segunda-feira, 28 de setembro de 2020

"Akasha", Sudão, 2018, direção Hajooj Kuka

 


Sinopse

            Adnan é um revolucionário sudanês, um herói de guerra e ama seu rifle AK47 como ama sua namorara Lina. Por ter se atrasado no retorno a unidade militar depois dos dias de folga da guerra civil, passa a ser perseguido pela kasha, ai foge com seu amigo Absi, se envolvendo nas maiores trapalhadas e mostrando a vida e as ideologias de um Sudão controlado por rebeldes de forma muito humorística.  

Lembrando que, nesse momento em que o filme está sendo apresentado na Mostra, seu diretor, artista  ativista,  Hajooj Kuka estava sendo perseguido e foi preso e, claro, o publico da Mostra se mostrou empático e ajudamos a pressionar a Embaixada do Sudão no Brasil - fomos um dos países que mais mandou emails pressionando esta prisão por motivos políticos.

O Filme          

No começo do filme lemos uma explicação que nos alerta para o fato de estarem tratando de um país em guerra civil e ela tem algumas regras:

“Durante a época das chuvas, a guerra civil sudanesa para devido à lama. Para os rebeldes,é hora do cultivo, família e amor. Depois a chuva para...”

A fita começa com uma comemoração tradicional, de onde um  casal sai sorratiramente, tratam-se de Adnan, com seu rifle nas costas e sua linda namorada Lina, que seguem para a tenda dela, para desfrutarem   e Lina desfruta momentos prazerosos

Adnan faz muitas promessas a Lina, de torná-la rainha e ela parece mesmo uma nobre junto a ele

em frente a ele, até descobrir que Nancy o nome que o namorado deu ao rifle e fica com ciúmes, porque pensa que este só pode ter sido o nome de alguma mulher com quem ele se envolveu.


Na cena da briga do casal, o rebelde é expulso da casa, com as calças caindo e a bela Lina fica muito brava, mas também muito triste com a inconstância do namorado

Mas como a garota fica com a arma e o namorado passa a ser perseguido pela kasha, justa-se ao amigo Absi e os dois seguem se escondendo dos "melhores" jeitos


Seguem em uma moto, vestindo saias, sutiã e carregando um bebê, em cenas engraçadíssimas 

Em um dos momentos mais especiais do filme eles chegam em uma caverna onde Absi passa a tocar uma linda  música tradicional

 para ouvir os conselhos de uma sabia ânsia ela tenta impedir que Adnan com uma flor rosada, mas consegue em partes, tanto que a partir daí ele fica todo marcado da magia da flor, com quem conversa


 Gostei muito de assistir esse filme, porque ele me apresenta uma África que a gente até espera ver retratada - cheia de guerras civis- , mas também mostra que, apesar disso,  os africanos e africanas se envolvem nos mesmos problemas (inclusive afetivos ) que nós, mas as saídas que encontram são bastante inusitadas e divertidas. Assistindo a esse filme, me lembrei muito do meu queridinho da primeira temporada da Mostra, o Yellen, e toda a magia que envolve o modo de alguns africanos enxergarem a vida, conversando com flores, cantando e tocando músicas, apesar da infindável guerra civil, o horizonte é sempre um retorno ao estado de nobreza, de onde essa gente veio. Eu AMO MUITO ISSO.