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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Panfleto por uma SP menos reacionária - Xico Sá

DIRETAMENTE DO BLOG DO XICO SÁ:
Nesta semana de aniversário da cidade, pego a bandeira de uma das mais sábias e lindas paulistanas:"São Paulo, larga a mão de ser reacionário. Isso é triste e burro e violento", manifestou-se a brava moça.Bia Abramo é o nome dela, profissão jornalista.Em nome da sua nobre causa, rodei este panfleto romântico, declaradamente ingênuo e grávido de anarcolirismo.Bárbaros, crédulos, pitorescos, meigos e novos Oswalds de todas as artes & ofícios, espalhemos a boa nova.Por uma SP menos reacionária.Por uma SP menos sorridente diante da chacina. Por um São Paulo menos reacionário e uma SP igualmente.Por uma SP que não seja a extensão do braço armado da polícia.Menos design fascista, menos bancos antimendigos, menos rampas antimiseráveis.Pela ocupação dos prédios improdutivos do centro por sem-tetos e artistas sem grana.Por calçadas menos esburacadas para o conforto do flâneur, do bêbado, do velho e da mulher grávida.Por uma estética mais “baiana” e menos fetiche da mercadoria nova-iorquina.Que Esperanza, a índia boliviana de Cochabamba, troque a escravidão do parque industrial subterrâneo pelo sol da decência.Que a alegria seja mesmo a prova dos nove no matriarcado de Pindorama e de Piratininga.Pela prática da psicanálise selvagem nos bancos de praça. A Sé como a Viena de Freud.Redes entre as árvores dos parques para a sesta de esportistas e sedentários.Que a sesta seja obrigatória no comércio, na indústria e nas redações de revistas e jornais. Por uma SP menos avexada. Que a tecla oficial da cidade seja o slow.Pela modernismo de ontem e não a modernagem de hoje. Pela ciência de que o futuro está em 1922.

domingo, 24 de janeiro de 2010

PARABÉNS SÃO PAULO


Quando eu morrer quero ficar

Mário de Andrade
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

domingo, 5 de abril de 2009

METRÔ DE SÃO PAULO : ESTAÇÕES SUPERLOTADAS EM CONTRASTE COM AS FANTASMAS

Hoje vi um link no UOL para a seguinte notícia "Mesmo superlotado, metrô de SP mantém estação 'fantasma'", e eu acessei, pensando que o texto falaria do principal motivo para que isso aconteça, que é o fato do planejamento da malha ser pensado a partir de incentivos da especulação imobiliária, não de necessidades da população.
Claro que a reportagem (retirada da Folha de São Paulo) nem cita esse pequeno "detalhe"...Mas é claro que é isso que acontece! No ano passado, durante a "Bienal do Livro", eu assisti um debate sobre o cotidiano do centro de São Paulo, promovido por três historiadores (Boris Fausto, Elias Thomé Saliba e o também jornalista Heródoto Barbeiro), onde ficou evidente que o centro velho vem perdendo destaque para outras regiões mais valorizadas, e o exemplo é sempre a malha do metrô: qual a função, na vida social da cidade, da existência da Estação Chácara Klabin, tão próxima da Estação Vila Mariana? Querem saber? Nem precisa ir até lá, só pesquisa no Google "Chácara Klabin" e vai dar para entender que esta é, atualmente, um pico de valorização imobiliária... Isso sem falar na nova Linha do metrô a ser inaugurada no ano que vem (Luz-Vila Sônia) que, conhecendo a região da Vila Sonia, no meio do Morumbi, será outra fadada a ser linha fantasma...
E outras regiões que são pólos de utilização de transporte público, mas não oferecem tantos benefícios imobilários, ficam de lado sempre, um exemplo disso é a Lapa, que acolhe todas pessoas que moram em bairros extremos como Perus ou mesmo em cidades-dormitório ao norte da cidade, como Caieiras, para toda essa gente, só é possível usar o Metrô para trabalhar se antes pegarem ônibus interminiciapais ou trens, o que deve acabar resultando em uma viagem de horas...
Isso a Secretaria dos transportes do município não leva em consideração,claro, depois não entendem porque eu estou cada vez mais pendendo ao anarquismo , ou quero muito ir embora dessa cidade! E se tudo for como eu tô achando que vai ser (as portas não vão voltar a se abrir para mim nessa cidade tão cedo) eu vou antes do que se imaginava!