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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Racionais MC's no ENEM 2017


Surpreendendo muita gente, uma das questões do ENEM 2017 problematizava uma música dos Racionais MC's. Fim de Semana no Parque é talvez a música mais conhecida dos Racionais e hoje eu ainda me pergunto como foi que eles conseguiram tocar tanto no rádio (sim, no fim dos anos 1990 se ouvia rádio) e essa popularidade com essa música tão não comercial, tão questionadora, tão difícil de ouvir  ? Acho um fenômeno ainda sem explicação. É como se houvesse uma força da natureza que dissesse que todo mundo ia ouvir e gravar na memória esse som que  "ninguém gosta". E que é assim mesmo, não é feito para agradar.
Já faz tempo que os grandes processos seletivos como vestibular e ENEM abordam a canção popular no Brasil, não é para menos, afinal essa é quase uma instituição nacional e seria muito mais dificil do que já é entender esse país sem passar por ela. Mas agora falamos de outra coisa, bem diferente: Não se trata mais apenas de problematizar a "instituição" canção no Brasil, aliás é muito ao contrário disso: Vamos problematizar também esse retorno propositadamente difícil de ouvir, como diz ESTE TEXTO  marcante de Maria Rita Kehl é cheio de consoantes que pipocam no ouvido como tiros de balas, sem tantas vogais melódicas com as quais sempre  adoramos nos identificar. Acho um marco, quase tão inexplicável quanto o fato de lembrar que quem era  adolescente na época e que não ouvia RAP como eu, ainda saberem  de cor Fim de Semana no Parque, mais de vinte anos depois.
 Ano passado se falou muito do Nobel de literatura ganho por Bob Dylan por suas canções e passou-se a perguntar que se  agora canção também é literatura, quem devia ganhar no Brasil? Ai surgiam aqueles nomes de sempre Chico Buarque, Cartola, Tom Jobim, etc...todos esses que já aparecem nas provas, com toda a legitimidade. Me lembro bem que eu  e poucas pessoas  dissemos na lata: Mano Brown devia ganhar! Sim, Mano Brown dos racionais mesmo (não aquele delicioso de Boogie Naipe e black music) ! Pensei no Brown justamente porque aquilo que ele faz  é música, mas não é canção, é o seu oposto, é um texto que canta não mais lirismo, mas sons  duros e  quase impossíveis de escutar , acessa locais não muito doces, incomoda e literalmente joga na nossa cara tudo que a gente rejeita mas também é o que somos como brasileiros, por isso precisamos escutar e guardar. Acho arrepiante a força que isso tem. Este também é o  som da resistência dos  negros no Brasil atualmente e também é o que somos, apesar do quão difícil é reconhecemos isso!   



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NOTÍCIAS DA USP : ELEIÇÕES E VESTIBULAR

Para pessoas mais ou menos ligadas a questões políticas da USP (muito mais menos do que mais como eu), não deve ser novidade que as Eleições para reitor estão tomando o centro das atenções do movimento estudantil. A preocupação não é tola, não só para pessoas da comunidade USP - a quem foi apresentado um site com o tema Eleições USP 2009- mas também a todos os paulistas, pois a eleição do reitor da USP interfere diretamente na economia de poderes que sustem o poder do governador do Estado de São Paulo...


Como em todas as eleições, a do reitor da USP é repleta de jogos de politicagem, de disputas partidárias e de disputas ideológicas entre "esquerdas" e "direitas"...


Mas a lista com os 8 candidatos a serem avaliados pela Assembléia Universitária, composta pelo Conselho Universitário, pelos Conselhos Centrais e pelas Congregações das Unidades, já está disponível...
Como eu me envolvo bem pouco com questões políticas da USP, conheço bem poucos nomes da lista, mas um deles me faz pensar (e temer) que se as coisas seguirem o fluxo que estão seguindo, é bem capaz que quem substituirá Suely Vilena (a Suely"chama a PM pro campus"), será Sonia Penin!
Quem é Sonia Penin?
Quem participou da greve dos alunos da FFLCH em 2002, pela contratação de novos professores para a faculdade, pois contávamos com poucos e as salas estavam sempre lotadas, e o que pior, havia cursos como o e chinês, seria fechado pois seu único docente estava para se aposentar... CHINÊS, MEUS CAROS, QUE É UMA LÍNGUA QUE JÁ VINHA CRESCENDO MUITO EM IMPORTÂNCIA , DADA A COLOCAÇÃO DA CHINA COMO ESTADO QUE MAIS CRESCE DEMAIS NO MUNDO... E a Universidade de São Paulo quase aboliu o seu ensino.
Foram 4 meses de greve, que resultaram na contratação de muitos professores, não só de chinês, mas para a faculdade toda, mas até isso aocntecer, algumas cenas serão para sempre inesquecíveis, como na tarde que os estudantes convocaram a então "Pró reitora de graduação Sonia Penin" para ouvir as colocações dos alunos a respeito da contratação de novos professores.
Conhecendo como as coisas funcionam, os estudantes foram munidos de arsenal simbólico, caso a pró reitora nos falasse coisas absurdas (o que seria mais do que provável), poderíamos colocar os narizes de palhaços devidos...
Então , não foi que ela despejou absurdos? Sona Penin é da área de Educação, e teve a coragem de dizer que PROFESSORES NÃO PODERIAM SER CONTRATADOS, MAS QUE UM NOVO PRÉDIO PODERIA SER CONSTRUÍDO PARA RESOLVER A SUPER LOTAÇÃO DAS SALAS(???) E TAMBÉM OFERECER MUITOS COMPUTADORES MODERNOS PARA SEREM USADOS NAS NOVAS SALAS.
Isso não é chamar os alunos de palhaços?
Sempre, sempre, sempre, educação precisou, basicamente, de apenas duas coisas : mestres e alunos ... como alguém da área de educação estava propondo que os professores fossem substituídos por computadores? Ela fez isso. E agora está querendo ser reitora da USP...
Tomara que ela seja excluída agora em outubro e nem chegue a integrar a listra tríplice da qual o nosso "querido" governador José Serra indicará o novo reitor...
Veremos o que acontecerá.
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Mudando só um pouco de assunto
Por outro lado, a USP enfim se colocou a repeito da utilização do resultado do ENEM no vestibular. Ao contrário da UNICAMP, que assim que se soube da compra da prova, desconsiderou de cara a utilização, a USP ficou pensando, pensando.
Eu achei muito triste o que aconteceu com esse novo ENEM, que seria o primeiro passo de uma nova forma, proposta pelo MEC, de como ensinar os conteúdos, mas não sei... no caso de história (minha área) é muito claro que a mudança seria bastante radical... muito menos conteúdo tipo google, mas muito mais reflexão e compração de saberes (que é muito mais próximo do que se aprende nas faculdades de história), com isso os cursinhos pré vestibulares (os donos do dinheiro investido na educação) poderiam sair perdendo, né? Será mesmo que essa fraude foi um evento realizado para interesse financeiros de algumas pessoas? Achei muito estranho. Como uma prova tão conhecida teria sob si uma segurança assim tão fágil? Como confiar?
Se a USP estivesse mantendo essa utilização, mesmo com todo o cenário de questionamentos de legitimidade desta prova do ENEM, estaria assinando embaixo desse mar de questões, que pode ser bem sujo. Mas não manteve. Novamente, vamos ver as cenas dos próximos capítulos.
Chega de assuntos polícos e politiqueiros porque estamos entrando na semana das crianças: OBA!