Em carta escrita ao amigo Fernando Sabino,Clarice Lispector comenta sobre o impacto da leitura de Guimarães Rosa . Imagens disponíveis no Instagram
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domingo, 24 de agosto de 2025
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
A professora Maria Aparecida de Aquino, Guimarães Rosa e as Eleições 2018
Nas horas mais decisivas para o futuro de um país é normal que as pessoas de gênio se voltem para aquilo que ele produziu de mais significativo em relação às ideias e as ações. Não é à toa que, quando o Brasil está a um passo do fascismo, a professora Aquino se volt para a literatura de Rosa, ouro brasileiro.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
FILME INSPIRADO NO CONTO DE GUIMARÃES ROSA
ROSIANOS E ROSIANAS : Cês sabiam desse filme DE 1972 foi inspirado no conto "Corpo Fechado", do livro Sagarana? Eu soube agora, porque tem trilha sonora do CLUBE DA ESQUINA ...
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domingo, 7 de julho de 2013
Quartas Estórias e a consolidação do cânone literário que, antes de tudo, vende!
Eu comprei este livro e não tinha gostado muito dele. Até comentei que achei só legalzinho, nada demais... porque, como eu temia, a maior parte dos textos é inspirada em passagens do Grande Sertão, algumas poucas em Sagarana e uma ou outra no Corpo de Baile. Inspirado nas Primeiras Estórias, pelo que vi, só um texto a partir de Famigerado, e sobre Tutameia: nada. Isso é comum na recepção crítica que Rosa tem até hoje e é claro que se trata da solidificação de sua imagem como autor de determinadas obras canônicas, ok. Eu nem sei se deveria achar isso ruim, mas de qualquer forma eu não gosto nada disso! Eu gosto muito da segunda fase do Rosa, acho que continua sendo uma escrita densa, repleta de significados e cada vez mais caindo para o poético.
Agora fui pesquisar um pouco na editora Garamond e vi do que se trata realmente este livro: é mesmo para comemorar datas cabalísticas e tentar vender mais livros...
No site da editora está escrito assim:
Este livro é uma homenagem, respectivamente, aos 60 e 50 anos de lançamento das duas obras-primas de Guimarães Rosa, Sagarana e Grande Sertão: veredas. Reflete tanto a atualidade da obra de Rosa quanto suas diferenças com relação ao mundo em que vivemos, estabelecendo um diálogo entre diferentes aspectos do Brasil e da literatura.
Ao encarnar o desafio de recriar as histórias de um autor tão especial para a literatura do Brasil e do mundo, Quartas Histórias atesta o talento de 40 escritores brasileiros contemporâneos, alguns ainda bem jovens, e a vitalidade da nossa literatura contemporânea. Trata-se de uma obra marcada pelo vigor, pela ousadia e pela atualidade.
Os contos de Quartas Histórias podem ser lidos e entendidos independentemente de o leitor conhecer ou não as histórias de Guimarães Rosa. Eles podem inclusive despertar a curiosidade dos mais jovens pela obra do grande autor mineiro.
AUTORES QUE PARTICIPAM DE QUARTAS HISTÓRIAS
Aleilton Fonseca, Amador Ribeiro Neto, André Sant’Anna, Antonio Carlos Secchin, Antonio Carlos Viana, Ataíde Tartari, Bernardo Ajzenberg, Carlos Gildemar Pontes, Carlos Ribeiro, Cecília Prada, Deonísio da Silva, Fabrício Carpinejar, Fernando Bonassi, Geraldo Maciel, Godofredo de Oliveira Neto, João Anzanello Carrascoza, José Castello, José Rezende Jr., Leila Guenther, Luzilá Gonçalves Ferreira, Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha, Maria Alzira Brum Lemos, Marilia Arnaud, Mário Chamie, Miguel Sanches Neto, Nelson de Oliveira, Nilto Maciel, Paulo Franchetti, Pedro Salgueiro, Raimundo Carrero, Ricardo Soares, Rinaldo de Fernandes, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho, Sérgio Fantini, Silviano Santiago, Suênio Campos de Lucena, Tércia Montenegro e W. J. Solha.
SOBRE O ORGANIZADOR
Rinaldo Fernandes é escritor, pesquisador e professor de literatura, atualmente na Universidade Federal da Paraíba. É autor de livros de contos e romances, além de organizador das coletâneas O Clarim e a Oração: cem anos de Os Sertões; Chico Buarque do Brasil e Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira.
Quem sabe um dia Guimarães Rosa vai interessar para além da sua capacidade de produzir mercadoria...
De qualquer forma, fica a dica para quem se interessar.
De qualquer forma, fica a dica para quem se interessar.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
A arte de amar

"Dinorá amara-o três anos, dois dera-os às dúvidas, e o suportara demais. Agora, porém, tinha aparecido outro.Não, só de pôr aquilo na idéia, já sentia medo...Por si e pela filha... Um medo imenso.
Se fosse, se aceitasse de ir com outro, Nhô Augusto era capaz de matá-la. Para isso,sim, ele prestava muito. Matava, mesmo, como dera conta do homem na foice, pago por vingança de algum ofendido. Mas quem sabe se não era melhor se entregar à sina, com a proteção de Deus, se não fosse pecado...Fechar olhos.
E o outro era diferente! Gostava dela, muito...Mais do que ele mesmo dizia, mais do que ele mesmo sabia, da maneira que a gente deve gostar. E tinha uma força grande, de amor calado, e uma paciência quente, cantada, para chamar pelo seu nome:...Dinóra..."Dinórá, vem comigo e traz a menina, que ninguém não toma vocês de mim" Bom...Como um sonho... Como um sono...
Dormiu.
(...)
Mas na passagem do brecão do Bugre, lá estava seu Ovídio Moura, que tinha sabido, decerto, dessa viagem de regresso.
-Dinóra, vem comigo... Ou eu saio sozinho por esse mundo, e nunca mais você há-de me ver!...
Mas Dinóra foi tão pronta que ele mesmo se espantou."
Guimarães Rosa. Sagarana. P. 369-370
Se fosse, se aceitasse de ir com outro, Nhô Augusto era capaz de matá-la. Para isso,sim, ele prestava muito. Matava, mesmo, como dera conta do homem na foice, pago por vingança de algum ofendido. Mas quem sabe se não era melhor se entregar à sina, com a proteção de Deus, se não fosse pecado...Fechar olhos.
E o outro era diferente! Gostava dela, muito...Mais do que ele mesmo dizia, mais do que ele mesmo sabia, da maneira que a gente deve gostar. E tinha uma força grande, de amor calado, e uma paciência quente, cantada, para chamar pelo seu nome:...Dinóra..."Dinórá, vem comigo e traz a menina, que ninguém não toma vocês de mim" Bom...Como um sonho... Como um sono...
Dormiu.
(...)
Mas na passagem do brecão do Bugre, lá estava seu Ovídio Moura, que tinha sabido, decerto, dessa viagem de regresso.
-Dinóra, vem comigo... Ou eu saio sozinho por esse mundo, e nunca mais você há-de me ver!...
Mas Dinóra foi tão pronta que ele mesmo se espantou."
Guimarães Rosa. Sagarana. P. 369-370
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