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domingo, 22 de agosto de 2010

SEM TERRINHA EM MOVIMENTO

Assisti um vídeo produzido pelo Coletivo Educação,cultura e Comunicação do MST.Ali soubemos da situação das crianças envolvidas no Movimento Sem Terra.Começamos com uma animação que reproduzida uma conversa entre duas alunas de uma escola, uma delas morava num assentamento, e a outra lhe perguntou se lá onde ela morava tinha muita violência e gente amarmada, e ao saber qua agora não, só quando trabalhavam para o fazendeiro, então a menina que não era sem terra diz que não era isso que passava na televisão. Mas falou-se, também, da educação que eles recebiam. Naquilo que eles chamam de "Ciranda infantil", a educação é produzida em uma "pedagogia baseada na cultura popular, nas brincadeiras, na cooperação, na coletividade e no direito de ser criança". Isso é lindo, não? Um objetivo final desta educação é a crença na idéia de que a melhor forma de educar de forma libertária é a ensinar política. Eu acredito que isso é importante, claro, mas talvez a idéia de política da escola do MST talvez seja um pouco afastada da de ser libertária. É claro que , ao potencializar a coletividade e a cooperação, está-se investindo na idéia de política pois pensa-se na idéia das formas de governar os povos... para pensar em política de forma libertária é preciso investir na discussão de idéias - o que deveia ser uma das bases de toda organização política - eles parecem fazer isso, claro, mas o discurso das crianças passam a impressão de que elas passaram, também, por uma doutrinação , a forma de expressá-lo, as palavras usadas, etc. A musiquinha que elas cantam não nos levam a pensar em outra coisa: "Nós somos sem terrinha do MST, brilha ano céu a estrela do Chê" (?!?!)
Mas em um país como Brasil onde, em 2009, mais de 860 viviam em condições prejudiciais de existência, um país onde a terra não é nada bem dividida e as pessoas, até hoje, precisam se locomover para sobreviver, a idéia da "Escola itinerante", que é a que vai junto com o acampamento e vai com ele para onde ele for, permitindo que a educação persista em cada ocupação e, em sete estados do país, hoje já são reconhecidas pelos conselhos de educação como escolas estaduais, quando eles cantam "Escola itinerante, um marco na história, poder estudar nela para nós é uma vitória", eu acho lindo e verdadeiro!
Lembrei da fala do Mauricio de Sousa no encontro de literatura infanfil na USP em agosto, sobre a "Turma da Mônica Jovem", na qual o Chico Bento não sai da roça para estudar, pode fazer muitas coisas lá mesmo, com a ajuda da internet. Os adolescentes sem terra são categóricos: Não quero sair da nossa terra, queremos estudar, sim, mas sem sairmos de lá! Isso é mesmo um marco na história!
Coisa linda demais tudo isso, só não gosto da marca doutrinária tão forte... mas ainda assim fico feliz em entrar em contato com essas coisas belas demais.
Sobre o Guimarães Rosa - que é obviamente meu maior interesse nesse tema- com a fala de um menino sem terrinha no começo do vídeo "sonho muita coisa boa, mas que acontece é o contrário do que eu sonho", me lembrei do texto do Alfredo Bosi, claro... Céu/inferno, onde ele defente que em Guimarães Rosa é possível transcender a miserabilidade do real, mas em Graciliano Ramos os sonhos são sempre sonhos e a realidade é sempre pior... são momentos do sertão, são momentos...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

MST E OS LARANJAIS : ARBITRARIEDADE SE PAGA COM ARBITRARIEDADE?

Vocês receberam notícias sobre os pés de laranja que tratores do MST destruíram em uma fazenda de São Paulo, não é? Eu estive revendo essas cenas e ouvindo comentários vários sobre ela o dia inteiro...
É que todo mundo sabe que a reforma agrária é algo importantíssimo de se realizar no Brasil, mas sempre me pergunto se o caminho que o MST está percorrendo vai garantir esse objetivo, será?
Se alguém for procurar quais os argumentos do MST para ter destruído os pés de laranja vai, pelo menos, parar para pensar um pouco... A fazenda pertence a Cutrale,que é uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, a cada três copos de suco tomado no mundo, um foi produzido pela Cultrale, que vêm adiquirindo empresas estrangeiras, e é frequentemente acusada de cartel por outros produtores de laranja. O MST levantou dados de que fazendas ocupadas pelo movimento, que fazem parte do grupo Cutrale, são áreas ilegalmente ocupadas pela empresa, uma vez que a fazenda está localizada em uma região onde 10 mil hectares de terras pertencem à União, então a empresa está sediada em terras do governo federal, o INCRA já havia se manifestado denunciando que à ocupação de tais terras pelo latifúndio dos Cutrale é ilegal. (isso quem esclareceu foi uma pessoa ligada ao MST,que não foi ouvida pela mídia, claro). Então,quem invadiu primeiro a terra da União foi a Cultrale, o MST só veio fazer isso depois? Parece que sim e isso está de pleno acordo com a ideologia defendida pelo MST de lutar contra o predomínio de latifúndios,entretanto, sair destruindo laranjais- sem ter recomeçado imediatamente a plantar o feijão prometido para brecar a monocultura- e ficar pichando muros são manisfestações infantis que são usadas nas greves da USP e que só podem levar a indignação da sociedade (que como sabemos, morre de medo de entrar em contato com algumas coisas como a questão fundiária e com esse tipo de atitude do MST, acabam achando alguma legitimidade para esse medo... péssimo!)
Por outro lado, claro que eu fico sem palavras com as opiniões apresentadas pela mídia,como sempre...O Alexandre Garcia, nesta manhã, entoou um verdadeiro discurso indignado pela existência e permanência de ORGANIZAÇÕES AUTÔNOMAS QUE SE APRESENTAM COMO MOVIMENTOS SOCIAIS, COMO O MST...E o direito da livre manifestação? Péssimo isso de pensar e agir com arbitrariedade.
Assim,sou eu é quem fica com medo, medo de ignorância paga com mais ignorância e arbitrariedade paga com mas arbitrariedade... nessa luta por saber quem é o mais hostil, e as questões fundiárias e trabalhistas acabam ficando à margem e são usadas por interesses politiqueiros de todos os lados.
Assim, todos perdem e, como sabemos,os mais fracos perdem mais.. mas quem são os mais fracos, mesmo?
Tô confusa, eu sei,mas eu acho que é uma questão para ser muito discutida, muito mesmo, mas como a luta para saber quem grita mais, vamos apenas ouvir ruídos demais!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Choverá que laranja? Que pomo? Gomo? Sumo? Granizo? Maná?

A necessidade de migrar para sobreviver é, ao meu ver, o que define a História do Brasil, como já falei mil vezes.Isso não é muito estudado ainda, não tanto como eu acho que deveria...
O Chico Buarque me irrita diversas vezes, como todo mundo sabe, mas ele tem coisas muito boas, admito, entretanto se ele só tivesse escrito a letra de "Levantados do chão" já bastaria para que ele fosse reverenciado eternamente, pois trata-se uma música sintentizadora de diversas sensibilidades ou reflexões.
Não falo apenas da referência direta ao romance militante de Saramago - Levantado do chão - que foi publicado em 1980 e depois interpretado por Teresa Cristina da Silva como uma "epopéia campesina"; nem do contexto MST do fim dos anos 90/começo dos anos 2000 e nem só do livro Terra de Sebastião Salgado, para o qual ela foi composta...falo de como todas essas possibilidades de visão foram perdendo a importância e hoje em dia eu tenho a impressão de que já parecem coisa do passado, ou sem importância.
Mas nunca poderei me esquecer da primeira exposição de fotos do Salgado, que vi em 2000 aqui no SESC Pompéia, a respeito do lançamento do livro "Retratos de crianças no Exôdos", que fcou em mim para sempre, por isso eventualmente essa memória me leva de volta a ela ... são apenas crianças, mas são mais fortes que todos, o que se vê através dos olhos...
Eu gosto especialmente dessa foto:

A família deste menino sofreu 18 expulsões violentas, a foto foi tirada no contexto da 19a expulsão, em 1986. Texto e imagem no livro Terra de Sebastião Salgado e eu queria muito saber como ele está? Será que vivo? Será que alguma coisa preencheu essa coleção de anulações?Será que a menininha que ficou sabendo durante a marça dos Sem Terra de 2004 que nunca tinha comido uma refeição completa, o que ela não sabia porque a gente não sente falta concientemente daquilo que não conhece...
Isso me leva o poema de Drummond:"mas viveremos..."
Apesar de tudo.