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domingo, 8 de janeiro de 2017

Uma viagem panorâmica sobre meu interesse em pesquisa sobre infância e criança

Retrato meu feito pelas crianças da escola Lumiar em 2004

EU E AS CRIANÇAS - Como pesquisadora, sempre me debrucei sobre estudos de cultura e alguns temas me interessaram muito. É o caso das crianças e infância. Minha primeira experiência nisso foi logo que me formei e fui trabalhar com crianças numa oficina oficina sobre Guimarães Rosa na Escola Lumiar de São Paulo (2004-2005),depois fiz mestrado sobre  outras temáticas e só voltei a repensar esta experiência em 2009, quando iniciei meu doutorado sobre infância na escritura das estórias de Rosa (2009-2014), o que me proporcionou muitas experiências sobre, como ter feito estágio com as crianças estágio junto ao Projeto Piá da FEUSP (2010), assistir  vários Workshops com pedagogos e pesquisadores da Aliança Pela Infância no Parque do Ibirapuera (2013 e 2014) e ter participado de congressos sobre Literatura Infantil, como o 1o. encontro de produções literárias e culturais para crianças e jovens na FFLCH  (2010) e o Congresso internacional de Literatura infantil na PUCRS em Porto Alegre (2012).Também em 2012 eu assisti ao curso de extensão História da Infância na PUC SP, e que em 2013 me levou a ser convidada para ser membro do Grupo de Trabalho História da Infância e da juventude Anpuh SP, do qual ainda participo.Em julho de 2014 eu participei de um bate papo com professores de Educação Infantil no CEI Vila Calu, em Itapecerica da Serra.Resgatando toda essa experiência, em 2015 comecei o pós-doc sobre as anedotas infantis de Pedro Bloch  (2015-2017), onde eu comecei a pensar na autonomia das crianças expresso por certa produção humorística.Ai que comecei a pensar em humor ...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nota de pesquisa 2 : A questão do recorte nas fontes


No meu pós-doc, evidentemente, não poderei estudar todas as colunas do Pedro Bloch nas revistas desde a década de 1950, porque não dar tempo de ver tudo, ia ter que fazer um recorte, mas como?

Primeiro pensei em deixar de lado a revista "Pais & Filhos" porque eu não tinha ideia de quando ele publicou lá, mas eu não gostaria de abandonar essas fontes porque ela é mais voltada ao universo infantil e acho que ela combina muito com o que Pedro propunha sobre crianças...mas tinha preferido a Manchete (revista totalmente de adultos).
Mas ai repensei tudo: como vou ter mesmo que fazer um recorte radical, melhor consultar um período curto de cada resvista... a Manchete nos anos 1970 (quando Bloch publicou mais livros para crianças e me interessa aquele ideário sobre crianças como interlocutoras sociais que surgiu naquela década...

Pesquisando no Google vi que as contribuições para a "Pais e Filhos" datam da década de 1980 (quando Bloch já era reconhecido autor infantil). Acho que vai dar para cumprir , de alguma forma, aquilo que me propus no pós-doc.



sábado, 4 de junho de 2011

GUIMARÃES ROSA : MINHA PAIXÃO!

Eu sei que pesquisa é uma coisa científica e eu tenho que ter uma atitude racional tal...mas como é que eu posso não me emocionar MUITO consultando os arquivos de Guimarães Rosa? Aquilo faz tudo (anos e anos de dedicação e sacrifícios...) ter valido muito à pena!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Meu sonho de anos

Faz muito tempo, muitos anos mesmo que eu tenho um sonho: Ligar Crianças e Guimarães Rosa...
Se eu for pensar mesmo, talvez desde quando eu mesma era criança e entrei em contato com Rosa.
Quando entrei no mestrado tinha uma espécie de projeto sobre Rosa (ligar sua escritura a História), mas eu pensava que um prosseguiimento natural seria trazer as crianças junto também... que é o que estou propondo no doutorado.
Eu amo essa idéia, de paixão.
Pena que muitas vezes só eu a ame assim, mesmo que a maioria das pessoas ache muito bonitinho e tal... eu acho mais: acho importante, acho original, acho divertido (por que não?).
Cada NÃO que eu recebo me faz rever tudo de cabo a rabo e no final eu concluio que a melhor parte é mesmo essa idéia , que é mesmo muito lindinha... uma pena que nem todo mundo consiga tocá-la.
Mas sonhos são sonhos, nem todo mundo acredita neles, né?
Desculpem o desabafo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

AMOR PELA TEORIA DA HISTÓRIA

Estagiei em Teoria da História este semestre, então escrevi um relatório que me fez descobrir que eu adoraria ser professora desta disciplina. Concursos de universidades pelo Brasil afora: aguradem-me! Vejamos momentos do meu relatório:

"...Estagiar na disciplina Teoria da História II foi uma oportunidade fundamental para mim, como aluna de doutorado, cuja pesquisa questiona exatamente as ligações entre epistemologia e produção de narrativas no Brasil do século XX.
Serei docente de História, em nível superior, e sinto que este estágio me forneceu bastante base para tanto. Isto porque , ao discutir com o professor ministrante da disciplina o que estávamos considerando como “Teoria da História” e observar as experiências propostas por ele em aula, maravilhei-me com a ideia de que esta disciplina deve funcionar como um exercício constante que busque tornar possível o despertar para a historicidade do conhecimento. Isso acontecia quando o professor conseguia diminuir ao máximo a diferenciação entre ensino e pesquisa na aula, pois ele refletia constantemente sobre esse assunto e me fazia refletir também e, claro, estas reflexões acabava sendo expostas aos alunos.
Para mim, foi importante pensar como a proposta de reflexão constante sobre o tempo exercitada nesta disciplina colocou aos alunos a importância dos questionamento dos benefícios ou malefícios da sobrecarga de informações rápidas com as quais estamos crescentemente submetidos, graças ao advento de novas mídias como a internet - que foi muito bem utilizada na aula, não deixando que nenhum aluno ficasse alheio à construção e atualização da disciplina. Entretanto, normalmente estas novas mídias funcionam em um ritmo desenfreado de aquisição de informações aos quais os alunos de nível superior também estão submetidos constantemente, o que acaba produzindo uma espécie de anulação da “duração” no processo educacional - já que só é possível educar quando se respeita o ritmo e o tempo dos educandos, pois a própria idéia de conhecimento não tem relação com a percepção imediata, mas sim com a reflexão e discussão do mundo, a cada novo instante. Isso leva tempo, e tempo já não temos mais. Mas, ao menos nas aulas de “Teoria da História”, essa reflexão foi proposta e executada.
Se pensar é selecionar o que pode ser esquecido, o educador deve executar este exercício e treinar os alunos para que este processo se efetue bem. Ensinar História, como disciplina, é despertar a curiosidade e propor que se descubra, usando uma expressão de Italo Calvino, “que história aguarda, lá embaixo, seu fim?”[1], pois a História não é uma linha do tempo retilínea, mas sim assemelha-se mais a uma grande construção narrativa, moldada de outras tantas outras narrativas, que apresentam vários sentidos a serem procurados na reflexão sobre verdades e possibilidades, ou como dizia o primeiro texto “Pequena Antologia” disponibilizada pelo ministrante da disciplina, que foi tema da primeira questão da prova da disciplina : "Não vejo saída fácil para escapar do duplo risco do passadismo e do presentismo, exceto viajar para a frente e para trás através dos séculos, em busca de novas perspectivas. Mas esse, tal como o entendo, é o valor da história: não ensinar lições, mas fornecer perspectiva."[2] Isso vale tanto para a atividade de pesquisa, como também para a atividade docente.


[1] Italo CALVINO. Se um viajante numa noite de inverno. São Paulo: Cia das Letras. 1999.P. 248
[2] Robert Darnton, Os dentes falsos de George Washington; um guia não convencional para o século XVIII. São Paulo: Cia. das Letras. 2005. Pp. 11-12

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

EDUCAR É DESPERTAR APTIDÃO PARA A SELEÇÃO DE INFORMAÇÕES

Ontem assisti a ultima parte do concurso para a vaga de professor titular na cadeira de Teoria da História da USP. Apesar de não ter assistido a aula ministrada (que teve como tema a narrativa humorística da história e pelo que soube sintetizou o conteúdo do curso de pós em história que eu assisti no ano passado), trouxe algumas pérolas...
Primeiro a definição de "Teoria da história" como sendo um exercício que torne possível o despertar para a historicidade do conhecimento. Isso deve acontecer quando o professor consegue diminuir ao máximo a diferenciação entre ensino e pesquisa na aula, pois reflete e faz os alunos refletirem a respeito da sobrecarga de informações rápidas com as quais estamos crescentemente submetidos com o advento de novas mídias como a internet. Este ritmo desenfreado acaba produzindo uma espécie de anulação da duração no processo de educar, já que só é possível educar quando se respeita o ritmo e o tempo dos educandos pois a própria idéia de conhecimento não tem relação com a percepção imediata, mas sim com a reflexão e discussão do mundo, a cada novo instante. Isso leva tempo, tempo que já não temos mais. Se pensar é selecionar o que pode ser esquecido, o educador deve executar e treinar para que este processo se efetue bem. Pois alguém já disse que não se ensina o que se sabe, mas se ensina o que se é.
Como eu sempre me enxerguei mais como uma pesquisadora que estava dando aulas do que como uma professora (não encaro isso como uma diferenciação hierárquica, mas apenas como uma diferenciação de sensação), me senti menos culpada, mesmo que eu mesma não estive imitando diretamente nenhuma receita, apenas refleti sobre as realidades com as quais entrava em contato... como professora de humanas no Estudo Orientado,sentia que o que se pedia de mim era muito menos os conteúdos do que de uma postura, um discurso, um acolhimento e assim consegui algum resultado.
Em momentos como os que eu vivi ontem eu percebo que aquele professor que agora é titular executou muito bem a sua tarefa, pois eu recebi seus estímulos como aluna e quando mudei de posição e comecei a educar, acabei não saindo muito do que eu percebi ser a forma como ele executa sua função, mesmo que eu não tenha executado essa relação direta em nenhum momento antes de ontem, quando eu redescobri porque eu ainda encontro prazer na academia, pois foi lá que eu achei um lugar de tensão, conforto e discussão que ainda satisfaz meu cérebro pensante... assim vou tentar seguir meu rumo, respeitando meu tempo, pois um discurso riquíssimo como o que eu ouvi ontem só foi possível depois de uma vida toda de respeito as durações do aprender e do educar, quem sabe daqui umas décadas, não é?