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quarta-feira, 17 de julho de 2024

OBJETOS DELICADOS

 

OBJETOS DE ESTUDO DELICADOS: À direita acima: anedotários infantis de Pedro Bloch e à esquerda LP DE Zé Fortuna & Pitangueira. À direita à baixo LP Zico e Zeca e à esquerda livro "Cantando a própria História", de Ivan Vilela.

Na minha pesquisa de pós-doutorado eu analisei objetos muito delicados, anedotas escritas a partir de falas peculiares de crianças ao Pedro Bloch, entre as décadas  de 1960 aos anos 2000. São delicadas , pois a história do som é muito particular e fluída , já que , parafraseando Manuel Bandeira, hoje não se ouve mais as vozes daquele tempo, até porque não se OUVE MAIS DO MODO como se ouvia naquele tempo. No entanto esses sons nos trazem preciosas informações "de época". Acabo de ler uma análise sobre  músicas caipiras das décadas 50/60 que se propunham a contar a versão de combatentes rurais sobre sua experiência na Segunda Guerra Mundial. Se os MODOS DE TOCAR E CANTAR  a música caipira foi, segundo Ivan Vilela,  a crônica legitima do cotidiano rural rural e grande mediadora entre  cultura camponesa e a da cidade durante o êxodo rural no centro-sudeste a partir das décadas de 1920, é essa crônica que também registrou a participação dos camponeses em eventos da História. No caso, sobre como foi para  aqueles  combatentes rurais que  foram "pracinhas" . Fui ouvir as músicas analisadas, elas trazem informações interessantes como a coragem,  um sentimento de patriotismo, a censura às informações de guerra,em uma aura bem romântica que achei a coisa mais delicada!Eu diria até emocionantes. Amei!



quinta-feira, 6 de abril de 2023

Parem de matar as crianças! 😢

 

Korczac e seus órfãos


QUE TRAGÉDIA, KORCZAK -Nesse momento terrível, de atentado contra crianças em uma creche no Brasil, lembro de uma das histórias que conheci durante minha pesquisa de pós doc sobre Pedro Bloch e as crianças. Falo da trajetória do  médico e pedagogo polonês Janusz Korczak , um dos precursores dos direitos da criança, que protegia órfãos do em seu orfanato em Varsóvia, durante a segunda guerra, e que  poderia ter escapado da caça aos judeus,mas optou por acompanhar as crianças qd foram internadas no campo de concentração de  Treblinka, porque sabia que elas seriam exterminadas. Em 5 de agosto de 1942, acompanhou-as à  câmara de gás, levando à sério um dos principais  fundamentos da sua pedagogia : jamais abandonar os pequeninos no sofrimento. Nem mesmo se isso valesse a própria vida. Infelizmente  hoje, no Brasil,  não vemos atos de amor assim,  muito ao contrário, presenciamos atos de covardia, de quem só tem coragem para matar inocentes. Que tragédia, que vergonha Korczak.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Live sobre humor e Linguagem infantil

 

Cartaz de divulgação 

Tive que gravar um vídeo convidando 

A live foi muito divertida, ficou registrada no YouTube e você pode assistir aqui.
Falei da infância nas estórias de Rosa, e da pesquisa sobre Pedro Bloch, foi um prazer.
Usei algumas imagens :
Registro que Guimarães Rosa fez da fala da sua neta Vera Tess quando ela tinha de 3 para 4 anos. É muito interessante esse registro da Vera porque mostra que ela entendeu a diferença entre criança e adulto vá partir do uso da linguagem. O vovô fala ratinho porque cresceu e aprendeu pronunciar o R.


Anedota do livro "o incrível humor da criança", de Pedro Bloch.
Aqui o humor , como brincadeira, vira o verbo RISAR


Pedro Bloch: Escutador de crianças 

Trecho do livro Tutaméia no qual Guimarães Rosa convoca as crianças para interpretar o mundo.



Seleção de 11 anedotários infantis que usei como fontes em minha pesquisa de pós doutorado

Os Dicionários infantis de Pedro Bloch

Como leitura introdutória para a live, disponibilizei para as organizadoras três artigos, que podem ser baixados nesses links:

 

2- Anedotários de Pedro Bloch: uma história de humor, livros e crianças, publicado no ebook  Diálogos Possíveis: História e Literatura em Perspectiva. São Carlos: UFSCAR/CPOI, 2021;


Ainda sobre Pedro Bloch :

4- Pedro Bloch: Um escutador da graça das crianças, publicado na Revista childhood & philosophy,  em 2018;

Para terminar, uma imagem nossa, na live



terça-feira, 13 de julho de 2021

Um capítulo sobre Pedro Bloch

 


No Ebook “Diálogos Possíveis: História e Literatura em Perspectiva – Vol. 1 e 2”, organizados por Thiago Sampaio (Unesp) e Alex Rogério da Silva (ufscar)  e disponível gratuitamente em PDF,   saiu um um capítulo sobre pesquisa de pós doc intitulado 

  ANEDOTÁRIOS DE PEDRO BLOCH: UMA HISTÓRIA DE HUMOR, LIVROS E CRIANÇAS e você pode ler nas páginas 129-159 deste link.

Este texto  texto é um dos resultados da minha pesquisa de  pós-doutoramento em História Cultural do Humor intitulada "Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história
cultural do humor e da criança (1952 - 2002)", pela USP entre 2015,
2017.

É bem divertido, garanto ! 

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Mais do que anedotas infantis: Pedro Bloch e os escritos que contam uma História da Criança

Minha pequena biblioteca de
de Robert Darnton


Solicitaram-me um texto sobre "Escritos e impressos: Literatura e historicidade" para ser entregue daqui poucas semanas, como está tudo fechado na quarentena, inclusive as bibliotecas, tive que me voltar ao material que tenho: As edições de Pedro Bloch e o universo da minha pesquisa de pós-doutorado. Para mim ficou claro e espero ter conseguido demonstrar, que no campo da “história intelectual”, a atuação bloquiana com a meninada (de ouvir as crianças, transcrever seus ditos, publicar em livros e revistas, divulgar e incentivar que outros artistas, escritores,jornalistas, etc., também o fizessem no século XX) estava diretamente ligada ao moderno ideário iluminista, pois nosso autor seria propriamente o que o historiador do século XVIII francês Robert Darnton chamou de “homem de letras”, os debatedores e divulgadores de ideias. Embora Darnton tivesse sido sempre uma referência para meus estudos em História Cultural, lia muito os exemplares da biblioteca, então minha biblioteca pessoal desse autor não é muito grande, pois só fui conviver mais com suas ideias sobre história editorial mais diretamente no pós doc, para entender a que tradição  qual poderia estar  ligada a prática de Pedro Bloch, e isso foi ótimo.

No relatório final da minha pesquisa de pós-doc concluí que esse tipo de atuação nos abria caminho para um trabalho histórico diferente do que vinha sendo executado pelos historiadores da infância (que se dedicam a estudar história da relação da sociedade e da cultura com as crianças), já que  a partir deste material temos o contrário, pois ainda que de forma humorística, as publicações bloquianas nos mostram flashs reveladores da percepção de como os próprios pequenos percebem o mundo que os cerca (eu escrevi sobre isso na página 8 do artigo sobre os dicionários infantis de Pedro Bloch, disponível neste link ).
Retomando essas ideias, só posso aplaudir os livros de Pedro Bloch como minhas fontes de pesquisa, porque elas me permitiram e ainda me permitem, fazer pura História do jeito que eu mais gosto!  

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Artigo sobre os Dicionários de Humor Infantil de Pedro Bloch

Capas dos dicionários de humor infantil de Pedro Bloch

É com imenso prazer que compartilho com todos a publicação do artigo sobre os dicionários de humor infantil de Pedro Bloch pela Revista de História da USP , que é o melhor texto que produzi durante minha pesquisa de pós doutorado. Trata-se de um material muito divertido, com o qual amei trabalhar. Para ler, acesse aqui.

Espero que gostem.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

SONHOS DE PESQUISADORA

Walter Benjamin menino

Como sabem, meu pós doutorado foi uma continuação da minha tese "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história nos manuscritos de Guimarães Rosa", como costuma ser. Na época eu tinha três opções para fazer esse prolongamento e no fim acabei começando um estudo sobre o humor com as crianças de Pedro Bloch, aqui mesmo na USP, junto ao Grupo de Estudos de História e Humir, o que foi muito bom. Mas na época de começar o pós-doc esta era a minha terceira opção de preferência... eu poderia ter estudado a fundo os usos da ORALIDADE na ESCRITA de Guimarães Rosa (a ideia era do saudoso Nicolau Sevcenko e seria, propriamente, uma prorrogação da tese);
Ou então eu teria estudando o objeto dos meu sonhos :a meninice recordada de Walter Benjamin nos manuscritos de "Infância em Berlim, 1900", aquela obra que sempre me fez pensar "que infância maravilhosa foi aquela, que até hoje todo mundo queria ter tido uma igual?"... desta última opção e a maravilhosa infância benjaminiana, consegui apenas escrever a resenha do volume com seus programas infantis para o rádio no final nos anos 20, que intitulei "A hora da História da criança" mas eu tenho certeza de que, um dia, ainda me largo na consulta a seus documentos! E como está demorando muito, tenho certeza de que quando vier vai ser como eu sonhei, com consulta aos manuscritos originais, em Berlim e tudo mais ... afinal de contas, os sonhos nunca envelhecem! <3 font="">

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Pedro Bloch: Um escutador de crianças



Cumprindo a meta 3 para meu 2018, acaba de ser publicado na revista childhood & philosophy o artigo "Pedro Bloch: Um escutador das crianças", a primeira produção sobre o meu pós-doutorado! O conteúdo é o mesmo da palestra que ministrei na UERJ em agosto de 2017 e trata dos anedotários infantis de Bloch! Boa leitura!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 (1o. semestre)

Como já é tradição no Pequenidades, lá se vai a retrospectiva do ano, dessa vez muito antes dele terminar (eu realmente acho que nada de muito interessante vai me acontecer por enquanto), mas mesmo assim ficou tão  grande que tive que dividir em 2 postagens,  então vamos lá com a do primeiro semestre, semana que vem posto a parte 2 :
 JANEIRO 
Comecei o ano ouvindo muita música no Instrumental Sesc Brasil e acho que o primeiro semestre a trilha sonora e as baladas foram a partir disso. Me apaixonei em janeiro, demais e realmente acreditei que ia dar namoro... enfim. Assisti a minissérie Dois Irmãos e fiquei imensamente tocada, especialmente com a participação do Irandir Santos, fazendo o papel do primeiro brasileiro, mistura de tudo, filho de ninguém, mas que observa tudo, sempre.
Irandir Santos em "Dois irmãos"
FEVEREIRO
Em fevereiro, enfim, eu vi um show do Beto Guedes, super emocionante, claro... abrindo os shows dos sonhos que assisti em 2017. 

Beto Guedes no Sesc Pinheiros
Depois teve o Carnaval, e o Bloco Tarado Ni você, espalhando Caetano pelas ruas do centro e também no Sesc Vila Mariana, me diverti super! 
Tarado Ni você no SESC Vila Mariana
Porque eu ainda estava concluindo o pós-doc, nesse mês eu também publiquei  alguns textos, fossem resenhas como  A Hora da História das crianças, que é do livro de Benjamin que eu amo! Ou artigos mesmo, como aquele sobre o conteúdo do curso que ministrei na UFMG em 2016, texto que eu chamei   A Indagação da História nos manuscritos literários de Guimarães Rosa, ou mesmo o artigo sobre a representação infantil  nas estórias  no artigo  Novas representações 'femeninas' de crianças  em Guimarães Rosa 
Março
2017 foi o ano dos shows. Continuando o percurso dos shows, assisti ao Baile do Almeidinha, com Hamilton de Holanda, que é um baita instrumentista, adorei, dancei, me diverti demais! Assisti, pela primeira vez, um show do violeiro Neymar Dias e foi um presente que a vida me deu, especialmente por descobrir como ele é uma pessoa amigável, carinhosa e de deliciosa convivência.
Chamada para o show do Neymar Dias no Espaço 91
Chorei muito  de saudade do meu pai. Se pudesse choraria todo dia por esse motivo, enfim.Vi o show do Hermeto Pacoal com Heraldo Dumont... fui muito feliz ouvindo música boa em março.
Abril
Aquela paixão de janeiro deu errado e eu fiquei muito ocupada escrevendo o relatório final do pós-doc, foi duro, eu escrevia e chorava porque não foi, mesmo, como eu gostaria que tivesse sido, mas foi... fiz um balanço da minha trajetória, percebi que foi sempre uma busca pela interdiciplinaridade, algo cada vez menos valorizado, infelizmente. Nesse mês fui a Aparecida, vem a Coongada invadir a basílica mais uma vez e tipo pirei... que coisa linda que é isso!
Congadas entrando no Santuário Nacional de Aparecida
Maio

Continuei maluca com Pedro Bloch e o relatório final do pós-doc, minhas postagens foram quase todas sobre isso em abril.

Entrevista de Pedro Bloch para a Revista Veja em 8 de out 1997.
Afora isso, teve o falecimento do Antonio Cândido, o que eu lamentei profundamente, afinal ele é a alma da FFLCH.

sábado, 16 de setembro de 2017

ARQUIVOS E OS ESCUTADORES DE CRIANÇA

Registro escrito por uma criança de 8 anos, disponível aqui

Escrevendo o texto da palestra que eu ministrei na UERJ para os anais do I Congresso de Estudos da Infância - Diálogos Contemporâneos na UERJ, percebo que o assunto é o do meu pós doc - Pedro Bloch e seu "humor com criança"-, ok, mas para problematizar a guinada na ideia de criança que sugiro ter ocorrido no século XX e eu sublinho registros deixados em manuscritos por aqueles que eu chamo de "escutadores de criança", por isso cito arquivos (de Guimarães Rosa, de Walter Benjamin). Reparem, eu trato de uma mudança na "ideia" sobre algo percebida no tempo (História das ideias) e cito registros de arquivo, então só me pergunto : Por que ainda tem gente que acha que eu não sou historiadora? Preguiça!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

PEDRO BLOCH: UM ESCREVINHADOR DE CRIANÇA


PEDRO BLOCH: UM ESCREVINHADOR DE CRIANÇA
"O mundo infantil é cheio de mistério e poesia, suspense e humor. (..) Seria de desejar que todos os pais guardassem as frases mais expressivas dos filhos, como verdadeiros tesouros. Mas o que ocorre, normalmente, é que se conserva um flagrante fotográfico inexpressivo ou uma botinha, um boneco uma mecha de cabelo. Quase nunca percebe que o que a criança diz, em suas diferentes fases, são pedacinhos de alma dessa criança." 
(BLOCH, Pedro. 'Criança diz cada uma!', 1963, p. 1)

terça-feira, 25 de julho de 2017

Trecho final do relatório final de pós doc

Ilustração de Mariana Massarani , 1998
 Acabei a pesquisa de pós-doutorado e o último trecho do relatório final eu falei sobre aquilo que eu achei mais bonito de todo o trabalho de Pedro Bloch, que foi a valorização da  expressão da criança como ela é : 
"          Como parte de nossa investigação, conseguimos esboçar faces de como o projeto de ouvir a meninada e inseri-la no diálogo teria ficado guardado na memória cultural e pessoal das pessoas que nele estiveram envolvidas. Por outro lado, percebemos que, embora ele tenha sido muito famoso em vida, vai sendo gradativamente esquecido, seja porque sua atividade envolveu crianças há bastante tempo e elas nem sempre puderam guardar memória do ocorrido, ou pelo fato de terem participado da composição humorística e isso  não sido considerado importante  a ponto de permanecer na memória por muito tempo, ou mesmo por conta dos fluxos e refluxos da história cultural,  que se interessa por figuras assim, que brilharam muito, às margens dos grande personagens, e rapidamente ficaram de lado na narrativa.            Enfim, procuramos destacar a importância das anedotas infantis de Pedro Bloch porque vimos nelas marcas de uma mudança sutil em relação à própria ideia de criança que então estava em processo, sempre através do filtro mediador do humor, que foi o que permitiu que se ouvisse em alto e bom som a até então calada voz infantes, ainda que esse som nos viesse sempre cheio de estranhamento e comicidade.
            Como epígrafe de um de seus primeiros livros sobre foniatria, o autor narra: 
  
(BLOCH, O problema da gagueira, 1958)
                    Julgamos que esta epígrafe sintetiza todo o seu projeto com os pequenos , afinal fazia parte da sua pedagogia não deixar de dizer a toda criança que encontrava “você é boa, bonita, inteligente porque sei o que uma observação assim significa para um ser que brota" (BLOCH, Você tem personalidade?,1974, p. 193), então é como se conseguisse enxergar em suas crianças – fossem pacientes, leitoras, personagens ou coautoras – algo precioso que só então estava se revelando e elas lhe chegassem  lindas, inteligentes, divertidas, com uma porção de significados desconhecidos que o levava a olha-la e dizer : Fala, agora! Por que não falas?  E em suas anedotas as crianças enfim falaram,  contando como era o seu maravilhoso mundo encantado, no qual os adultos ainda não haviam arriscado adentrar. " (RODRIGUES, Camila. Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história cultural do humor e da criança (1960 - 2002), p. 92)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Começo do meu trabalho sobre o humor com criança Pedro Bloch foi em Guimarães Rosa


A primeira citação direta ao projeto de Pedro Bloch com as anedotas infantis que encontrei foi no livro de Guimarães Rosa que estudei no mestrado. Vejamos o trecho:

"Deixemos vir os pequenos em geral notáveis intérpretes, convocando-os do livro "Criança diz cada uma! ", de Pedro Bloch:
O TÚNEL. O menino cisma e pergunta: - "Por que será que sempre constroem um morro em cima dos túneis?"
TERRENO. Diante de uma casa em demolição, o menino observa: - "Olha, pai! Estão fazendo um terreno!"
O VIADUTO. A guriazinha de quatro anos olhou do alto do Viaduto do Chá, o Vale, e exclamou empolgada:
- "Mamãe! Olha! Que buraco lindo!"
A RISADA. A menina - estavam de visita a um protético - repentinamente entrou na sala, com uma
dentadura articulada, que descobrira em alguma prateleira : - "Titia! Titia! Encontrei uma risada!"
O VERDADEIRO GATO. O menino explicava ao pai a morte do bichinho: - "O gato saiu do gato, pai, só ficou o corpo do gato."

(ROSA, João Guimarães. Tutaméia: Terceiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967, p. 8-9.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Relatório Final em imagens


Uma espécie de resumo (BEM) sintético e visual das cerca de 90 páginas de relatório:

LISTA DE FIGURAS DO RELATÓRIO FINAL

1. Foto da biblioteca bloquiana pesquisada no 1º. ano;

2. Chamada de depoimentos de ex-crianças bloquianas;
3. Detalhe de escultura em homenagem a Janusz Korczak , mostrando-o cercado de crianças;
4. Ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch cercado de crianças;
5. Fac-símile do visto de entrada dos Bloch no Brasil em 1921, do Arquivo Nacional;
6. Tradução e interpretação do Fac-símile, por Felipe Pena;
7. Anedota "Riso", do livro O incrível humor da criança (1989), ilustração Sidney Ferreira da Silva;
8. Detalhe da capa do livro O incrível humor da criança (1989), ilustração Sidney Ferreira da Silva, mostrando crianças rindo com Pedro Bloch;
9. Capas dos 11 anedotários bloquianos tomados como fontes de pesquisa;
10. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch dialogando com um menino;
11. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch conversando com uma menina;
12. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch observando um garoto tentar acertar a boca do palhaço;
13. Foto de crianças com o palhaço Carequinha;
14. Capa do Dicionário de Humor Infantil (1998);
15. Capa do Dicionário de Anedotas infantis: de crianças para adultos (2001);

sábado, 27 de maio de 2017

PEDRO BLOCH : UM PEQUENO FENÔMENO EDITORIAL

Concluindo meu  estágio pós doutoral, que nem foi propriamente  sobre o Pedro Bloch, mas sim sobre o seu trabalho com as crianças,  eu me impressiono com o fato de que não descobri exatamente quantos livros ele  publicou.Quando minha conta passou dos 90 volumes - dentre dicionários, séries de revistinhas, livros de bolso, publicações na área médica, dramaturgia, livros infanto juvenis,anedotários, etc- parei de contar e recortei os que realmente iam me interessar (no caso 13 volumes sobre humor de crianças). Mas ele foi mesmo um fenômeno editorial. Claro que ter uma editora da família ajudou muito na multiplicação de volumes, mas ele publicou em várias outras também (Ediouro,Brasiluso,Pró fono,Nórdica,Revinter,etc).
Um sujeito desses deve ser muito estudado, especialmente por ter vivido no Brasil,não acham? 

terça-feira, 23 de maio de 2017

ORALIDADE E PEDRO BLOCH




ORALIDADE E PEDRO BLOCH  
Em meu relatório final eu não devo  defender que o Pedro Bloch foi pesquisar e trabalhar com foniatria exclusivamente porque era judeu. Isso seria reducionista. Eu vejo o seu caso em um contexto maior: o século XX, a era do florescer dos estudos sobre a linguagem e a fala e o surgimento da própria Foniatria , que é uma área médica nascida na Alemanha em 1905 e que mais tarde foi trazida ao Brasil por pesquisadores como o  próprio Bloch na segunda metade do século XX, e que apostava em uma abordagem interdisciplinar para compreender e tratar distúrbios da fala. Bloch não era um teórico, ele era um judeu,  médico e também um cientista da área médica.
Por outro lado, como sou uma teórica, eu li (e pirei com isso) o Russel Jacoby e a a reflexão sobre a longa tradição judaica que propõe um elogio ao oral, tanto que Jacoby resgata o pensamento de Frtitz Mautner para defender, mais ou menos, que O JUDEU OUVE e ao que ouvir está pensando em história, porque "o ouvido não recebe uma mensagem apenas, ele registra a sequencia do tempo; o som requer duração". E Russel conclui: "o som inclui o tempo e o tempo implica a história" (A Imagem imperfeita, 2007, p. 203).
Eu não sei em que medida esse raciocínio interferiu nas ações de Bloch, mas também não posso afirmar que não esteve presente de nenhuma forma. Devo apontar essas questões, mas de forma leve, colocando mesmo como dúvida: Será que Bloch estudou a linguagem oral porque era judeu, ou porque era judeu foi estudar a oralidade? kkkk
No meio de tudo isso, tem as crianças e elas sempre apresentam outras apreensões para tudo, isso é o mais importante para mim!

domingo, 21 de maio de 2017

Entrevista de Pedro Bloch para a Revista Veja em out. de 1997


Quando escrevi meu projeto de pós-doutorado em janeiro de 2015 eu usei uma entrevista que o Pedro Bloch deu para a Revista Veja em 08 de outubro de 1997 e que a Óia disponibilizava em seu acervo na internet. Como a entrevista é bem legal, mostra o velho Bloch falando das amadas crianças, eu fui acessar o link de novo e não é que agora ele cai na página do Reinaldo Azevedo? Eca!

A sorte, mesmo é que eu tenho o print da entrevista e publico ele aqui porque, como foi útil para mim, pode ser para outros pesquisadores, né? Aliá, se for o caso, eu tenho ela transcrita em versão txt, é só me pedir que eu repasso!


terça-feira, 16 de maio de 2017

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH - Acabo de constatar que nesses dois anos de pesquisa de pós doutorado, eu consegui reunir dez depoimentos sobre Bloch através das redes sociais, sendo nove de suas ex- crianças. Acabo de relatar que não consegui um número maior porque não foi possível visitar o Rio de Janeiro para procurá-las, nem mesmo tive financiamento de pesquisa para custear um chamado em jornais na cidade (ainda que tenha feito até um orçamento), afinal quem bancava a pesquisa sou eu mesma, ai tinha que escolher bem onde aplicar os recursos. De toda forma,esses depoimentos são muito interessantes, estou conseguindo desdobrá-los bem e, como eu queria, já dá ter uma noção mais clara não apenas de quem eram seus leitores (da revista, dos livros), e até mesmo como seria seu contato direto com as crianças. Me emociona demais! Eu devo ser uma grande sonhadora, isso sim! Novamente, sou muito grata a todo que ajudam a continuar a ser assim.