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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os rolezinhos e o "Grande Sertão: veredas"

Guardando as devidas propoções,  com todo este incômodo causado pelos "rolezinhos" eu  não pude deixar de lembrar do catrumanos - os miseráveis do Grande Sertão: Veredas -, e especialmente o medo absurdo que Riobaldo sente deles:

"E de repente aqueles homens podiam ser montão,montoeira, aos milhares mis e centos milhentos,vinham se desentocando e formando, do brenhal, enchiam os caminhos todos, tomavam conta das cidades. Como é que iam saber ter poder de serem bons, com regra e conformidade, mesmo que quisessem ser? Nem achavam capacidade disso. Haviam de querer usufruir depressa de todas as coisas boas que vissem, haviam de uivar e desatinar." 
João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas, p. 553"

Diante deste medo tão profundo de que, de repente, os miseráveis saíssem das margens, tomassem a cidade, os espaços sempre negados a eles,  o jagunço chegou a declarar que nunca mais ia rir na vida... Sobre este medo de Riobaldo - que seriao grande medo do brasileiro -  Ettore Finazzi-Agrò falou no Seminário em homenagem aos 50 anos do romance em 2006, texto que foi publicado com o título "Pós tudo : banimento e abandono no Grande Sertão", na revista do IEB no. 44, p. 159-172

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Guimarães é um dos grandes intérpretes do Brasil, da realidade brasileira, e faz isso a partir justamente da literatura, a partir de uma discussão da história ideologicamente orientada, faz isso a partir de uma construção ficcional, então a história se constrói e se exprime através da ficção e isso é o grande experimento e o grande merecimento de Guimarães Rosa : ter encontrado um modo par...a falar não historicamente da história, talvez se escondendo através da imagem da anedota... escondendo não é a palavra certa, mas utilizando a anedota como via de acesso a uma verdade história que não é "A História", é já uma interpretação da história, esse é um grande achado de Guimarães Rosa no sentido de que a história pode ser lida não de forma direta, mas nas entrelinhas..."
Ettore Finazzi Agrò no debate posterior a palestra em 10/10/2011