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terça-feira, 13 de junho de 2017

História do Conidiano e a morte do Caio Fernando Abreu

HISTÓRIA DO COTIDIANO - Esses dias eu estava conversando com um amigo  é um jovenzinho sobre porque ouvir Legião Urbana, que eu gostava tanto - tenho todos os CDS mas nunca mais ouvi - é tão difícil para mim agora. Afora a questão de que meu gosto mudou, ouvir Legião me leva para quando eu era adolescente, entre 1995, 1996, e meu falecido irmão trabalhava no transporte de jornais e por isso, todos os dias, em casa tínhamos um exemplar de "O Estado de São Paulo" e de um outro jornal carioca, não me lembro mais qual era. Dai eu ter me tornado uma leitora frequente das crônicas do Caio Fernando Abreu, todas as quintas no OESP. E lembro, com muita dor, de ter acompanhado de perto, pelo jornal, quando ele descobriu que estava com AIDS, a mudança para o Sul para o tratamento ao lado dos pais, o tratamento e, enfim, a morte do cronista. A morte de CFA ficou registrada em mim como a ausência daquela coluna que eu lia como se fosse uma conversa com um amigo, a troca de confidências. Eu disse ao meu amigo que achava que tinha (e tenho mesmo, mas não sei onde) uma ou duas coluna recortadas do jornal na época guardadas entre meus papéis, mas que algumas delas estão publicadas no livro Pequenas Epifanias, que eu adorava, mas que tratavam de tempos muito dificeis: era a AIDS, uma grande peste que estava levando tantos embora, tantos que tinham sobrevivido à ditadura militar e sonhado com novos tempos (o que está claramente exposto no sensacional conto "Morangos Mofados", que depois analisei em um trabalho de História Contemporânea para o Nicolau Sevcenko, falando sobre o gosto meio amargo dos mofados Strawberry Fields de outrora), e que então estavam morrendo, como Cazuza, Renato Russo, Caio Fernando Abreu...quando ouço Legião Urbana hoje em dia, coisa que faço muito raramente, aquilo tudo volta de novo para mim com muita força. Não é fácil. Mas, olhando por outro lado, é uma anedota boa para se falar da História do Cotidiano, não é? Mas é mais fácil contar a história dos outros do que falar de nós mesmos, não é?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

"Clube da Esquina - nossa música que o mundo ama", by Robert Palmer


Pérola achada e publicada no grupo "Blog Clube da Esquina" no Facebook (nas pessoas de Gustavo Oliveira e Luiz Henrique Assis Garcia), eis um comentário sobre nossos mineirinhos (em versão traduzida) :
"Clube da Esquina - nossa música que o mundo ama"!

(por Robert Palmer, do New York Times, publicado no O ESTADO DE S. PAULO: EDIÇÃO DE 04 DE MAIO DE 1986)
Embora os músicos de Minas Gerais têm muito em comum, apenas o ouvinte mais desatento poderia confundir um álbum de Milton Nascimento para um por Beto Guedes e Toninho Horta. Por exemplo, o Sr. Nascimento é principalmente um vocalista e estilista canção, sua guitarra ritmo é puramente funcional. Sr. Guedes toca guitarra e ritmo, junto com o Quatro venezuelano, o bandolim e outros instrumentos de cordas. Ele é um expoente conhecedor das tradições folclóricas de dança europeus como eles sobreviveram no Brasil, e muitas vezes ele tece cepas populares para as texturas de sua música.
O melhor dos seus álbuns, o notável'' A PÁGINA DO Relampago Eletrico,'' ele usa o que soa como quatro ou cinco violões, cada um jogando um padrão de ritmo diferente, para tecer tapeçarias ricamente detalhados sônicos; o disco contrasta rural-corda estilos da banda e música elétrica jazzy. Em'' Novena'', uma canção de seu álbum excelente'' Amor de Indio,'' ele amortece uma balada está pensando sinuosamente melodia com acordes aberturas construído em torno de segundo menores, a criação de um lirismo impressionante de dissonâncias.
Toninho Horta é mais conhecido por suas contribuições para muitos dos álbuns de Milton Nascimento, mas seus próprios discos são igualmente impressionantes. '' Terra dos Passaros'' (Minas Caixa), gravado entre 1976 e 1979, apresentou o seu'' Orquestra Fantasma,'' uma banda de estúdio que os jogadores mistos de Belo Horizonte com Airto Moreira, Hugo Fattoruso e irmãos Jorge e outros da América Latina músicos que foram, então, que vivem em Los Angeles. '''' Toninho Horta (EMI Brasil), lançado em 1980, acrescentou Pat Metheny ao habitual grupo de Belo Horizonte. É um álbum de muitos modos, que vão desde canções de amor suave a percolação excursões instrumentais de músicas com harmonias melancólicas como órteses, nada no jazz contemporâneo.
No Brasil, as distinções entre música popular, rock and roll, música folk e jazz, que os norte-americanos tendem a tomar por certo, simplesmente não se aplicam. Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e outros músicos de Belo Horizonte tornaram-se particularmente adepto de recombinar elementos das fontes mais díspares, eles fazem categorias irrelevante. No entanto, eles nunca se envolver, a sua música é mais impressionante para a sua totalidade orgânica e clareza de visão. Ele já teve uma profunda influência sobre Pat Metheny e jazz e outros músicos de rock, mas suspeita-se que seu impacto está apenas começando a ser sentida.

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"Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. "  Manuel Bandeira
Camila Rodrigues -http://pequenidades.blogspot.com - Cel 989091302

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fita Verde no Cabelo (Nova velha estória) João Guimarães Rosa


Fita Verde no Cabelo (Nova velha estória)

João Guimarães Rosa


Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos em juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- “Quem é?”
- “Sou eu…” – e Fita-Verde descansou a voz. – “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.”
Vai, a vovó, difícil, disse: – “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençõe.”
Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.”
Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- “Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!”
- É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta…” – a avó murmurou.
- “Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!”
- É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta…” – a avó suspirou.
- “Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido!”
- “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha…” – a avó ainda gemeu.
Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: – “Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…”
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

IN : O Estado de São Paulo de 08/02/1964