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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Acabou Chorare, disco da vida, livro presente 2024

 

           Acabou Chorare em meu 2024

Em outubro é meu aniversário e esse ano eu ganhei meu presente favorito: Livros! Dentre eles esse sobre o disco Acabou Chorare (1972), que comentei ter visto na loja do Sesc Consolação e me chamou a atenção porque a proposta era esmiuçar a influência do João Gilberto nesse álbum tão importante!

João Gilberto: palavra mágica 

E foi mesmo uma delícia de leitura,entre 27 de outubro e 1 de novembro, atiçando meu instinto de historiadora da canção popular brasileira, com forte interesse em música instrumental.

Algumas postagens durante a leitura 

Introdução 

Já na introdução Márcio Gaspar destaca a mudança instrumental que geriu aquele sim que a gente ainda ama. Mais história impossível.

Aí eu quis ouvir o disco anterior dos novos baianos,o Ferro na boneca (1970), um disco mais rock, parecia um do Tim Zé daquela época e foi muito impressionante perceber a diferença (história ) entre um e outro. A mão de Midas de João Gilberto passou por ali .

 Continuando a leitura, no dia 28/10 comentei como Gaspar nos coloca como o disco foi recebido naquela época de repressão e radicalização no país 
Surpreendente 

Foi tudo muito lindo ... E em 1 de novembro escrevi um emocionado post final, que copio pq é um texto grande demais pra printar:

"ACABOU CHORARE: Terminei de acabar a leitura do livrinho,gostei bastante. Conhecendo a estrutura da série bem documental "Discos da música brasileira" , trata -se de uma coletânea de depoimentos e fatos da época, sempre organizados por Lauro Lisboa, terminando com um comentário sobre o legado deixado pelo álbum para artistas. Antes desse eu  tinha lido desta série o "África Brasil" do Jorge Ben, que foi escrito pela jornalista Kamile Viola e traz em si o peso da entidade Jorge Ben, por se tratar de um artista de carreira longuíssima, é normal que o volume tenta o dobro de páginas do Acabou Chorare, tem muito mais material e vários depoimentos emocionantes de personagens de peso para a música e a cultura negra brasileira de tempos diferentes. No caso do Acabou Chorare, um diferencial é que ele foi escrito por Márcio Gaspar, alguém que viveu aquela loucura dos anos setenta e isso empresta um tempero delicioso ao texto. Foi uma delícia "entrar" naquela comunidade onde se fazia música, filhos e futebol. "Descobrir" como a batida do João Gilberto foi o verdadeiro toque de Midas,que fez os baianos, que como todo mundo na época, estavam tão ligados a música internacional Janis Joplin, Jimmi Hendrix, etc, também apostassem em sua brasilidade. Nas palavras do Paulinho Boca de Cantor: " a chegada do João nos fez DESENCAIXOTAR bumbo, pandeiro, cavaquinho (...) o importante é que João nos fez ENXERGAR que a gente trazia uma bagagem de música brasileira " (46).
Ler esse livro me fez ouvir mais e melhor Novos Baianos, não só esse álbum, ouvir os instrumentos, atentar para os arranjos e as batidas. Também me levou a ouvir outros baianos que sempre amei, como Tom Zé, A cor do som e babar  muito muito muito o amado Pepeu,meu novo baiano favorito 😍
Depois vou escrever mais no Pequenidades sobre esse livro, a presença iluminada de João Gilberto ♥️ e sobre Pepeu, ourives de pegada muito particular que "transformava aquela brasilidade numa coisa internacional" (Luiz Bueno, do DuoFel, p.75)
Mas por hora, termino com um poeminha lindo que no encarte do disco (que adoraria  ver) :

 

"Eu não sei se o sonho acabou/eu não sei se o sono acabou/eu não sei se o som acabou/mas acabou Chorare" Augusto de Campos ♥️
Amo muito esse disco, toda vida!"


Eis aqui a prometida postagem, destacando 3 pontos João Gilberto, Pepeu Gomes e Baby Consuelo.

João Gilberto é a força motriz desse livro e da música brasileira no século XX, como eu vinha percebendo desde a Bossa Nova. Tem um capítulo só  sobre ele "E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto",pois, nesse livro ,ele é o destaque. Comenta-se até o documentário "Filhos de João",de Henrique Dantas, sobre esse tema, cujo diretor comenta 
História da música 😍 

Sobre Pepeu, meu Novo baiano favorito, também tem um capítulo só pra ele, "Pepeu, cabeludo danado!", destacando sua personalidade em tocar guitarra,único Hendrix (que conheceu com um disco que ganhou do Gil e absorveu total) e herança musical brasileira. Se João foi influência fundamental, Pepeu, guitarrista e arranjador, foi o responsável por executar a junção rock e samba no disco. AMEI 

No final do volume, na parte do legado, algumas cantoras,como Marisa Monte e Tulipa Ruiz, comentam a herança dos Novos Baianos para seu trabalho. Mas o que realmente importou pra elas foi a figura de Baby Consuelo, a cantora que chegou menina depois, de consolidadas as grandes vozes,como Elis Regina, Gal Costa ou Maria Bethânia, e veio com seu jeitinho, se formando como única mulher num grupo de homens : "de um lado ouço desaforo e diz o meu nariz arrebitado, não levou pra casa" . Baby Consuelo brilhou como mãe, menina, cantora, artista e referência para as mulheres, mesmo que depois tenha virado Baby do Brasil e se convertido ao cristianismo, o Legado de Consuelo é inesquecível.

Baby Consuelo e Luiz Galvão 

Na minha infância, nos anos 80, eu lembro de amar a Baby Consuelo, ela era uma fadinha que cantava com Moraes Moreira a minha músicas favorita, não nos Novos Baianos, mas no grupo Pirlimpimpim, a maravilhosa Lindo Balão Azul, de Guilherme Arantes



Tudo isso, História, música, memórias, a leitura desse livro me trouxe! Grande disco, grande livro, AMEI !



segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Samba do Sol Réveillon 2024

 

Samba do Sol réveillon 2024

Eu saí reclamando : Eu até planejei esse look, mas nunca ficava do jeito que eu queria. A querida amiga Franciele Texeira teve muita paciência em discutir ele comigo horas (obrigada amiga)... Mas como eu arrumei para virar assim, assim vai ser!

Regatinha e mini saia: só um brilhinho a mais

Escrevi meu depoimento sobre a noite

MEU RÉVEILLON: Foi uma festa alegre, como eu desejava. Roda de samba da Fabiana Bombom, que canta cada vez melhor, acompanhada de vários  pretinhos,  já virou minha tradição na virada . Cresci o olho pro trabalho do Ricardo, o cara da percussão (coração do samba), VÁRIOS INSTRUMENTOS.Sobre os DJs só conhecia e adorava o animado Douglas Mota. O Chade foi novidade, e como ele ficou com a gente por mais tempo, deu pra curtir muito! Tocou um pouco de tudo, um samba rock lado B,uma playlist  anos 80 com "Marinas" Lima, Cazuza , TRÊS DO PEPEU só pra mim 😍 e no fim abraços porque adorou  me ver no gargarejo desde o começo até o fim, é um fofo que guardei no coração. Sobre o público, não tão lotado quanto ano passado, mas estava acompanhada das minhas amigas Lu e Roseli, fiéis do Samba do Sol, foi muito emocionante abraçá-las na virada, muito amor. De resto, tinha os chatos de sempre, colocaram  uma senhorinha na berlinda   e perturbaram muito ela. O malinha pegajoso do réveillon dessa vez teve uma mulher para disputar o prêmio chato do rolê, e ela ganhou, porque até o top  dela rasgou e ela jogou longe, ficou só de  pano o resto da virada! Gente chata! Teve também o casal Black Power do rolê, um negão sozinho e  perfeito que não dava moral pra ninguém e uma preta tipo princesa do baile, toda linda. Eu tinha reparado nos dois, os mais belos da noite, e enfim eles ficaram juntos porque existe harmonia e amor  no mundo 😍

No meu caso até que pingou na minha horta bem no fim do rolê, quando me sentei um pouco numa cadeira para ver as horas e olhar o celular e sentou alguém do meu lado, hora que não esperava nada além de dar a hora de ir embora e nem olhei pra ver quem era ... até o rapaz dizer algo como :bom, estava ao seu redor faz tempo, você nem me viu e sentou quietinha aqui, então tive que sentar para perguntar:  nega, você pode passar seu Instagram pra esse nego aqui? Poxa, foi surpresa eu disse: olha só, eu não tinha visto mesmo, desculpe, é o cansaço do fim de festa... Ai conversamos, rapaz legal,  farto, perfumado,  sem hálito de bebida, tratou bem,  carinhoso, disse "nossa música" quando tocou a batida matadora de "Ela Partiu" , do Tim Maia... Mas mora longe(sempre), outro  estado, outra região do país! Mas foi bom terminar sabendo que estou no jogo. Bem vindo 2024!

Algumas fotos 





Roseli, eu e Lu 

DOUGLAS MOTA

















Sobre o ano novo 

                                  
                         




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Instrumental SESC Brasil : jazz funk do Bufo Borealis ,

 


Foi um dia de verão chuvoso e mal encarado em São Paulo. Fui treinar rapidamente e depois tinha terapia, me arrumei pouco, mas estava bonitinha (cabelo sempre molhado de chuva não ajudava), o caminho percorri todinho debaixo de chuva! Viva o guarda chuva. Não estava lá muito bem emocionalmente, fui pensando no ônibus 

Até quando essa solidão chuvosa? Tinha terapia, alguns assuntos tenebrosos para discutir, chorei e no caminho para o Sesc, peguei o metrô mais lotado  da vida. Chuva, linha amarela paralisada no sentido Vila Sônia (pessoas tendo que seguir caminho pelo temido sistema de ônibus PAESE. Eu ia apenas da estação Paulista para a Higienólopis, no sentido Luz, mas estava tão cheio, que vi de perto aquelas cenas terríveis, os trens parando a cara dois minutos, abriam lotados e uma ou duas pessoas conseguiam se encaixar dentro da lata de sardinha. Algumas, mais de uma, ficavam presas na porta, ou eram jogadas para fora do trem. Uma funcionária do metrô anunciou uma plataforma "vazia" adiante que, óbvio, logo não ficou tão vazia assim, mas lá achei que talvez conseguisse embarcar. Mesmo assim, tive que esperar no terceiro tremai comentei com uma mulher sobre a desilusão, estava quase voltando para a Paulista e pegando o ônibus terminar lapa para casa, pois não queria ficar presa na porta do metrô. Ai não sei, ela deve ter ficado com pena de mim e quando o trem chegou, como um anjo guiado pelos meus mentores espirituais, me disse: segura na minha mão, vamos entrar juntas, ela entrou primeiro e eu a segui e  enfim, o que até há pouco eu achava impossível aconteceu: eu entrei no trem e ia poder ver o instrumental! 
                   
Quando cheguei no Sesc Consolação postei este Story no Instagram:

Estava achando que estava com sorte, tomei o creme de milho com queijo na comedoria  e quando me sentei no Teatro Anchieta,  vi o palco lindo e iluminado, cheio de instrumentos
                           
 E ao pegar o celular para silenciá-lo, vi uma resposta ao meu story  no Insta:
                       

Nossa, ai foi que o barraco desabou, comecei a chorar de emoção! Como a gente pode não amar o Sesc? Foi o carinho que eu tanto precisava! Amei demais!

Antes do show começar, como sempre, me sento perto de uma criança, pois nossas energias se atraem. No caso era o encantador menino Pedro. Ele devia ter seus 4 ou 5 anos e estava com os pais assistindo. Muito ansioso para ver seu primeiro "show sentado", como gente grande. A mãe explicou a questão dos três sinais antes do espetáculo começar e ele na maior expectativa pra o terceiro. Quando chegou sua tia e comentou que quem ia tocar aquele atabaque ali era o seu tio, ele  muito espontaneamente gritou UHUUUUUU (rs). O mesmo grito que deu quando viu seu tipo entrar no palco, estava extasiado. Mas não aguentou muito tempo, o som era alto demais para seus jovens ouvidos, logo  saiu levado pelo pai e quando voltou, já estava dormindo. Mas sua alegria e espontaneidade de criança,  como sempre, foi um brilho em minha noite.

Mas e o show, enfim? Era de Bufo Borealis,  uma banda muito boa, sensacional mesmo. Vejam só :


 Um som instrumental muito denso, tantas vezes me remeteu, ainda que levemente, a  alguma sonoridade "psicodélica" do Som Imaginário, especialmente no álbum Cabeça do porco (1973). só que com uma roupagem mais atualizada. Eu não sabia de nada, juro, foi uma referência muito aleatória de uma boa ouvinte de música instrumental que me levou a essa associação. Pensava que,  provavelmente, ao som Imaginário nem pudesse ser  uma referência direta para a Bufo, talvez nem seja, mas percebi certo diálogo com a  sonoridade dos anos 1970 e com o  Som é uma referência para mim como ouvinte desse período, podia valer a pena. Realmente, no site do Instrumental, não há referências ao Clube da Esquina, mas ao som dos anos 70, sim:
                                         



Como sempre no  Instrumental os músicos comentam sobre a emoção de estarem se apresentando naquele palco tão importante para a música instrumental brasileira. Nesse caso não foi diferente. O excelente baterista Rodrigo Saldanha falou sobre um papo com a banda sobre a primeira coisa que vinha à cabeça do grupo quando se falava em Instrumental Sesc Brasil. Ai ele disse, para mim, vem Arismar do Espírito Santo (que se apresentou mais de uma vez no programa e que eu assisti nesse inesquecível show em 2018) e também o Pepeu Gomes, que também subiu àquele palco mais de uma vez, mas que  infelizmente não vi ai vivo! Para mim foi emocionante, pois sei que era o dia do aniversário do Pepeu, um dos instrumentista brasileiros que eu acho mais foda! Estava o dia todo cantando "a flor do desejo e do maracujá eu também quero beijar", e quando estava voltando para casa, comprei uma trufa de maracujá, para adoçar um dia difícil:




Só posso agradecer a mais esse dia , no qual fiz tantas transmutações de energia de ruim para boa! A vida é mesmo assim!