Mostrando postagens com marcador memória. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador memória. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de março de 2024

Escavando, recordando, Walter Benjamin

 


ESCAVANDO RECORDANDO: Existem assuntos muito difíceis e que o racional finge deixar de lado. No meu caso, há algum tempo,  um desses assuntos queria vir à tona, eu me comportava como se não fosse nada importante, ou como se não fosse comigo. Mais de uma vez minha terapeuta puxou esse assunto e eu não reagi com emoção, foi como se ouvisse uma história de outra pessoa. Essa madrugada, no entanto, eu sonhei com tudo aquilo com o que eu  não conseguia lidar, e foi tão real,  doeu muito, mas não chorei, entendi que o sonho era o meu inconsciente  jogando pra  fora aquela  dor soterrada e inconcebível. Foi um vômito! Lembrei do sublime  texto "escavando recordando" de Walter Benjamin, e foi como se viessem às claras as imagens mais  primitivas, de medos e dores de um passado muito primevo meu e que ficaram guardadas nos "sóbrios aposentos do meu entendimento tardio". Agora, sobrevivente da minha pior ferida, mais uma vez, pude dizer alguns NÃOS sem culpa. Assim que se aprende a viver?🤔


quarta-feira, 23 de junho de 2021

"Bicho geográfico", de Bernardo Brayner: porque "a memória é um osso que se cava fundo"

 

Eu lendo Bicho Geográfico, de Bernardo Brayner


A citação no título da postagem é porque não posso e nem quero  falar desse livro sem recorrer à memória da história da nossa amizade de longa data! Conheci Bernardo Brayner pela internet há muitos anos. Não me lembro exatamente a  data, mas sei que foi no comecinho dos anos 2000 em uma troca de mensagens sobre os livros de Guimarães Rosa no site Submarino (que na época fazia muito sucesso, era como a  Amazon ). Eu não ia comprar nada porque já tinha, estava ali só para comentar sobre  “meu autor” e encontrei  Bernardo com o mesmo objetivo, ficamos muito amigos. Meu interlocutor sobre literatura e assuntos literários de sempre, de lá de Pernambuco.

Já entrando em um tema caro a "Bicho Geográfico",  foi Be quem me presenteou com  “Ooó do vovô”,  que eu estudei anos no mestrado e doutorado, trabalhei com tantas crianças desde então, foi presente dele, por isso nos agradecimentos ele sempre aparece como o amigo que Rosa me apresentou.

Dedicatória de Ooó, do Rosa

Comentando esta dedicatória, que sempre me deixa de coração grande, cheio de carinho, observo: Ele havia comprado o livro em janeiro de 2004, mas em fevereiro de 2004 me presenteou com ele porque, era tão "a minha cara" que ele só podia ser um intermediador para ele chegar até mim. E não estava errado!

Como sabemos, o tempo e a vida corrida pode até nos afastar das pessoas, até de um “amigo de infância” (amizade de tantos anos, pra mim, é desde a infância!) como o Bernardo, mas nunca deixamos de olhar um para o outro, mesmo de longe. Só que o Bernardo não era apenas um simples leitor como eu, era também um escritor e me presenteou com seu primeiro livro, “Exercícios de morrer” (2005),tenho então dois exemplares dele em minha biblioteca

Minha biblioteca de Bernardo Brayner

Na época do boom dos blogs, quando criei esse aqui, que hoje já é vintage, eu  lia até que com alguma frequência o seu “Livros que você precisa ler”, algo muito interessante , sobre todos os livros que nunca foram escritos, mas existiam na sua fértil imaginação e esse tema do imaginário bibliográfico também é central em "Bicho Geográfico".  Só que eu acabei deixando de  acompanhar o blog e  também sua obra literária, que agora vejo que cresceu bastante, tornou-se internacional. Não deve ter sido à toa que agora, em plena quarentena,eu venha  resgatar o laço com a obra do Bernardo,  no momento em que ele publica seu mais recente livro e ter o prazer de voltar a ler seu texto. 

Porque consegui pegar uma promoção de lançamento da CEPE editora, meu volume veio autografado, como iria para para qualquer leitor, mas quando chegou e reconheci a letrinha do amigo, meu coração ficou quentinho, aquele autógrafo foi pra mim, é pra mim e quem justifica é a linda história da nossa amizade: 

autógrafo de "Bicho geográfico"

Vou fazer um primeiro comentário aleatório sobre o livro,a partir de todo esse contexto. Quando  “Bicho geográfico” chegou eu fui ansiosa para ler, porque Bernando havia comentado em algum lugar, que não era propriamente nem poesia, nem prosa, e isso me lembrou Guimarães Rosa, claro. E tem mesmo um pouco de tudo. Bernardo, que já era um  grande leitor, melhor do que eu, admito (ele vem de uma família de leitores!) e se tornou, sobretudo, um grande escritor! Só podia, eu sabia que ia gostar. E gostei mesmo!

Li o livro de uma vez, me emocionando em tantas partes, porque é bonito, é poético! 

Em determinado momento ele escreve que  “não se deve contar nada a ninguém: as histórias são coices e desembestam”(p.46), e é verdade, pois então, quando, no livro,  Bernardo falando de alguns momentos marcantes da sua história, algumas perdas, algumas alegrias, tive um sentimento interessante, não que eu soubesse daqueles acontecimentos em específico, mas eu me lembro daquelas fases, dele me contado algo assim e assado, há tempos, mas nunca esqueci. Houve uma época, na nossa antiga juventude, que fomos  amigos confidentes! Uma época voraz: o começo da vida adulta, os medos, as dores .... eu lembro do clima, da sensação, eu tenho essa memória, ainda que coberta pelas neblinas do tempo!

O livro está mais para uma auto biografia de formação como leitor (estou inventando esse termo), onde, como disse,  ele narra fatos da infância, ou marcantes na vida mesmo, ilustrado por belas fotos de família,  antigas, coloridas, do menino Bernardo,com os irmãos, brincando, rindo, fantasiado: como se quisesse voltar ao passado, achar o momento chave, de quando ele começou a se tornar o que é agora. Em qual daqueles momentos de “prazer discreto” o autor guardou seu tesouro? Não se sabe... mas é possível, e necessário, lembrar de tudo, afinal ele está vivo e

“o essencial é a memória, visto que a literatura é feita de sonhos e sonhos recombinam recordações.”(p.22)

Mas nem sempre é fácil recordar, talvez seja preciso sempre desconfiar , como ele conta:

“Desconfio da religião, pois se pretende uma certeza que não cessa. Desconfio da história, pois se pretende uma memória que não se apaga. Desconfio da arte, pois se pretende uma história que nunca acaba” (p.81)

Sim, trata- de um livro sobre memória, esquecimento e acima de tudo, de livros, daí me parecer um relato de formação. Das brincadeiras, dos sonhos, da imaginação que colore ou apaga tudo.

Dedicatória para txai

No começo eu chamava o Be de meu Txai, que como está na música, é um termo indígena que mais que significa amigo/ mais que irmão, a metade de mim que existe em você/ e a metade de você que habita em mim, porque eu sentia mesmo uma ligação entre nós (amizade mesmo: metade longe, também sou eu)  e isso não veio do nada e não pode se acabar. 

Lendo o livro me permiti me imaginar perto de Bernardo novamente, como era na época da nossa infância no mundo dos leitores e  algumas vezes, senti que ele segurava minha mão quando eu me emocionei ao ler, em “Bicho geográfico”,  a história com Ozu : Eu e Bernardo temos muito mais em comum, como eu já pensei de cara, e isso é lindo.

Parabéns meu Txai, seu livro é lindo, seu coração também e eu sou muito grata por poder te dizer isso nesta vida que  tantas vezes nessa  tão difícil! 

Peço licença para me despedir, já me emocionei aqui...

Pra terminar, para os leitores do blog, leio um trechinho interessante, amantes de livros como nós, vão gostar:


sexta-feira, 18 de junho de 2021

O passado movente em "As reputações" de Juan Gabriel Vásquez

 No Brasil o romance “As reputações”(2013) do escritor colombiano Juan Gabriel Vásquez foi traduzido por Joana Angélica d’Ávila Melo e publicado em uma belíssima edição Bertrand Brasil em 2016:

capa Angelo Allevato Bottino, mostrando um busto na ponta de um lápis grafite.

Depois de uma entrada no mundo do Gabo, queria conhecer mais da literatura colombiana além dele, além do Nobel, o que se está escrevendo na Colômbia no século XXI. Ai peguei essa indicação de Rodrigo Vilela, do Canal ler para viver e, pela sinopse me atraiu.

O livro tem 140 páginas com uma narrativa dividida em três partes, com uma reviravoltinha em cada uma delas. Narra a história do cartunista Javier Mallarino, famoso pelos “comentários” políticos no maior jornal da Colômbia e que por sua atividade crítica tão importante, chegou a receber muitas ameaças para si, sua esposa Magdalena e sua filha Beatriz, o que acabou obrigando-o a se separar e morar só nas montanhas, perto do Páramo ( o real, geográfico), vivendo como um eremita.

O livro começa com uma homenagem que ele recebe, pelos 40 anos de serviços prestados nos jornais e nessa ocasião, uma mulher de 35 anos, Samantha Leal,que ele não sabia, mas já havia encontrado há 28 anos e chega para lhe revelar um fato muito importante para as mulheres latino americanas, que pode vir a mexer com toda sua vida, memória e reputação.

Como tenho gostado muito dos últimos livros que li recentemente, a expectativa com esse não era pequena, achei que ia quebrar o clima mórbido das duas últimas leituras (pesou muito no meu espírito todo aquele luto e morte de O avesso da pele e Pedro Páramo), afinal o livro é recomentado por um grande autor latino americano, o Mario Vargas Lhosa, esperava algo meio clássico , esperava muito e a queda foi dolorosa porque a leitura não fluiu. Não que seja mal escrito, nem nada, ou que seja um livro cômico, mas o ritmo é leve demais, não sei. Me me lembrou muito algumas anedotas que lia quando pesquisava humor no pós-doc e descobri que talvez eu nem tenha tanto senso de humor assim.

O fato é que eu demorei muito para ler esse livrinho, tinha muita vontade de fechar o volume logo, talvez porque o narrador, em terceira pessoa, dá muitas voltas em todos os temas, talvez para nos apresentar melhor Javier Mallarino, o que ele fazia e pensava, mas como fazia isso sempre, foi ficando muito enfadonho. Todas as noites olhava para ele e ia fazer outra coisa, algum ranço louco, como se ele fosse mesmo muito ruim. Não é. Tudo bem que eu venho de obras maravilhosas, clássicos, mas isso não é motivo de eu realmente não querer ler esse livro, essa é a verdade. 

Tem uma citação atribuída ao Kafka que eu sempre me lembrava enquanto lia e não gostava do livro colombiano :

"Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?"

Ora, por vários motivos. Para conhecer um jovem autor  colombiano, para ver como ele tratava de temáticas humorísticas na construção do seu romance, quem sabe indicá-lo ao grupo de estudos, porque ele discute não só a importância social do humor, como também as práticas em trechos como este discurso de Mallarino, na cerimônia em sua  homenagem:

"... As coisas não mudaram muito. Nestes quarenta anos, me ocorre agora, há pelo menos duas que não mudaram: primeiro, aquilo que nos preocupa; segundo, aquilo que nos faz rir. Isso continua igual, igual como há quarentena anos, e temo bastante que continuará igual nos próximos quarenta anos. Às boas caricaturas buscam encontrar a constante de uma pessoa: aquilo que nunca muda, aquilo que permanece e nos permite reconhecer quem não vimos em mil anos."(p.38)

Ou quando Mallarino se refere ao seu mentor, em trecho fundamental para pensarmos no que, depois, vai acontecer no romance :

“Ricardo Rendón, meu mestre, certa vez comparou a caricatura a um ferrão, mas recheado de mel. Eu tenho essa frase em meu local de trabalho, mais ou menos como um marinheiro tem uma bússola. Um ferrão recheado de mel. A identidade do caricaturista depende das medidas com as quais ele mistura os dois ingredientes, mas os dois ingredientes devem estar ali. Não há caricatura sem ferrão e tampouco sem mel. Não há caricatura se não houver subversão, porque toda imagem memorável de um político é, por natureza, subversiva: desequilibra o solene e delata o impostor. Mas também não há caricatura se não houver sorriso, ainda que seja um sorriso amargo , na cara do leitor...”p.40

Ou esse , quase metalinguístico :

“as caricaturas podem exagerar a realidade, mas não inventá-la. Podem distorcer, mas nunca mentir” (p.39)

Importantes teorias sobre humor, adequadas à construção ficcional. Não deve ter sido fácil entrelaçar, assisti entrevistas de Vasquez e ele conta que demorou muito para escrever esse livro, teve que estudar bastante o mundo dos caricaturistas. A isso eu dou imenso valor. No entanto, para mim, pessoalmente,  não serviu para deixar o livro mais sedutor.

Para não dizer que o livro que me desagradou por completo, eu  gostei de como ele aborda a questão da memória, base mantenedora ou devastadora das reputações, a partir de uma personagem da história de Alice de Carroll, quando lembra que

“é muito pobre a memória que só funciona para trás” (p.122)

Esse passado móvel e instável trazido pelas memórias era como uma outra versão legítima do acontecido, que ganhamos de presente quando narramos o lembrado, mas sempre o modificamos. 

Nas memórias de uma festa há muitos anos, na casa de Mallarino ele diz:

"... não sei que coisas me passaram pela cabeça, mas não fui o único: todos os que estávamos na sala paramos de fazer o que estávamos fazendo. As taças foram deixadas na mesa. As conversas se interromperam. Os que estavam sentados se levantaram. Em minha memória, até a música se desligou, mas isso é impossível, que a música tenha se desligado automaticamente messe exato momenti, e no entanto eu me recordo assim: a música se desligou. A memória faz essas coisas, não é? A memória desliga as músicas e coloca pintas na pele das pessoas e muda de lugar as casas dos amigos.”(p.79, grifo meu)

Pois então, se o acontecido no passado não pode mais ser mudado, a narrativa dele , trazida pela memória, pode e essa é uma das graças de se contar a História.

 

sábado, 6 de abril de 2019

Sobre "A Mancha" da ditadura, por Luiz Fernando Veríssimo

Capa do livro de contos
de L.F.  Verissimo



Em 2013 Luis Fernando Veríssimo lançou "Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos",um livro diferente dos que estava acostumado a escrever, pois deixou um pouco de lado a crônica humorística do cotidiano e investiu em contos literariamente mais elaborados, mas a forma de escrever leve, se mantém sempre. Alguns contos desse livro ficaram muito marcados na minha memória, especialmente o que deu título ao volume, mas aqui vou falar de outro, um que nos é fundamental nesse momento do Brasil de 2019, trata-se do conto "A Mancha". Vou comentar rapidamente e espero não fazer muito spoiler, vamos ver como eu me saio.

A narrativa conta a história de Rogério, um ex militante que havia sido perseguido e torturado na  ditadura, que nos anos 90 ou 2000   vivia atormentado por pesadelos, tinha mas se reerguido financeiramente,  pois depois que voltou do exílio     "enriqueceu" comprando prédios antigos, que reformava ou demolia e reconstruía para revender por preços exorbitantes, era "o demolidor".
Certa vez, trabalhando, visita um prédio antigo  e feio que estava à venda,  no qual encontra uma sala com um carpete com uma mancha de sangue que lhe é muito familiar: era a  sala onde  havia sido torturado e aquele sangue só podia ser dele. Era a marca do passado. O que fazer ? "comprar o passado, renovar, vender e enriquecer mais. Ou comprar o passado, destruir, e pensar no que fazer com o vazio"(p.119)?  
Essa dúvida, se estendida para a História do Brasil, é aquela que a gente não resolveu ainda, e agora está cobrando a dívida com a impensável louvação à ditadura militar de 1964. 
O passado sempre deixa uma marca, mesmo que tentemos apagá-lo, alguma coisa sempre sobra e vem cobrar nossa dívida.
Recomendo a quem puder, leia esse conto, é bem perturbador, eu cito numa aula que eu curto muito ministrar sobre o tema "história e memória".
Sou uma profissional da História e me orgulho muito disso, às favas o governo federal e seu discurso "burrocrata".

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

PEDRO BLOCH: UM ESCREVINHADOR DE CRIANÇA


PEDRO BLOCH: UM ESCREVINHADOR DE CRIANÇA
"O mundo infantil é cheio de mistério e poesia, suspense e humor. (..) Seria de desejar que todos os pais guardassem as frases mais expressivas dos filhos, como verdadeiros tesouros. Mas o que ocorre, normalmente, é que se conserva um flagrante fotográfico inexpressivo ou uma botinha, um boneco uma mecha de cabelo. Quase nunca percebe que o que a criança diz, em suas diferentes fases, são pedacinhos de alma dessa criança." 
(BLOCH, Pedro. 'Criança diz cada uma!', 1963, p. 1)

terça-feira, 21 de junho de 2016

Camila e " Lá, nas Campinas", de Rosa ...

© Adélio Sarro

Às vezes me perguntam por que todo esse amor ao Guimarães Rosa. A resposta não sei dar, mas em alguns momentos chego perto. 
Lá, nas Campinas, por exemplo,  é um conto que Rosa escreveu "para mim" e que eu destrinchei na dissertação...ele é todo "camiliano" : Drijimiro "não sabia nada de sua infância, mas recordava-a demais"  e essa recordação se dava pelo som, pela memória do som das vozes, das elocuções populares ... o que é importante para o Rosa, o que eu venho estudando quase a vida toda! 

"súbito, sem sofrer, diz, afirma: - "Lá..." 
Mas não acho as palavras " 

Sempre me emociono! 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sessão em memória de Nicolau Sevcenko


Nesta foto boa parte da minha formação como historiadora
Em 13 de agosto de 2015 foi aconteceu no DH uma sessão em homenagem a memória de  Nicolau Sevcenko, o grande professor da minha geração.  Quanta gente veio dar depoimento, outros tantos de várias gerações, vieram assistir e homenagear aquele que foi um formador de pessoas e pesquisadores melhores!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cronologia da infância

"A cronologia da infância não segue uma linha reta, mas é feita de sobressaltos. A memória é um espelho opaco e estilhaçado, ou melhor, é feita de conchas intemporais de lembranças espalhadas numa praia de esquecimento. Sei que aconteceram muitas coisas naqueles anos, mas tentar recordá-las é tão desesperador como tentar lembrar um sonho, um sonho que deixou em nós uma sensação, mas nenhuma imagem, uma história sem história, vazia, da qual resta apenas um vago estado de espírito. As imagens se perderam. Os anos, as palavras, as brincadeiras, as carícias se apagaram, e no entanto, de repente, rememorando o passado, alguma coisa volta a se iluminar na sombria região do esquecimento"
- A Ausência que Seremos, Hector Abad

sexta-feira, 6 de março de 2009

MEMÓRIA E CANÇÃO...

Ontem eu fui a terapia de manhã e depois fiquei esperando uma amiga no sofá do café da Livraria Cultura, por volta das 13 horas. Fazia muito calor, como sempre, e eu estava com uma energia levemente alegre, depois de muito tempo, nem lembro dede quando e não sei o que me trouxe essa brisa leve... só sei que ontem eu me dei conta dela quando no MP3 tocava a música que adoro da Elba Ramalho,como se alguma coisa me dissesse: "Você tem o mundo nas mãos, usufrua!"
Pena ter durando tão pouco, mas a memória e a canção (E por que não a ilusão?) permanecem: