Mostrando postagens com marcador POESIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POESIA. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Um brinde com Marcos Nasser




Foi com enorme satisfação que, logo que cheguei à cidade de Niterói, pude acompanhar o sarau com brinde em homenagem ao pintor e poeta niteroiense Marcos Nasser, no Reservart.

Em memória de Teresa,poeta que infelizmente conheci depois de sua passagem


Na mesa, contamos com outros poetas da cidade, que eu também não conhecia ainda. Um deles contou um história triste mas bonita, sobre a poeta Tereza Cristina ( que eu também não conhecia), que morreu no dia 4 de abril. 

Contou ele que a encontrou em um evento literário no dia 31 de março,onde abriu-se uma ciranda e ele a viu dançar como nunca imaginou ver. Poucos dias depois, a notícia de sua morte. Achei poético: ele presenciou a apoteose da poeta!

Foi uma delícia adentrar no campo poético de Nikiti, conhecer poemas, ouvir música ao vivo e encontrar gente nova nessa galeria fofa que fica no espaço Reserva Cultural de Niterói.
Na Reservart: Esquerda caneca "na terra de Araribóia é que eu tenho quem me quer", ,trecho de samba "não sou daqui" , década de 1940. Direita placas legais ...


Depois da cerimônia, o brinde com espumante bem gelado e petiscos deliciosos, ofertados pelo artista poeta, proporcionou um ambiente ideal para fazermos novas amizades.
Tim Tim 🥂


Além dos envolvidos no evento, como Neide, promoter do Reserva, e os músicos que iluminaram a leitura dos poemas com um repertório delicioso de canções populares brasileiras, com destaque para composições de Gonzaguinha, que já não ouvimos tanto, mas que emocionam, como “Um Homem Também Chora” e “O Que É, O Que É”.
Esquerda pra direita: Luciana,eu, Neide e Silvana

Geraldo e eu fizemos amizade com duas mulheres sensacionais. Depois de algumas taças de espumante, ele resolveu me fazer um agrado, declarando-se a mim na frente das pessoas que acabamos de conhecer. Disse por que gosta tanto de mim, e como eu sou focada, verdadeira e íntegra, coisas que ele disse não ser.

Nessa conversa, nossa nova amiga Silvana, terapeuta corporal , espiritualista, sensível e inteligente, que acredita na força do vocabulário, tentou bravamente retirar a palavra “fracassado” da piada do Gê, por considerar que ela carrega um peso energético desnecessário. Talvez não tenha conseguido, já que a piada de ser um “escritor fracassado” funciona há tanto tempo, mas o questionamento foi válido. Rute, mais vivida do que nós, disse algo que homens não gostam de ouvir, mas que ela precisava falar: Geraldo, você é leve e gaiato, mas deve guardar a Camila num lugar especial. Você precisa da energia dela, ela é sua base, sua firmeza. Uau.

A outra nova amiga, Luciane, que tinha acabado de ler Grande Sertão, é poeta, mas não nasceu em Niterói, e sim em Lumiar, no interior do Rio. Como coincidências não existem, Geraldo deve ter achado mágico encontrar uma porta justamente de Lumiar!

De qualquer forma, valeu muito a pena o evento e ser introduzida no grupinho literário de Niterói.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"Dois", poema de James Ribeiro


Dois
E quando em nudez, em pé,
Na sua frente,
Levemente puxou os cabelos.
E beijou com gosto.
A transou no beijo,
Mordeu o lábio inferior.
E tratou de descer
Cheirando todo seu corpo,
Instintivamente.
E quando chegou,
Passou a língua,
Sentiu o calor que extrapolava
E sentiu DE-MO-RA-DA-MEN-TE...
Era como se permitir voar
Em chão, e não estar preso,
A não ser pelas mãos.
Que ao acariciar seus cabelos,
Se fez rebolar vagarosamente.
Amoleceu as pernas, babeou.
E ofereceu de dentro
De seu tesão,
Seu delírio em líquido.
Em penugem eriçada
E unhas arranhando
Tudo que fosse pele.
Sugada. Escorrida pela perna.
Sorria.
James Ribeiro

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O BRASIL QUE EU QUERO É O QUE OBRIGATÓRIO É OUVIR RACIONAIS!


Eles já tinham "caído" no ENEM 2017, comemorei demais aqui, agora a UNICAMP foi bem mais além e indicou um disco inteiro como obra obrigatória para o vestibular 2018! É muita coisa!  Justo esse, que é um lance muito bom, sempre o som coisa tipo rap internacional ... tem "tô ouvindo alguém me chamar" que é uma das músicas mais fortes que eu conheço! E COMEÇA COM JORGE DE CAPADÓCIA! É um marco! Racionais é mais que canção, é tipo uma instituição!  Adorei!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ricardo Aleixo e a ancestralidade

Primeiro chegou a mim a fala de Ricardo Aleixo nesse vídeo:

"... ter convivido com meus pais, que foram as duas pessoas mais admiráveis que eu já tive a chance de conhecer,  significou a a possibilidade de pensar a ideia de ancestralidade não  como é comum a boa parte dos negros no Brasil - pensar em uma África mítica - a minha África é a minha casa. E pensar, também, a partir do momento em que foram nascendo os filhos ... foi o momento em que eu comecei a pensar na ancestralidade não como aquilo que está dado, mas a partir da poética da cosmogonia africana : ancestre é também aquele que ainda não veio e isso é o que determina a circularidade e a sobreposição dos tempos ..." (27' e 29')

Depois tem o poema:

ANCESTRAL
é quem
vive no meio
do tempo
sem tempo:
é quem veio
e já foi
e é também
quem
ainda não
veio

Ricardo Aleixo, poeta das minhas performances! 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Guimarães Rosa Diplomata


Vamos ler uma carta escrita por Guimarães Rosa?Tem gente que fala que esta carta foi enviada por Rosa a João Cabral de Melo Neto, mas na verdade - como está no livro "Guimarães Rosa diplomata" p. 160-1 - ela foi escrita em resposta ao ao diplomata Jorge Kirchhofer Cabral, trata-se de uma correspondência profissional! De qualquer forma acho primorosa a carta.

"Consul caro colega Cabral,
.
Compareço, confirmando chegada cordial carta.

Contestando, concordo, contente, com cambiamento comunicações conjunto colegas, conforme citada consolidação confraria camaradagem co...nsular.
Conte comigo: comprometo-me cumprir cabalmente, cabralmente condições compendiadas cláusulas contexto clássico código. (Contristado, cumpre-me consolidação coligar cordialmente conjunto colegas?...crês?...crédulo!...considera:...”cobra come cobra!...” coletividade cônsules compatrícios contém, corroendo cerne, contubérnios cubiçosos, clãs, críticos, camarilhas colitigantes... contrastando, contam-se, claro, corretos contratipos, capazes, camaradas completos.) Concluindo: contentemo-nos com correspondermo-nos, caro Cabral, como coirmãos compreensivos, colaborando com colegas camaradas, combatendo corja contumaz!...

Contudo, com comedida cólera, coloco-me contra certos conceitos contidos carta caro colega, cujas conclusões, crassamente cominatórias, combato, classificando-as como corolários cavilosos, causados conturbação critério, comparável consequências copiosa congestão cerebral. Caso concordes cancelá-los , confraternizaremos completamente, com compreenção calorosa, cuja comemoração celebrarei consumindo cinco chopes (cerveja composta, contendo coisas capiciosas: corantes complicados, copiando cevada, causando cólicas cruéis...)

Céus! Convém cobrar compostura. Cesso contumélias, começando contar coisas cabíveis, crônica comtemporânea:
Como comprovo, continuo coexistindo concerto conviventes coevos, contradizendo crença conterrâneos cariocas, certamente contando com completa combustão, cremação, calcinação corpos cônsules caipiras cisatlânticos...

Calma completa? Contrário! Cessado crepúsculo, céu continuamente crepitante. Convergem cimo curvos clarões catanúvens, cobrindo campinas celestes, crivadas constelações.

Convidados comparecem, como corujas corajosas, contra cidade camuflada. Coruscam célebres coriscos coloridos. Côncavo celeste converte-se cintilante caverna caótica, como casa comadre camarada. Crebro, cavernoso, colérico, clama colossal canhonêio. Canhões cospem cometas com cauda carmesim. Caem coisas cilindro-cônicas, calibrosas, compactas, com carga centrífuga, conteúdo capaz converter casas cascalho, corpos compota, crâneos canjica. Cavam-se ciclópicas crateras (cultura couve-colosso...). Cacos cápsulas contraaéreas completam carnificina. Correndo, (canta, canta calcanhar!...) conjurando Churchil, conjeturando Coventry, campeio competente cobertura, convidativo cantinho, coso-me com chão, cautelosamente. Credo! (como conseguir colocar-me chão carioca Confeitaria Colombo, C.C., Copacabana, Catumbi???)
Cubiço, como creme capitoso, consulados Calcutá, Cobija!... Calma, calma; conseguiremos conservar carcaças.

Contestando, comunico cá conseguimos comboiar cobre captado (colheita consular comum), creditando-o cofres consignatário competente, calculo consegui-lo-ás, contanto caves corajosamente.

Conforme contas, consideras cós curtos como cômoda conjuntura, configuradora cinematográficoa contornos carnes cubicáveis. Curioso! Caso curtificação continue, conseguiremos conhecer coxas, calças?...Cáspite
Continuarei contando. Com comoção consentânea com cogitações contemporâneas, costumo compor canções. Convém conhêças:


CANTADA


Caso contigo, Carmela
Caso cumpras condição
Cobrarei casa, comida,
Cama, cavalo, canção
Carinho, cobres, cachaça,
Carnaval camaradão
Cassino (com conta certa)
Cerveja, coleira e cão,
Chevrole cinco cilindros
Canja e consideração,
Calista, cabelereiro
Cinema, calefação,
Chá, café, confeitaria,
Chocolate, chimarrão
Casemira – cinco cortes
Cada compra, comissão,
Conforto, comodidades,
Cachimbo, calma,... caixão,
Convem-te, cara Carmela?
Cherubim!...Consolação!...
(caso contrário, cabaças!
Casarei com Conceição.)
Caso contigo, Carmela,
Correndo com coração!...

Chega. Caceteei? Consola-te: concluí.

Com cordial, comovido: colega constante camarada,

Consul, capitão, clínico conceituado.

Confirme chegada carta, comunicando-me com cartão.


João Guimarães Rosa"

sábado, 1 de dezembro de 2012

Abraçaço (do e no) Caetano Veloso!

A capa do mais novo  álbum de Caetano Veloso, assinada por FernandO Young
(não confundir com Fernanda Young, please), que representa o título do disco: um abraçaço!
 
Divulgando a capa tão significativa e carinhosa e a lista de faixas :
 
1. A Bossa Nova É Foda
2. Um Abraçaço
3. Estou Triste
4. Império da Lei
5. Quero Ser Justo
6. Um Comunista
7. Funk Melódico
8. Vinco
9. Quando O Galo Cantou
10. Parabéns
11. Gayana
 
Caetano Veloso, aquele lindo, comemora agora seus 70 anos, recheado de homenagens merecidíssimas e lançando seu último álbum intulado Abraçaço, termo que ele mesmo explica  lindamente assim:
 
"— Abraçaço é uma palavra muito bonita e tem essa reverberação, parece um eco, mais ainda quando escrito, esse a-ce-cedilha duas vezes. É como se fossem círculos concêntricos de abraços, que vão se expandindo. Não é apenas grande ou maravilhoso como é um golaço, por exemplo. É expansivo. No disco, o abraçaço abarca desde cena íntimas até o fato que "o império da lei há de chegar ao coração do Pará". Caetano Veloso, entrevista ao Globo em novembro 2012.

 
Adoro quando Cae comenta música a música como nesta entrevista (coisa que ou ele nem sempre faz, ou eu que acabo nunca tendo acesso). Eu ouvi poucas coisas do novo disco por enquanto, mas quando ouvi a música "O Império da Lei" claro que identifiquei de imediato a referência ao assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005 e, consequentemente, isso me fez relembrar do alerta do Willi Bolle na época : esse universo sem lei, onde até Deus, se vier, que venha armado, do Grande Sertão : Veredas, não está morto no Brasil do século XXI. É o Caetano tocando o dedo na ferida novamente, colocando-se, sem querer agradar...
 
Acho ótimo, e sintomático, termos um artista como Caetano no Brasil, que tem suas opiniões e não tem medo de remodelá-las, nem de ser polêmico em alguma parte do processo de reflexão. Pensa e faz pensar. Penso que  precisamos de gente assim, por isso ele é meu "ídolo", afinal com ele não preciso concordar com tudo o que ele pensa ou faz (não é um modelo de vida), é um incentivador da reflexão ... e é um puta de um poeta! Agrada tantos  e também desagrada na mesma medida. Quem precisa de unanimidades?
 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A voz do escritor com os poetas Ricardo Aleixo e Waldo Motta

Ontem à noite estive assistindo uma parte do encontro "A voz do escritor" aqui na USP. Recebemos dois poetas, o mineiro Ricardo Aleixo e o Capixaba Waldo Motta. Intressante ouvir esses poetas.

Do Waldo Motta e seu livro "Bundo" eu já tinha ouvido falar aqui nas letras, mas não tinha lido nenhum poema. Ele m
esmo leu para nós e, assim como ele mesmo, os poemas são escatológicos, homo-eróticos,reliosos e filosóficos, o que me levou a me perguntar (eu que eventualmente acompanho os saraus dos poetas na Casa das Rosas): Que poeta atual segue caminhos muito diferentes desses? Ao contrário do que ele gostaria, sua poesia não me chocou, nem interessou ou marcou. Lembro apenas frases divertidas dele, como quando se definiu como "bicho e bicha" que adota uma "perspectiva anal" em seus poemas (rs)Foi legal, mas fiquei pensando no perspectivismo do Viveiros de Castro ... será que ele consiguiria "comer" essa perspectiva tão "corporal" de Waldo Motta e voltar a ser Viveiros de Castro? Nunca saberemos. (rs)

Já com a fala do Ricardo Aleixo eu me identifiquei mais e como não o conhecia, foi uma agradável surpresa. Sua narrativa sobre os primeiros contatos com a poiesia, que teria se dado à partir do futebol-arte de Ademir da Guia, o "filho do Divino Mestre", que encarnava um "histórico" familiar de poetas da bola ao relembrar constantemente seu pai Domingos da Guia, o "Divino Mestre". Interessou ao Aleixo todo o conjunto de linguagens que o futebol que proporcionou desde a infância: a poesia dos toques de bola; a rapidez das "narrações" ouvidas no rádio - ele se espantou chamarmos de "narradores de futebol", porque o que um narrador narra algo que já aconteceu e esses narram o acontecimento enquanto ele ainda está em processo, por isso tanta velocidade - a força de possibilitar uma inclusão social do jogo... esse tipo de percepção é coisa de poeta, não acham? Um olhar para o mundo procurando um "não-lugar" onde a vida nã
o seria, de antemão, nem boa nem ruim, mas diferente: a poesia. O que interessou ao Aleixo não foi a competição, mas o jogo, porque para o futebol-arte o processo de constução da poesia interessa mais que o resultado final(me lembrou muito os times do Santos))! Isso me emocionou muito e eu me lembrei de quando eu li as crônicas de Nelson Rodrigues sobre futebol: Era, como a literatura também é,uma reenunciação da vida e dos seus dramas. Adorei!

Uma coisa se repetiu na fala dos dois poetas sobre a sua vida até então: Sempre há um momento em que as condições pioram e a poesia não se torna a melhor opção possível, mas sim a única possibilidade de permanecer vivendo, ou seja, a poesia não é mais uma forma de ressignificar o mundo, mas é ela mesma o próprio sentido, justificativa e finalidade da existência... Isso é a paixão, que deve envolver todos os homens, de preferência sempre...


Adorei mesmo ter ouvido vozes poéticas, nesse mundo tão raso e seco...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SIMBOLISMO GUIMARÃES ROSA, MAIS UMA VEZ ...

Eu, como pesquisadora de Guimarães Rosa, estou bem interessada no Simbolismo...
Pesquisando na internet, achei isso aqui:
"O que caracteriza a poesia simbolista?
Na França, a poesia da segunda metade do século XIX assumiu duas formas: o Parnasianismo e o Simbolismo. Os parnasianos consideravam um poema o fruto de um exaustivo trabalho de sabedoria e perfeição rítmica e musical que pretendia descrever objetivamente a realidade. Da evolução do Parnasianismo surgiu o chamado Simbolismo, que queria fugir da rigidez estética parnasiana em direção a uma poesia mais livre nos temas e na forma. Seu objetivo era ter como base a sugestão, a criação de imagens fluidas e a apresentação subjetiva da realidade, expressa pelo uso de sinestesias e metáforas sutis."


Acho isso tão interessante!
Leiamos, agora, as palavras do próprio Rosa a Günter Lorenz:

"Escrevi um livro não muito pequeno de poemas, que até foi elogiado. Mas logo, e eu quase diria que por sorte , minha careira profissional começou a ocupar meu tempo. Viajei pelo mundo, conheci muita coisa, aprendi idiomas, recebi tudo isso em mim; mas de escrever simplesmente não me ocupava mais. Assim se passaram quase dez anos, até eu poder me dedicar novamente à literatura. E revisando meus exercícios líricos, não os achei totalmente maus, mas tampouco muito convincentes. Principalmente, descobri que a poesia profissional, tal como se deve manejá-la na elaboração de poemas, pode ser a morte da poesia verdadeira. Por isso, retornei à 'saga', à lenda, ao conto simples, pois quem escreve estes assuntos é a vida e não a lei das regras chamadas poéticas. Então comecei a escrever Sagarana. Nesse meio termo [entre os poemas de Magma e Sagarana] haviam transcorrido dez anos, como já lhe disse; e desde então não me interesso pelas minhas poesias, e raramente pelas dos outros. Naturalmente digo isso, porque é um dado biográfico, pois não aconteceu que, um belo dia, eu simplesmente decidisse me tornar escritor; isto só fazem os políticos. Não, veio por si mesmo; cresceu em mim o sentimento, a necessidade de escrever e, tempos depois, convenci-me de que era possuidor de uma receita para fazer verdadeira poesia."(Diálogo com Guimarães Rosa. P.70)
Não parecem posições semelhantes?
Eu acho!

sábado, 5 de dezembro de 2009

LER O LIVRO DO MUNDO = DECODIFICAR LINGUAGENS

Os pensamentos que me atraem podem parecer bastante diversos (Caetano Veloso, Guimarães Rosa, Walter Benjamin, Tom Zé, Carlo Ginzburg...), mas para mim eles são atraentes porque se dedicam a produzir uma linguagem de signos e decodificá-los...

Caetano Veloso, nas suas palavras, lê processos de História do Brasil o tempo todo: somos um país mulato (cheio de “musas híbridas”, “pretas chiques”, “jaboticabas brancas”...), preso a uma mentalidade colonial (em pleno século XXI, somos apenas mulatos "natos no sentido lato mulato democrático do litoral: Sugar Cane Fields Forever) e embora estivermos cientes disso, ele alerta claramente:” E a crítica que não toque na poesia". Esse é Caetano pensador poeta. Isso é poesia.
Guimarães Rosa era um Peter Pan (eis a idéia do meu doutorado), ele nunca deixou de "ver o mundo como se fosse a primeira vez" - que é tarefa das crianças - e o mais interessante: exatamente como elas fazem o tempo todo, ele representava esse estado de catarse constante na linguagem (por isso as palavras tão herméticas de Rosa parecem - e são - ao mesmo tempo moderníssimas e arcaicas), e ele está percebendo os tempos e decodificando-os na linguagem. Isso é arte.
Walter Benjamin queria ler o livro do mundo, que é perceber que cada momento apresenta possibilidades de futuro e de passado, ou seja, “ler” o livro do mundo é encontrar diversas épocas em momentos alegóricos e demonstrar isso na linguagem. Isso é História.
Tom Zé é o mais complicado de entender (pelo menos para mim), porque ele usa diversas linguagens - muitas delas eu não domino nem um pouco-, mas todas elas possuem ligações diretas com os sentidos do tempo (sons, ruídos, psicanálise, poesia, culturas, danças, etc...). Isso é música.
Carlo Ginzburg é meu mestre - como historiadora - e o que ele pensa é muito simples, não existem ligações diretas entre a História e a realidade que não sejam pobres... Para ele, entre essas esferas encontram-se diversas camadas de sentidos inventadas e fabricadas, e decifrar esses códigos da linguagemé fazer narrativa da História. Isso é historiografia.

Resumindo, meu grupo é o grupo dos que se voltaram com amor e atenção para a linguagem. O que eu vou fazer com isso eu não sei... Ainda.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

UMA VOLTA DE 360 GRAUS!

ESSE FINAL DE SEMANA MINHA VIDA DEU UMA VOLTA DE 360 GRAUS. É, 360: NÃO PERGUNTE COMO ESTOU, PORQUE EU DEI A VOLTA NOS ACONTECIMENTOS, REVISITEI VÁRIAS POSSIBILIDADES E VOLTEI AO PONTO ONDE ESTAVA. SE UM POUCO MUDADA, É PARA PIOR.
HOJE BUSQUEI MELANCOLIA, ACHEI NO MAIS MELANCÓLICO DE TODOS, VINICIUS DE MORAES:

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

So Solidão

A MÚSICA É TRISTEMENTE LINDA, MAS EU GOSTEI DE VÊ-LA ESCRITA, REFORÇANDO OS JOGUINHOS COM AS PALVRAS E SEUS SILÊNCIOS... NESSA ELE FOI ATÉ DIDÁTICO, MAS ELE BRINCA NESSE NÍVEL SEMPRE, EITA GENIALIDADE...
PARA OUVIR UM TRECHINHO, CLIQUE AQUI
Só (Solidão)
Tom Zé

Solidão...
Solidão...
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
O telefo...
Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
E no meu descompasso
O riso dela

Na vida quem perde o telhado
Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de soluço em soluço esperar
O sol que sobe na cama
E acende o lençol
Só lhe chamando
Solicitando

Solidão
Que poeira leve...

Se ela nascesse rainha
Se o mundo pudesse agüentar
Os pobres ela pisaria
E os ricos iria humilhar.
Milhares de guerras faria
Pra se deleitar
Por isso eu prefiro
Cantar sozinho...

Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
O telefone chamou, foi engano...
Solidão
Que poeira leve
Olhe a casa é sua
E no meu descompasso
Passo o riso dela
Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
O telefone chamou, foi engano...