comecinho de "Pinóquio - A história de um boneco", de Carlo Collodi



"Era uma vez...
-Um rei - dirão logo os meus leitores.
Não, meninos, vocês se enganaram. Era uma vez um pedaço de pau.
Não de madeira de lei, mas um simples pedaço de lenha, desses que no inverno atiramos nos fogões e nas lareiras para ascender o fogo e aquecer os aposentos.
Não sei como a coisa aconteceu, mas a verdade é que um belo dia esse pedaço de pau foi parar na oficina de um velho carpinteiro, que tinha o nome Antonio, embora todos os chamassem de Cerejo, por causa da ponta de seu nariz - sempre roxa e lustrosa, como uma cereja madura.
Assim que mestre Cerejo viu aquele pedaço de pau ficou todo alegre e, esfregando as mãos de contente, resmungou a meia-voz:
- Esta madeira veio bem na hora: vou usá-la para fazer uma perna de mesa.
Dito e feito, logo pegou a enxó afiada para começar a retirar a casca e desbastá-la, mas, quando ia dar o primeiro corte, ficou com o braço suspenso no ar, pois ouviu ua voz muito débil, que lhe pedia suplicante:
- Não me golpeie com força!
Imaginem como ficou o bom e velho mestre Cerejo!
Girou os olhos perturbados pelo cômodo para ver de onde podia ter saído aquela vozinha, mas não viu ninguém! Olhou embaixo da banqueta, mas ninguém;olhou dentro de um armário que estava sempre fechado, e não viu ninguém; olhou a porta da oficina para dar uma olhada até a rua, e ninguém! Ou então?
-Já sei! - disse rindo e coçando a peruca - é claro que essa voz foi imaginação minha. Voltemos ao trabalho.
E tomando de novo a enxó na mão, desferiu um soleníssimo golpe no pedaço de madeira.
-Ai! Você me machucou! gritou lastimando-se aquela vozinha.
Desta vez mestre Cerejo ficou pasmado, com olhos arregalados de medo, a boca escancarada e  a língua balançando à altura do queijo, como uma carranca de chafariz. Mal recobrou o uso da palavra, começou a falar trêmulo e balbuciando de temor:
- Mas de onde será que vem esta vozinha que disse ai? ... E olha que não há ninguém aqui. Seria por acaso este pedaço de pau quee aprendeu a choramingarncomo criança? Não posso acreditar. Aqui está este pedaço de pau; uma racha para queimar como todas as outras que, quando se põe no fogo, serve uma panela de feijão...
Ou então? Será que alguém se escondeu dentro dela? Se foi isto, pior para ele... Então ele não vai ver!
E, dito isto, agarrou com ambas as mãos o pobre pedaço de pau e começou a batê-lo sem piedade contra as paredes da oficina.
Depois ficou escutando para ver se alguma vozinha se lamentava. Esperou dois minutos, e nada; cinco minutos, e nada; dez minutos, e nada!
- Já entendi - disse esforçando-se para rir e desagrenhando a peruca -, está claro que a vozinha que disse ai não passa da minha imaginação! Voltemos ao trabalho.
Mas, como se sentiu inadir por um grande medo, começou a cantarolar para adquirir um pouco de coragem.
Então deixou de lado a enxó e apanhou a plaina para desbastar e polir o pedaço de pau; mas, no momento em que o aplainava para cima e para baixo, ouviu aquela mesma vozinha que lhe disse entre risos:
- Pare com isso! Está me fazendo cosquinhas no corpo!
Desta vez o pobre mestre Cerejo caiu fulminado. Quando reabriu os olhos, viu que estava sentado no chão.
Seu rosto parecia transfigurado, e além disso a ponta do seu nariz, que habitualmente era roxa, tornou-se azul de tanto medo..."    


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Linda exposição sobre Pinóquio


No fim de outubro, no dia do meu aniversário, eu recebi  um grande presente no Sesc Belezinho, vi a exposição 9 cenas de Pinóquio  e, claro, amei:

Ai, aqui estaria a própria alegorização do o fim da infância construída por Carlo Collodi... Eu acho que todas as crianças deveriam ler Pinóquio algum dia. A criança que ainda vive em mim só leu o original de Collodi um pouco "madura" já (depois de ter lido inúmeras adaptações e ter assistido ao filme da Disney), mas ainda assim foi delicioso e me deu muita vontade de presentear todas as crianças com o livro...
Esta exposição no Sesc Belenzinzinho (como quase tudo relacionado ao Pinóquio) me emocionou demais, mas também me divertiu!
Adorei tudo, especialmente a própria sombra do bonequinho presente no ambiente que eu jurava que não ia sair nunca nas fotos, mas saíu...



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As aventuras de Pinóquio: História de um boneco - Carlo Collodi

Vocês souberam da edição especial da história original do Pinóquio, escrita por Carlo Collodi que a editora Cosac Naify preparou em dezembro de 2011? Pois é tudo de bom!!!!
Vale muito ver, especialmente aos historiadores, afinal começamos a aprender a importância do tal bonequinho para a história ao lermos o texto "O país dos brinquedos - Reflexão sobre a história e sobre o jogo" que está no livro "Infância e História"de Giorgio Agamben?
Ali ficamos sabendo que até as coisas mais prosaícas e triviais podem ser um tesouro para análise de um bom historiador...
Nesta edição, segundo lemos no site da editora: "as ilustrações exclusivas de Alex Cerveny são uma atração à parte: o artista brasileiro utilizou a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. O resultado são imagens oníricas de um Pinóquio nunca antes imaginado." Além disso também temos um prefácio do Italo Calvino, "só isso"... mal posso esperar para comprar e ler tudo!
Se quiserem saber mais sobre o livro clique aqui.
Se quiserem ler uma enterevista com o tradutor Ivo Barroso, clique aqui.