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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

"Omo-Oba Histórias de Princesas", de Kiusam de Oliveira:Venceu a luta contra o Index no século XXI

Como prometido, agora eu vou tratar desse livro DESLUMBRANTE! Para resumir do que se trata, peço permissão para citar sua sinopse na Amazon:

"Omo-Oba: Histórias de Princesas é um livro que privilegia o recontar de mitos africanos, muito divulgados nas comunidades de tradição ketu, pouco conhecidos pelo público em geral e que reforçam os diferentes modos de ser femininos. Os seis mitos apresentados têm o objetivo de fortalecer a personalidade de meninas de todos os tempos."  

Como tinha falado antes, as histórias de reinos e principados são muito importantes para crianças, isso tem relação com a construção da identidade e quer coisa mais linda do que "se ver" representado (a) nas ricas ilustrações de Josias Marinho? Visualmente o livro enche os olhos, é grande e colorido, com algumas das mais belas representações de crianças negras e de cabelos crespos que eu já vi, trançados ou não, que vontade que dá de fazer um cafuné nas princesinhas!

A autora, Kiusam de Oliveira é uma educadora  paulista negra, engajada na valorização da sua afrodescendência para encontrar caminhos plenos, ainda que diferentes.

Como eu tinha postado aqui outro dia, a dedicatória do livro começa emocionando 

Mas o livro chamou a atenção do país porque me lembro desse episódio envolvendo a obra :  em 19 de março de 2018 (período de censura, de apelação pela "Escola Sem Partido", época do mergulho no pensamento fascista, algumas obras destinadas ao público infantil  chegaram a ser censuradas, incluvise esta:

 "FIRJAN informava que a obra “Omo-Oba: histórias de princesas” de Kiusam de Oliveira, publicado pela Mazza Edições, seria substituída por outra obra, atendendo às reclamações de alguns pais de alunos que frequenta a Escola SESI unidade Volta Redonda. "

A sorte foi que Kiusam denunciou nas redes sociais e devido a tanta pressão, a obra pôde circular.

Suponho que o incômodo dos pais tenha sido pelo texto de apresentação, onde Kiusam afirma que o livro tem o objetivo de "empoderar as meninas".Piiiii: "ideologia de gênero": vamos censurar! Ainda bem que não deu certo, porque o livro é lindo, contando seis mitos iorubanos sobre meninas que eram forças da natureza, depois princesas, e depois se tornaram dividades. 
Se eu, criança, tivesse lido esse livro, não posso nem imaginar o tamanho do meu encantamento. 
Vou colocar uma representação de cada princesa como aperitivo (no livro tem mais e muito lindas)e se tiverem como, leiam essa obra deslumbrante:

Oiá e o búfalo interior
Oxum e seu mistério
Iemanjá  e o poder da criação do mundo 
Olocum e o segredo do funo do oceano

Ajê Xalungá e o seu brilho intenso
Oduduá e a briga pelos sete anéis




quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O livro certo: Expectativas pré leitura

 Tinha comprado dois livros na Estante Virtual, ambos chegaram entre ontem e hoje. Um deles veio errado 😔

Esperava uma capa com as princesas Iabás, que viraram divindades
 e recebi essa aldeia de filme de Sembéne. Nada é por acaso!

Comprei o infantil  "Omo-oba:histórias de princesas" de Kiussam Oliveira, mas recebi "Igbo e as princesas" de Marcos Caje! Achei que tinha comprado errado, mas foi o vendedor se enganou. Disse a ele que  gostei de "Igbo" também, mas queria mesmo o "Omo-oba", que comprei.  Aí ele disse que enviará um motorista com o meu livro e que levará o que veio errado. A ver. Antes dele vir vou ler esse livrinho Igbo e se achar interessante, em tempo, comento ele aqui. 😉


Mas ontem recebi outro livro, esse o romance da vez: A linda edição de "Hibisco Roxo", da nigeriana  Chimamanda Ngizi Afichie. Escolhi ler esse livro mas sem muita expectativa. Queria ler algo diferente, pensei num autor coreano, japonês... Fiz até pesquisa e tudo (adoro os canais literários no YouTube), mas me dei conta que, apesar do mergulho nos cinemas, ainda não leio literatura africana, por enquanto. Outro ponto que me levou a essa escolha foi o básico: nem tanto por querer, mas quase nunca animo de ler autoras. Tenho  que mudar isso. Então quis ler não apenas um autor africano. Eu poderia ter escolhido um romance de Sembéne, ou o próprio José Luandino Vieira -queria ler o romance que inspirou o filme Sambizanga, que tanto amo - , mas ai seriam vozes masculinas, só que africanas. E as mulheres?

Chimamanda Ngozi Adichie  

Então, para começar, escolhi ler a bela Chimamanda, nessa edição lindíssima, que conheci pelos discursos "O perigo de uma história única", que assisti no curso sobre cinemas africanos ano passado ou mesmo o "Nós deveríamos ser todos feministas", que é muito comentado e até inspirou a canção Flawless, da cantora Beyoncé (que não me atrai musicalmente, enfim). Eu conheço, inclusive, a crítica de alguns africanos sobre tantas colocações dos afro americanos, não é qualquer coisa que passa na minha garganta, mas Chimamada é africana, não afro americana, e isso deve fazer muita diferença (espero). Então até sei quem é a autora, sei que ela é engajada e tal, mas antes de começar a ler o livro, destaco que minha expectativa é literária, então eu ESPERO QUE ELA ME CONTE UMA HISTÓRIA, que seu livro não seja mais uma Palestrinha. A ver...