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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PRÊMIO GRANDE OTELO 2026

 




Ainda não tinha dado tempo de comentar o quanto fiquei feliz com o Prêmio Grande Otelo 2026, no começo de agosto, a grande premiação do cinema brasileiro.

Minha alegria foi porque percebi que tinha assistido a quase todos os indicados nas principais categorias. Também me alegrou constatar que, em geral, os filmes são muito bons. A safra do cinema brasileiro após o reconhecimento internacional de "Ainda Estou Aqui" é salutar.

E ver que filmes que adorei, como "O Último Azul", "Homem com H" e "O Filho de Mil Homens", foram todos laureados foi uma delícia.

Sobre as atuações, os prêmios foram uma chuva de rosas para mim: meus queridos Rodrigo Santoro, Alice Wegmann, Jesuíta Barbosa, Alice Carvalho etc.

No prêmio de Melhor Filme, deu empate entre "O Agente Secreto" (tinha que ser) e "Manas", que vi depois e gostaria de ter gostado mais, mas está valendo.

Oxalá esse prêmio marque não mais uma nova revitalização do cinema nacional, mas um crescimento real e duradouro dele por muito tempo, como marcou o discurso de agradecimento de Rpdrigo Santoro .

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

"A ostra e o vento", Walter Lima Junior

                 


Depois que assisti ao excelente "O Filho de Mil Homens" (2025), o cenário praiano me lembrou "A Ostra e o Vento"(1997), um filme que me recordo de ter achado triste e  lindo, mas faz tanto tempo que pode ser que eu não me lembre direito.

Na primeira vez que procurei, não achei. Será que, depois de tantos anos, eu já estava pronta para rever? Aí fui ouvir a canção A ostra e o vento  que tanto evitei ouvir de novo, pois era como se abrissem meu "estojo" de ostra e tocassem minha solidão infinita. Eu ficava tão vulnerável! Dessa vez foi mais tranquilo. Que bela canção! Ouvi duas vezes sem sofrer.

Na verdade, sempre soube que o livro, o filme e a música de Chico Buarque são bonitos até demais. O problema estava em mim.

Essa história sobre uma solidão enlouquecedora sempre foi um monstro para mim. Eu reagi contra, passei anos resistindo a lembrar dela. Quando o filme saiu, eu mal tinha vinte anos, cabeça e sentimentos ainda não formados. Tudo que eu não queria era ser Marcela, a que tem o mar como cela. E não fui.

Mas anos se passaram. Será que eu já tinha suporte para enfrentar esse monstro e ver o filme com a delicadeza que ele merece? Tive!

Foi lindo reencontrar tudo aquilo. Nem doeu como se fosse em mim. Já não tenho mais vinte anos, superei muita coisa.

Agora assinei a Netflix e achei o filme lá, numa versão de muita qualidade. Não lembro onde assisti ao filme na época, teria sido no cinema? Teria em DVD? Não lembro! Mas pude rever com atenção e foi muito bonito. Como o cinema nacional tem belezas escondidas. A atuação da jovem Leandra Leal é sublime. Ela realmente vive Marcela, a moça presa numa ilha com seu pai, o faroleiro José, em uma solidão enlouquecedora, até se apaixonar por Saulo, o vento. É muito poético e brilhante como o filme consegue contar isso em imagens!

Ouvi a música, assisti ao filme, agora só falta dar uma olhada no livro de Moacir Lopes. Eu tenho ele aqui, mas deve estar escondido para que eu não corra o risco de trombar com ele, meu monstro de juventude.

Quando o encontrar, comentarei neste post mesmo. Por hora, fica a dica: assistam "A Ostra e o Vento". É triste, mas é muito bonito!