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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 


O DRAMA MENSTRUAL DE JANE AUSTEN (2025): Indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem no Oscar 2026, O Drama Menstrual de Jane Austen (2025), dirigido por Mariana Whitaker, está disponível no YouTube.

Nele acompanhamos a história da srta. Estrogênia Talbot, interpretada por Julia Romano, que menstrua justamente durante um pedido de casamento feito por Edmund Ashford, vivido por Thomas Ellery. Ao perceber o sangue, Edmund acredita que a jovem está gravemente ferida. Estrogênia, então, decide explicar o que realmente está acontecendo, o que dá origem a uma sucessão de situações cômicas impagáveis.

Muito bem produzido, com grande elenco para um curta, figurino impecável e imagens belíssimas da natureza, o filme é uma divertidíssima aula sobre questões femininas, tema sobre o qual ainda se fala pouco, até hoje.

A narrativa é sucinta e não necessariamente precisaria se estender mais. No entanto, caso houvesse alguns minutos adicionais, talvez até mesmo as piadas já incríveis alcançassem um efeito ainda mais potente. Recomendo vivamente que assistam.

Um apontamento interessante: este é um filme sobre questões de mulheres, no qual os homens entram sobretudo para observar e aprender. Já em Cantores (2025), outro curta que assisti recentemente e que concorre ao mesmo prêmio, o tema é exclusivamente o universo masculino.

Eis mais uma disputa entre homens e mulheres na qual ambos saem ganhando, com filmes excelentes.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Assisti " Babygirl" : um filme nota 7


                                   


Assisti "Babygirl" (Direção Halina Reijn)  sozinha, numa manhã tranquila, e gostei. Tive aquela sensação agradável de ter visto um filme realmente bom , coisa que nem sempre acontece. Como alguém disse na internet, digamos que é um “filme nota 7”.

A história gira em torno de Romy (Nicole Kidman, deslumbrante), uma CEO poderosa e inacessível que vive um casamento “perfeito” com Jacob (Antonio Banderas, no papel do marido romântico). No entanto, ela mantém um caso com o jovem Samuel, seu estagiário,com quem se permite descobrir e experimentar seus desejos sexuais mais profundos que o marido nunca acompanhou e  por isso estavam reprimidos: o de ser dominada, obedecer, servir.

Romy, até então a imagem da mulher que comanda e dá as ordens, revela sua camada submissa na intimidade. Só isso já seria um bom tema, mas o filme não é assim tão raso: essa entrega a um garoto só é possível  e prazerosa para ambos , porque é consensual. Eis a chave do tesouro na história de Romy e Samuel.

Trata-se de uma história de adultério, não é  uma história romântica no sentido tradicional, mesmo assim eu diria que é uma história de amor. Uma “anedota”, no sentido de narrativa curta, que vem para balançar estruturas, redimensionar a vida de Romy e proporcionar experiências transformadoras.

Como é um thriller sexual, é claro que muita gente (para não dizer a maioria) não vai gostar. Há uma grande rejeição aos filmes “sérios” com temática sexual, como se o ser humano não fizesse sexo. Em geral, não tenho esse estranhamento, mas lembro que não consegui terminar de assistir  "Anora", porque a forma como o sexo é mostrado ali me pareceu ofensiva e cansativa. Em certo momento, perguntei: “Esse filme não tem roteiro?” — e larguei a sessão.

Este não é ,de forma alguma, o caso de Babygirl. Ali  o sexo é o fio condutor de um roteiro sólido e atual, aparecendo em cenas de bom gosto inegável, muito  provavelmente com a intenção de revelar camadas das personagens. O caso entre uma mulher mais velha, bem-sucedida e casada, e seu jovem estagiário traz à tona temas envolvendo sexo e poder em suas múltiplas manifestações.

Gostei bastante, embora ache que o uso constante de gemidos bem audíveis ao fundo  tenha sido um pouco desnecessário. A sexualidade já estava expressa de muitas formas mais interessantes, e o som pode acabar  reduzindo Romy à imagem de “uma mulher no cio” — o que definitivamente não corresponde à profundidade da personagem.

Para encerrar, destaco a trilha sonora — não apenas a incidental como acabei de comentar, que  traz  canções marcantes que embalam o filme: "Never Tear Us Apart", do INXS, e "Father Figure" , de George Michael:  É puro suco da melhor música dos anos 1980, década em que eu era criança, mas já via a ascensão de atores como Banderas e Kidman, que atuam no filme com brilhantismo.


No Spotify, esse lugar que uso para repercutir os filmes  e livros por meio das trilhas sonoras, eu  encontrei uma playlist sobre Babygirl e sexualidade feminina que é puro sucesso. Como não gostar de um filme que desperta tudo isso?

segunda-feira, 11 de março de 2024

III ENCONTRO DAS RODAS DE SAMBA



Enfim meu rolê favorito da vida, os convidados do Partideiros do Maria Zélia.

Dessa vez, em março,  foi uma edição especial mês das mulheres, e lugar de mulher também é no samba 😍

Eu estava bem mulherzinha de branco e rosa


Choveu na hora de eu sair e já fui de capa de chuva, mas depois nem precisei mais,porque é só eu partir pro Maria Zélia que tudo começa a dar super certo pra mim 😍 

No caminho ganhei elogios de duas mulheres: no ponto de ônibus uma moça elogiou blusinha de um ombro só, no ônibus uma senhora elogiou a pulseira pink e dourada ! Amei!😍 

Ainda no caminho teve história, relacionada a ESSE  vídeo/meme:



Mesmo na dor a gente tem que se divertir, né? Eu sei fazer isso.
Alguns registros do samba: 

Quando entrei tinha uma lona,porque a chuva  seria inevitável, e em todo lugar tinha fotos de mulheres no samba,registrei algumas:


E algumas frases sobre mulheres


Tinha também exposição, para venda,  de obras de @le.coto, artista dos Orixás, coisas lindas como essas 

@le.coto

E algumas fotos do samba mesmo: 

Se existe lugar melhor q Maria Zélia eu desconheço 

Minha roda de samba mais querida

Minha maior felicidade: no samba 😍

Percursionista: coração do samba

Samba doTatu (apé)

Fiquei perto , admirei 

Felicidade 

Eu sei sair da tristeza

Tradicional espetinho

Samba das moças 

Voltei revitalizada 😍

Gratidão aos orixás 






Viva a Comunidade do Samba do Maria Zélia
Viva o Samba 


































quinta-feira, 18 de julho de 2019

Os homens e o amor difícil em “Pela Ternura”, de Alice Diop

Cartas original do filme


Depois do resumo rápido dos curtas que assisti na Mostra de Cinemas africanos, quero me deter mais aprofundadamente e sobre um dos filmes. Foto de Pela Ternura"[Vers la Tenderesse] , dirigido pela francesa  Alice Diop.
O belo documentário trata da relação entre os homens da periferia de Paris com o amor e o universo afetivo. Grande parte desses homens é imigrante africano e é muito interessante ouvi-los falar até sobre o conflito cultural que vivem.
Cena do cotidiano, os depoimentos são falados em off

Para abordar esta questão, Diop diz que o filme é uma "mise-en-sciéne da voz off". Realmente, o filme mostra os personagens na vida, muitas vezes em perfil, ou caminhando, conversando no bar,  enquanto ouvimos suas vozes ao fundo, Nunca uma imagem deles falando, dando aquelas declarações. Isso é importante destacar, em termos de linguagem. 
No geral todos os homens do documentário mostram dificuldade em lidar com afeto, mas os africanos mais ainda! Eles falam sobre como essas ideias de relacionamento, afeto, amor ou mesmo ternura, para eles é algo que está muito longe da sua realidade. eles observam as mulheres, mas ai tem a divisão entre aquelas que poderiam ser suas esposas e as outras, que os amigos chamam d “putas”.  Não tem espaço para gostar de mulheres, nem delas gostarem deles. As mulheres que aparecem no filme estão  expostas em vitrines, na maioria das vezem em trajes íntimos e estão agindo sensualmente, mas sempre protegidas por uma parede de vidro. Em off, os rapazes falam como elas estão distantes
Uma mulher negra, sentada, que parece quebrar o vídro da vitrine

Relações interpessoais eles mantém mais facilmente com os amigos homens, que perseguem e discriminam qualquer atitude no sentido de buscar mais afeto em relação às mulheres, isso é visto como sinal de fraqueza. Uma solidão profunda
  e infinita.
Belo imigrante africano na França, que não aprendeu amar

Este belo rapaz da foto acima  explica claramente que para os imigrantes africanos, surpreende ver que os brancos, na França, aprenderam aquela narrativa romântica desde sempre, sabem desde a infância onde devem se colocar no contexto geral, etc.  
O jovem gay do filme

Ainda que os contatos “permitidos” sejam com os amigos homens, o depoimento do jovem acima, que é gay,  nos mostra que nem para eles o acesso ao afeto é fácil: ele, em uma das falas mais agressivas do filme, comenta que, na maioria das vezes, um homem procura outro homem para fazer sexo. Nem beijo costumam trocar, para evitar envolvimento.
O amor no filme

Interessante observar que o único rapaz que tem um relacionamento afetivo do filme, é branco e tem uma namorada negra. É muito bonito vê-los juntos, se tratam com alegria  e carinho, e o rapaz é romântico, ainda que tenha vergonha de mostrar isso aos amigos. Talvez ele seja o que está mais feliz no momento, afinal ele conseguiu expressar seus sentimentos e trocar isso com outra pessoa.  
Precisamos tanto de amor nessa vida, não é mesmo?

domingo, 9 de setembro de 2012

O que é que quer uma mulher?

"As mulheres precisam de atenção. Tem que falar com ela, reparar nas coisas de vez em quando, da carinho sempre, lembrar que elas existem e que estão vivas e que são importantes, esta é a única terapia..." Benigno de Fale com Ela