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quarta-feira, 3 de julho de 2024

Gaia Wilter e Jacques Morelembaum homenageiam Caetano no Instrumental



 Mais um instrumental. Dessa vez saí de casa e fui bem vestida e quentinha


Estava tudo bem e tal, nada de atrasos, mas chegando no Teatro Anchieta, conversando com minha amiga que trabalha lá, senti e ela me enxergou: era de Oxum ! Conversamos

DIALOGO DA SEMANA: 
"-Você é uma mulher bonita, interessante, mas não tem sorte no amor. É de Oxum, né?
"-Sim. Tenho amor próprio!

E mais... tinha feito stories lembrando do ex, sem saudades,  no Instagram

                                           

CANTANDO PRA SUBIR: Juro que não foi de propósito! Eu só queria vestir marrom e vermelho, porque adoro e estão na moda nesse inverno. Quando me viu, minha amiga disse:
 "Você está vestida de marrom, cor  da justiça no Axé."
"Verdade, marrom e vermelho,as cores de Xangô "
Coisa de ex!🙄
Mais cedo eu já tinha lembrado dele  nos stories do Instagram, mas o inconsciente achou que foi pouco e me vestiu pra Xangô! 
Tô cantando pra subir."

Estava bem mexida, mas nunca estamos preparados pra beleza que foi o show, que você pode assistir aqui


Eu tirei umas fotinhas, mas não muitas, estava mesmo muito emocionada 






Depois escrevi meu comentário rápido no ônibus, na volta 





Como sempre, foi maravilhoso.

Amei as homenagens ao Cae à época de seus 80 anos 


Gratidão!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Sábado de carnaval 2023 Tarado Ni Você


 
Meu primeiro bloco. Será meu queridinho para sempre porque Caetano é foda

eu no bloco

Na concentração

tarada ni você

Eu e a Pati 




Sempre vi o Sakamoto no Tarado, mas nunca tinha reparado nas fantasias:
Depois ele mesmo comprovou autenticidade da foto:



E eu, sempre molhada nesse sábado de Carnaval:


À esquerda saindo de casa sem terminar de me arrumar
À esquerda, quando voltei, depois de tomar chuva
Pareço quase igual 

Depois :

No coração da cidade

Sábado de Carnaval 28/03/2023 : Bloco Tarado Ni Você
Prits dos stories. Lembro de como estava cantando alucinadamente na hora e me emociona tanto. Tarado é uma catarse, que delícia. Caetano é foda ❤️

Prints dos stories do Bloco
                                           
Prints dos stories do Bloco

Prits dos stories

Prits dos stories

Prits dos stories

Registros :


E também:




Brincar o carnaval porque carnaval é luta lenta 



falei Faraó

Samby Jr


Pois é 



             Viva a Gal 

CARNAVAL É LUTA




quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, mas as leria neste romance?

 

Só boas recomendações sobre este livro de Marçal Aquino, foi meu “contemporâneo” do mês de novembro porque adorei o título! Ele chegou aqui em casa no dia do meu aniversário. embrulhado pra presente, expectativa não me faltava. Mas como dizem, expectativa é mãe da decepção, né? Será que foi o caso? Vejamos minhas impressões de leitura.


Poxa, agora que concluí a leitura, é estranho lembrar que minha primeira referência foi  Milton Hatoum! Depois não pensei mais nele, não vi necessidade. Esse ponto que destaquei, do filme ser muito imagético, parecendo até um roteiro de cinema, é mesmo verdade. Gosto especialmente das cenas na pensão da dona Jane, onde o narrador de grande parte do romance, o Cauby, interage com o homem careca, que conta sua dramática história de amor a um menino e o fotógrafo, espertamente, faz uma analogia com a história central do romance entre ele e a Lavínia.  Se eu fosse cineasta, faria um curta dessa história, ficaria bonito. Mas minha dificuldade em engrenar na leitura apareceu logo:

EU RECEBERIA- Passado o primeiro contato bastante positivo com o livro de Marçal Aquino,  constato que a leitura não flui tão bem nas primeiras 50 páginas. Sei que é melhor comentar só quando estamos perto ou passamos a metade do livro, mas tanta expectativa em torno dele me dá a sensação de que passei da hora certa de ler esse livro, isso me obriga a tecer alguns comentários agora. Menos poético (às vezes até cafona, talvez propositalmente, como que dialogando suavemente com o universo tecno brega do Pará? Uma palavra muito usada no início é "eletricidade"...) do que eu gostaria e ele prometia, gosto muito dele  ser um livro centrado na fotografia, no olhar fotográfico para a vida (está na capa e até o amor é sutilmente construído a partir dessa chave), acho original e divertido tantas citações a palavra "filme" fotográfico, mas a leitura não me arrebata como eu gostaria. Espero que quando chegar na metade a sensação melhore, porque abandonar a leitura eu não vou...

Acontece que a vida me chamou e eu acabei tendo que deixar o livro de lado por um tempo, mas quando  voltei  comentei: 

EU RECEBERIA - Depois de uns dias fora, volto pras histórias do Cauby. Não sei porque, não confio muito nele, sempre acho que ele vai se revelar um vilão e esse amor por Lavinia, romântico demais até pra mim, me cheira a disfarce. Não é que não fui com a cara dele, achei só um chatinho, mas algo me faz desconfiar de suas boas intenções... Veremos!

Mas seguia lendo o livro, que ao contrário da impressão inicial, não é poético e nem prende a atenção da gente na leitura como eu gostaria. Até que cheguei na metade



Acho o Cauby um chato. Paulistano (tinha que ser), está no Pará, até curte, mas não se envolve, é tudo tão fake, fica fumando maconha, lendo poemas e filósofos  e  seus momentos inesquecíveis são os que ele transou loucamente com a mulher ao som de Beethoven! 😵 Tudo isso poderia ser cômico, mas nem isso! Cauby é um deslocado, não é um cara mau, é só um mala paranóico na moça. Já o pastor Ernani , marido da Lavinia, é o próprio lobo mau em pele de cordeiro,  se acha o salvador da pátria e, claro, quer salvar a Lavinia, não importando o que ele precisa fazer para isso. Sobre ele eu comentei, transcrevi até um trecho (nesse livro não tem post its)  :

"Ernani achou bonita a mulher, uma das que tocaiavam clientes de um jeito dissimulado nas imediações do hotel. Gostou dos olhos escuros, pareciam misteriosos, ancestrais. Tudo poesia da cabeça daquele servo de Deus: na verdade, Lavínia estava baratinada com anfitaminas. Mal conseguia ficar em pé. Era assim que sua metade suave suportava a vida áspera que andava levando." (P. 85)
O capítulo mudou, por enquanto não estamos mais vendo a história a partir dos olhos do Cauby, o fotógrafo quarentão do tipo que "cita filósofos"🙄, mas o interesse que o rosto de Lavínia ("quase uma antiguidade") despertava nos homens continua. Como de costume nos livros de escritores homens, as mulheres acabam sendo um lindo mistério, a gente se pergunta, muitas vezes sem resposta, quem é essa mulher? Muitas vezes essa é a grande questão.

Depois tem um capítulo sobre a vida pregressa de Lavinia, meio que para tentar "explicar" o fato dela se uma mulher atribulada, que assume várias personalidades a cada momento, mas isso é bem pouco explorado. Assim como o contexto de guerra pelo ouro, que é muito interessante e importante, que explicaria melhor muitas tramas do livro, mas Marçal preferiu ficar centrado nesse amor cafona (nada contra cafonice verdadeira, mas no livro não é  autêntico) do Cauby pela Lavinia. 

Ai gente, não é que achei o livro ruim, mas tem tantos livros melhores, eu poderia ter dado meu tempo para outra obra, né? Não pude deixar de pensar isso. Até que eu, enfim, cheguei na parte final do livro :

TEMPO DA ESPERA -Poucos perceberam, mas estava sem internet desde ontem por volta das 22 horas. Fiquei muito pistola, afinal amanhã é lançamento do meu livro, cadê meu wi-fi? Pois o técnico veio resolver, descobriu que precisava receber instruções da central, então ficamos mais tempo esperando do que outra coisa. Eu, por outro lado, deixei ele absorvido com o tel da central e peguei o livro do Marçal Aquino para terminar de ler. Terminei. Com dois dias de atraso e por causa de um longo tempo de espera, meu novembro, enfim, acaba de terminar! Quando tiver um tempo escrevo no Pequenidades sobre o romance, juro q tentarei ser menos arisca do que fui nos comentários durante a leitura, porque agora (quem diria), estou até num luto por essa leitura!

Agora que estou escrevendo. infelizmente, não estou mais amistosa com o romance. Sinto falta de ler um romance, mas preferia que fosse um melhor. 


Acho que é isso!

O FILME


Como disse, temos adaptação para o cinema, com a linda Camila Pitanga como Lavinia. Não assisti, queria ler o livro antes, mas como não deu nada certo, é certo que nem vou ver. Já deu!
Mas queria saber se a dançante e instigante música "Império de Lei", do Caetano, que destaca a questão da violência da guerra entre os seringueiros e a mineradora, que foi e é a realidade dessa parte do Brasil, foi feito para ser trilha desse filme ou não. Mas é o próprio Cae quem respondeu em duas entrevistas :

"Vendo o filme ["Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios"], fiquei muito emocionado e pensando nessa situação do interior do Pará, que a gente acompanha pela imprensa há muitos anos, com a sensação de que o império da lei ainda não pôs seus tentáculos ali de modo firme. No filme, Dona Onete canta sobre uma batida, eu queria essa batida para essa música. Falei com a banda, e eles entenderam logo. No filme,  a batida estava discreta, eu queria trazê-la para a frente. Queria algo bem forte, pra ser um brado mesmo. Pelo ritmo, tem um certo caráter de canção de festa, mas é nitidamente um brado de luta." (Caetano Veloso para o Jornal O Globo, 2012).

"O Império da Lei, nasceu de eu ter visto um filme brasileiro chamado "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios". A história passa-se no Pará e há assassinatos anunciados, como aconteceu com Chico Mendes e com a freira Dorothy Stang. Usei essa expressão "império da lei", tão repetida na lista de características das democracias liberais do Ocidente, o que é meio estranho. Parece que não abandono o espírito tropicalista de deslocar palavras, imagens e ideias dos seus contextos." (Caetano Veloso para o jornal Público, 2014).  


Só esses comentários, e também a beleza da Camila Pitanga, me deu vontade de ver esse filme, vai que no filme essa guerra não fica só de pano de fundo, como é, angustiantemente,  no livro! Mas segundo esse Youtuber, o único que fez críticas mais bem construídas do livro,  compara livro e  filme, também não tem. Aff

Desculpe a impaciência de falar desse livro, mas tinha que ser sincera. 



segunda-feira, 11 de outubro de 2021

ROMANCE E ADAPTAÇÕES

 


Com o termino da Mostra de Cinemas Africanos ontem, já comecei a cumprir minha promessa de retornar ao Ojuobá. Assisti a todos os vídeos da série "Tenda dos Milagres" (1985) disponíveis no Youtube e achei bem bonito, claro. Muitos atores negros e "mestiços" (Nelson Xavier, Milton Gonçalves, Chica Xavier, Gracindo Júnior, Antônio Pompeo, Solange Couto, Joel Silva, Antônio Pitanga, Tony Tornado, Tânia Alves, Dhu Moraes.etc) se saindo muito bem e essa trilha sonora é da gente levar pra vida:

01. MILAGRES DO POVO – Caetano Veloso

02. LIVRE – Beth Bruno

03. OLHOS DE XANGÔ (AFOXÉ) – Moraes Moreira

04. É D’OXUM – MPB 4

05. ELOIÁ – Dudu Moraes

06. FLOR DA BAHIA – Nana Caymmi

07. OIÁ – Danilo Caymmi

08. AMOR DE MATAR – Tânia Alves

09. AFOXÉ – Dorival Caymmi

10. MALUCO PRA TE VER – Wálter Queiróz

Produção musical: Guto Graça Mello

Não sei se alguma dessas canções foi composta para a série, sei que o tema de Caetano  foi uma homenagem ao Jorge Amado, que teria dito em entrevista, a maravilhosa frase que abre a canção "quem é ateu e viu milagres como eu ", o que é a cara de Jorge e a alma do romance Tenda dos Milagres!  

Como é uma adaptação para TV, ela é e não é fiel ao livro. No romance temos dois tempos diferentes, o da vida de Pedro Arcanjo o intelectual orgânico nas décadas de 1920/1930 e toda a discussão (inclusive teórica, científica da época) sobre posição do negro na sociedade num país que tinha nem 30 anos de abolição da escravatura, a perseguição ao candomblé e capoeira e etc. E também tem o tempo da redescoberta de Pedro Arcanjo na década de 1960, que foi alçado ídolo da Bahia pelo Nobel em sociologia estadunidense James Dean Leverson, trazendo à tona e todo cenário ideológico binário do contexto da ditadura militar : todo mundo queria um pouquinho da memória de Arcanjo pra sua luta.
Sabemos, e nos relembra a Wikipédia, que as personagens dos livros de Jorge Amado foram baseadas em
"pessoas reais,- quando não as inseriu com os próprios nomes em suas obras. O rábula João Romão foi baseado em Cosme de Farias - um célebre defensor dos pobres em Salvador. O professor Silva Virajá era o médico também célebre Pirajá da Silva. O delegado Pedrito Gordo era o chefe de polícia Pedrito Gordilho, famoso por perseguir o candomblé e os capoeiristas.

Até o personagem principal, Pedro Archanjo, foi inspirado numa pessoa real, o negro Manuel Querino. Como no livro de Jorge Amado, Manuel Querino notabilizou-se por escrever vários livros de caráter antropológicos e étnicos (um deles sobre a culinária baiana e um outro, considerado muito importante, que traça a genealogia da elite branca de Salvador, mostrando a sua miscigenação com a raça negra). O adversário intelectual de Pedro Arcanjo é Nilo Argolo, provavelmente inspirado na figura do médico e antropólogo brasileiro Nina Rodrigues que ficou conhecido por suas afinidades com as teorias racistas de Lombroso e outros." Tenda dos Milagres

Na série global, pelo que deu para ver (20 episódios, quase tudo), temos retratado só a primeira parte, a da Bahia nos anos 30. Eles tem esse direito e a Globo sempre faz esse tipo de recorte ( depois fizeram a mesma coisa com o "O Tempo e o Vento", retiraram a parte das discussões políticas mais atuais). Sobre o Tenda, só destaco que, por exemplo, se na série Ana Mercedes vira par romântico de Pedro Arcanjo, no romance ela nunca chegou a conhecê-lo, tendo nascido depois que ele morreu , pois no romance ela é só a namorada do poeta ("vate, amante e côrno") Fausto Pena, o narrador do livro, que por alguns dólares, aceita escrever sobre como ela o traiu com o tal do nobel americano (Jorge Amado me diverte rsrs) Sobre a trilha sonora eu achei irretocável, maravilhosa, somada à imagem dos atores, a gente realmente se ambienta numa cidade "mestiça" (a ideia mestra de Jorge Amado, de sua época, e do livro) dos anos 20/30 (Salvador).

Só alguns comentários...

Sobre o filme (1977) de Nelson Pereira dos Santos,
ele é mais fiel à história original, começa com a redescoberta de Pedro Arcanjo, Ana Mercedes, namorada do Fauto Pena , no papel que lhe é devido, e ao redor do professor James Dean Leverson. Mas é bem ambientado nos anos 70, mostra o conflito sugerido no livro de Amado, mas no filme aparecem outras coisas como comícios, onde Arcanjo morre, inclusive. discute-o, mas a questão teórica fica à parte e nisso é bem ao contrário da adaptação da Globo, que é esteticamente mais bonita. No filme eu destaco apenas lindíssima cena (no livro está na p.200-2) na qual o professor Fraga Neto e Pedro Arcanjo discutem sobre a legitimidade de um cientista frequentar o Candomblé e Pedro argumenta que é possível para ele, que é mestiço e tem o objetivo compreender a cultura do Brasil, nem de branco nem de negro, mas mestiça, para a qual não basta apenas ser materialista, é preciso conciliar teoria e vida para o bem do povo e a clareza e confiança de Arcanjo vai golpeando o professor amigo com palavras, que ao final conclui que ele tem razão e deveria estar em uma cátedra na Universidade e Pedro responde que não quer subir, que anda é para frente, no filme a cena vai de (1 hora :44 minutos a 1 hora : 48 minutos).esta peleja, que sintetiza a obra, vale pelo filme todo.

Neste vídeo, a partir de 3' 25", é dito que a obra de Jorge sofreu processo de simplificação, muito devido às adaptações para TV e cinema, que acabam apagando parte das discussões colocadas nos romances, como eu coloco acima.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Caetano lê poema Logun Edé, de Eduardo Brechó

Logun Edé
Nos contam os mitos, e uma canção de Caetano, que  Logun Edé é o "menino Deus de corpo azul dourado", 
filho de Oxum Ipondá e Oxóssi Inlè ou Érinle.
No vídeo Cae lê poema de Eduardo Brechó, um poeta negro,
cuja obra cultua os orixás, membro da banda Aláfia.
Neste poema ele trata de Logun Edé: 



COISA MAIS LINDA! 

sábado, 2 de março de 2019

BRINCAR O CARNAVAL no Bloco "Tarado No Caê"

Mais um Carnaval e o Bloco Tarado Ni Você volta a me emocionar várias vezes. Depois escrevo um texto completo  sobre o desfile desse ano, mas agora preciso registrar um momento dele.

Como no ano passado, o clímax se deu na paradinha do carro de som perto do Teatro Municipal... se ano passado os foliões  tomaram completamente a escadaria do Teatro, como se fosse uma arquibancada, para cantar Vaca Profana o tema do desfile em 2018, nesse ano eles fizeram melhor: soltaram, do alto do prédio,  muitas  enormes bolas pintadas de dourado sobre nossas cabeças!
Foto Zanone Fraissat/ Folhapress , da reportagem da Folha 


Não cabe na foto o som do "Olha!" e o olhos arregalados de criança que eu vi e ouvi quando essas bolas douradas começaram a cair do alto Teatro  e todo mundo começou a jogar as bolas uns nos outros, brincar de bola, como se a infância tivesse voltado! As palmas das minhas mãos ficaram brilhando, manchadas da tinta dourada das bolas! 

Nessa hora  o Zé Ed dizia, do alto do trio:  "Tudo isso aqui, a cidade, o brilho, amor, é nosso, vamos brilhar".e  a  banda tocava o tema do desfile 2019: 



"...Gente é muito bom

gente deve ser o bom

Tem de se cuidar

De se respeitar o bom

Está certo dizer que estrelas

Estão no olhar

De alguém que o amor te elegeu

Pra amar" 


E escolhemos amar o Painho. Cada ano o Bloco capricha mais na homenagem e agora assumiu na dispersão serem o Bloco Tarado No Cae! 
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Como disse o Zé Ed, ter vivido momentos assim ficarão registrados na memória para sempre, embora fotos e vídeos ajudem um pouco, embora neles a gente não tenha muito a noção de como as bolas eram enormes, era impossível não BRINCAR O CARNAVAL com elas !


sábado, 10 de fevereiro de 2018

RELATOS DO CARNAVAL 2018 (Bloco Tarado Ni Você 10 e fevereiro)

Depois da péssima experiência prévia, no carnaval propriamente dito eu adotei algumas posturas um tanto radiciai: como ia sozinha e não ia precisar falar com ninguém antes, não ia levar celular, o que me deixou muito leve e segura. Nos primeiros dias fez muito calor, então tomei muita água, nada de cerveja nem catuaba, nem para molhar o bico, porque nesses dias tinha muita gente bonita e alegre na rua, mas também muita gente bêbada. Como eu estava sozinha, melhor nem arriscar e ficar vulnerável, assim pude curtir meu carnaval de boa.
Sobre fiar sozinha, aliás, tive logo uma experiência linda na concentração do Tarado, quando alguém me pergunta: "Você é a Camila, né? ... era uma amiga do Face, que  me reconheceu para minha surpresa e ainda justificou que é porque vê sempre minha cara no Facebook com postagens em festas e sambas kkk pena que nos perdemos no meio da multidão, mas acho incrível como nunca, nunca se está sozinho em lugar nenhum! Não ligo mesmo de estar sozinha nos lugares, o importante é participar.
Então, novamente, eu ia acompanhar o MELHOR BLOQUINHO DE SÃO PAULO, EVER! Esse que sai da esquina da Ipiranga com a São João, em homenagem ao Caetano Veloso.
Bloco Tarado Ni Você
Trata-se de um blog grande, bem lotado mesmo, dá uma olhada :
Tarado Ni Você ocupou o centro 

No  no ano passado tive até a impressão de que estava tão lotado que nem dava para acompanhar, mas nesse ano eles conseguiram resolver um problema que atravancava o bloco: recolheram os pesados carrinhos de ambulantes para a calçada e pudemos caminhar, dançar, cantar e nos divertir lindamente pelo centro de São Paulo, ai pareceu 2016,quando conheci e me apaixonei pelo bloco. 
O tema desse ano era PROFANE-SE  e foi lindo ver como os integrantes se adequaram lindamente. Sabemos que a fantasia mais popular do carnaval 2018 é a de unicórnio, com a tiara de chifrinho. Qual não foi a minha grata surpresa ao ver que no Tarados ontem, apesar da forte presença LGBT, até tínhamos unicórnios, mas a presença maior era dos cornos de vaca, chifres de bode, de touro, provando que o folião do Tarado está ligado no tema do desfile. Eu mesma não usei chifres porque não tinha um adequado. Ai pensava : o que não é não estar num bloquinho gourmet, né?
Sobre protestos,é sabido que tomar o centro da cidade para cantar Caetano Veloso é um ato de rebeldia, vamos continuar fazendo isso. Lamentei não estar com o celular para registar um momento do bloco em que 
 os "tarades" todos coloridos,ocupando toda a escadaria do Teatro Municipal, cantando Vaca Profana e terminando com FORA TEMER ...
BRINCADEIRAS DE CARNAVAL - Sempre achei que esse bloco  era chapa branca, afinal só se vê gays ali, mas esse ano foi diferente em 2 brincadeirinhas de carnaval! 

A primeira foi com um Caetanete , não há dúvida, super ligado no tema do bloco, pois estava de roupa e maquiagem preta , mas usava um chifre de touro (nada de unicórinio).A banda tocava GATAS EXTRAORDINÀRIAS e ele, que estava ainda longe de mim, percebeu que eu também sabia a letra e cantava animadamente, veio vindo cantando em minha direção :

"tenho que pegar, tenho que pegar essa criatura"
e quando chegou perto, celebrando a idenficação, nos abraçamos muito forte e eu disse, agora pegou né?! rsrsrs 
Quando os caetanetes se encontram é assim 

Uma outra brincadeirinha  de carnaval nesse bloco, foi quando um rapaz chegou do nada e foi passando o dedo no meu glitter. Eu perguntei se ele estava escorrendo por causa do calor e ele falou que estava só tentando roubar um pouco para ele. Eu ri e ele foi mais ousado,simplesmente me abraçou e encostou o rosto no meu para ver se pegava. mas o glitter é muito fiel, como sabemos, e não deu muito certo. Até esse abraço eu estava boa, porque só um gay teria interesse em roubar gliter do rosto alheio, mas aquele abraço, sei não ... rs O fato foi que ele gostou de mim e por um tempo ficou por perto, sempre querendo dançar comigo, cantava para mim e eu de boa. Com o tempo, nos perdemos na multidão por um tempão, eu até esqueci do ladrão de glitter quando, de repente, ele aparece vindo de braços abertos, na minha direção, e cantando "como dois e dois" e celebrando nosso "reencontro", me abraçou e rolou até um selinho: 

"-Meu amor, tudo em volta está deserto tudo certo"

Amor de carnaval kkkk
Ao terminar o desfile, voltamos ao ponto inicial e tocou Sampa de novo, dessa vez quando começou a garoar e como não se emocionar com as palavras finais do Zé Ed diante da multidão que passeava sob a garoa : Viva São Paulo! Viva Caetano Veloso! Ano que vem tem mais!
Eu chegando do Tarado Ni Você


Quando eu cheguei em casa, exausta, mas de alma lavada, postei no Facebook:
TARADO NI VOCÊ É O MEU CARNAVAL... aquilo que ainda sobrou de mim depois de 6 horas de bloco, chuva, choro, emoção, diversão, glitter diz que acho que é para isso que a gente aguenta levar tanto chumbo o ano inteiro. Viva o Carnaval!CABEI