Vejam se dá para levar a sério isso:
"Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Deputado Estadual Bruno Siqueira (PMDB); Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão (PT); Deputado Estadual Almir Paraca (PT); Deputado Estadual André Quintão (PT) O PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011, protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais pelo deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), proíbe a distribuição na rede de ensino pública e privada do Estado de Minas Gerais de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática de nosso idioma nacional, bem como conteúdo que apresenta elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à prática de atos criminosos. A justificativa de tal projeto encontra-se embasada numa concepção do ensino de Língua Portuguesa completamente defasada e obsoleta em relação ao conhecimento científico solidamente acumulado na área de Letras e Linguística. Além disto, caso o projeto seja aprovado, esta lei proibirá a distribuição, nas escolas mineiras, de praticamente todo o riquíssimo patrimônio literário brasileiro edificado no século XX, já que um traço comum à vasta e heterogênea produção literária nacional dos últimos cem anos é exatamente a subversão à norma culta padrão de nossa língua materna. Restaria proibida em nossas escolas a distribuição de livros da autoria de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Mário de Andrade, para ficar em apenas três nomes de uma infindável lista de grandes autores que inclusive satirizaram o ensino da norma culta da língua, como Oswald de Andrade no poema “Pronominais”. Restaria proibida também a distribuição de livros de poetas como Gregório de Matos, que, no século XVII, embora escrevesse conforme a norma culta da língua, eventualmente, usava vocábulos de baixo calão e imagens eróticas em seus textos poéticos. Considerando que o ensino de Língua Portuguesa condizente com um Estado Democrático de Direito deve se pautar pela leitura crítica de textos de quaisquer gêneros discursivos, em vez de encontrar-se restringido por uma lei que representa indiscutivelmente um retrocesso aos regimes mais autoritários de nossa história (lembrando a censura executada pelo regime militar para proibir a circulação de diversas obras literárias acusadas de cometer as mesmas “violações” que o referido projeto menciona), manifestamo-nos contrários à aprovação do PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011. "
Infelizmente isso é sério, sim...lembrem-se de que o conflito cultural entre letrados e não-letrados é um dos mais importantes da história do Brasil e cada vez mais determina graus de hierarquia social por aqui... pessoas que tentaram problematizar isso (ou mesmo ressignificar a questão como fez Rosa, mas não só ele ) são cada vez mais indesejáveis... viva a educação brasileira!
Eu só espero que a nossa presidente se lembre de seu "namoro' com o texto todo contra-normas de Rosa em seu discurso de posse...
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
sábado, 9 de janeiro de 2010
A GRAMÁTICA E OS PROBLEMAS DE LINGUAGEM
Eu não sou uma pessoa ignorante ou preguiçosa, sou uma leitora assumida desde a infância, e uma estudante quase profissional e qual não é minha surpresa ao perceber que eu - e não sou a única nessa situação na pós graduação - tenho sérios problemas em me expressar na forma escrita.
Não me faia muito mal levantar este questionamento aqui neste blog: Qual o motivo disso?
Quero entender, de verdade... seria um problema de má formação? Até pensei nisso e,humildemente, comecei a refaze "cursos" de gramática e redação e qual não foi minha surpresa ao observar que o problema não é "não saber as regras", mas que elas - por algum motivo inexplicável- não foram completamente automatizada na minha comunicação! (sim, acho que sou uma rebelde gramatical)
Mas e se eu não quiser mais isso? Não adianta, não tenho a menor possibilidade de escolha.
Também tem a relação com o tempo da escrita... esse tempo imediato do mundo "internético" me afoga de informações e eu penso que a cabeça dos cientistas humanos são como árvores que precisam de duração para produzir bons frutos.
Mas esse problema - em uma pessoa como eu- é no mínimo um paradoxo: Amo a linguagem escrita!
No interessantíssimo livro de Lewis Carrol Alice no país do Espelho, viajando em um trem onde deveria pagar o bilhete ao maquinista e era muito caro, ela pensa "Ora, nem vale a pena falar" e as vozes não reponderam em voz alta, porque ela só havia pensado, então todos responderam 'em coro' de pensamento "Melhor não dizer coisa alguma. A linguagem vale mil libras por palavra!"
E as minhas? Por enquanto não estão valendo nada.
Mas então faço a pergunta mais vezes formulada pela humanidade: Para que estou viva se não posso formular minha narrativa? Eu posso fazer isso aqui... apenas.
Não me faia muito mal levantar este questionamento aqui neste blog: Qual o motivo disso?
Quero entender, de verdade... seria um problema de má formação? Até pensei nisso e,humildemente, comecei a refaze "cursos" de gramática e redação e qual não foi minha surpresa ao observar que o problema não é "não saber as regras", mas que elas - por algum motivo inexplicável- não foram completamente automatizada na minha comunicação! (sim, acho que sou uma rebelde gramatical)
Mas e se eu não quiser mais isso? Não adianta, não tenho a menor possibilidade de escolha.
Também tem a relação com o tempo da escrita... esse tempo imediato do mundo "internético" me afoga de informações e eu penso que a cabeça dos cientistas humanos são como árvores que precisam de duração para produzir bons frutos.
Mas esse problema - em uma pessoa como eu- é no mínimo um paradoxo: Amo a linguagem escrita!
No interessantíssimo livro de Lewis Carrol Alice no país do Espelho, viajando em um trem onde deveria pagar o bilhete ao maquinista e era muito caro, ela pensa "Ora, nem vale a pena falar" e as vozes não reponderam em voz alta, porque ela só havia pensado, então todos responderam 'em coro' de pensamento "Melhor não dizer coisa alguma. A linguagem vale mil libras por palavra!"
E as minhas? Por enquanto não estão valendo nada.
Mas então faço a pergunta mais vezes formulada pela humanidade: Para que estou viva se não posso formular minha narrativa? Eu posso fazer isso aqui... apenas.
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