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domingo, 3 de agosto de 2025

Encontro com a História da Etiópia

 


Agosto começou com um dia de inverno friozinho, mas sem exageros. Nada comparável aos últimos dois meses. 

Eu pensei em ir a florata das cerejeiras no parque do Carmo, mas fiquei mais reclusa em casa porque de manhã é gelado e também porque meu corpo ainda está se adaptando a alterações hormonais. Ser mulher é isso,tem dias que não estamos disponíveis para a vida.

Fui a biblioteca do Sesc Pompéia e emprestei dois livros sobre a História da Etiópia. Amei 😍 

Gostei de ver que a biblioteca está super atualizada, já tem até o lançamento de Jeferson Tenório 

Novas Aquisições 


Que venha agosto,com alegria, que quero te usar 😍😍😍😍

Um pouco de biscoito vestido de verde neon e abusando do cabelinho Bela Campos ,porque está tão difícil e solitária a vida no frio e sem rolês, que estou precisando 

Verde Neon : meu verão forçado 
















sexta-feira, 18 de julho de 2025

Susto das descobertas:"O Segredo", Lygia Fagundes Telles



 
Em meados de julho de 2025 emprestei da biblioteca do Sesc Pompéia e li a coletânea "O segredo e outras histórias de descoberta" (2018) de Lygia Fagundes Telles. O livro é uma seleção de cinco contos abordando o olhar curioso das crianças ou adolescentes descobrindo o mundo na obra de Lygia.
Namorando o livrinho 


O livro apresenta o posfácio "Retirando a venda dos olhos " (nada mais lygiano do que isso!), escrito pela professora e escritora Noemi Jafe, onde a analista lembra que descobrir é também retirar as vendas e a coletânea mostra momentos onde isso acontece com narradores tão jovens, em textos com linguagem contida, sem transbordamento,Lygia consegue transmitir a dor do conhecimento do amor,da morte, da solidão, da traição e da frustração de forma certeira.

Dos cinco contos - Herbrarium, O menino, O segredo, O gorro do pintor, A rosa verde", os dois primeiros eu já conhecia e amava. O primeiro, o belíssimo "Herbrarium", fala sobre a descoberta do amor de uma jovem por um homem mais velho e eu já linha comentado AQUI ;  o segundo, " O menino", é bem lygiano no sentido de desmascarar crueldades em trechos simples do cotidiano e fala sobre como um menino enxerga a verdadeira face de sua idealizada mãe em uma reveladora  ida ao cinema , como comentei AQUI

Os outros três foram descobertas para mim... E como são escritos por Lygia, minha preferida, foi uma grande experiência conhecê-los.

Em "O Segredo", uma menina vê o mundo. das prostitutas revelado pelas frestas de uma casa proibida, que só lhe acolhe em segredo absoluto, na qual todo o ambiente lhe é ambíguo e em constante mutação, como deve ser o mundo todo para os olhos de quem está nessas primeiras fases da vida.

Em "O gorro do pintor", Lygia volta ao tema da metalinguagem para explorar as diferenças e semelhanças entre ficção e realidade, tema enfrentado pela menina que primeiramente leva o drama do teatro a sério demais,até perceber que ele também pode lhe ser proibido. Muitas coisas são proibidas pra crianças ou adolescentes.

No último conto, o melancólico "A rosa verde", os temas são a morte, a loucura e a velhice, vividos e narrados com simplicidade por uma narradora órfã, que oscila entre o luto pelos pais, a loucura do tio e a velhice solitária e amarga da avó. Dessa experiência a menina encontra um respiro na aproximação do mundo poético do avô, que insiste em cultivar uma rosa verde, que segundo Jafe, seria uma metáfora da própria literatura.

Nesse belo livro encontramos gotas do que há de melhor na Literatura nacional,contos de Lygia Fagundes Telles.







terça-feira, 1 de julho de 2025

Homens pretos não choram, Stefano Volp





Emprestei da Biblioteca do SESC Pompéia e  li "Homens pretos (não) choram" (2022), de Stefano Volp. São dez  contos escritos no contexto da quarentena pela pandemia de COVID 19, os textos tratam da vida de homens pretos, destacando o campo da  afetividade. Partindo desse recorte, Volp consegue abordar temas delicados ou até tabus, como racismo, masculinidade negra, masculinidade tóxica , sexismo, machismo, solidão, traumas, medos, felicidade, etc. Uma leitura excelente para homens, em especial os pretos.
Com dois prefácios,  escritos por Sérgio Motta e Jeferson Tenório, escritores expoentes da literatura negro-brasileira, os autores comentam como foi para eles,homens pretos, a leitura deste textos tão  contundentes. Mas a leitura não interessa apenas a homens pretos. Eu, uma mulher negra, durante a leitura, levava o livro nas mão enquanto esperava o metrô  na estação Trianon MASP  e me surpreendi ao encontrar outro leitor, um homem branco, lendo atentamente o mesmo livro. Ambos os volumes com a etiqueta branca nas lombadas: foram emprestados de biblioteca, esse lugar mágico que une as pessoas por interesses comuns.
Por abordar feridas abertas na sociedade brasileira no século XXI, recomendo a leitura deste livro a todos, em espécie a pretos e pretas.

No Instagram eu fiz um comentário rápido sobre os dez contos e copio aqui:




1 SECO :  Como uma boa introdução ao tema do livro, o primeiro conto ,Seco, conta a história de Heleno, um militar já avô, que sentindo próximo o final da vida e escrevendo seu testamento ao som de Tim Maia, coloca-se em luta dolorosa com a pergunta : o que foi que lhe secou por dentro e o fez incapaz de chorar por toda a vida?



2 VITRINE :  No aplicativo de encontros gay Pinder, Blackurso_31 é o nickname de um capixaba preto, gordo e tímido que trabalhava como  cozinheiro em Copacabana e visitava as vitrines em busca de um match. Quando conseguiu um, ele que era um adaptado na cidade, teve que reagir ao racismo com fúria.



3 Bilola Um poeta negro vive de ofertar poesia no metrô, esperando juntar alguns trocados para se sustentar e é constantemente rechaçado. Um dia um homem lhe faz uma oferta grande, que ele desconfia, pois sua mãe o havia ensinado a não dar pérolas aos poucos.
Um trecho :
"Não havia prazer em acumular rejeições, tampouco  em naturalizá-las.  Ele só não detinha as ferramentas cirúrgicas para sondar e elaborar sua dor. Acumulava-as no pesado saco de sua alma e prosseguia "("Bilola", Stefano Volp, in "Homens pretos (não) choram,p.69


4 DONA TAGARELA :  É um dos meus contos favoritos. Aluízio é um policial que  obrigado pelo chefe a fazer sessões de terapia com Thiago ,um  psicólogo negro,  que lhe explica :"você me paga pra te levar até onde você quiser ir, em qualquer lugar da sua mente. Ao ver as coisas com um ponto de vista treinado, posso ajudá-lo a encontrar sua cura."(P.85)
Embora tivesse medo ,pois  sabia que " armadilha de palavras é uma das coisas mais perigosas do mundo. Um homem envenenado pelas próprias palavras não tem honra alguma"(p. 84), Aluízio acaba soltando as suas palavras e entrando nos labirintos de seus traumas e medos.



5 MEIA NOITE :  Uba espera ansioso pelo dia dos pais para saber se o filho está recebendo bem todo o cuidado com que tem lhe tratado. Cinco minutos antes do grande dia, é visitado pelas dolorosas memórias da relação com seu pai.


6 BARBA : Ricardo é um homem preto casado com Lucinha e frequenta a elegante barbearia de Russo, um albino  o que tem "mãos de fada", cujos clientes fechavam os olhos e entravam em transe". (p.114) Um dia o barbeiro coloca um bilhete na mão do cliente e a trama se inicia... 

NÃO CHORAM: Mais uma vez... um trecho do conto "barba". Ricardo, um homem casado, percebe uma ligação diferente com seu barbeiro Russo, que um dia coloca em seu bolso um cartão marcando um encontro. Assustado com isso, pensa logo na esposa ciumenta, com quem tinha a melhor das relações :
"Conhecendo a esposa que tinha,precisou queimar o cartão e jogar as cinzas no bueiro da cidade. Foi ao realizar esse exercício que ele decidiu contar tudo para a esposa. Ela merecia saber. Daria um jeito de dizer que tinha algum problema psicológico. Não entraria em detalhes, nem falaria de Russo, mas, sim, diria que estava pensando em outra pessoa e que isso agora o atrapalhava. Lucinha faria um escândalo, mas ele sabia que, se fosse sincero, poderiam passar por aquilo juntos. A esposa era a pessoa mais incrível que ele já conhecera. Não poderia enganá-la daquela maneira." P.117

Não vou contar o final, só postei para destacar como tem relações amorosas incríveis. AMOR É SORTE!


7 SABONETE :  Wagner é um  adolescente  virgem que ,em busca das primeiras experiências, procura Yara ,a "fácil", que os mais velhos chamavam Sabonete. Com a moça consegue conversar e refletir sobre como os homens são machistas e ele pode pensar com sua própria cabeça .



8 PIO : Outro sobre paternidade e um dos que mais gostei. Conta a história da relação cheia de densidade e comunicação difícil entre o pai solteiro Leo e seu filho Renatinho.


9 SEM : Depois da partidas de futebol, Ramon procura seu pai para perguntar qual a diferença entre abuso sexual e estupro, pois um amigo teria sofrido uma investida desse tipo. Para seu espanto  o pai respondeu que a diferença estava no ato sexual,  mas que nenhum dos dois acontecia com homens.  Mais uma história sobre como a masculinidade tóxica pode oprimir os homens.


NÃO CHORAM - São onze contos no livro Homens pretos não choram, de Stefano Volp. Vou postar um comentário rápido sobre cada um deles.
10 FLORESCER : O mais belo conto do livro, conta a história de Amildo, um homem de poucas palavras, que morava com sua bicicleta Luiza. Por alguma artimanha do destino, acaba indo trabalhar na estufa do Seu Rosa, onde as flores acabarão curando suas feridas mais profundas.






terça-feira, 22 de abril de 2025

"Lugar Público": Exposição Antoni Montadas

 

Cartaz educativo 

Em 21 de abril fui ao Sesc Pompéia trocar livros na biblioteca e me deparei com essa exposição linda!

"Espaço público" é uma exposição do arquiteto Antoni Montadas(Barcelona, Espanha, 1942) que propõe conversas sobre a percepção da cidade com trabalhos que propõem intervenção no espaço público para discutir questões sociopolíticas da contemporaneidade.

Algumas imagens 









sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

História Social da beleza negra, Giovanae Xavier: beleza como resistência ao racismo

Quando emprestei da 
Biblioteca do Sesc Pompéia 

Comentário de fim de leitura 14 de fevereiro 2025

"HISTÓRIA SOCIAL DA BELEZA NEGRA (2021) : Concluí a leitura. É uma pesquisa de doutoramento publicada em livro sobre construção e manutenção do racismo nos EUA através da publicidade de cosméticos feitos por brancos, que pretendiam "suavizar" traços de negritude a qualquer custo. Mas é , sobretudo , um texto sobre como a comunidade negra reagiu e inverteu esse jogo. Termina assim :

"Sugerindo, nas entrelinhas, as lutas pelo direito à beleza, historicamente negado às mulheres negras, um anúncio (com dizeres "Você também pode ser uma beleza fascinante") tranquilizava as consumidoras (de produtos de beleza agora produzidos por negras). Não seria mais preciso 'invejar uma garota' e 'seus charmosos cabelos e compleição '. Tal qual a escravidão africana, inveja era coisa do passado. O espelho de Oxum (imagem da capa do livro) refletia um futuro de beleza para as mulheres negras, finalmente elevadas ao posto de 'aristocrata da penteadeira'." (P.136)
Só tenho a agradecer à minha mãe Oxum por ter me feito ver, desde menina, a sua bela e fascinante face divina quando me olho no espelho! 💛🧡❤️"

Enfim li esse livro muitas vezes amargo, mas muito importante, ainda que tantas vezes me lembrou as intragáveis aulas de História dos Estados Unidos na Faculdade! Mas tem resistência e isso é maravilhoso! 

Recomendo muito a leitura a quem tiver coragem .

Capa com o espelho da Oxum 

Giovana Xavier é uma professora e pesquisadora , ativista das causas das mulheres negras. Que bom termos mulheres como ela no Brasil.


A beleza negra de Giovana Xavier


Durante a leitura eu fui comentando:

11 fevereiro
Camila Zahabe Rodrigues
BELEZA NEGRA : Deixei o livro do Mia Couto pra depois e comecei  ler "História da beleza negra", de Giovana Xavier. A referência e temática eu já conhecia por alto, desde quando escrevi o projeto de pesquisa sobre os primeiros romances de Jeferson Tenório, mas só agora estou lendo. Trata-se da publicação de uma pesquisa em História sobre como  os negros (especialmente negras) estadunidenses apareciam na imprensa e publicidade (especialmente a de cosméticos) desde a passagem do século XIX para o XX. O capítulo inicial chama-se "imprensa e negra e Grande Migração". Pensando nos EUA de 2025, quando imigração é eleita pelo novo governo como a grande vilã do projeto de pais, começar a ler uma história da negritude estadunidense justamente pelas cartas escritas no contexto da migração de negros saindo do sul e tentando se estabelecer em outros lugares, aponta que esse é o momento de ler esse livro, já que a mobilidade dos povos continua a ser grande questão para a  História. Estou só no começo da leitura, mas já vi que,  partindo de objetos interessantes, Xavier encontra ganchos para refletir sobre a problemática negra em diferentes aspectos e coloca questões capitais , como  sobre tradução dos termos referentes a raça : o que e  em quais momentos  significava dizer "Black", "mulato",  "of color" , etc? Muito pano pra manga. 
12 fevereiro
BELEZA NEGRA: Continuo lendo quando posso, é um excelente trabalho de pesquisa, trata de assuntos e termos capitais para o debate sobre a negritude ,mas não posso negar que está sendo 
um fardo ler sobre os EUA (nunca curti), ainda mais sobre a construção da estrutura racista naquele país. Estranho tanto estar lendo sobre os Estados Unidos, digamos que não costumo "desperdiçar" muito tempo sobre o país , para além de saber das notícias incontornáveis.  Infelizmente para mim, lendo constato que muito do que construímos como identidade racial no Brasil veio daquele imaginário inimaginável. Apesar das diferenças gritantes (numéricas e culturais), desde há muito me parece que aquela  realidade nos foi "imposta" como modelo, sem adaptações. Lendo o texto isso fica cada vez mais claro e não consigo conter uma careta de nojo. Ainda nem mergulhei na indústria cosmética (beleza negra do título), mas já está intragável .Enfim , sigamos rumo ao fim do livro. 🙏🏾

Comentário:
Um ponto importante que não destaco na resenha, para não deixá-la muito grande: a indústria cosmética desenvolvida por brancos, criava produtos agressivos, às vezes com soda cáustica,para clarear peles retintas e alisar cabelos crespos. As propagandas, por sua vez, insistiam na ideia de "correção" daquelas características , como se ser negro(a) fosse um erro. Apenas depois de "corrigirem"  esse "equívoco" em sua aparência, as pessoas poderiam pensar em almejar posições sociais simples, como empregos. Em alguns lugares, pessoas "não corrigidas", chegavam a ser agredidas fisicamente,ou até mortas. Isso começou a mudar quando os negros passsaram a cuidar de produtos estéticos para negros, só então se poderia pensar em uma beleza negra, que não estava errada, nem precisava ser "corrigida".
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quarta-feira, 31 de julho de 2024

Noites Brancas, de Dostoiévski

 

Ia ler meu primeiro Dostoiévski. Talvez muito tarde, pois já estou na fase em que muito dificilmente encaro um romance tijolão clássico... Então escolhi o menor volume dele para experimentar, Noites brancas- Romance sentimental das recordações de um sonhador.

O subtítulo indicava o que eu iria encontrar...

A foto de qd emprestei:
Altas expectativas 

Tinha trazido um Murakami também, mas escolhi começar pelo mais curto e estava até gostando (como de costume),nunca foi má vontade:


NOITES BRANCAS: Nunca tinha lido nada desse autor clássico, pois imaginava que ele era tipo um grande escritor do século XIX com  dois pés na realidade, tipo Machado de Assis e isso não me interessava. Mas era bobagem, pois como ele poderia ter passado em vão  pelo realismo fantástico russo do XIX q eu tanto amo?  Comecei a ler essa novela e amei ver que, pelo menos nesse livro, o ambiente fantasmagórico determina tudo.  O livro fala de quatro noites claras de verão de São Petersburgo (onde o sol não se põe ) e uma manhã,  vividas pelo protagonista SONHADOR. Só  li a primeira, que conta a vida desse solitário,amigo das casas,que encontra uma morena  e esse encontro é marcante:

 

"perdoe-me se digo outra vez ...Mas veja, não posso deixar de vir aqui amanhã. Sou um sonhador; tenho tão pouca vida real que momentos assim, como este, né são tão raros que não posso deixar de reproduzi-los em meus devaneios. Vou sonhar com a senhorita a noite inteira, a semana inteira, o ano todo. Virei aqui amanhã sem falta, exatamente aqui, a estética mesmo lugar, a esta mesma hora , e ficarei feliz ao recordar o dia de hoje  Este lugar já é belo para mim..." (P.23)

Logo em seguida o caldo começou a desandar : 
 

Terminei a segunda noite e, mesmo sabendo que não devo julgar com olhos atuais, só penso : que boy mala esse Sonhador,pobre Nastienka que tem que aturar aquela história sem fim kkkkkk
Eu não ando nada romântica


Claro que os protagonistas, o Sonhador e a Nastienka são muito emocionados e idealizados, como bons personagens românticos, mas o Sonhador é um leitor solitário, antissocial, melodramático, verborrágico, chatíssimo. Há quem diga que ele é cheio de camadas, e complexo, pode até ser, mas eu o achei tão chato, que nem consegui perceber. Já ela, sua amada, é uns dez anos mais jovem que ele, ouve todo seu discurso sem entender nada e só ri, mesmo sabendo que é escrava da avó idosa (algo que compreendo tão bem)  como boa mulher do século XIX, tem poucas oportunidades de decidir sobre sua vida que não sejam ligadas a algum homem;. Naquele tempo, ela não teria como ter a noção da roubada que o Sonhador era, como tempos hoje.


E por fim uma conclusão um pouco indigesta:


O livro é irritantemente romântico, em todos os sentidos, algo que jamais imaginei encontrar nesse autor! Gostei do belo tom fantasmagórico, a cidade e até das noites brancas, muito claras, em contraste com a história sombria de solidão, impotência e despreparo. Nesse contexto, achei a coisa mais bonita de se ler aquela figuração de São Petersburgo, que ao longo da novela vai se esvaziando,pois todos vão para o campo, fugindo do calor.

Claro que ia escrever sobre os pontos interessantes e tal, mas minha primeira impressão foi a mesma desse booktuber:



Hahahaha , honestamente é isso aí. 
O boy é um mala, se a mocinha tinha poucas saídas a não ser dar corda, como era comum na época, no século XXI, hoje já não precisamos mais dar papo pra esses TIPOS.

Reflexão posterior : 



Foi uma experiência Dostoievskisna, que venham outras melhores 😍




segunda-feira, 17 de junho de 2024

Livro de junho : " Oito contos de amor", Lygia Fagundes Telles e outras tentativas

 

Edição quase paradidática, mas um grande livro

Embora esteja lendo sempre, admito que enfrento bastante dificuldade em concluir as leituras que começo em 2024. empresto os livros da biblioteca mas as leituras não me prendem, sinto muita falta de um cenário como o de 2019/2020. quando eu podia escolher as leituras e tudo o que eu lia era bom e empolgante. Hoje em dia está difícil. empresto os livros da Biblioteca  do Sesc Pompéia, sem saber se vou conseguir concluir as leituras, como aconteceu.

Três livros ótimos, mas só conclui a leitura dos contos de Lygia,
que mais me apeteceu literariamente.


Embora não seja propriamente uma admiradora da cultura japonesa em geral, tinha lido ótimos escritores de lá, então dessa vez  emprestei o de uma autora japonesa, a Hiro Arikawa , o  "Relatos de um gato viajante" , que é um livro para gateiros e certamente um best seller no Japão, pois o tema dos animais é muito fofo. Fofo até demais, o livro não me prendeu. 
O "Contos crespos", de Cuti, que tem uma capa linda, eu tinha muita expectativa, afinal Cuti é o teórico que escolhi como base para falar da Literatura negro brasileira e  quando  comecei a ler, muito empolgada, cheguei a comentar que estava adorando :
"CONTOS CRESPOS: Em um grupo de leitura virtual, pediram uma foto do livro que estamos lendo,mesmo que eu esteja ainda no começo, foi com muito prazer que fotografei e comentei:  A capa é maravilhosa. Cada vez que eu  interrompo a leitura e depois retomo, antes de abrir, fico olhando aquela cabeça negra trançada, aquele couro cabeludo de onde nascem cabelos crespos de gente que vive e sabe muito bem sobre  tudo aquilo que Curti narra em seus agridoces "contos crespos".
Estou adorando!"
E estava adorando mesmo, mas logo percebi que não via nada de diferente para uma obra da literatura negro-brasileira em minhas pesquisas. Mas a ficção dele, infelizmente, não me prendeu, foi uma  leitura muito emperrada e acabei largando. Talvez  eu seja uma leitora mal acostumada, tolere!  

E tinha ainda a pequena seleta de contos de amor de Lygia. Desse, muito dificilmente eu não iria gostar, pois se trata de uma das minhas escritoras favoritas:

Eu que me atento para a forma como se escreve, amo Rosa e Lygia

De fato os contos me chamaram mais a atenção.

A capa


Última capa


Antes deles, adorei que a edição conta com trechos de um depoimento  de Lygia sobre seu trabalho literário  na Sorbonne,Paris,1993, durante um seminário sobre a autora. Amei alguns trechos como


E continua : "Mas o amor (e desamor) não estás sempre presente? Recorro ao humor, que é nossa salvação, ninguém é perfeito - e a loucura? Com suas infiltrações na rejeição. Um perguntador me olha agora com desconfiança, quer saber porque falo tanto na morte. Não sou inocente (o escritor não é inocente) e começo a dourar a pílula substituindo a perda, encerrado para o mistério."


Adorei também o trecho de depoimento que conclui a seleção , pois muito me identifico: 

"... o escritor que pode ser louco, mas não enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desviá-lo de sua loucura. O escritor que pode ser corrompido, mas não corrompe. Que pode ser solitário e triste, mas ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão." (Lygia Fagundes Telles. Depoimento na Sorbonne,Paris,1993)


 E não é a literatura nossa melhor companhia? Grande escritora essa dama Lygia 



Pois vamos aos contos. o índice da edição: 




Quando terminei de ler comentei :



Vamos comentar brevemente conto a conto:

1 As cerejas 
Agora eu tenho a grande sorte de não ter lido todos os contos Lygia Fagundes Telles, tenho muito a explorar. Quando li As cerejas hoje, percebi logo que é um dos grandes! Talvez o mais erótico dela que li (mais até que aqueles dos fálicos saxofones ). Tantas camadinhas: memória da infância x realidade, aparência x essência ,dúvidas, símbolos (cereja e sua "vermelhidão de loucura", cavalo x cavaleiro colados "formando um corpo só ", calor, relâmpago que, por um instante, ilumina tudo, os olhinhos estrábicos sem óculos da Madrinha que preferia não ver, o escorpião pegando fogo, perfume forte, decote, anjo cego,etc). E a visão da menina: será que viu mesmo aquilo? Será que "aquela gente teria existido"? A narradora não sabe ,nem nós. Mas a imagem iluminada pelo relâmpago ,do cavaleiro galopando "agarrado à crina do cavalo, agarrado à cabeleira da tia Olívia, os dois tombando ligeiramente azuis sobre o divã", real ou não a adoeceu e a marcou profundamente. Como tantas imagens da infância!

2 Pomba enamorada ou uma história de amor

Achei o conto mais irônico, até humorístico, da antologia. Não que deixe de abordar a terrível dor de amor, de forma bem romântica (no sentido literário, com tentativa de suicídio e tudo mais). A Pomba enamorada, protagonista, apaixonada pelo estúpido Antenor, é obcecada pelo moço,  mas tudo acontece de um jeito meio roteiro de folhetim, algo que não esperava de Lygia. No fim era para tudo terminar bem porque as coisas se acertaram aos poucos, mas o amor mal vivido, mal resolvido persegue a gente por muito mais tempo do que possamos supor. É disso que trata o conto.

3 As pérolas  (impressão de 2021)

Achei as pérolas bonito, gostei das imagens: As pérolas "rosadas e falsas" de Lavínia "cujo "entrechocar das contas produzia um som semelhante a uma risada", a varanda, o "Chopin de bairro", a lembrança da mãe de "olhos poderosos", que sempre já sabia de tudo e o ciúme doentio de Tomás, que justifica o clima de falsificação da trama (nossa única certeza está nas coisas assumidamente falsas, o resto pode ser suposição de uma mente ciumenta. Sim, há fortes referências ao Dom Casmurro, embora para mim Lygia seja mais palatável, então eu só posso aplaudir.


4 Herbarium
Um texto  belíssimo sobre amor e amadurecimento, remete a contos de fadas (Chapeuzinho Vermelho) ou aventuras fantásticas vividas em bosques, como "Sonho de noite de verão", de Shakespeare. No conto lygiano, uma jovem  que mora próximo a um bosque e recebe a visita de um primo botânico convalescente que não pode colher por si folhas, mas  a quem ela ajuda selecionando algumas para que, se ele as julgar raras , venham compor seu Herbarium. Acontece é que a jovem se apaixona por ele e, entendendo sua linguagem, lhe faz uma declaração de amor :"quando lhe entreguei a folha de hera com formato de coração, um coração de nervuras tementes se abrindo em leque até as bordas verslde-azuladas, ele ele beijou a folha e levou ao peito. Espetou-a na malha do suéter: 'Esta vou guardar aqui'. Mas não me olho nem mesmo quando sai tropeçando no cesto."(P.46) O primo gostava da garota, mas não da mesma forma que ela. O  amor lygiano tem mesmo esse gosto amargo do quase correspondido, mas não o suficiente! Mas a menina entendeu o botânico e tentou até o fim modificar o fúnebre destino do seu amor, ao tentar lhe esconder a folha solitária, com a  "forma aguda de uma foice, o verde do dorso com pintas vermelhas irregulares como  pingos de sangue"(47-8) sob a qual havia morrido um besouro. Ela colheu a folha/foice e foi andando "solene porque no mesmo bolso onde levara o amor levava agora a morte". (48) Mas tinha prometido a ele sempre dizer a verdade e quando lhe perguntou o que estava escondendo, sabia que era a hora de decretar, simbolicamente, a morte de seu amor!
 Uma rara joia, talvez a mais bela da pequena antologia!

5 A chave (impressão de 2021)

Um conto ótimo, a gente vai pela cabeça de Tom, o senhor que não está mais conseguindo acompanhar a jovialidade de sua esposa. O personagem  "velho"  diz  insistentemente a esposa mais jovem que se prepara para sair,  que precisa dormir, dormir, dormir... Chega a sonhar: "Se pudesse dormir ao menos aquela noite, enfiar-se na cama com uma botija, uma delícia de botija, criando assim aquela atmosfera terna entre seu corpo e as cobertas... Ô! A melhor coisa do mundo era mesmo dormir, afundar com uma âncora na escuridão, afundar até ser a proporia escuridão, mais nada." Nunca me identifiquei tanto!

6 Apenas um saxofone (impressão de 2021)

É um dos conto bem fechado em si mesmo, precisei ler mais de uma vez, porque ainda queria entender a narrativa, com o tempo fui aprendendo a ouvir a dicção de Lygia, mais vale apreender o que primeiro chama a atenção, porque o mais importante não é dito, às vezes nem mostrado! Essa prostituta,  apelidada Luisiana (berço do jazz) por seu antigo amante Xenofonte, o moço que era jazzista e tocava saxofone, do qual ela sentia tanta falta... mas onde estaria ele?


7 O encontro

O Encontro é mais um conto fantástico de Lygia, acontece quando a protagonista retorna ao bosque que tanto conhece, mas resolve explorar o que havia além do vale, se aproximar dos penhascos, que de alguma forma inexplicável ela conhecia, mesmo que nunca tenha pisado ali. Ao chegar lá, mergulha numa constante indecisão entre previsão do que aconteceria e memória do já acontecido, em um cenário assustador, mas ela sabia que era preciso “que eu não buscasse esclarecer o mistério, que não pedisse explicações para o absurdo daquela tarde tão inocente na sua aparência. Tinha apenas que aceitar o inexplicável até que o nó se desatasse, na hora exata”. Até que acha uma resposta possível que muito me interessou: “Não, não estava sonhando. Nem podia ter sonhado, mas em que sonho podia caber uma paisagem tão minuciosa? Restava ainda uma hipótese: e se eu estivesse sendo sonhada? Perambulava pelo sonho de alguém, mais real do que se estivesse vivendo. Por que não? Daí o fato estranhíssimo de reconhecer todos os segredos do bosque, segredos que eram apenas do conhecimento da pessoa que me captara em seu sonho. “Faço parte de um sonho alheio” - disse e espetei um espinho no dedo. Gracejava mas a verdade é que crescia minha inquietação: “se for prisioneira de um sonho, agora escapo.” Uma gota de sangue escorreu pela minha mão, a dor tão real quanto a paisagem.” O clímax é quando ela encontra uma moça vestida de amazona, esperando por um amor que nunca vinha, e que parecia viver em outro tempo e que não lhe era desconhecida. A identidade dessa personagem é o grande final do conto sensacional.  


A estrutura da bolha de sabão

Este texto eu  conheço e adoro faz tempo, mas não me lembro de ter escrito alguma coisa sobre ele. . Lembro vagamente de ver a Lygia pela primeira vez, sendo entrevistada em um programa de aTV do Serginho Groisman nos anos 90, eu devia ter uns 11 ou 12 anos, nunca me esqueço dela falar que o amor é frágil, lindo e leve como uma bolha de sabão, que pode ter sua estrutura rompida por qualquer coisa. Para mim este  é a imagem e o “conto de amor” de Lygia por excelência! É uma introdução sobre como adentrar no universo da sua ficção: nos jogos de ditos e não ditos entre a protagonista, seu ex marido e a atual esposa vemos surgir e se desenvolver a delicada estrutura da bolha de sabão : não é preciso muita coisa para ela voar e brilhar translucida, mas é preciso menos ainda para que ela estoure e vire uma espuma no chão; assim é o amor, nessa imagem poética LINDÍSIMA.

Que livro, senhoras e senhores, que livros!

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Virada cultural 2024, fraqueza ainda e livros

 


No dia 19 de maio de 2024 eu sai de casa sozinha pela  primeira vez após dengue e cirurgia. Já tinha treinado uma semana, mas meu abdominal não estava tão bom ainda. Fui ao Sesc Pompéia, trocar os livros na biblioteca, devolver os de maio que eu nem tinha conseguido ler e emprestar novos para junho. 

espero retomar ...
                                         

Novamente trouxe um de literatura Negro Brasileira, Contos crespos, do Cuti, um japonês, na verdade uma japonesa, a Hiro Arikawa e seu Relatos de um gato viajante, e um da Lygia, 8 contos de amor. 
Espero, verdadeiramente, poder voltar a me concentrar nas leituras... vejamos!
na fé que vou concluir a leitura de 
pelo menos um desses livros

                                                    
Sai da Biblioteca e passei na loja Sesc e vi, pela primeira vez, o CD do Berço do Samba de São Matheus em promoção. Quis me dar esse presente e dei!

                                                 

No encarte temos os seguintes textos de Nei Lopes e Danilo Santos de Miranda, sobre história do samba de São Paulo:

 O BERÇO DO SAMBA DE SÃO MATHEUS

Os círculos que discutem o samba se acostumaram, há muito tempo, a um certo tipo de pergunta recorrente : “ O de São Paulo é diferente do carioca?”. “E dá para fazer comparação?”, perguntam os ingênuos.


A questão chegou a ganhar contornos dramáticos com a, tristemente, célebre frase de “túmulo do samba”, atribuída a Vinícius de Moraes e dita, se é que foi mesmo, certamente de brincadeirinha, em busca ou por conta de um efeito. Porque a consolidação do samba urbano, no rádio e nas escolas, foi certamente um fenômeno sincrônico, ocorrido em várias capitais brasileiras e, principalmente, no eixo Rio-São Paulo. Assim, já na década de 1930, os paulistanos criavam suas primeiras apresentações como o Vai-Vai e o Lavapés. E, na passagem para a década seguinte, o rádio via surgir figuras de intérpretes autores e intérpretes do gênero, como Risadinha, Vassourinha, Isaurinha Garcia, Demônios da Garoa, Denis Brean, etc. Acrescenta-se a isso, o intercâmbio que desde sempre aconteceu entre sambistas das duas capitais como, por exemplo, entre o saudoso Pedrinho da Mangueira e seu “compadre” Germano Mathias.


Vejamos também que uma das iniciativas mais sérias do movimento popular nacional – a frente Negra Brasileira, fundada em São Paulo em 1931 – mantinha, pouca gente sabe, um “conjunto regional”, com violões, cavaquinhos e pandeiros, tocando e cantando em programas das rádios Tupi e Cultura. Por outro lado, veremos que depois em sua cidade a uma exibição do legendário Paulo da Portela, em 1940, foi que Seu Nenê da Vila Matilde teve a ideia de fundar a escola com a qual até hoje é confundido. E que, dois anos depois, o mesmo Paulo rompia com a direção de sua escola, exatamente após uma apresentação em São Paulom juntamente com Cartola e Heitor dos Prazeres.


São apenas três exemplos entre muitos a serem citados. Mas, são provas inequívocas do que queremos demonstrar e que este CD da rapaziada de São Matheus corrobora. Nele, sem sombra de sotaques e unindo gerações, a tradição do samba se mantém viva, seja nos “sambas de primeira”, com a segunda parte mais ou menos improvisada, como o Partido da Vila Formosa (faixa 3); seja nos de poética lírico ecológica, como o belíssimo “À Noite” (faixa 10); ou mesmo naquele estilo marcadamente “velha guardista”, como “Farinha do mesmo saco” (faixa 11); ou nos meta sambas, autorreferentes, como “Eterno Brasão” (faixa 08); ou ainda nos sambas de rebuscada melodia, como “Amigos e parceiros” (faixa 14) e, naqueles arrasta povo, como “Vem pra Vera Cruz” (faixa 16), que encerra o disco.


Eis aqui, então, o sumo extraído de uma roda de samba existente há mais de 15 anos no bairro de São Matheus, zona leste de São Paulo. Reduto esse que já deu ao cenário artístico nacional frutos como o “Quinteto em Branco e Preto” e o conjunto “Filhos de São Matheus”. E que contempla, com o nome “Berço do samba”, um projeto social em que a música é o fio condutor, e do qual nasceu a “Orquestra do Choro de São Matheus”, também em parte presente neste CD.


Com exceção dos dois ilustres convidados, Almir Guineto e Beth Carvalho, todos os cerca de 40 artistas participantes do disco, são presença assíduas na roda. Entre eles,além dos já internacionais integrantes do “Quinteto”, destacamos a estreia em disco da voz portentosa de Luiz Lira (faixas 8, 14 e 16) e a presença autoral de Rubão , veterano campeão de sambas-enredo em várias escolas , presenças essas que, ao lado de todas as outras, reforçam a filosofia de união comunitária que sempre norteou os núcleos do samba em todos os seus locais de origem.


É claro, pois, que São Matheus, na zona leste paulistana, não é “o” berço do samba. Mas, para nós, não resta dúvida de que o presente registro representa fielmente o “Berço do samba de São Matheus” e muito do que se faz de melhor no samba de todo o Brasil.


(Nei Lopes -Rio, junho 2007)  




e essa pérola : 


 O PRIVILÉGIO DO SAMBA

O samba, na realidade, não vem do morro

Nem da cidade...


Privilégio de todos, resistência de alguns, o samba é um laço que enreda as desilusões e as alegrias do cotidiano.


De trajetos híbridos, o samba paulista veio, no dizer de Mario de Andrade, do “samba rural”, das festas de Bom Jesus do Pirapora onde, na década de 30, grupos de diversas regiões do Estado e da Capital se reuniam para tocar os batuques das colheitas de café e de cana.


Hoje, o bumbo urbano, travestido de surdo, permanece atento, seja na tradição da história do samba paulista de Geraldo Filme, Hélio Bagunça, China da Vai-Vai, Nenê da Vila Matilde, Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro, Germano Mathias e Oswaldinho da Cuíca entre tantos: seja nas rodas de samba da Barra Funda, da Bela Vista ou Bexiga, perto da Baixada do Glicério ou em São Matheus, na zona leste de São Paulo.


São Matheus, o bairro que se quer cidade, teve sua origem na Fazenda São Matheus, de propriedade de Mateo Bei, que a loteou em 1948. A região, desde então, acalentou sambistas que preservaram não só o gênero musical limitado ao interregno do carnaval, mas o samba enquanto manifestação cultural, fruto dos hábitos e experiências da comunidade.


Nas suas rodas de samba, músicos como Rubens Paulista da Silva, o Rubão, Luiz Lira, o Quinteto em Branco e Preto e a Orquestra de Choro de São Matheus , cantam, tocam e contam as histórias dessa tradição musical, renovada pelos jovens integrantes do projeto social “Berço do samba”. Reunidos ao CD “Berço do samba de São Matheus”, com participações especiais de Beth Carvalho e Almir Guineto, esta iniciativa reafirma o compromisso do SESCSP em apoiar ações voltadas para a educação e para a diversidade da cultura brasileira, proporcionando o prazer para quem, como na letra e melodia de Noel Rosa e Vadico , sentirá que o samba então, nasce do coração.


(Danilo Santos de Miranda- Diretor Regional do SESCSP)

 

Estava rolando ainda, desde o dia anterior, a Virada Cultural e eu acabei conseguindo acompanhar a apresentação de jovens bailarinos do grupo Favela Dance, dançando funk. Se eu estivesse normal e sem o peso dos livros, também teria dançado, pois é contagiante e muito legal, gravei,  transmiti ao vivo e tudo mais...





Eu estava feliz, mas sem muita confiança na força do meu corpo, ainda :






Tudo vai se acertar, tenho fé que ainda em Maio estarei  quase 100%