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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

RIP Poeta Claudio Willer e o mundo fica mais escuro para mim

 


Morreu hoje Claudio Willer, poeta da minha vida! Uma perda imensurável , como a gente pode ser aqui.

Quando soube eu  não quis acreditar. Meu poeta! Me ensinou o que é viver no estado do poema! Gratidão! Gratidão! Permaneça em paz, junto a tantos outros poetas que me apresentastes!

NÃO SOU POETA, MAS : Nem nunca me propus a isso, mas mesmo assim foram inúmeras as oficinas de poesia que assisti com Claudio Willer na Casa das Rosas. Ele detestava que eu nunca entregava nenhum texto, só ia para ouvi-lo falar de poetas e poemas. aprender muito e me deliciar. No meu primeiro blog , Tutaméia, que eu deletei sem dó num momento de revolta, certamente tinha muitos posts sobre aquelas experiências juvenis.
Agora, no Pequenidades, ainda tem alguns. como este, onde ele fala sobre poesia infantil:

"Eu observei algumas vezes, quando fui chamado pra jurado de concurso de poesia em escola, inclusive primeiro grau, que crianças se expressam poeticamente com muita naturalidade porque elas ainda têm o registro não discursivo, elas brincam com palavras, elas vão aglomerando e formando sintágmas pelo som, pelo valor prosódico, e não pelo sentido. E os professores, ingenuamente, inadvertidamente, reprimem esse talento dizendo "não, tem que ser sobre alguma coisa. Faz poema sobre minha cidade, sobre minha escola, sobre isso, sobre aquilo, ai vem um ciclo que se completa com cenas como uma vez que eu fui chamado pra falar como poeta numa pós graduação de semiótica e comunicação da PUC, há algumas décadas atrás, li os mesmos poemas que tinha lido para uma reunião de candangos em Brasília e tinha ido muito bem, com uma conversa produtiva, li pros pós graduandos de semiótica e comunicação e eles ficaram me olhando, olhando um pro outro, e depois de um silêncio constrangedor: 'mas o que que cê quer dizer com isso?' É um processo de canalização e limitação da criatividade que realmente começa na escola, e que é muito fácil de corrigir" Claudio Willer, 2011

 

Ou este de quando fui ao relançamento do livro "Geração Beat"(quando peguei o autógrafo), no triste contexto do fim da vida de Roberto Piva.

Este, quando eu estava aprendendo sobre o ritual do poema.

ou este , com um poeminha dele

Obrigada por tudo, tudo, poeta !

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um abraço da cidade

Morar em São Paulo nem sempre é fácil.
A cidade e sempre tão arisca com seus moradores!

Mas tudo tem seu outro lado.

Ontem, na noite em que se encerrava a Virada Cultural (que esse ano eu não acompanhei), eu estava na Avenida Paulista, isso já um pouco tarde - umas 22:30- e cheguei bem no final do vão livre o MASP, que estava mesmo muito livre, naquele frio...

Mas a cena que se via era muito mais bonita e muito mais intensa do que está em qualquer cartão postal ou foto, como dizia a música do Caê:

Ali a cidade nos abraçava!

É tão reconfortante, que nos dá vontade de retribuir, abraçando também!

A Paulista - tão feia, tão cinza - nos dá alguns presentes de vez em quando : o espetáculo de fogos do Reveillon Paulista, a Casa das Rosas, o Parque Trianon, a Visa do Vão Livre do MASP...

Nada deve ser só ruim, basta que nossos olhos treinem para enxergar o lirismo!

Eu não acho que nenhuma foto vá chegar nem perto do que eu vi ontem à noite, mas essa tentou, mesmo tendo sido tirada de dia e não apresentando as características luzes da cidade, entretanto, essa é a minha cidade:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PRIMEIRO CADERNO DO ALUNO DE POESIA OSWALD DE ANDRADE

Depois de ficar impossibilitada - por conta das tempestades diárias de Janeiro- de assistir a duas aulas do curso bimestral sobre a poesia visual de Oswald de Andrade na Casa das Rosas (e possivelmente perder o direito ao certificado, voltei a assistir às maravilhosas aulas.
Com muita sorte consegui assistir algumas aulas do livro mais importante para mim o "Primeiro Caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade":


Ganhamos algumas fotocópias, tentei scanear, para dividir ... vejamos esse primeio poema em quatro partes "As quatro gares" (a professora explicou que gares é estação em francês, mais especificamente quer dizer, "estação de trem", ou seja, uma referência espacial, mas isso foi usado ironicamente pois no poema ele está falando de estação em outro sentido, o temporal, tipo "estação do ano", que seria expresso pela palavra saisons)... O poema é lindo, vejamos:







Na gare da infância temos expressão muito infantil, só algumas lembranças inesquecíveis - memória dos camisolão, do jarro, etc; na adolescência o sintético Oswald nos deixa sem saber o que dizer: é um poema pelo não dito (reforçado pelo casal de aparência não muito jovem e de costas); a gare da maturidade apresenta um poema ready-made (que utiliza um convite real onde o poeta Oswald enxerga o lirismo existente na vida adulta "sr + sra e bebê") com um desenho de bercinho e, enfim, a velhice, onde vemos um desenho muito intrigante : todo mundo relaciona o chinelo ao avô, mas se olharmos bem, ele é todo desenhado, como se fosse infantil... seria uma junção das duas "gares"? Genial!

Ainda sobre a percepção do mundo infantil, vemos uma pequena obra prima:





É muito fiel ao que se imagina ser a percepção da criança à relaidade ao seu redor, não acham?

Para meu doutorado eu pesquisei Fréderic Fraçois, que diz que "além da importância geral nas diversas sociedades - não deve haver sociedade sem narrativa-, a narrativa contitui um dos principais exercícios escolares" (Crianças e Narrativas- maneiras de sentir, maneiras de dizer.Pp 45-6), Oswald nos brinda com coisas assim:


Afinal, estamos falando de um Caderno Escolar... que começa com o poema que Haroldo de Campos teria chamado de o mais sintétic da Literatura brasileira (rs), o famosíssimo:
Acho muito bom e sinto muito que Oswald seja um renegado entre os modernistas... é preciso muita humildade e inteligência para compreendê-lo minimamente.
Afinal, falamos do autor do Manifesto Antropófago, movimento que, conforme explicou Augusto de Campos em 1975, centrava-se na idéia da "devoração cultural das técnicas e informações dos países superdesenvovidos para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação (da mesma forma que o antropófago devorava o inimigo para adquirir as suas qualidades).Atitude crítica, posta em prática por Oswald, que se alimentou da cultura europ[eia para gerar suas próprias e desconcertantes criações, contestadoras dessa mesma cultura...a Antropofagia é a única filosofia original brasileira e,sob alguns aspectos, o mais radicaldos movimentos literários que produzimos"(Revistas re-vistas: Os antropófagos.IN Poesia,antipoesia, antropofagia.P.124)
Acho que precisamos devorar Oswald, não?

domingo, 15 de novembro de 2009

Sarau na Casa das Rosas, com Claudio Willer e a planta dos pés...

Ontem eu estive no Sarau mensal da Casa das Rosas. Desta vez tivemos um convidado super especial - o poeta Claudio Willer- que leu alguns poemas dele.
Um deles, quando expressos por ele, por aquela voz, aquilo tudo que ele é, se toranram definitivos para mim, eu posso colá-lo aqui:
"Após uma manifestação em defesa da reserva florestal de Caucáia do Alto por mim teria ficado por lá mesmo no altiplano onde tudo começou bem acima destes bolsões de pânico bem longe deste mundo coagulado na devida distância desta fantasia sulfurosa na qual moramos teria ficado por lá mesmo mergulhado na lagoa de reencontro escavada na superfície do planeta em sua primitiva forma ficar por lá mesmo encontrar o mais puro rastro vegetal entre samambaias sem memória cipós de sabedoria e círculos de névoa ficar lá mesmo buscar o segredo do arenito a linguagem da pedra percorrer o avesso da consciência ficar por lá mesmo nunca mais sair deste planeta frio e luminoso e sempre celebrar a redescoberta do corpo pela planta dos pés"
Certo, vocês podem ler, podem até gostar, mas o que eu senti na hora que ele leu, dificilmente alguém terá... quando aquela voz, aquele tom, aquilo tudo que ELE entoou "...sempre celebrar a redescoberta do corpo pela planta dos pés.", foi o meu corpo que reagiu, ali sozinho, pulsando pois percebeu estar de novo na frente de um homem inteiro - que sabe a glória do saber querer -e eu relembrei aquilo que parece que é melhor que eu esqucesse: existe uma ligação energética direta da planta dos pés com todo o corpo,que faz ser tão gostoso tocar e ser tocado nos pés... mas não pode esquecer esses detalhes (que são coisas muito grandes pra esquecer).
Uma das pessoas que quiseram muito que eu me esquecesse de que eu sou, sim,tudo isso voltou a me procurar, dizendo que eu era tudo o que eu sou - tudo de bom -, mas eu não preciso mais ouvir isso, porque eu sei, também sei que quero muito mais...
Recentemente eu senti algo relacionado à planta dos meus pés, mas a ligação com o meu corpo redescoberto só foi feita pelo poema de Willer... o resto é segredo!
Suspiros...