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sábado, 24 de maio de 2025

Mães paralelas , Almodóvar

 

Na minha semana de passeio em Niterói,numa tarde livre no sábado, tive a oportunidade de assistir,pela TV, ao filme de Almodóvar que ainda não tinha visto , o "Mães paralelas"(2022), o que veio depois da pandemia e depois do belo e melancólico "Amor e glória".

Nesse filme Almodóvar parte de uma questão que muito me interessa, que é o resgate dos restos mortais de desaparecidos durante a Guera Civil espanhola e que são antepassados procurados pela  da protagonista Janis, papel bem interpretado dela bela e talentosa Penélope Cruz.

Em meio à busca do local onde estavam os restos mortais de guerrilheiros da família, Janis conhece um arqueólogo e engravida dele. No parto, conhece a jovem Ana, adolescente que está muito infeliz por estar se tornando mãe tão jovem, sem apoio da família ou do pai da criança.

Janes e Ana se acolhem e vivem juntas os primeiros momentos da vida de seus filhos, até que um deles morre e o roteiro as coloca juntas e  em confronto de forma surpreendente.

Não é um dos melhores filmes de Almodóvar, mas vale assistir, especialmente porque não retoma o fundo melancólico de fim da vida de "Dor e glória", apostando mais em um resgate da História, com citação do E.Galeano e tudo mais.

Outro ponto de destaque é que neste filme Almodóvar volta a um de seus temas centrais, as questões da mãe, figura forte, amantissima e falha. Não se compara ao maravilhoso "Tudo sobre mi madre", mas são narrativas e tocam muito a toda gente.

Bom mesmo foi reencontrar aquele ambiente belo dos filmes de Almodóvar, aquelas cores fortes,  como sentia falta delas. No entanto, nesse filme,uma cor mais clara, quase pastel eu diria, mancha as cenas : um verdinho de cura, apaziguador.

Sou muito grata pela oportunidade de ter assistido a esse filme, mesmo que tardiamente.


sábado, 29 de junho de 2019

Dor e Glória : O Outono alaranjado de Almodóvar

Um registro perdido no tempo

Nesta última semana assisti  mais um filme de Pedro Almodóvar, o  Dor e Glória, na companhia de uma grande amiga e, como sempre, foi uma baita experiência. Fazia tempo que não ia ao cinema  e sobretudo fazia tempo que não via um Almodóvar, por isso praticamente pedi a uma amiga, que tem o mais belo olhar sobre as coisas que eu conheço, para assistir comigo. Fomos no famoso cinema da Augusta, hoje Cine Itaú, o antigo Espaço Unibanco e regressar àquele lugar que foi tão meu, onde vivi tantas experiências cinematográficas, foi como voltar a uma vida que eu achei que não existisse mais, mas ela existe e eu posso participar dela, ainda.
 Sobre o filme, deixei passar alguns dias, para o impacto esfriar um pouco e ainda acho que poderia falar de alguns temas interessantes, como os atores, a questão do desejo, as lembranças da infância, mas sobre tudo isso tantos já falaram com mais propriedade que eu que eu quero apenas deixar um brevíssimo comentário sobre a mudança estética  que eu vi ocorrer  nesta obra .
Continuamos vendo um filme no qual as  famosas "cores de Almodóvar", por si só, já dizem muito e são, sem dúvidas, personagens da película. Mas estas estão diferentes. Os tons mais usados são os azuis  e os vermelhos, mas ambos se apresentam mais frequentemente em tons  menos quentes do que de costume. Seja na caverna onde o personagem principal morou quando menino, ou na casa mal iluminada que vive na maturidade para afastar as crises de enxaqueca, a luz, que destaca a cor, é economizada, como se estivéssemos mesmo num alaranjado pôr do sol.
Seria o outono da cinematografia de Almodóvar?Vejamos algumas imagens:




Cores se diluem no começo do filme.
A mãe: flores

O reencontro: tons mais claros
Paisagens oníricas: vermelho e Amarelo formando o alaranado pôr do sol



Muito azul e vermelho em todo o cenário


Azul e vermelho na casa



A infância: pontos vermelhos
Edoardo: O desejo é um espaço em branco