Mostrando postagens com marcador Centro de São Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Centro de São Paulo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de março de 2025

Carnaval 2025: Todo mundo se sentindo o Pikachu

                 

 Mais um carnaval, que esse ano demorou muito, mais enfim chegou. Bem no mês das chuvas, mas depois das tempestades de janeiro e fevereiro, nos dias do carnaval fez muito calor, temperatura sempre acima dos 30 graus, mas nem choveu. 🙏🏾Eu curti muito o pré carnaval, como postei AQUI e nos dias do festejo curti demais (sem celular ) os blocos  tradicionais no fim de semana no centro, na Marquês na segunda e na terça não brinquei porque não teve nada na Praça da República, infelizmente.

À direita: de verde mata neon no Bloco Explode Coração
à esquerda pagodeira no Baixo Augusta;f ada cremosa  
no Lua Vai e de Sol  no Tarado ni você.

 

Vejamos bloco a bloco.

BLOCO TARADO NI VOCÊ (1 DE MARÇO 2025)

50 anos do disco Jóia 

Comemorando os 50 anos do álbum Joia do Caetano eu tentei me vestir com as cores do bloco, azul e amarelo. Mas usei tecidos leves, pois priorizei o conforto 

No dia mais quente do carnaval: boa escolha

Na hora do vamos ver a gente vai se adaptando


Do meu jeito amador eu sempre tento me vestir a caráter no Bloco Tarado ni você. Sei que tem gente que até manda fazer roupa para brilhar no desfile e eu acho lindo. Eu, bem simples, procuro ideias para não destoar, já comprei roupa, acessórios, maquiagem (mas nem sempre sei usar, ou dá tempo). É que esse é o bloco até me fez descobrir o carnaval de rua, meu primeiro, mais querido. Esse ano eles foram muito legais, soltaram não só o tema (disco Joia, eu poderia explorar muita coisa, tipo ir de "Pipoca moderna"...), soltaram símbolos sol e lua e cores azul e amarelo. Fui de amarelo com toques azuis. Achei que fiquei combinando com o jeito que as pessoas estavam vestidas e maquiadas lá. Eu me adapto.

No fim acho que consegui

Muito confortável com fantasia amarela de Sol e shortinho azul.
azu.
 Nas fotos com o leque arco íris que achei na rua. 

Expectativa x realidade: até que combinou 😍

FANTASIAS



Pikachu

ALERTA SEVERO

CADA BLOCO TEM AS FANTASIAS QUE MERECE. Comentei que no pré carnaval do Baixo Augusta domingo passado tinha muita fantasia de Fernanda Torres (roupa preta e um Oscar). Hoje no Tarado Ni você nós tínhamos os gays do centro e não vi nenhum Oscar. A fantasia de Fernandinha que mais apareceu era uma base amarela, com saia tule e tudo, uma tiarinha e o cartaz " EU ME SINTO O PIKACHU" AMEI ! Muito mais carnaval kkkkk
Outra fantasia "melhorada" foi a "Que xou da Xuxa é esse", que no centro apareceu com meninos vestidos de paquita e tudo mais!
Uma até vi muitas vezes,e amei foi
"ALERTA SEVERO: chuva forte se espalhando com rajadas de vento e risco de alagamento. Mantenha-se em locais seguro"
FALEM O QUE QUISEREM, CARNAVAL DE RUA É NO CENTRO!


Bloquinho mais lindo do carnaval: suas cores colorindo o cinza do centro♥️
Por isso não quis destoar nas cores

Tudo jóia!


BLOCO EXPLODE CORAÇÃO (2 DE MARÇO 2025) 

                       


Como sempre o maior bloquinho do centro! Ele, que nasceu do Tarado ni você, ficou maior que ele, é uma delícia e um espetáculo. Hoje estava calor, mas mais nublado que ontem, mais agradável... e no fervo teve muita gente se sentindo o Pikachu, muita bicha divertida, teve comemoração dos 60 anos de carreira da musa Bethânia, dos 40 anos do axé, até FARAÓ nós falamos em frente ao Teatro Municipal, teve FERA FERIDA (com direito a Viva Roberto Carlos!❤️), muito bom. Fui aí banheiro no shopping Light, lugar incrível,de onde as bailarinas desceram pelas janelas imitando carcará de novo! 

Com isso acabaram meus bloquinhos MPBicha 2025...ano que vem tem mais e o carnaval continua !Que bom que temos carnaval!

O tema era FERA. a ideia da selva,  e eu, que detesto animal print, fiz uma fera no carnaval (verde da floresta era neon, minha cor de carnaval)

camiseta de fera cor neon
Brinco lindo comprei na República sábado 😍

Me arrumando

Vários momentos desse dia

O blocão do centro 
Verde das Matas versão neon carnaval 
Era uma das cores desse ano.
 Minha intuição estava certa



BLOCO LUA VAI (3 de março 2025)


LUA VAI : A palavra é saudade. Ano passado não teve, nesse deu pra relembrar tanto amor nesse bloquinho cremosinho 😍

Está muito mudado, a banda não é a mesma, bem o vocalista e o repertório também não, mas a ideia é aquela deliciosa. Estava muito calor, um sol pra cada um, mas teve muita água, protetor solar, leques, viseiras e muita segurança, fornecidos pela prefeitura em "apoio ao turista", e muito carinho na Marquês de São Vicente ❤️

Vários momentos desse dia 







Palavras do Crush de carnaval com uma 


Com óculos, água e leque de carnaval

O Glitter da make e o batom roxo ficaram no boy que beijei


SÓ ACONTECE NO BRASIL, E NO CARNAVAL :
Hoje o bloco de pagode anos 90 "Lua Vai", na Marquês de São Vicente, saiu às 14 horas e foi até às 17, a hora final foi ocupada por um bloco de música eletrônica. Quando mudou eu, que estava toda cremosa de roxo, e muita gente fomos indo embora porque não gostamos daquele som. Aí ,perto da saída, do nada, a mágica aconteceu : apareceu um moço com um pandeiro, outro com um reco reco e eles  começaram a tocar sambas, de todos os estilos, o povo foi de aproximando para cantar bem alto, de todo coração. Muitos puxavam sambas bons como "Boa noite" (...cantando a alegria de não estarmos sós...) ou "Pela hora" (...foi chegando gente, ficando envolvente, não deu pra parar...), todos gostavam (como na história do Sorôco) ... aí surgiram outros instrumentos, um tamborim e um rapaz até "tocou" com o leque! Um homem perto de mim disse pra namorada "achei meu grupo" 😍. Virou uma festa, juntou muita gente e se formou quase um bloquinho de samba! E fomos até quase 19 horas, quando tivemos que  liberar pra abrirem a avenida, mas estava todo mundo tão feliz! Tem coisa mais brasileira que isso ?No carnaval, muitas vezes, eu vejo coisas que comprovam que brasileiro não precisa de muito para ser feliz 😍

Faço a crônica dos bloquinhos

Bloco fofo demais 

JÁ ESTIVE MUITO MAIS BONITA NO CARNAVAL, MAS...
Tentei...


BALANÇO DO CARNAVAL



PREFEITURA DE SÃO PAULO NO CARNAVAL DE RUA 2025: Por mais que tenha muitas críticas em outros temas, tenho que admitir que fizeram um bom trabalho esse ano, mirando no turismo no carnaval da onda de calor. Muita segurança, muita informação, muita assistência de todo tipo, água, protetor solar, leques, viseiras. Foi muito gostoso brincar o carnaval na rua em 2025


TERRITÓRIOS DE DISPUTA: No feriado eu  tive a oportunidade de estudar alguns drops de reflexão sobre História da Cultura Popular com especialistas, eruditos ou não, como Carlinhos Brown , Nei Lopes Lélia Gonzalez e especialmente Luiz Antônio Simas. Em geral o samba e o carnaval são manifestações culturais e políticas do povo preto e indígena e de sua ancestralidade. Abarcados por esses grupos excluídos do projeto de nação apresentado pela História, eles são o que  Guimarães Rosa chamou de "não história". Porque manifestam a indispensável sociabilidade dos tomados como páreas, estão sempre sob ataque,mas sobrevivem  porque lutamos por eles, afinal eles refletem, ainda que por um momento, o que somos, nossos ritmos, símbolos e significados. É por isso que ir ao samba ou pular carnaval são experiências pelas quais vale a pena lutar e garantir nosso direito de existirmos,como fizeram nossos ancestrais e como faremos adiante, pois a luta é grande e sempre continua.









quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Carlabê : Vozes femininas do centro de São Paulo

 

Linda foto num dia frio de verão 

Ganhei esse livro de natal de uma amiga minha de anos que viu quando eu disse que seria uma leitura que eu queria fazer em 2025. Chegou em casa no dia 29 de dezembro de 2024 e foi uma festa, mas eu só iria começar a ler no ano novo, como de fato aconteceu.

Quanto carinho

Carlabê, segundo romance da Isabela Noronha, é  sobre a amizade entre a radialista Saramara, a narradora do livro, e a jovem Carlabê, que dividiam um apartamento no centro de São Paulo, até que Carlabê some, enquanto um corpo jaz em frente ao prédio onde elas moraram. O livro trata de muitas questões inseridas nessa narrativa simples, que vão desde o cunho pessoal, como a problemática feminina, até questões histórico sociais como a gentrificação no centro de São Paulo. Seguindo a Wikipédia, o conceito de gentrificação seria : 

Gentrificação (do inglês gentry, "pessoas bem-nascidas") é um conceito sociológico que acarreta a substituição física, económica, social e cultural[1][2] de um bairro ou uma área urbana proletária para burguesa após a compra de propriedades, e sua consequente revalorização no mercado através do influxo de residentes e empresas mais abastados.[3][4] É um tema comum e controverso na política e planejamento urbano. A gentrificação geralmente aumenta o valor econômico de um bairro, mas o deslocamento demográfico resultante pode se tornar um grande problema social. A gentrificação, muitas vezes, vê uma mudança na composição racial ou étnica de um bairro e na renda familiar média à medida que a habitação e os negócios se tornam mais caros e os recursos que antes não eram acessíveis são ampliados e melhorados.

Como esse processo afetaria a vida de duas mulheres que vivem sozinhas em um bairro central, mas de constante valorização, como o Santa Cecilia é o tema central do romance.

AS VOZES 

Outra questão que eu destaco é a própria escrita de Noronha,  expressa em uma narrativa polifônica, mito contemporânea , cuja voz principal é a de Saramara, que relata a um interlocutor desconhecido, tudo o que sabe sobre a amiga Carlabê, que está sumida. A voz do interlocutor, que conhecemos só através das respostas de Saramara, destaca mitas questões que nós leitores vemos nos fazendo a partir da fala ininterrupta de Saramara, ou seja, ele é uma espécie de espelho do leitor.  Essa opção pela narração depoimento oral, a um  interlocutor mudo, para mim , como leitora, lembra demais a estrutura narrativa do Grande Sertão: Veredas, embora a diferença de linguagem seja evidente. Depois voltarei a falar do romance de Rosa a partir de uma citação  que recolhi do Carlabê, mas aí será outra história, por hora cabe destacar que a voz de Saramara, e do seu interlocutor mudo,  é a alma desse livro, é tão vivaz e não muito confiável quanto Riobaldo,o que me atraiu muito. Além da propria autora, eu ainda quase não ouvi ninguém sobre o Carlabê, por isso esse texto é bem unilateral. Li apenas ESTA RESENHA, escrita pela baiana Edna Góis, que é muito boa e traz relações literárias mais contemporâneas que eu desconhecia e vão além da referência ao clássico rosiano.  

Outra voz do romance é a da própria Carlabê, uma jovem solitária, com pouco estudo,  que trabalha subempregos para tentar permanecer morando no centro de São Paulo e tem a história marcada por eventos de toda jovem mulher, é assediada, sofre com gravidez indesejada, etc. Quando o romance começa e ela está sumida "há mais de uma semana", ela já não morava mais com a amiga Saramara, mas ainda trabalhava num açougue na região do largo de Santa Cecília. A voz de Carlabê é ouvida no romance através das cartas a seu irmão Abelardo,  que escreve em seu caderno, que está então em posse de Saramara. O conteúdo das cartas de Carlabê é o oposto da narrativa horizontal  de Saramara, mas é uma voz audível no romance: o que diria, se pudesse ser ouvida, aquela jovem garota.   

Talvez a voz feminina mais audível ao leitor, é a da cidade em pleno processo de modificação contante, que produz ruídos o tempo todo, falando alto e também calando o que ainda não deve ficar claro. Com esse artificio arriscado , Noronha aposta em uma das mais interessantes representações literárias da cidade de São Paulo que conheço.

Eu escolhi alguns poucos trechos interessantes do livro que gostaria de colar aqui, discutindo essas questões acima levantadas. 

A VOZ DA CIDADE

"Essa poeira no ar é a verdadeira notícia, eu acho. Ela embaça a vista, de noite então é um véu mais grosso,um véu sobre o véu da noite. Aqui no centro é ainda pior. É o pior lugar da cidade,o pior. Já mediram,trouxeram o aparelho que mede as partículas do ar. Trouxeram aqui e não deu outra , é o pior lugar para se estar. Respirômetro: se escreve como se fala.(***) Não é à toa (tosse tosse). E agora um corpo. Vem debaixo do nosso nariz e da janela da sala, debaixo também da lona da polícia e logo mais debaixo da terra. Sete palmos. Sete palmos uma ova, que estamos no Brasil. Isso dá o quê? (***) Cento e sessenta centímetros, obrigada. Um metro e sessenta, uma de mim inteira abaixo do chão. Enterrada de pé. Se é essa a medida. Alguém já confirmou com um coveiro? Quanta porcaria repetimos e repetimos. (Buzina, bate-estacas). Esqueça. Isso não muda nada. Está aí o cadáver."(p. 20)

"A cidade, o que ela quer dizer, jovem? Este barulho, o som, não para, ela não permite silêncio. Ou pior: o que ela cala com seus gritos? Hein? Fala por cima da gente." (P. 55) 

"Venha, sente-se, sente-se. À vontade, jovem. Descruze essas pernas, relaxe. Ouça a cidade. [bate-estacas, pássaros, choro de criança, vendedor gritando ofertas, martelete].Você ouve? Vida, jovem, vida! E Carlabê lidando com a morte, cheirando a morte, cotando  morte, moendo a morte, jovem! Vendendo a morte rodo dia. (74)   


CORPO ESTENDIDO NO CHÃO, A MORTE DA CIDADE 

"Veja a última vez. O corpo solo, no solo. Ali jaz. E a cidade jaz também ao redor. A cidade jaz há mais tempo. Sem o direito de ser enterrada. Ou talvez seja essa a função de todo esse pó. Colocar sete palmos sobre ela, deixá-la descansar. Mas o corpo agora está tão só, protegido pelo manto (serra policorte,ininteligivel )  em frente à papelaria (***) Não vou o cartaz plotado na porta? Xerocan,imprimem e plastificam. Mas tem que vender brinquedos também. Não prevejo um bom dia de vendas. O que você acha? Ou o corpo vai é chamar mais gente ali, não sei. Vou confessar: tenho vontade de fazer companhia a ele. Por que esses olhos tão grandes,jovem? É só carne." (P. 29)

"Carta 

No caminho pra cá cinco quadras quatro obras

Sem ninguém prédios no

Esqueleto 

Vem dessas obras o pó do ar saramara falou

Respirar dói esse vento gelado em nenhum momento você 

Pensou que ia pegar para mim abelardo roubar o açougue 

Roubar o golsalves é me roubar porque eu e o

Gonsalves

Fico inacredo contigo " (p.54)

"Esse pó, essa areia (tosse tosse).É assim também no seu  bairro? Sabe, não é só das construções, do chão sendo remexido e perfurado para subir mais um prédio. É também daqueles que estão virando ruína, dos micropedacinhos se soltando da velharia sem manutenção que tem aqui." (P.175)

"...eu só percebendo a inquietação, a água começando a fazer bolhas dentro dela,pronta para subir fervura. Carlabê querendo sentir que cabia, que se encaixava em algum lugar" (p.116)

OUTRAS REFERÊNCIAS 

AO GRANDE SERTÃO?

"Este bairro me mastigou, me engoliu, me cuspiu outra. Uma autóctone." (Carlabê, P.45)

"“O sertão me produziu, depois me engoliu, depois me cuspiu do quente da boca.” (Grande Sertão: Veredas)

 À BLITZ 

"Carlabê, agora desapareceu, sumiu, escafedeu-se, minha Arlinda Orlanda. Volte! Volta pra casa."(93).

COISAS DE MULHERES

" Carrego lenços na bolsa, essa é a lição número 3, jovem. Sempre carregue lenços, eles limpam lágrimas e todo tipo de sujeira. Mantém suas mãos imaculadas.,(p. 181)

"...eu só percebendo a inquietação, a água começando a fazer bolhas dentro dela,pronta para subir fervura. Carlabê querendo sentir que cabia, que se encaixava em algum lugar" p.116 

MARCAS DA LEITURA

A leitura do romance foi rápida, durou entre 3 e 7 de janeiro, marcada por postagens muitas vezes musicais das redes sociais. Nelas eu expresso algumas questões que me ajudam a formar um desenho do romance. Depois, como boa leitura, reverberou no meu pensamento :

3 de janeiro

CARLABÊ:Comecei a ler apenas as primeiras paginas ontem,por enquanto ainda não estamos flanando pela cidade, estamos no apartamento onde Carlabê morou com Saramara. Por hora só ouvimos um áudio de Saramara conversando com um interlocutor que grava a conversa sobre Carlabê. É uma leitura saborosa, escrita instigante, nada linear, requer muita atenção para saber quem está falando, quem está ouvindo ... É cheia de sons (a narrativa é cortada pelo som de ônibus, de carro de polícia, etc), de cheiros. Saramara explica que Carlabê trabalhava em um açougue e tudo que ela não queria era ficar cheirando carne, por isso emanava outros cheiros:
"Sente o cheiro? Baunilha, lavanda, frutinhas. Principalmente baunilha. O cheiro dela. Você sabe, o cheiro são moléculas que se desprendem de algo. Então, nesse sentido, ela segue aqui, sim." (P .11)

4 de janeiro

CARLABÊ: Saramara, uma jornalista sessentenária , e a jovem Carlabê ,que está desaparecida, moraram juntas num apartamento no bairro de Santa Cecília, mas não têm parentesco, são amigas , se ajudam, são companheiras. O que as une de verdade é a situação: duas mulheres sozinhas no centro da "maior cidade da América do Sul"("Sassa" canta Baby trocando "melhor cidade" por "maior cidade"). Elas "usufruem" de alguns "benefícios" como poder ir trabalhar a pé, caminhando pelo chão do centro, onde são vizinhas dos "mendigos, esses que abrem mão de um teto em outra parte 'da maior cidade', mas não abrem mão do chão, deste chão. Deste bairro. Do centro."(P.51)
O livro está se mostrando como uma espécie de raio-x de um viver no centro, como eu esperava encontrar. A narrativa é polifônica e a voz da cidade é a mais constante, pois a escrita de Noronha é bem contemporânea... Estou gostando muito, sentindo cada vez mais forte aquela agonia de ser uma mulher engolida pelo centro da "maior cidade" .
Sobre "Carlabê", Isabela Noronha. São Paulo: Cia das Letras, 2024

5 de janeiro

CARLABÊ: "Carlabê, agora desapareceu, sumiu, escafedeu-se, minha Arlinda Orlanda. Volte! Volta pra casa."(93).
Saramara é uma narradora sensacional, a alma desse livro! Eu sabia que esse "Arlinda Orlanda" era uma referência oculta (o livro tem algumas delas, eu amo), mas demorei tanto pra lembrar de onde veio:"Estou a dois passos do paraíso", da Blitz!


6 de janeiro

CARLABÊ: Faltam pouquíssimas páginas para o fim, não estou sabendo lidar com o fato de que logo vou me despedir da narrativa de Saramara, ou que até essa altura nada, ou quase nada, está claro para mim nessa história. Talvez termine assim, em aberto. Tomara que não, é um livro sensacional, merece um final! Vamos ver ...



7 de janeiro

CARLABÊ: Como havia adiantado, realmente terminei de ler meu primeiro livro do ano ontem. Em geral, pela sua escrita performática, posso dizer que é um livro literalmente sensacional, que causa sensações, porque não está totalmente pronto e coloca o leitor pra "trabalhar" a cada linha , para "completar", para ler cartas, ouvir os incômodos ruídos da cidade, a tosse, os silêncios cortando o texto o tempo todo! No fim me diverti, me emocionei e já estou com uma baita saudade! Saudade de cantar com Saramara, saudade do "pé do todi" (essa só entende quem leu), saudade do chão de Santa Cecília ,saudade de perfume de baunilha de Carlabê, saudade do seu "fodace"! Esse é só um texto curto de primeiras impressões,mas selecionei alguns trechos ótimos sobre a cidade,sobre o centro, sobre a vida e devo usar como norte do texto maior sobre ele que escreverei no Pequenidades. Dessa vez não vou deixar passar meses,juro!



9 de janeiro 

"OUVINDO" AUTORES NO INSTAGRAM: Como sempre digo, uma das coisas que mantém ativa minha conta no Instagram é a possibilidade de, eventualmente,me comunicar com autores que estou lendo. Não que seja essencial, afinal sempre prefiro ler a obra antes de ouvir o autor, mas é um deleite: acabo sempre conferindo se tem perfil do auto(a), quando tem, observar como se comporta com os leitores, etc. Embora eu comente em postagens as leituras em seu solitário decorrer, nunca marco o autor(a). E quando o livro é muito impactante eu mesma nem desejo falar nada,mas sempre acabo aprendendo alguma coisa acompanhando perfis de autores.
No caso de Isabela Noronha, autora de "Carlabê", eu soube do livro ouvindo ela falar dele, sobre "gentrificação no Santa Cecília" (atentei de cara para esse masculino) numa entrevista. Primeiro ouvi a autora. Agora, depois de meses desejando ler, ganhei de natal, li e fui assistir novamente aquela entrevista: Foi muito bom conseguir visualizar melhor, tanto o projeto literário de Isabela, quanto o próprio romance Carlabê. Nesse caso, ainda não sei se já quero comentar minha leitura com ela, tenho vergonha, embora ache que ela, uma autora de oficinas literárias, do tipo que gosta de ouvir leitores, adoraria saber que também achei seu livro "estranho"(ela adorou quando disseram isso). Eu é que ainda preciso digerir melhor.Fica o registro...


Aí fiquei namorando meu exemplar tão bonito 



Que leitura, meu amigos. Agora que escrevi esse post enorme sobre o maravilhoso primeiro livro do ano, já posso embarcar no segundo. Veremos ...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Balanço das metas para 2024: Melhor que ano passado!

 



Eu sei que deveria estar postando a Retrospectiva e o Prêmios Melhores 2024, mas esses dão muito trabalho, por hora consegui adiantar o balanço das metas que tracei em janeiro, para ter uma ideia de que se o ano foi bom ou ruim. Vejamos quais foram cumpridas, parcialmente cumpridas ou não cumpridas :


1 - CONTINUAR VIVA

META CUMPRIDA : Não corri risco de vida em 2024, mas fiquei bem ruim como nunca em abril e maio, com dengue e cirurgia. Mas cumpri a meta com sucesso e cá estou vivíssima.

 

2 - VIVER EXPERIÊNCIAS SENTIMENTAIS E AUMENTAR MEU AMOR PRÓPRIO

META CUMPRIDA : Nesse ano eu diminui o alcance dessa meta, queria só viver experiências sentimentais e isso consegui com sucesso, sem rasurar meu amor próprio, que até aumentou, tanto que acredito que possa tomar algo maior como meta em 2025. Veremos!

 

3- ME REINVENTAR PROFISSIONALMENTE

META NÃO CUMPRIDA: Estava tudo ruim nesse campo, sem luz no fim do túnel e continuou assim. Na verdade, passou tão rápido, em deu tempo de me reinventar: tantas prioridades, especialmente de saúde. Deixa pra 2025.

 

4- CONHECER E CURTIR SAMBAS E ROLÊS

META CUMPRIDA : Como sempre mantive uma rotina de samba em minha vida, conheci novas rodas no  Maria Zélia, inclusive algumas tradicionais cariocas e no dia da Consciência Negra, no Samba do Sol que sempre é uma delicia. Além do instrumental, como sempre maravilhoso, eu também conheci outros rolês, visitei exposições e foi maravilhoso flanar pelo centro de São Paulo fora do carnaval e ganhar um pouco mais de São Paulo para mim. Isso ninguém me tira mais.

 

5- CONTINUAR TREINANDO O QUANTO PUDER

META CUMPRIDA : Cumpri mesmo, apesar de tudo! Fui treinar super fraca,  com dengue e tudo, e no fim deu tudo certo, ganhei até massa muscular nas pernas, ui ui ui...

 

6 -CUIDAR DE MIM E DE QUEM AMO

META CUMPRIDA : Cumpridíssima, eu diria. Cuidei muito de mim, dos meus sentimentos, não me joguei de cabeça, me priorizei e quando senti que estava sobrando, me levantei da mesa sem brigas ou alarde, só amor próprio. E em dezembro, depois de cinco anos, acompanhei a alta da minha mãe no tratamento no Instituto do Câncer, que foi minha maior conquista do ano! Continuemos!

 

7- LER PELO MENOS UM LIVRO POR MÊS

META CUMPRIDA : Continuando a pegada de 2023, li bastante, vinte e um livros, bem mais do que um por mês, embora tenha tido meses que não li nenhum! Como no ano passado, o destaque foi a Biblioteca do Sesc Pompéia, que me emprestou tantos volumes,mas até do que esses que concluí a leitura, e que assim seja mais e mais em 2025! Além desses empréstimos, eu também ganhei livros, o que foi uma delicia, porque me mostrou que, apesar de parecer que vivo na total solidão lendo e escrevendo sobre minhas leituras, tem sempre alguém que vê, que acompanha, que gosta que gostaria de receber minha opinião sobre os livros. Esse ano eu só comprei um livro usado, o Claro Enigma do Drummond, que comprei depois de ler o volume da biblioteca e quis ter o meu. Maravilhoso livro do tempo da madureza. Viva os livros, meus melhores amigos!

 

8- ESCREVER

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Meta difícil de cumprir todos os anos, dá trabalho e não vem sendo cumprida desde 2022,nesse mundo sem leitores, escrever é também é importante para mim, porque tem sempre alguém que lê e se nutre do escrito.Esse ano, além do blog, que mantenho à duras penas e falta de tempo para me sentar para escrever, também vim escrevendo  pequenas resenhas imediatas após os shows do instrumental, no ônibus mesmo, e publicado no Instagram, o que tem sido interessante. Também escrevi (e li)   sobre Caetano Veloso, que é sempre desconcertante. Sigamos!

 

9- CONTINUAR A BUSCA PELA MINHA ANCESTRALIDADE E ESPIRITUALIDADE

META CUMPRIDA : Essa ligação nunca é cortada e me dá ânimo de acordar a cada novo dia. Assim seja no próximo ano, pelo resto do ano pelo resto da vida!

 

10- PROSPERAR

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Sim, mantive minha saúde apesar das pestes,  evolui bastante, enriqueci espiritualmente e espalhei alegria e conhecimento por onde andei. Não me acertei no campo profissional, embora tenha trabalho com produção de conhecimento o tempo todo, um dia vai dar frutos. Não encontrei o amor no tempo da madureza, mas vivi experiências muito boas, estou na fé que estou pronta para amar e ser amada de novo. Falta ainda ter mais forças para me libertar mais e andar com minhas próprias pernas, mas tudo tem seu tempo e o meu será em breve !

 

Em se tratando de metas, 2024 foi melhor do que 2023. Se no ano passado tive seis metas cumpridas, 1 parcialmente cumprida e três não cumpridas, esse ano cumpri sete metas, tive duas parcialmente cumpridas e apenas uma não cumprida. Aos poucos a vida vem  melhorando. Assim seja!
Em janeiro posto as metas para 2025!