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domingo, 9 de novembro de 2025

Cangaço novo

 

  


Depois da deslumbrante " Contos do Loopi",  no meio de tantas opções no Prime que acho que não valem meu tempo, foi a vez de devorar a série"Cangaço novo". E essa super valeu.

Produção nacional da Prime de 2023, é muito bem feita e não à toa fez o sucesso que fez. Depois de ver os primeiros episódios escrevi 

"  CANGAÇO NOVO

Comecei a assistir à série ontem. Gostei muito : historicamente é mesmo assim,nenhum movimento  acaba com a morte de seus membros, sem que os motivos de sua formação tenham se resolvido. Os cangaceiros dos anos 1930, o grupo de Lampião, podem até ter sido exterminados pela polícia, mas o cenário não mudou tanto assim no século XXI, continuamos vendo miséria, o abandono do poder público e a aposta na violência como única reação possível. Só ganharam novas "tecnologias". 

É uma série de ação, mas também  se destaca pela trilha sonora e pela estética: belas cenas no Nordeste, a caatinga, os bravos homens e mulheres!

Um preciosismo: talvez pudessem ter cuidado mais da linguagem. Apesar do visual cru e cruel, como a história pede, desconfio muito de que membros de grupos armados no sertão do Ceará falariam quase sem sotaque,  e que, mesmo nos momentos de maior ira, se limitassem a xingar com simples “caralh*s...”. Isso até os moleques que soltam pipa na minha rua falam! Um certo “adoçamento”, talvez herança da TV aberta, que no streaming acaba por empobrecer a trama.

Afora isso, tô curtindo e pretendo continuar assistindo."

Claro que depois achei algumas controvérsias 

"Há controvérsias: Isabela Boscov gostou de não terem sotaque ... Quem sou eu pra falar algo kkkk mas não é uma coisa que atrapalhou, foi só um comentário"

Mas nada supera a qualidade da produção. A atuação do Allan Souza  como Ubaldo Vaqueiro , e duas irmãs Divania - por Thainá Duarte, a mesma que interpretou Anita em "Se eu fechar os olhos agora" e dá super conta de fazer personagens "mudas" - e Dinorah, pela dona da série toda, a maravilhosa Alice Carvalho 😍

Claro que  lembrou tanto Grande Sertão ! Pelo banditismo, mas no caso sem Diadorim, aqui tem Dinorah, a MARAVILHOSA Alice Carvalho! Foi no delírio dela que Lampião e Maria Bonita (uma figura meio azulada, que parecia Nossa Senhora Aparecida) vieram falar! Ela é mais protagonista que o irmão HAMLET 😍

Gostei tanto  que  tinha certeza que já tinha a segunda temporada, porque é tão comentado... Ainda não tem! Vamos esperar, a produção está em processo... eu  eu quero mais!


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

GOSTO DO FRACASSO E A PICADA


Ontem fracassei novamente e ainda sinto o gosto amargo disso. Como se não bastasse, amanheci recebendo palavras duras, atestando que não serei aceita no caminho que estava querendo seguir, o que acentuou mais o gosto do fracasso. 
Por qual caminho seguir então? 
Lembro do professor Sevcenko, pensando a partir de Heidegger : Se recusar a estrada sinalizada e abrir uma picada na mata, encontrará coisas originais, mesmo que machuque e doa insuportavelmente.
 E como dói. 
E lembro que Rosa desenhou uma linda Rosa dos Ventos colorida a lápis de cor em em um de seus cadernos (não é essa da imagem, a dele está está na página 150 da minha tese) . 
Tomei banho e pensei que se estou viva, deve existir um rumo e ele virá todo colorido. Ainda hei de achar meu Diadorim 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A melhor cena de reencontro da literatura brasileira

"... um homem, tropeiro também, vinha entrando, na soleira da porta. Agüentei aquele nos meus olhos, e recebi um estremecer, em susto desfechado. Mas era um susto de coração alto, parecia a maior alegria.
Soflagrante, conheci. O moço, tão variado e vistoso, era,pois sabe o senhor quem, mas quem, mesmo? Era o Menino! O Menino, senhor sim, aquele do porto do de-Janeiro, daquilo que lhe contei, o que atavessou o rio comigo, numa bamba canoa,toda a vida. E ele se chegou, eu do banco me levantei. Os olhos verdes, semelhantes grandes, o lembrável das compridas pestanas, a boca melhor bonita, o nariz fino, afiladinho.
Arvoamento desses, a gente estatela e não entende; que dirá o senhor, eu contando só assim? Eu queria ir para ele, para abraço, mas minhas coragens não deram. Porque ele faltou com o passo, num rejeito, de acanhamento. Mas me reconheceu, visual. Os olhos nossos donos de nós dois. Sei que deve de ter sido um estabelecimento forte, porque as outras pessoas o novo notaram – isso no estado de tudo percebi. O Menino me deu a mão: e o que mão a mão diz é o curto; às vezes pode ser o mais
adivinhado e conteúdo; isto também. E ele como sorriu. Digo ao senhor: até hoje para mim está sorrindo. Digo. Ele se chamava o Reinaldo."
Este é o trecho em que Riobaldo reencontra o menino Diadorim, que atravessou o rio com ele numa bamba canoa TODA A VIDA, o menino que ele queria que gostasse dele e reencontrá-lo era "um susto de coração grande, parecia a maior alegria" ... como Guimarães Rosa sabia das coisas da vida, do medo e do amor : parecia a maior alegria! e era, só posso agradecer aquele reencontro