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quinta-feira, 28 de abril de 2022

#omelhordoBrasiléJorgeBen

 



Essa coleção é sublime, esse livro é lindo e eu tentei, sem muito sucesso, ler sem me emocionar. Aliás, eu poderia ler vários trechos desse livrinho lindo e me emocionaria igualmente!Obrigada Paulo da Costa e Silva, obrigada Jorge Ben 


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

'Zumbi' de Jorge Ben ao vivo em 1973


"Na primeira vez em que foi tocada em público, no ano de 1973, no Festival Phono 73, 'Zumbi' era uma balada encharcada de emoção. Contava de forma embargada a ancestral saga dos negros brasileiros, terminando num crescente, com apelos entre nostálgicos e desesperadamente esperançosos de 'eu quero ve-ê-er", e uma lenta listagem dos reinos africanos, cada nome sendo pronunciado como se fosse uma instância mágica, capaz de evocar por si uma espécie de força mística. A parte final da primeira apresentação de 'Zumbi' marca um dos ápices da performance vocal na carreira de Jorge Ben. Da capacidade expressiva de uma voz que oscila entre a estabilidade e o caos, a doce melodia e o grito. " Paulo da Costa e Silva. A tábua de esmeralda, p. 125

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O LIVRO DE JORGE BEN

Pelo menos desde que voltei do Rio de Janeiro eu estou lendo e me deliciando com este livrinho, sempre ao som do Babulina, claro. Ele é muito pequeno, mas certeiro nas colocações do músico e pesquisador Paulo da Costa e Silva e vou gostando cada vez mais de Ben. Quando cheguei no último capítulo sobre a música Zumbi, adiei começar a ter as 13 páginas finais por muitos dias, tenho medo da saudade que vou sentir de ler sobre Ben quando o livro se acabar. Ontem comecei a ler o trecho e me emocionei muito, arrepiei demais. No final , porque se fala mais diretamente da questão da negritude em Ben, o que pontuou toda sua obra musical, é feita uma comparação muito sofisticada com o RAP dos Racionais MC, que é muito inspirada em Ben, no entanto se fasta dela em momentos fundamentais. Fiquei toda arrepiada, chorei e como não estou sabendo lidar com o fim dessa leitura, deixei as três páginas finais para hoje. Carece de ter coragem de terminar, mesmo lembrando que as músicas eu vou poder ouvir sempre, mas agora com as diversas questões abordadas já florescendo na minha percepção. Salve Jorge <3 font="">

sábado, 2 de setembro de 2017

Jorge Ben é uma força da natureza

"Relembrando a sensação que teve ao ouvir pela primeira vez Mas que nada (1963), Tárik de Souza comentou:
'Ele é um enigma, porque ninguém sabe de onde vem essa música de Jorge Ben. Se você procurar, quase todos os artistas brasileiros tem atecessores, que você vê traços na obra. O Tom Jobim você vê Villa Lobos, você vê Stravinsky, você vê Debussy, vê também Ary Barroso etc. O Jorge é um caso raríssimo, porque não tem ninguém que você possa dizer: "Bom, o Jorge Ben vem daí"! Não é Jackson do Pandeiro, não é o pessoal do samba tradicional, também não é um cara que 'Ah, esse cara trouxe o rock pro Brasil', como Tim Maia trouxe o soul pro Brasil, não é verdade. Ele faz samba com algum tempero de música pop, rock, que depois ele foi ampliando, chegou até a juntar samba enredo com disco music, fez algumas fusões assim, mas ele realmente é um enigma, porque foi uma alquimia mental dele que transformou o samba no que ele fez. Ele criou um samba dentro do samba, que não é nada, nenhuma escola que existia, é uma coisa totalmente original dele. Aliás, o primeiro samba dele ele já se apresenta: no Mas que nada, ele fala : "esse samba que é misto de maracatu" - maracatu naquela época ninguém ligava, maracatu era coisa regional, só se falava em Pernamuco e tal...e ele já traz o Maracatu pra cá..."é samba de preto tu, que são os pretos bantos, que são realmente a origem da música afro-brasileira. Como é que ele tirou isso? Como é que ele descobriu tudo isso? Como é que ele chegou nessa fusão? É dificílimo saber Eu acredito que ele mesmo não tenha explicação disso. É uma coisa natural nele. O Jorge Ben é uma força da natureza'" 
 (Tárik de Souza Apud SILVA, Paulo da Costa e. A tábua de esmeralda, p. 89-90).

Neste  link sobre algumas palavras de origem africana no vocabulário brasileiro eu  descobri:
TU – Diz-se do negro tido como sendo bruto. Boçal. Grosseiro. Oposto ao negro bom e passivo; “…Este samba/que é misto de maracatú/é samba de preto velho/ samba de preto TÚ…”; Pode ser também uma redução de Bantú.
  

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Entrando na família Ben

Sempre gostei do Jorge Ben, mas não andava me lembrando muito dele até começar a ler a biografia do Tim Maia e ter começado a lembrar, a me interessar mais e mais e querer conhecer além da superfície, ouvir coisas novas, conhecer mais, deixando o Tim completamente de lado mesmo! Ouço Jorge Ben como ouço música instrumental e é um deleite só. Também tive a experiência de tentar  dançá-lo no Samba Rock, mas eu queria saber mais, queria ler sobre, achei alguns  textos na internet como este sobre a questão do negro em Jorge Ben e  comprei  o livro do disco sobre "A Táboa Esmeralda", de Paulo da Costa e Silva que acabou de chegar.




OH MULHER INFIEL - Eu não deveria começar a ler o livro sobre o Jorge Ben agora, haja visto que ainda restam algumas páginas para ler na imensa biografia do Tim Maia (ainda não terminei!)... mas como eu já fui infiel desde o início e não paro de ouvir o Jorge, e o livrinho acaba de chegar já comecei a devorar FAMÍLIA BEN : Identificando "parentes de alma" a partir de Jorge Ben, fui entrando de novo no universo Jorge :

"Na minha cabeça Jorge Ben ocupava um confortável lugar no segundo time entre os grandes de sua geração - bem atrás do Chico, Caetano, Gil, Milton... Um artista interessante, meio esquisito, mas com surpreendente potencial de propagação e grande vocação para o sucesso. Foi quando ouvi, por acaso, a versão original de 5 minutos, última faixa do "Tábua", que eu já conhecia bem na gravação feita pela Marisa Monte, mas que não me lembrava de ter ouvido na voz de Ben. Eu estava em meio a uma roda de amigos e lembro que a canção solicitou imediatamente a minha atenção. Acontece com relativa frequência de grandes obras de arte atravessarem nossas vidas sem que haja um verdadeiro encontro, como se ainda não estivéssemos prontos para elas. Ali aconteceu o contrário: pela primeira vez eu entrava em sintonia com a música de Jorge Ben. Numa espécie de epifania, fui arremessado por ela...."  Paulo da Costa e Silva, p. 9


A epifania de Paulo da Costa e Silva foi ouvindo essa música :

"Tudo, absolutamente tudo na gravação soava contemporâneo. O timbre do violão de náilon tocado de forma despojada, livre, com um ritmo meio solto, quase capenga; a estranha sonoridade de uma sequência harmônica que, reforçada pelo desenho melódico contínuo do acompanhamento de cordas, deriva sua força mais do movimento circular do que da dinâmica tonal; a voz algo extraordinária, de rua, voz de não cantor, repleta de ruídos e chiados, erguedo-se em inesperados falsetes com ares de improviso; a atmosfera inteira da canção, com a massa sonora perfeitamente integrada na entidade física da voz e do violão de Ben, e tudo se desenvolvendo com natural fluidez. Aquilo pertencia ao eterno presente  das obras-primas. Tendo sido gravada quase duas décadas antes,ela permanecia mais jovem, maus intensa e vital do que a versão de Marisa Monte. Na gravação de Ben os 5 minutos de que fala a canção pareciam realmente uma questão de vida ou morte Possuia tamanha concentração de força que através dela sentíamos realmente "quanto vale cinco minutos na vida". P. 10 

É muito difícil ouvir a gravação de Ben, sem ter no ouvido aquela da Marisa, mas pensando nela como o encerramento de um disco sensacional como é o Tábua, a gente até consegue se deslocar naquele ambiente regulado de Marisa ... e é libertador!