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sábado, 30 de outubro de 2021

quarta-feira, 24 de abril de 2013

As crianças e os Sapos



Alguém sabia que dizer Sapo cururu é pleonasmo?
É que em tupi Kuru-ru significa sapo, conforme eu li na tese da Silvia A.P. Machado sobre cantigas de ninar brasileiras... ela diz que este anfíbio está presente em muitos acalantos porque este é um animal crepuscular e que coacha principalmente a noite , como se fosse um acalanto.  Olha que interessante essa observação feita pela da psicóloga com experiência em atendimento pós natal Silvia Machado :

"Acrescento uma observação advinda da prática com gestantes e famílias de recém-nascidos : é comum pais, mães e irmãos pequenos, diante de imagens ultrassonográficas do útero em gestação, referirem-se ao embreão, ou posteriormente ao feto, como 'sapinho' ou com a expressão 'parece um sapo'. Ouvimos esta expressão também dirigida para o próprio recém nascido, especialmente quando nu, ou quando acomodado de bruços, com as perninhas dobradas, sob o tórax de algum adulto. Além de asemelhanças pelas aparências, o fato de o desenvolvimento deste anfíbio iniciar-se em meio aquático e evoluir para o terrestre, produz, talvez, essas associações com o desenvolvimento inicial do humano. (Associa-se frequentemente, também, a forma do espermatozóide à do girino)."
                              MACHADO, Silvia Ambrosos Pinheiro. A canção de ninar brasileira, p. 237. "O, Silvia . A canção de nivar brasileira, p. 237.

Eu lembrei também que que ele sempre aparece nos Contos de Fadas, mas sobre isso  é o Camara Cascudo quem comentou que
"O sapo é um personagem vivo em todas as literaturas orais do mundo e em todos os estados de civilização. Desde as fábulas de Esopo aos contos populares africanos, oceânicos, chineses ou hindus, europeus ou australianos, o sapo é um elemento de representação cômica, e, às vezes de astúcia solerte e vitoriosa. Os dois exemplos opostos ao sapo são o sapo que viaja para a festa no céu, dentro da viola do urubu, e a sua aposta de corrida com o veado. "
 
CASCUDO, Luís da Camara. Dicionário do folclore brasileiro,  p. 696.
 
Eu adorei, e vocês?

 

domingo, 10 de março de 2013

"Canção de ninar brasileira: aproximações", de Silvia de Ambrosis Pinheiro Machado,

No curso a Silvia falou desta música que Dorival Caymmi compôs para ninar a filha Nana (Ninar a Nana), e que depois ela mesma cantou seu acalanto:
 
 

 

"Despertar e conhecer as cantigas de ninar: palavras poéticas cantadas para adormecer que veiculam heranças e tradições e, porque vinculam as crianças não apenas ao adulto que delas cuida, mas à língua que se entoa, são também fundamentos de uma nação. Se pensarmos que  a palavra nação, em latim natio, onis deriva do mesmo radical do verbo nascor, eris; natus sum; nasci, que é nascer e que, por sua vez, a canção de ninar se origina no contexto do nascimento e infância humanos, podemos considerá-la, a canção de ninar, como ponte que comunica a macro história social, cultural e étnica de um povo à micro história da infância na família, ou, meno(s)r ainda, de uma criança desse povo em sua família. A canção de ninar, objeto cultural que circunda o nascimento humano, participa fundamentalmente, pois, da organização de uma 'nação; estuda-la é também conhecer um pouco mais os dinamismos desta nação. Nesse sentido, assinalo um ângulo importante aberto no decorrer do estudo das canções de ninar brasileiras: a análise de seus textos deixou transparecer elementos reveladores dos encontros e desencontros étnico-culturais dos diferentes povos que formaram a nação brasileira. Junto a vestígios de dor e horror de um tempo de investidas colonizadoras e dominações, apareceram também traços de resistência e preservação cultural dessas etnias, nos conteúdos e no material sonoro das letras das canções de ninar; como se elas fossem veículos propícios ao transporte resguardado de elementos fundamentais da cultura dos grupos humanos invadidos e/ ou submetidos à escravidão, no período colonial brasileiro. Se é possível distinguir elementos assim polarizados, é necessário também pontuar que, justamente enquanto expressão artística, a canção de ninar constitui um espaço hospitaleiro entre línguas e culturas, ultrapassando suas fronteiras, misturando-as e gerando o novo.Sob esse ângulo e com a indagação sobre a eficácia estética da canção de ninar - ou seja, que elementos a tornam um objeto de arte e, nessa medida, potencialmente capaz de humanizar?-desenvolveu-se este estudo[...]"
 
 
MACHADO, Silvia de Ambrosis Pinheiro. Canção de Ninar Brasileira: Aproximações. Tese de doutoramento, FFLCH/USP 2012, p. 23-4. TESE DE DOUTORAMENTO DIPOSÍVEL PARA DOWNLOAD AQUI.