Como eu já falei muitas vezes, eu gosto muito do livro "Infância berlinenses, 1900" editados no Brasil em 2013. Muita gente não gosta, acha fraco, etc... mas eu acho muitas coisas naquela edição. Vamos ver um trechinho dela :
Este foi um dos trechos retirados por Walter Benjamin das versões originais mais conhecidas de seu livro "Infância Berlinense, 1900" e que constam nos anexos da edição brasileira da Editora Autêntica. Eu só conheço esse livro, mas sei que a Autêntica tem (re)editado também outras obras benjaminianas e, tomando por esse livro, eu continuo dando o maior valor a essas edições. Especificamente sobre o "Infância...", ela me apresentou dados que nós, aqui no Brasil, desconhecíamos (como correspondências,fontes de jornal, manuscritos que nos dão conta de acompanhar minimamente o ritmo da escritura ... coisas de total interessa a historiador). Não acho que essas coisas se apresentam para contrapor ou se sobrepor ás traduções que tínhamos aqui,e muito menos às interpretações de Benjamin mais conhecidas no Brasil ( Jeanne Marie Gagnebin ou Michel Löwy), até porque o forte deleas não é a interpretação, mas a pesquisa de Barrento que nos trazem faces das "notas e materiais" de Benjamin (lembrando a terminologia de Willi Bolle) referentes a composição do texto de "Infância...". É um prato cheio aos que se interessam pela morfologia da história...
Sobre este pensamento, considero-o simbólico do ideário do começo do século XX, especialmente lembrando as descobertas de Freud e etc...
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sábado, 14 de junho de 2014
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
DOCUMENTÁRIO: Guimarães Rosa : O mágico das palavras
"...então o Guimarães Rosa, através do sertão, entra dentro do coração selvagem da língua, no caso o português, mas é algo a mais do que o português do Brasil, quem já fica enriquecido de elementos de todas as linguagens: é o fenômeno da linguagem humana." Willi Bolle (47'51" - 48'15")
"... Guimarães Rosa incorpora à linguagem culta a pala popular. Um outro recurso técnico é que Guimarães Rosa desenvolve a sensação para a língua, como algo que está ainda se construindo, algo que não está pronto..."Willi Bolle 18:10 - 18'35"
"... aquele elementos todos: biblioteca, cadernetas de viagem, listas de palavras ajudam, são elementos subsidiários para entendermos o processo de criação. Mas, na câmara íntima da criação de Guimarães Rosa eu acho que ninguém penetrou." Willi Bolle 21'28" - 21'51"
"... aí está um desafio para a classe culta brasileira, que se acha tão acima do universo da cultura popular, que é tolerado, como uma coisa interessante, mas não realmente admitido. Esta postura é radicalmente questionada pela introdução deste interlocutor (mudo e letrado de Riobaldo em Grande Sertão Veredas) a quem Guimarães Rosa ENSINA A OUVIR" Willi Bolle 37: 41 -38:10
Será que eu gosto do Willi porque ele tem esta leitura do Rosa, ou eu tenho esta leitura do Rosa porque ele tem? Depois de tantos anos, tudo já se confundiu para mim! rsrsrs
Mas, em minha tese, cada vez mais emerge uma hipótese que se torna cada dia mais sólida: o humano é o estabelecimento de uma relação (sempre complexa) com a linguagem. Isso é história, estória (conta história)... é humano, travessia!
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Um instante lendo Bolle com Luiz Costa Lima ...
Em uma resenha do livro "Grandesertão.br" escrita em 2005, Luiz Costa Lima nos diz:
"Willi Bolle tem seu mérito, muito raro entre os estudiosos da mesma direção, de reconhecer a função do ficcional. Permanece, contudo, fundamentalmente ligado à abordagem documentalista que tem marcado a literatura e os estudos literários latino americanos e brasileiros, desde o XIX. Por isso não estranha que o paralelismo com os mais famosos 'retratos' do país reduza o romance rosiano a colaborador de seus resultados"LIMA, Luiz Costa. Riobaldo: culpa e luto. Revista USP no. 65, março/maio2005, pp.189-93
Quando li esta resenha eu estava começando o mestrado e tinha me alimentado demais do livro de Bolle. Uma das questões que eu coloquei na época foi : Por que Bolle problematiza várias possibilidades de diálogo entre o romance de Rosa e as vertentes mais recentes da historiografia, como a Micro História - se afastando da tradicional narrativa da História - e até dá um super salto (mortal?) lendo,com a profundidade de um especialista, o romance a partir da historiografia de Walter Benjamin - que seria uma perspectiva ainda mais avançada -, para no final todo aquela obra literária monumental que é o Grande sertão : veredas (com suas referências, sons, imagens, ficcionalidade...) ser resumida a mais um Retrato do Brasil?
Como podem ver, Costa Lima me deu a resposta na citação acima e, de quebra, me mostrou caminhos dificultosos de serem trilhados por interpretes de literatura; além disso, também apontou caminhos a serem trilhados que percorro até agora, com o de destacar o caráter ficcional no texto rosiano e, a partir disso,falar de História ...
O cara é um mestre mesmo!
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sábado, 1 de dezembro de 2012
Abraçaço (do e no) Caetano Veloso!
A capa do mais novo álbum de Caetano Veloso, assinada por FernandO Young
(não confundir com Fernanda Young, please), que representa o título do disco: um abraçaço!
Divulgando a capa tão significativa e carinhosa e a lista de faixas :
1. A Bossa Nova É Foda
2. Um Abraçaço
3. Estou Triste
4. Império da Lei
5. Quero Ser Justo
6. Um Comunista
7. Funk Melódico
8. Vinco
9. Quando O Galo Cantou
10. Parabéns
11. Gayana
2. Um Abraçaço
3. Estou Triste
4. Império da Lei
5. Quero Ser Justo
6. Um Comunista
7. Funk Melódico
8. Vinco
9. Quando O Galo Cantou
10. Parabéns
11. Gayana
Caetano Veloso, aquele lindo, comemora agora seus 70 anos, recheado de homenagens merecidíssimas e lançando seu último álbum intulado Abraçaço, termo que ele mesmo explica lindamente assim:
"— Abraçaço é uma palavra muito bonita e tem essa reverberação, parece um eco, mais ainda quando escrito, esse a-ce-cedilha duas vezes. É como se fossem círculos concêntricos de abraços, que vão se expandindo. Não é apenas grande ou maravilhoso como é um golaço, por exemplo. É expansivo. No disco, o abraçaço abarca desde cena íntimas até o fato que "o império da lei há de chegar ao coração do Pará". Caetano Veloso, entrevista ao Globo em novembro 2012.
Adoro quando Cae comenta música a música como nesta entrevista (coisa que ou ele nem sempre faz, ou eu que acabo nunca tendo acesso). Eu ouvi poucas coisas do novo disco por enquanto, mas quando ouvi a música "O Império da Lei" claro que identifiquei de imediato a referência ao assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005 e, consequentemente, isso me fez relembrar do alerta do Willi Bolle na época : esse universo sem lei, onde até Deus, se vier, que venha armado, do Grande Sertão : Veredas, não está morto no Brasil do século XXI. É o Caetano tocando o dedo na ferida novamente, colocando-se, sem querer agradar...
Acho ótimo, e sintomático, termos um artista como Caetano no Brasil, que tem suas opiniões e não tem medo de remodelá-las, nem de ser polêmico em alguma parte do processo de reflexão. Pensa e faz pensar. Penso que precisamos de gente assim, por isso ele é meu "ídolo", afinal com ele não preciso concordar com tudo o que ele pensa ou faz (não é um modelo de vida), é um incentivador da reflexão ... e é um puta de um poeta! Agrada tantos e também desagrada na mesma medida. Quem precisa de unanimidades?
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segunda-feira, 2 de março de 2009
É HORA DE RECOMEÇAR A TRAVESSIA?
Ando em um estado de constante angústia,deseperador! Não sabia se alguma coisa ia me salvar dessa sensação de afogamento... pensei que seria o projeto de doutorado (nem a pau!), pensei que fosse o romance de Saramago (até foi, mas acabou ... e agora?), pensei que fossem os livros deliciosos sobre crianças (aventuras de Alice, Pinóquio...muito leves para combater tanta angústia).
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