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domingo, 5 de maio de 2024

Peguei Dengue

 

Eu fiquei muito mal. 
Melhorei aos poucos...

Meus primeiros sintomas foram mesmo  na noite daquela terça feira alegre.

Muita dor no corpo e de cabeça, calafrios, falta de apetite,uma semana de cama, a base de água e frutas e medindo temperatura. Não tive febre. Não tive  manchas nem vomito ou diarréia.Aguentei firme, só lembro de ter tomado Neosaldina pra dor de cabeça. Achei que tinha ficado doente e tinha passado.

No sétimo dia desde os primeiros sintomas,segunda feira dia 29, tentei voltar pra academia, só que não estava bem: estava fraca, pálida, sem forças pra nada. Foi muito exaustivo descer a pé, subir escada da academia. E eu, teimosa,achando que ia me acostumar.

Na terça feira dia 30, não aguentei descer a pé, nem mesmo segurar no ônibus, me senti mesmo muito fraca. Foi aí que o instrutor mandou a real : te conheço há anos, nunca te vi fraca assim. Procure um médico.

Fui com minha mãe ao posto de saúde. Estava cheio, não consegui fazer o exame, porque já não tinha sintomas, só uma fraqueza absurda! Era véspera de feriado me recomendaram repousar,me alimentar, hidratar muito, soro caseiro, água de côco... Ia melhorar.

No dia 2 de maio tinha meu último pré operatório marcado e fui sozinha de uber tirar sangue na Lapa.

Show de horror, eu fraca, pálida, parecendo um fantasma na rua ...


Fiz um hemograma, plaquetas baixas (o mínimo é 150, estava com 145),  um pouco de anemia, mas não muito também. 


Dia 7 marcaram com o anestesista. Eu vou. Vou levar todos os exames, inclusive esse das plaquetas baixas.

Não sei mesmo se vão querer fazer essa operação ou vão remarcar. Seja lá o que for, que seja o melhor pra mim. Só sei que não vejo a hora de sair desse pesadelo de dengue. 

Espero voltar com boas novidades em breve.

As novidades do pós dengue e pós cirurgia:



quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Balaço das metas para 2021


2021 foi um ano atípico, mesmo pensando em 2020, o ano da pandemia! Pra mim não foi nada fácil, especialmente porque tive que lidar com problemas que não eram só meus, foi um ano regido pela Oxum, muitas máscaras caíram e pude ver e sentir quem é quem ao meu redor. Consegui me sair até bem, mesmo tendo sentido minhas forças se esvaírem quase por completo, tive que me reinventar e termino o ano satisfeita porque consegui cuidar de quem precisou de mim e depois cuidar de mim mesma, como pede mamãe Oxum.

Como era o segundo ano da pandemia, as  metas que eu tinha traçado são as de sempre ou então são muito subjetivas, o que eu jamais esperaria é que eu vivesse um ano tão pé no chão, de trabalhos manuais, solidão e preocupações.  Hoje eu olho para 2021 e nem sei onde arrumei forças para atravessá-lo, mas atravessei. Vejamos as metas.

 1 - CONTINUAR VIVA:  META CUMPRIDA

 Essa é a meta da vida e no meio de um ano pandêmico, ela é a meta de todos, sempre. No meu caso, muito mais do que no ano passado, eu pensei muito nela durante o ano, quando me vi, sozinha, tendo que resolver problemas sérios, cuidado de alguém doente, tendo medo e paciência possível, vendo que , sem mim, não sabemos como outra pessoa teria sobrevivido, isso respondeu ao questionamento do ano passado: para que eu estou viva. Agora sei e, como desejei nas metas para esse ano, nem precisei me questionar tanto sobre isso. Cresci muito esse ano!

2 - ACHAR UM MOZÃO : META NÃO CUMPRIDA

Tudo bem que essa meta aparece todo ano e nunca é cumprida, mas esse ano, de verdade, nem procurei nada. Não tive tempo, nem auto estima para isso, embora nunca tenha lamentado tanto estar passando por tudo o que passei tão sozinha, como quase toda a vida, e  mais para o fim do ano, senti como se não soubesse mais o que é me interessar por alguém de novo, pedi ajuda a Hilda Hilst, que sempre manteve acesa a chama da paixão em sua vida e poesia. Não sei se me resolvi. Estou mesmo é cansada! 2021 foi tão desafiador, espero ter feito tudo bem para, quem sabe, merecer dias não tão tristes e solitários em 2022.

 3- TRABALHAR MAIS: META CUMPRIDA

 Faz tempo que tem essa meta nos anos, mas no meio da pandemia, não sabia nunca o que significava essa meta, com tanto desemprego, falências, fome. Precisei estar disponível full time boa parte desse ano, não tive tempo para fazer muita coisa, no começo do ano, ainda acompanhei congresso online pelo celular, da recepção do hospital, mas com o tempo não tive mais cabeça e disposição, fui ficando falida mesmo. Ao mesmo tempo, como consegui produzir muito em 2020, esse ano foi um ano de colheitas: publicações, artigos, palestras, até minha tese foi publicada em livro, meu primeiro livro, meu pai Oxóssi me presenteou com tanta prosperidade, vi meu nome estampado numa estante e pensei muito no meu pai, em como ele se orgulharia, mais do que todo mundo. Essa conquista, dedico a ele!  Que 2022 seja um ano de trabalho, da retomada da vida "mais normal" e recomeço de uma vida que eu quero para mim, depois de ter me anulado tanto tempo, por motivos de força maior.

4- TREINAR O MÁXIMO POSSÍVEL: META CUMPRIDA

Como esse ano foi o tão sonhado ano da vacina, tanto para mim quanto para minha mãe, em algum momento, no caso meu caso, no fim de agosto eu  estava imunizada com duas doses da Pfizer. A primeira coisa que eu fiz foi me matricular na academia. Tinha engordado muito, estava fraca, deprimida, achando que nunca mais voltaria ao que era antes, porque teve um período, um longo período, que nem caminhar eu podia mais. No começo foi muito duro, pessoas novas, horários novos, muita solidão e medo porque meus hormônios deram alterados. Achei que precisava de ajuda médica, procurei uma endocrino e uma nutri, precisava de disposição para continuar. Tem dado tudo certo, emagreci   e logo  me senti mais forte, mas minha auto estima não aumentou, ainda não tenho coragem de sair de casa. Espero que em 2022 eu continue melhorando.

5- BUSCAR OS SENTIDOS DA VIDA : META CUMPRIDA

Como disse acima, nesse ano complicado eu descobri um sentido da vida, um sentido até espiritual: tenho que cuidar da minha mãe, que é minha família. Que eu tenha força para isso, porque muitas vezes temo que não terei. Mas com fé em Deus e nos Orixás, vou levando a vida sa forma menos triste possível, em sintonia com minha ancestralidade em 2022.  




Em 2022 Oxum entrega  a regência do ano para Iemanjá, espero que tenhamos um ano mais amoroso, com mais carinho, estamos tão cansados, tão carentes! Merecemos!
Que venha 2022!

sábado, 29 de maio de 2010

EM TESE UMA TESE

Vamos para a mais pura verdade:

"Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.

Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?

E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:

- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.

Os dois pararam – momentaneamente – de pensar nas teses.

- O quê? Pirou?

- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?

Pensando bem, até que não é uma má idéia!

Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?

Acho que seria um tesão."

Por Mario Prata
Publicado no jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, 1998
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