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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Pinóquio (2022), Guilhermo Del Toro

 
         

Nesta espetacular animação, deliciosamente infantil, realizada em stop motion e vencedora do Oscar de Melhor Animação em 2023, Guillermo del Toro desloca a história tradicional de Carlo Collodi para a Itália fascista dos anos 1930 e apresenta não mais uma marionete de madeira que precisa ser transformada pela Fada Azul em um menino de verdade, obediente, como manda o “Doce” (Duce) Mussolini, para merecer ser amado. 

A fada azul 


A Morte

Apresenta, sim, um boneco cheio de subjetividade e vivacidade que, como uma criança, se arrisca em muitas aventuras para descobrir quem é e qual é o seu lugar no mundo, que é a essência da personagem Pinóquio, e acaba aprendendo com a Morte, irmã da Fada Azul, que vive na floresta do tempo, entre ampulhetas e areia movediça, que talvez ser humano não seja transformar-se em um outro, mas ser o que se é e aprender a viver convivendo com a ideia da finitude.

Eu, assistindo na luz azul
petróleo da Morte

Achei deslumbrante, deslumbrante, deslumbrante!

Obrigada, Guillermo del Toro.


 

sábado, 14 de março de 2026

"Meu amigo Tororo", O ponto de vista da criança em "Meu amigo Totoru"

 
          

MEU AMIGO TOTORO

Assisti ontem Meu Amigo Totoro (1988), dirigido por Hayao Miyazaki e produzido por Toru Hara. É um filme dos Studio Ghibli. A animação acompanha as irmãs Satsuki e Mei, que ainda na infância se mudam com o pai para uma casa no campo enquanto a mãe está internada em um hospital. As duas meninas gritam muito e se aventuram nesse novo ambiente. Nessa realidade rural, exploram a natureza e acabam fazendo amizade com figuras mágicas protetoras da floresta, como o mais fofo deles, o amigo Totoro.

É um dos filmes mais infantis, no melhor sentido, que já vi. Sobre o que realmente acontece com a família, qual é a doença da mãe ou em que hospital ela está internada, sabemos muito pouco. Apenas o mínimo que uma criança saberia. Sabemos muito mais sobre as figuras mágicas que habitam o entorno e que, na verdade, dão significado à história.

Saber que esse filme foi lançado pelos Studio Ghibli simultaneamente ao lendario filme de animação  sobre o pós guerra japones  O Túmulo dos Vagalumes , s o qual comento aqui obre é uma informação interessante. São duas visões quase opostas da infância e duas animações essenciais. Nunca mais me esquecerei da musiquinha “tuturututuro tututurututu”… muito fofo!

Como outros trabalhos do Studio Ghibli, o filme está disponível na Netflix. Recomendo! 🎬🌿

Imagens de fofoca





quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Várias camadas de amizade

 
A foto e o verso 

CAMADAS DE AMIZADE: Achei essa fotografia de crianças dentro do livro "Felicidade Clandestina" da Clarice Lispector , que foi um cartão/ presente de aniversário atrasado que ganhei do meu velho amigo Fernando Costa em dezembro de 2018, quando eu  tinha acabado de terminar o pós-doc sobre Humor Infantil e ainda só falava de crianças. Meu amigo  gostava de me ouvir falar de crianças e como isso me fazia bem, então lembrou de mim ao ver essa chapa  na feira de antiguidades em Pinheiros, marcando  não só que aquelas pessoas desconhecidas existiram em algum lugar e tempo indefinido, como também que, na hora do registro, eram crianças e a gente pode vê-las não como uma massa amorfa, mas nas suas particularidades, ainda  que ,com aquele gesto de amizade, elas passaram a representar para mim todas as crianças de todos os tempos, a própria infância , que meu amigo me dava de presente.Achei tão bonito relembrar: várias camadas de histórias contidas numa foto de crianças desconhecidas na feirinha da Praça Benedito Calixto. Obrigada por toda essa amizade e por mais essa lembrança, amigo!

domingo, 23 de julho de 2023

A estória contra a História: "AvóDezanove e o segredo do soviético", de Ondjaki

 

Meu livro de julho de 2023

Se meu livro de junho foi o encantador  "Os da minha rua" (2007) , livro de minicontos  de Ondjaki, obra que comentei  AQUI ,  fiquei tão fascinada com esse autor que logo emendei outro dele,"AvóDezanove e o segredo dos soviéticos", também com a temática crianças, inclusive vencedor do Prêmio Jabuti de melhor livro infanto-juvenil em 2010. 

Ondjaki explica o livro :


Embora nesse livro Ondjaki tenha abandonado as pequenas histórias e escrito  um romance de aventura, bem ao gosto de jovens leitores, há muitas semelhanças entre os dois livros, se trata do mesmo cenário e tempo, a Praia do Bispo em Luanda  na década de 1990, quando Angola estava sendo dominada pela União Soviética e, naquela praia, construía-se um mausoléu para  abrigar os restos mortais de Agostinho Neto, quem decretou a independência de Angola de Portugal em 11 de novembro de 1975, sendo então o primeiro presidente do país. E o mais importante: novamente a história é contada a partir do ponto de vida de crianças que moravam naquele lugar.

Desta vez, no entanto, as crianças (não tantas quanto no primeiro livro), empenham-se em destacar o quando os soviéticos, os "lagostas azuis" não eram bem vindos ali, nas palavras do Espuma do Mar,  um andarilho cubano morador, quando interditaram a praia: 

"nunca fomos só a Rússia nem na soviet unión fechar nem abrir nem inaugurar nem invadir uma praia soviética...Pero, ustedes, reptíles equivocados " (p. 120)   

 E ouvindo estas coisas as crianças planejam uma grande aventura para tentar impedir que as construções na praia (suas casas), com todas as memórias, rituais e Estórias daquela gente,  sejam "deplodidas" (explodidas em português angolano) para  dar espaço à  construção do memorial que será um marco na  História oficial de Angola. 

Mas e a história, estórias, daquele povo? Os mais-velhos nunca contam nada, mas os menines (como chamavam os soviéticos)  vão ouvindo falas dispersas, vão sentindo o ambiente e sabem do risco de perderem seu maior tesouro: 

"nós, ali de cima do muro, sim, sem essa vida toda que os mais-velhos já tinham vivido, mas nós sabíamos de todas as pessoas e de todas as estórias que tínhamos visto e inventado, mais as que eram contadas, recontadas,  aumentadas pelo Espuma do Mar, com as tranças dele e as conchas penduradas no mar, estórias de kiandas (ser mítico que vive no mar) que também são sereias que o VelhoPescador disse que viu mas outros dizem que não pode ter visto, estórias de kimbundu (língua tradicional africana) , estórias do camarada VendedordeGasolina quando bebe e fala demais , estórias do tempo de antigamente, estórias da AvóMaria que não entendemos nada até hoje porque na escola nunca nos ensinam a falar kimbundu da AvóCatarina que abre e fecha janelas e muita gente anda a dizer que nós as crianças falamos à toa, que ela não está mais lá na casa da minha AvóNhé, que agora chamamos mesmo AvóDezanove, estórias da PraiaDoBispo no tempo dos tugas (colonizadores portugueses), com menos poeira que agora e as pessoas parece que falavam diferente mas também o país era afinal ocupado e sem independência da dipanda (independência de Angola), e ainda, para não dizerem que esqueci, as estórias todas que a AvóDezanove me conta, tantas, com tantos nomes, com tanta gente e roupas, com danças e pianos e fados e viagens e casos, com falase pensamentos e carinhos e pausas e silêncios que também fazem parte das estórias de depois do almoço que ela me conta. e tudo isso, às vezes, tantas vezes, não sei por quê, faz os mais-velhos pensarem que nós não vamos lembrar de tudo -quando um dia estivermos com os olhos parados a pensar na nossa poeirenta PraiaDoBispo. "  (p. 108-9) 

Coisa mais linda esse livrinho, não? Virei muito fã de Ondjaki 

Algumas postagens durante a leitura:












domingo, 25 de junho de 2023

"Os da minha rua", de Ondjaki: o livro de junho 2023

 

Tinha acabado de chegar, estava
 ainda no plástico 😍

Terminei de ler mais essa belezinha que a vida me apresentou. Vamos ver as postagens que fui fazendo sobre ele durante o mês.

QUANDO COMPREI 26 maio 2023

Bela capa 

"SOBRE LIVROS : Terminei "Contos da Nova cartilha"do Tolstói , livro de maio, sobre registros de crianças russas no século XIX, depois escrevo mais sobre no Pequenidades. Agora eu queria  muito comprar O LIVRO DE JUNHO,  queria que fosse "Salvar o fogo", do Itamar Vieira Junior- um autor que eu gosto-, ou "Luanda, Lisboa, Paraíso", da Djaimilia Pereira de Almeida, que é uma baita autora e serviria muito para adensar a questão das narrativas pós coloniais, mas ainda quase não temos muitos livros usados nos sebos virtuais e , como sempre, estou sem grana. Mas dando um passeio na Amazon,peguei uma promoção  de menos de R$20 do livro "Os da minha rua" do escritor Ondjaki ( essas promoções surgem "do nada" e são sempre livros importantes para pesquisa que quero fazer. Gratidão Deus, mentores  e Orixás). Esse autor  angolano que eu conheci através de uma bela citação no  show de "Aline Gonçalves quinteto" Sesc Instumental , em janeiro (comento aqui https://pequenidades.blogspot.com/2023/01/aline-goncalves-quinteto-docura-e-poesia.html ). Sobre "os da minha rua", diz a  sinopse: 
"O livro é uma coletânea de 22 contos que resgatam a infância do autor, vivida entre as década de 1970 e 1990, em Luanda, capital de Angola. Amigos, parentes, lugares e até mesmo cheiros aparecem nos pequenos textos, que podem ser lidos em separado ou como capítulos de um romance. É uma obra que exalta essa época da inocência e dos pequenos grandes descobrimentos de uma criança. Todos os contos são escritos em primeira pessoa e alguns revelam a influência da cultura brasileira no Sul da África oitentista, com citações ao cantor Roberto Carlos, ao escritor Gracilianos Ramos e às novelas “O Bem Amado” e “Roque Santeiro”.

Pois bem, não vou ler novamente Djaimilia, mas na primeira semana de junho deve chegar um livro angolano sobre infância: narrativas pós coloniais me cercam. Adoro!

QUANDO COMECEI A LER 04 de junho 2023:

"OS DA MINHA RUA: Comecei a ler ontem. Já sabia que o texto de Ondjaki, membro da União dos Escritores Angolanos, é belo e poético. Neste livro ele conta que  nasceu em Luanda, em 1977 e define -se " Prosador. Às vezes poeta."  Sabemos que vamos tratar de pequenas histórias da vida de crianças numa rua de Luanda. No primeiro conto "O voo de Jika"  já  entramos no tom do volume: ali a infância contada oralmente é muito bonita e está contida num "guarda-chuva de voar azul". O mini conto começa todo marcado pelas horas, pois na casa de Ndalu "o almoço era perto do meio dia" e o pequeno Jika tocava a campainha 12:15 perguntando se o amigo "não queria convidá-lo para almoçar na tua casa". Era preciso perguntar à mãe, que quase sempre dizia sim, quando não tinha "maka de pouca comida", ou muita gente pra almoçar. Mas o clímax da história acontece mesmo no momento do abandono do tempo: quando os meninos se lançam no ar para voar e caem juntos na relva, rindo muito! Percorrendo os diálogos,ouvimos delícias como "Deixinda ir perguntar à minha mãe" (não deixe-me perguntar à minha mãe), ou "Jika deu uma esquindiva" (não um drible). E, sobretudo, cheia de momentos iluminados de meninice, onde Jika aprende que se quiser tomar uma gasosa sozinho, vai ser na sua própria casa, pois na de Ndalu tem que dividir com ele e suas duas irmãs. 😍

Já estou amando a leitura!"

ME EMPOLGUEI E POSTEI UM VÍDEO 02/06/2023:

"Como eu esperava, acabou de chegar meu livro de Junho: "Os da minha rua", de Ondjaki. Porque eu sabia que ele chegaria, ainda não comecei ler o da Djamilia Pereira de Almeida, que ganhei na terça feira . Pelo  que experimentei da autora, devo permanecer muito tempo entre "Luanda, Lisboa e Paraíso", então vou ler esse africano delicinha antes. Amei a capa amarela, o comentário da professora Ana Paula Tavares (que estudou as crianças rosisna como eu) e as expectativas pra junho começam altas 😍"

NA LEITURA, 06/06/2023

"OS DA MUNHA RUA : Como uma criança vê um adulto banhar um cachorro?

"Um dia era de tarde e vi o Joaquim dar banho  ao Kazukuta. Um banho de demorar. Fiquei espantado: o tio Joaquim que ficava até tarde a ler na sala, o tio Joaquim que nos puxava as orelhas, o tio Joaquim silencioso,como é que ele podia ficar meia hora  a dar banho ao Kazukuta? Lembro o Kazukuta a adorar o banho,deve ser porque era um banho sincero, deve ser porque o tio punha devagarinho frases ao Kazukuta, e ele depois ia adormecer. Kazukuta: lembro bem aos teus olhos doces a brilhar tipo um mar de sonho só porque o tio Joaquim - o tio Joaquim silencioso -veio dar banho de mangueira e te falou palavras tranquilas num KIMBUNDU ASSIM COM CHEIROS DA INFÂNCIA DELE. (...) O tio Joaquim era muito calado e sorria como se nunca soubesse nada das horas e das pressas dia outros adultos. O tio Joaquim gostava muito de dar banho ao Kazukuta." 😍

(Ps. Kimbundu é língua de Angola. Acho que a única capaz de fazer o tio e o cachorro se comunicarem com palavras, pois carregam sensações da infância ❤️)QUE LIVRO, MEUS AMIGOS 🥰"

Em 09/06: a história transpassando a ficção:

O Foguetão

No dia dos namorado, 12/06/2023

TERMINANDO  A LEITURA 21/06


AVALIAÇÕES AMAZON E ERROS


Tinha um erro, que descobri depois:

Só que aquela avaliação  foi recusada e tive que reescrever!😱


Agora que já escrevi um POST sobre o MARAVILHOSO livro de junho, já posso pensar no de julho: aguardem😘







quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Sobre "Música de Brinquedo" do Pato Fu

 













Esse mês eu quase não publiquei nada aqui, né? É que estive ocupada, só no dia 12 relatei:


Parte da bibliografia que tirei da  estante para estudar

BRINCAR DE MÚSICA -No fim do ano passado eu estava tão exausta que quase esqueci do texto sobre "Música de Brinquedo" pros anais do congresso de estudos sobre infância em novembro. O texto é curto e devo terminar agora até o fim de semana. Não vou mudar muita coisa em relação a apresentação, só gostaria de analisar uma música no disco e no DVD. Mas qual faixa? Vou ouvir de novo, mas acho que já sei qual será...deixo em segredo


Era para ser fácil, porque eu tinha feito a apresentação e o esquema do texto final , mas como parecia  que tinham se passado anos que eu fiz aquilo, tive que "estudar tudo de novo", E foi um prazer.

Fui ouvir o disco, rever o DVD, passear pela bibliografia, ouvir várias coisas. no último fim de semana, já tinha selecionado meus interlocutores favoritos

Parceiros do fim de semana 15 e 16 jan 

Nesse momento já pude desfazer o mistério :

TRAMPO - Do repertório de "Música de Brinquedo" escolhi para analisar a canção "Rock and Roll Lullaby", o "rock de ninar", porque com ela dá pra abordar as performances musicais no CD e de palco no DVD e isso é um método atualizado de fazer história da música (valeu Priscila Correa) e sobretudo a questão do acalanto como primeiro objeto cultural infantil das culturas na História (obrigada Paul Zumthor ), a um só tempo vínculo com os adultos por uma herança antiga recebida, como também a introdução a literatura oral (valeu Silvia Machado). E juntando e resumindo tudo isso, vou com base em momentos do meu livro. Estrutura tá pronta, vamos ver se sai algo bom!

Foi tão bonito ver meu livro junto a outras referências. Amei de verdade.

Também amei o texto final, do qual publiquei até um trechinho. Sobre o álbum "Música de Brinquedo":


Incrível como minha paixão pelo tema transparece, né?

Em breve devo terminar minha única leitura de dezembro, Tereza Batista Cansada de Guerra, do Jorge Amado, ai comento aqui.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Presente de Natal: Meu livro chegou

 


Véspera de Natal, eu preparando a ceia com minha mãe e, de repente, chegou meu livro, que esperava só para o ano que vem! Veio grande e parquinho, com prefácio do Elias Thomé Saliba,  de presente de natal! Muitas emoções!

Claro que namorei ele um pouquinho e tirei fotinhas, porque dia 24 de dezembro não "nasceu" só Jesus, mas meu livro, primeiro livro, também!

Se você tem interesse em adquirir um, está à venda nesse link


Eu e Ele!


 

Leitores recebendo



















mais alta publicação do mês 
Divulgação pela Editora





sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Lançamento do meu livro "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa"

Capa do meu livro, com desenhos do Marcio Reif 

Sim, meu primeiro livro foi publicado! Que emoção, minha gente! 

No dia 3 de dezembro de 2021 aconteceu a live de lançamento da minha tese publicada em em livro pela Editora Desconcertos, com a presença do Editor Claudinei Vieira e a responsável pela Coleção Acadêmicas, Paula Autran: 


Um print da Live

Caso tenha interesse em assistir, está disponível aqui :


Primeiro  me  preparei para a ocasião


Depois fizemos os testes necessários 

Mas não foi o suficiente para garantir uma boa conexão, se não me engano, caí umas três vezes! Muitas pausas (M%, diria Rosa), e fiquei tão atarantada que não sabia onde estavam os livros que queria ter mostrado na hora. Estavam atrás do computador! Eram esses livros

Livros de contos de Rosa "Primeiras Estórias"(1962) ;"Tutaméia"(1967) 
E "A última aventura do Sete de ouro", adaptação de um conto de Sagarana (1946) para as crianças 
 pelo tio e autor infantil Vicente Guimarães (1960)  


Mas de qualquer forma pude falar bastante, sem chorar nenhuma vez! Sei que muita gente amiga estava assistindo, a Patricia Rafaini que foi da minha banca, o meu orientador na tese Elias Thomé Saliba (sempre os mais produtivos comentários), foi muito especial!
O livro do ano de 2021


Em determinado momento a Paula perguntou qual seria a importância desta publicação para os nossos dias atuais e eu  responder :
"Essa tese eu defendi em 2014, há sete anos, mas só agora em 2021 surgiu a oportunidade de publicá-la em livro e eu, como Guimarães Rosa, não acredito que nada aconteça por acaso: Em 2021, em um dos mais conhecidos prêmios literários do país, o Jabuti, premiou a obra Sagatrisuinorana , de João Luiz Guimarães, como  melhor livro infantil. A sinopse do livro nos conta:
"

"O livro Sagatrissuinorana é uma homenagem a João Guimarães Rosa que reconta a fábula dos Três Porquinhos, mas tendo como pano de fundo o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho. O texto segue a sintaxe rosiana, ao mesmo tempo em que não se furta a registrar criticamente duas das maiores tragédias socioambientais do país — e que tiveram as Minas Gerais como palco.

Afinal, o que fazer quando a realidade parece superar a ficção? Diante do devastador tsunami de lama ainda haveria a possibilidade de se temer o lobo? O simbólico e o real medem suas forças neste livro tão potente, com um final aberto a inúmeras interpretações."

Discussões tão atuais, trazidas às crianças, possibilitou que o livro levasse também o prêmio de LIVRO DO ANO 2021, destacando esse ano como o ano em que Guimarães foi associado ao tema infância e eu meu livro também participamos dessa marca! Fiquei muito contente!

Agora lançado, o meu livro continua em pré venda neste link .

A divulgação da live que a desconcertos fez trouxe até um trecho do prefácio escrito pelo Elias:


 O texto de lançamento: 

"ESCREVENDO A LÁPIS DE COR: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa

Camila Rodrigues

Sondando uma documentação minuciosa, composta por correspondência de cartões-postais; as três séries dos trinta cadernos manuscritos de Guimarães Rosa; escritos dispersos em periódicos, desenhos ou sugestões de imagens e capas feitas pelo próprio escritor e de inúmeras outras fontes – além, é claro de amealhar toda a portentosa fortuna crítica de Rosa – quase que poderíamos dizer, com Willy Bolle, que Camila Rodrigues chegou bem perto de penetrar na “câmara íntima” de criação do escritor. 

Por tudo isto, incluindo a meticulosa e sensível escrita da intérprete, o livro é uma contribuição inestimável não apenas à uma história cultural da linguagem das crianças, mas também porque, ao amealhar e dialogar com a extensa fortuna crítica do escritor, ensaia uma inédita interpretação das incríveis narrativas do autor de Tutaméia."


Tudo muito bom para ser verdade, mas foi verdade sim! Viva Guimarães Rosa!


domingo, 28 de novembro de 2021

III Congresso de Estudos da Infância: Movimentos, Limiares e Fronteiras 2021

 


Em novembro de 2021 começou  eu já estava exausta, como agora eu tenho treino de manhã, sabia que não ia dar para acompanhar tudo,  e o evento era muito grande, não dava mesmo  para acompanhar tudo,  mas ao final  deu tudo certo e acompanhei pelo menos uma mesa em cada um dos dias, comento um pouco aqui.

23 de novembro : Cerimônia de abertura

Logo na cerimônia de abertura tivemos três conferências interessantes, a primeira foi a tocante fala da professora Juliana Merçon (Universidad Veracruzana/México), sobre infâncias em situação de adoção (comentei, com traços pessoais, AQUI). Juliana, mãe adotiva de Michele, se emocionou muito na sua fala, e sabendo que ia se emocionar, pediu para falar em espanhol e ler um texto. E foi muito lindo. Ela fala sobre muitas questões, como a da institucionalização da adoção; os objetivos dela  (direito da criança a  ter uma família, de ser amada, de ter sua auto estima construída, etc). Por outro lado, fala sobre o acesso difícil da criança à sua "origem" biológica (parte que lhe foi negada, e que tantas vezes ela não se sente no direito de buscá-la, afinal ela já tem família...).

Em seguida tivemos a fala do professor Flávio Santiago IFMT USP, sobre infâncias na migração africana, pesquisa que, nas palavras delem "procura abordar o acolhimento e a inserção de crianças negras africanas no contexto  da educação infantil paulistana". O pesquisador conversou com pessoas nas creches  e recebeu pelo menos dois tipos de comentários. O primeiro foi das secretárias e funcionários administrativos, que traziam palavras duras, reforçando o imaginário ocidental sobre África como região pobre, suja (que fediam), sem cultura e tecnologia, o que foi contraposto a partir de uma mãe,  que aqui  era professora de francês, lecionou para jornalistas e cuja filha aluna falava francês e diversas línguas africanas, ensinava as outras crianças diversas canções africanas, o que era um compartilhamento cultural muito rico. Também nessa linha, o professor ouviu as professoras dessas crianças, que traziam outras informações que contribuíam para a quebra de estereótipos, como de que as crianças eram animadas, as roupas das mães eram coloridas, os turbantes muito alegres, as mães receptivas aos trabalho dos professores. os estereótipos, explicou o pesquisador, servem como justificativa para o preconceito contra os grupos imigrantes e, no caso, também o racismo e como ele existe na educação infantil, é nela que deve ser combatido. 

 A terceira e última apresentação foi da pesquisadora Jana Tabak UERJ, que tem um importante estudo sobre a militarização da infância, recebeu a seguinte pergunta de F.R.S.:

"​P/ Jana: Em favelas cariocas, a instituição PM investe em dias de lazer p/ crianças em batalhões. Seria um investimento em "formação de crianças soldadas" para "outras guerras"? Políticas de segurança?"
Jana disse que não tem respostas prontas, mas pontuou que o apontamento dessa realidade só mostra o quanto a militarização está presente na vida infantil, mais do que imaginamos e com isso acaba sendo legitimada! Discutir essas questões é fundamental para o Brasil atual, onde criança fazer arminha com a mão virou símbolo da nação. Que mundo é esse que nós estamos vivendo?!

24 de novembro : Mesa  sobre infância e música, com os seguintes trabalhos:*“CAMINHOS ENCANTADOS”: UMA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA EM DANÇA COM CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: Patrícia Gomes Pereira

*MÚSICA DE BRINQUEDO, PATO FU: O CONCEITO DE BRINQUEDO EM QUESTÃO: Camila Rodrigues

*MÚSICA INFANTIL: TRANÇANDO O TEMPO E ENTENDENDO A HISTÓRIA: Anderson Carmo de Carvalho, Andrea Rosana Fetzner, Maya Suemi Lemos

*LIBERDADE E EDUCAÇÃO: GESTO POÉTICO E POLÍTICO NO ENCONTRO DA MÚSICA, INFÂNCIA E DOCÊNCIA: Bianca de Oliveira Cardoso, Sandra Regina Simonis Richter

Foi uma mesa muito gostosa e apaixonante, com professores que trabalham diretamente com crianças, teve acolhimento, debate e trocas, Eu colo aqui o resumo da minha apresentação :

MÚSICA DE BRINQUEDO, PATO FU: O CONCEITO DE BRINQUEDO EM QUESTÃO

Palavras chave: Brinquedo, Infância, Música de brinquedo,Pato Fu,Teoria da canção

Música de Brinquedo, Pato Fu: o conceito de brinquedo em questão Camila Rodrigues 1 Resumo: Um utensílio para brincar, oferecido pelos adultos, só se torna um brinquedo depois de assumir novos significados através da brincadeira (BENJAMIN, 2002, p. 95-102), tornando-se “objeto específico da infância” (FANTIN; PIACENTINI, p. 67), pois é o resultado de um processo de subjetivação inaugurado nos primeiros tempos da vida (JARDIM, 2002, p. 09), mas que reaparece sempre que o ser humano brinca, não importa a idade (WINNICOTT, 1975).Para problematizar o papel do brinquedo escolhemos analisar o projeto, destinado ao público infantil, Música de Brinquedo, do grupo de rock brasileiro Pato Fu, constituído por um álbum (2010) gravado usando instrumentos de brinquedo e miniaturas, com arranjos compostos com a inserção de falas e cantos de criança e também de uma “paisagem sonora” (SCHAFER, 2001, p.11) infantil, ou seja um ambiente acústico formado pelos sons que a gurizada produz e ouve; e um DVD (2011) ao vivo, com a participação de bonecos do Teatro Giramundo (MG), no qual vemos os integrantes da banda curvando-se para tocar os delicados instrumentos de brincar infantis. O interessante projeto incita algumas indaçações sobre a conceituação de brinquedo: Em quais momentos aqueles instrumentos seriam brinquedos, ou “de brinquedo” (ficcionais)? Para crianças ou para adultos? Ainda que não cheguemos a conclusões definitivas, analisar esta fonte nos permite discutir a abrangência e os limites da utilização do brinquedo como instrumento de trabalho musical adulto e com isso adentrar os estudos sobre infância a partir da compreensão e articulação do conceito de brinquedo nas concepções de W. Benjamin e D. W. Winnicott; como também esboçar uma investigação metodológica mais atual, utilizada no campo interdisciplinar da Teoria da Canção (CORREA, 2016, p. 183), que é a da análise da performance artística (exame do repertório, criação, arranjos, apresentação do palco, etc.) do Pato Fu nesta proposta envolvendo o universo da criança. Palavras chave: Brinquedo; Infância; Música de brinquedo; Pato Fu; Teoria da canção.

FONTES

CD PATO FU, Música de brinquedo, Brasil, 2010.

DVD PATO FU Música de Brinquedo ao vivo, Brasil, 2011.

REFERÊNCIAS

BENJAMIN, Walter. Brinquedos e jogos. Trad. Marcus Vinicius Mazzari. In: Reflexões sobre a         criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Editora 34, 2002, p. 95-102.

CORREA, Priscila Gomes.Nada me consola: cotidiano e cultura nas canções de Caetano Veloso e      Chico Buarque. Salvador: EDUNEB, 2016

FANTIN, Monica & PIACENTINI, Telma Anita. Museu do brinquedo como centro cultural. In:          LEITE, Maria Isabel & OSTETTO, Luciana Esmeralda. (orgs). Museu, educação e cultura:            Encontros de crianças e professores com a arte. Campinas: Papirus, 2005, p.55-72.

JARDIM, Claudia Santos. Brincar: um campo de subjetivação na infância. SãoPaulo:Annabl

ume;Fortaleza: Secult, 2002.

MACHADO, Silvia Ambrosis Pinheiro. Canção de ninar brasileira: Aproximações. São Paulo:            DUSP, 2017.

RODRIGUES, Camila.Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de

Guimarães Rosa.São Paulo: Desconcertos Editora, 2021.

SCHAFER, Murray. Afinação do mundo. Trad. Marisa Trench Fonterrada. São Paulo: Ed. Unesp,

 2001.

WINNICOTT, D.W. O Brincar e a realidade. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre.            Rio de Janeiro: Imago.1975. 

__________________O Destino do objeto transicional. In: WINNICOTT, Clare. Explorações psicanalísticas : D.W. Winnicott/ Clare Winnicott, Ray Shpherd &Madaleine Davis.Trad. José Octávio de Aguiar Abreu, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994, p.44-8.

 Como não pude mostrar o Power Point, colo aqui os slides
















Só tenho a agradecer ter participado desse congresso 💓

25 de novembro : Mesa sobre protagonismo infantil na pré escola e Cerimônia de encerramento

Nesse dia eu consegui assistir à mesa de discussão "MANIFESTAÇÕES DO PROTAGONISMO INFANTIL NAS RODAS DE CONVERSA NA CRECHE", com Miriam Nogueira Duque Villar, Ana Rosa Costa Picanço Moreira, Andressa Lodron de Oliveira e foi aquela gostosura de ouvir experiências de professoras, falando sobre seu cotidiano junto às crianças na creche, sobre  como a fala e a escuta, nunca é algo dado à criança, mas ela logo percebe que tem que conquistar esse protagonismo. Sobre esses processos de negociação falaram belamente as professoras.

Depois, também nesse dia, tivemos as conferências de encerramento, dois palestrantes falaram sobre infância em contexto pandêmico e pós pandêmico.

Primeiro tivemos Patricia Redondo (UNLP, Argentina): Las fronteras de la desigualdad: infancia(s), educación y políticas, falando sobre quais projetos a América Latina pensa em construir na pós pandemia.

E o  professor Levindo Diniz (UFMG, Brasil): Infância e pandemia: escutar as crianças em contextos de crise, falando sobre um trabalho de enviar um questionário a  crianças sobre a pandemia na região metropolitana de BH em 2020, trazendo o que elas pensam sobre, seus medos, suas inseguranças, os aspectos bons e ruins da quarentena, num trabalho lindo que eu recomendo dar uma olhada no vídeo de encerramento que likei acima.

Como sempre, adorei esse congresso! 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Minha pesquisa sobre Rosa publicada

  


É com imenso prazer que divulgo que minha pesquisa sobre infância nas estórias de Guimarães Rosa foi publicada, com um belo prefácio do professor Elias Thomé Saliba, como eu sempre sonhei. Sobre meu "acordo" firmado com o Rosa em 2005 (de estudar seriamente sua obra), acho que a publicação significa que minha meta foi cumprida! O link para a pré venda acaba de ser divulgado é ESSE . 

O lançamento será em 3 de dezembro