Hoje acordei solitária e recebi um SMS:
"Defesa Civil: Chuvas intensas se aproximam da Grande São Paulo, com raios. Busque abrigo. Evite áreas abertas."
Como tudo anda tão difícil, só pude pensar em encontrar abrigo na música da Marina Lima
“Note-se e medite-se. Para mim mesmo, sou anônimo; o mais fundo de
meus pensamentos não entende minhas palavras; só sabemos de nós mesmos com muita
confusão.” (Guimarães Rosa. Se eu seria personagem. In Tutaméia.P.199)Para um texto de Antonio Candido, já mais antigo que eu, a personagem de romance (que estou entendendo aqui como personagem de ficção escrita no geral) :
“a personagem é um ser fictício, -expressão que soa como paradoxo.Mas por que eu trago estas colocações tão teóricas e literárias neste texto? Existe uma motivação real.
De fato, como pode uma ficção ser? Como pode existir o que não existe? No
entanto, a criação literária repousa sobre este paradoxo, e o problema da
verossimilhança no romance depende desta possibilidade de um ser fictício,
isto é, algo que, sendo uma criação da fantasia, comunica a impressão da
mais lidima verdade existencial. Podemos dizer, portanto, que o romance se
baseia,antes de mais nada, num certo tipo de relação entre o ser vivo e o ser
fictício, manifestada através da personagem, que é a concretização
deste.” (Antonio Candido. A personagem do romance. In A
personagem de ficção. P.55)