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quarta-feira, 18 de março de 2020

A mensagem do haitiano: "você não é presidente mais Bolsonaro"


Fez sucesso nas redes sociais na terça-feira 17 de março o vídeo de um imigrante haitiano, cuja identidade não foi divulgada, confrontou o presidente na noite da segunda feira, 16 de março, quando este foi falar com apoiadores em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. 

"Você não recebe as mensagens que seus filhos mandam para você?"
E Bolsonaro respondeu perguntando a nacionalidade dele pois não estava entendendo o que ele dizia, ai o rapaz disse que veio do Haiti e  a melhor parte:

"Você está entendendo bem. Você está entendendo, eu tô falando brasileiro. Bolsonaro acabou. Você está recebendo mensagem no celular. Todo brasileiro está recebendo mensagem no celular. Você está recebendo mensagem que seus filhos estão mandando pra você. Você não é presidente mais. Você não é presidente mais. Você precisa desistir de ficar espalhando vírus."

O vídeo, disponível aqui ,  é rápido e significativo:




O vídeo marcou muito e, pelo twitter, Gregório Duvivier postou:


Nossa, eu também senti algo assim, não foi apenas porque ele falou o que todos nós queríamos ter dito, mas o modo como falou, com autoridade, mas sem perder a calma, como se estivesse impondo limite, como se estivesse inaugurando o fim de um pesadelo. Também na quarta feira o grupo Jornalistas Livres divulgou a seguinte representação:


Na noite de 18 de março, em várias cidades brasileiras, ouviu-se o barulho de um buzinaço contra Bolsonaro, um exemplo registrado por  Valdei Araujo em Ouro Preto MG:

 E eu só pensava que o haitiano tinha razão, ele é presidente mais, os brasileiros não querem! 





quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Clara dos Anjos e a novela das nove!


Mesmo com a multiplicidade das mídias, a telenovela continua sendo um importante filtro da realidade brasileira. Atualmente, a mais famosa é "Amor de mãe", escrita por Manuela Dias e com direção artística de José Luiz Villamarim.

Nesta semana, uma cena da novela se destacou e muitos dos meus contatos a publicaram no status do Whatsapp e o crítico de televisão Mauricio Stycer comentou no Twitter como um momento de desabafo dizendo que "a gente não é gente não, a gente é sobrevivente". Na cena, a  personagem Camila, interpretada por Jéssica Ellen, que é uma professora de História negra  em uma escola da periferia do Rio de Janeiro, desabafa com sua mãe Lurdes, interpretada por Regina Casé . Vejamos do que se trata: 



Quando vi a cena só lembrei da cena  final da novela "Clara dos Anjos", escrita por  Lima Barreto (1922), que reli em 2019, contando a história das dificuldades para uma  moça negra e periférica no Rio de Janeiro do início do século XX:

"Num dado momento, Clara ergueu-se da cadeira em que se sentara e abraçou muito fortemente sua mãe, dizendo, com grande acento de desespero  
-Mamãe!Mamãe!   
-Que é minha filha?
         -Nós não somos nada nesta vida." (Lima Barreto "Clara dos Anjos", 1922)


Desde a novela de  Lima Barreto em 1922 até a telenovela global de Manoela Dias em 2020, passou  quase um século, mas nas duas cenas as  jovens negras e periféricas continuam falando a mesma coisa, como se o tempo não passasse ou a História pudesse atuar na vida de quem é  negra e  periférica nesse país! 
Agradeço à personagem Clara e à personagem Camila por usarem suas vozes para sublinhar que "tão ligadas que não é fácil, né manas".

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Do abraço ao grunhido: a Web!

Um amigo, meio que em tom de brincadeira, disse sentir saudade das comunidades do Orkut. Eu lhe respondi da seguinte forma:

'Eu também sinto falta das comunidades do orkut ativas. Pelo que eu penso, elas foram a última tentativa de aproximar pessoas do mundo todo, que moravam longe uma da outra, mas que tinham interesses semelhantes. Não me importando que vão dizer que estou velha (porque isso eu estou mesmo), mas lembro das White Pages do ICQ...  Mas as coisas foram ficando cada vez mais individualistas. Veja por exemplo o Twitter, que é algo ao contrário a aproximação, como disse José Saramago em uma das suas últimas ranzizices :

"Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."

Bom, concordo em partes com Saramago, pois eu estudo comunicação "de" e "com" bebês, por isso não acho os grunhidos algo assim sem importância, mas como são sons primitivos do corpo, mesmo eles são mais expressivos que os 140 caracteres padronizados do Twitter (não me acostumo com eles)... Os tempos da web já foram bem mais interessantes...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

PORQUE NÃO GOSTEI DO TWITTER

Sim amigos, eu não gostei do Twitter.
Não me interessou muito desde o início, mas não ia falar nada antes de experimentar direito. Experimentei. E não gostei.
Que linguagem excessivamente sintética é essa que agora faz sucesso? Vamos ter que nos comunicar por manchetes? Que mundo sem graça!
Que a internet causou mudanças sérias na linguagem escrita todos sabemos, mas Twitter é raso demais.Pareceu-me uma forma moderninha de fazer fofoca.. to fora. Para não ficar totalmente no ostracismo virtual, ainda prefiro o Orkut, no qual se pode trocar diversos tipos de informação e o melhor SEM LIMITE DE PALAVRAS.
Para alguém como eu , que trocou deliberadamente a faculdade de comunicação pela de história, porque sempre preferiu conhecimentos aprofundados, o Twitter é uma coisa lamentável... e o valor da duração no comunicar?
Essas modernidades ou pós modernidades... Eu estudo Guimarães Rosa, um super crítico dos processos de esvaziamento trazidos pela modernidade, mas ele não chegou a assistir ao enterro total da linguagem...
Pode ser que nem o “canto de cisne” de Sorôco caberá nos toques restritos do Twitter.
Essa é apenas uma opinião, mas é a minha...que só consegui expressar completamente por aqui,pois lá no Twitter só coube a frase

“EU NÃO GOSTEI DO TWITTER”...