Esse tipo de colocação de Calvin, que
questiona algumas noções teóricas da histórias, é clara ao historiador que,
como eu, se preocupa com a percepção do tempo e das narrativas construídas a
partir dele desde a infância, que é o período onde a percepção temporal humana
ainda esté em formação e todas as noções teóricas de tempo as quais nos
habituamos como sendo naturais (como direção, fluxo, ritmo, etc) estão em fase
de formação e qualquer cristalização é arbitrária: para a criança o tempo ainda
não é uma linha progressiva. Eu penso que a história tem sim seu teor de ficção
como construção (afinal acaba sendo face de uma confecção de narrativa), mas
não é só isso. A outra parte é a que me faz persistir em pesquisar história: a
narrativa é o resultado de todo um trabalho de pesquisa e de reflexão (ofício
do historiador) em busca de possíveis verdades sobre o vivido, o sentido e o
pensado pelo ser humano no tempo, o que eu acho legítimo e interessante,
especialmente se esta busca for feita por alguém que tem noção destas duas
faces e por isso experimenta expressar na narrativa os questionamentos teóricos
percebidos na pesquisa. Isso é MUITO DÍFICIL DE SE FAZER, tanto que só alguns historiadores
tentaram e (na minha opinião) muito poucos conseguiram bom resultado nisso. Mas
quando isso acontece temos acesso a uma narrativa de história mais honesta e
complexa. Ai acontece aquela virada da qual falava Maria Odila Silva Dias : “Historia sugira como disciplina destinada a reforçar projetos culturais hegemônicos- da igreja, do Estado-Nação – mas depois viria a ser um dos principais esteios das frentes criticas do pensamento contemporaneo” (Dias, 1998)
Em todos os contextos, mas especialmente nos que vivemos hoje no mundo, quando o ódio e a ignorância dominam, quem nos salva é a História, em seu sentido mais mais trivial mesmo (o se se constituir como narrativa de vida, de vidas) : conhecer a história, como bem diz uma amiga minha professora de História, nos salva porque nos possibilita ter respostas ou compreender melhor o mundo louco no qual vivemos, bem como saber o que somos e termos foça para tomarmos nossas decisões. História não nos dá ordem ou direção mesmo, Calvin, mas ela (talvez só ela) possa nos oferecer várias diretações e ordenaçãos em seus movimentos initerruptos. É preciso esclarecer isso, apesar de tudo.
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