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terça-feira, 25 de agosto de 2015

História em Walter Benjamin

"A recepção de Benjamin, principalmente na França, estava voltada prioritariamente para a vertente estética de sua obra, com uma tendência a considerá-lo sobretudo um historiador da cultura. Ora, sem neglicenciar esse aspecto de sua obra, é preciso reconhecer o alcance muito mais amplo de seu pensamento, que visa nada menos do que uma nova compreensão da história humana. Os escritos sobre arte e literatura podem ser compreendidos somente em relação a essa visão de conjunto que os ilumina a partir de dentro. Sua reflexão constitui um todo no qual arte, história, cultura, política, literatura e teologia são inseparáveis"
 Michel Löwy. Introdução a 'Walter Benjamin: aviso de incêndio- uma leitura das teses sobre o conceito de história", p. 14  

Concordo com o exposto. Mas, como  historiadora,  o Benjamin 'historiador da cultura' me chamou sempre a atenção, claro,  mas o que me encanta mesmo é  sobretudo o teórico. É pelas especulações teóricas que eu penso ser possível abordar todos os aspectos possíveis no que tange a arte, história, cultura, política, literatura e teologia. 
Além disso, essa teoria também pode abrir caminho para se pensar uma outra modalidade que, à época benjaminiana, não era assunto de interesse da historiografia: a história da criança.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma amostra "metodológica" de como eu encaro a pesquisa das relações entre História e Literatura

"A postura, hoje difundida, em relação às narrativas historiográficas me parece simplista porque examina, normalmente, só o produto literário final sem levar em conta as pesquisas (arquivísticas, filológicas, estatísticas etc) que o tornaram possível. Deveríamos, pelo contrário, deslocar a atenção do produto literário final para as fases preparatórias, para investigar a interação recíproca, no interior do processo de pesquisa, do dados empíricos com os vínculos narrativos.Há muitos anos, Lucien Febvre observou que as fontes históricas não falam sozinhas mas só se interrogadas de maneira apropriada. Hoje isso nos parece óbvio. Menos óbvia é a observação de que as perguntas do historiador são colocadas sempre, direta ou indiretamente, em formas (destaco o plural) narrativas. Essas narrações provisórias delimitam um âmbito de possibilidades que, freqüentemente, são modificadas ou até descartadas no curso do processo de pesquisa. Podemos comparar essas narrativas a instâncias mediadoras entre questões e fontes, as quais influem profundamente (ainda que não de maneira exclusiva) sobre os modos pelos quais os dados históricos são recolhidos, eliminados, interpretados - e, por fim, naturalmente narrados. "
GINZBURG, Carlo. Decifrar um espaço em branco. In: Relações de força: história, retórica, prova.São Paulo: Cia das Letras. P.114

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

'Tempo Rei' e Teoria da História

Estou achando,por enquanto, que fazer doutorado na área de Teoria da História é como ouvir umas músicas do Gilberto Gil, que sempre estão meditando sobre o tempo e os tempos que vão se seguindo...
Começando com Parabolicamará,trazia os primeiros pensamentos sobre as novas relações entre Tempo - o da "onda luminosa" que, para transmitir informações, levava "o tempo de um raio, tempo que levava Rosa pra aprumar o balaio quando sentia que o balaio ía escorregar"... isso em um baião super dançante "ê, mundo dá volta, Camará!"
E depois a genial Tempo Rei:



Eu acho que a gente estuda História (especialmente a Teoria da História) para levantar questionamentos assim : "Tempo Rei, Oh Tempo Rei!Transformai as velhas formas do viver ensinai-me Oh Pai! O que eu, ainda não sei"
Ninguém, sozinho, poderá resolver todos os problemas da História do Brasil, mas nos vale levantar questionamentos, sem sermos bruscos ou formalistas , o que significaria uma crença errônea na absoluta capacidade humana de viver somente a partir do racional ... como pensaríamo, então, nossa cultura baseada na cordialidade e em tudo o que isso acarreta de bom e de ruim (como nos alertou Sérgio Buarque), como poderíamos analisar as coisas apenas pelo racional (por exemplo, como um estudioso de um músico como Tom Zé conseguiria um bom resultado se apenas assistisse aos seus shows sentado e analisando racionalmente? E as outras linguagens que ele desperta para serem desenvolvidas - a dança, os ritmos, etc?)
Um dos pontos chave dos estudiosos é perceber um espaço ótimo entre ele e as fontes, sempre descoberto a partir de tentativas de aproximação e afastamento: mobilidade de perspectiva é uma noção importantíssima para o Historiador da Cultura...
No Brasil, questionamentos claros podem estar expressos em letras de canções (como não cansa de dizer Luiz Tatit) e aí não é preciso falar alemão para filosofar, mesmo que a própria canção de Gil nos lembre que a quaqlquer momento o pensamento "poderá não mais fundar nem gregos, nem baianos"... e então?
Então sigamos, lembrando que Guimarães Rosa respondeu em uma entrevista que brasilidade seria um "sentir pensar"... se é assim, porque nós precisamos interpretar a História da Cultura do Brasil como se esta fosse um "pensar sentir"? Não é! É primeiro um sentir e muitas vezes só um sentir, é preciso prestar atenção nisso pra que depois possamos pensar sobre...
Chega, né?
Bom fim de semana a todos os meus possívies leitores !