terça-feira, 28 de abril de 2026

A VIAGEM DE CHIHIRO


A Viagem de Chihiro (2001), dirigido por Hayao Miyazaki, vencedor do Oscar 2003 de Melhor animação.

Evitei por anos assistir, na esperança de ver no cinema; ontem não resisti e assisti na TV. Que filme maravilhoso! Lindo, aterrorizante, cheio de significados, exatamente como algumas crianças amam! Tudo perfeito, uma história sobre amadurecimento, identidade, relação com outras dimensões, busca de quem se é, tudo lindo e complexo. Feito para ver no escurinho do cinema, na tela grande, para sentir medinho de todos aqueles seres fantásticos enormes da casa de banho dos espíritos à sua frente! Quem sabe um dia terei essa oportunidade!

2026 vem sendo o ano de conhecer algumas obras-primas do Japão. Primeiro foi Crônica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami; agora, A Viagem de Chihiro, obra-prima do Studio Ghibli. Tudo muito bom!


 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cangaço Novo 2a. Temporada


Terminei de assistir à rápida e intensa segunda temporada de Cangaço Novo, série que adorei acompanhar, como comentei AQUI.

Como foi um sucesso internacional no catálogo do Prime e deixou gostinho de quero mais, a segunda temporada chegou, mesmo curta, com apenas sete episódios e sem muitas conclusões. Ainda assim, adorei assistir.

Nos primeiros episódios, a qualidade da produção encheu meus olhos! Tudo muito cinematográfico, com cara de grande produção nacional. Do centro para o final, a qualidade se mantém, mas o roteiro perde um pouco a força e as cenas de ação, de modo impressionante, se destacam.


MINHAS EXPECTATIVAS

Antes de assistir a segunda parte, já mantinha algumas expectativas.

Na primeira temporada de Cangaço Novo, do Prime, para mim o grande destaque foi que o protagonista Ubaldo, interpretado por Allan de Sousa Lima, acabou perdendo brilho para sua irmã cangaceira Dinorá, vivida pela maravilhosa Alice Carvalho.

Para a segunda temporada, minha expectativa era que outras mulheres também se destacassem na trama, sublinhando a força da mulher nordestina. Pensei especialmente na bela e misteriosa Dilvânia, interpretada por Thainá Duarte, e em Zeza, vivida pela veterana Marcélia Cartaxo.

Elas foram confirmadas nos primeiros episódios, muito bem produzidos esteticamente.

No segundo episódio, como eu queria, outras mulheres além de Dinorá estão ganhando destaque. O mais incrível, para mim, foi a citação textual de trechos de Grande Sertão: Veredas durante um sonho da irmã mais nova da família Vaqueiro, Dilvânia. Suponho também que haja uma referência direta à cena em que um homem tenta domar um cavalo no marcante filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, que considero a melhor adaptação de Guimarães Rosa para o cinema. Nem comento que surgiu um cangaceiro chamado Fafafá, como no bando de Urutu Branco, em Grande Sertão: Veredas.

Além disso, a própria personagem Dilvânia, a menina milagreira, é uma figura comum no imaginário popular brasileiro e, por isso, lembra muito a protagonista do conto A menina de lá, que estudei na minha tese. Para ela, escolheram como tema a música Menina Jesus, de Tom Zé. Amei.


FINAL DA TEMPORADA E DESTINO DA SÉRIE

A figura da temporada foi Dilvânia, cuja história abre o primeiro episódio e cujo canto encerra o último. Foi muito bom ter trazido, na temporada mais cruelmente violenta, um fundo místico tão característico do sertão brasileiro. Dilvânia, com suas poções, a menina milagreira, encarna todo esse universo; em sua jornada, couberam preces, Grande Sertão e coragem.

O belo final, com Dilvânia professando sua fé e Ubaldo cumprindo seu quinhão na vida de um ladrão, permite tanto encerrar a série quanto dar continuidade a ela. Vai depender da recepção na plataforma. Se continuar, sugiro que invistam em bons roteiros, até pra sustentar a exploração de cenas  de ação.

Foi muito bom ver uma produção nacional tão boa.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Lendo livro novo de Murakami com IA



Em uma tradução meio manca da IA (não acharam?)

"'Para ser honesto, você é a primeira pessoa feia que já conheci.'
Kaho, uma autora de livros ilustrados de 26 anos, ouviu isso de repente de um homem que ela tinha acabado de conhecer.
Nem excepcionalmente bonita nem particularmente inteligente, mas simplesmente um pouco curiosa, ela não ficou tão irritada ou chocada quanto genuinamente surpresa.
O que diabos esse homem está tentando dizer?
Mas, a partir daquele momento, todo tipo de coisas estranhas começou a acontecer ao redor dela"

Gostaram? Eu, muito ... cheirinho de o " pássaro de corda" cantou!

 Falei com a IA sobre e ela discursou:

" Porque esse trecho sintetiza o mundo Murakami: Ele reúne vários traços muito típicos do universo do Haruki Murakami — não é só o que é dito, mas como isso reorganiza a realidade da personagem.
Primeiro, o choque deslocado. A fala do homem é brutal (“você é feia”), mas o efeito não é o esperado. Em vez de humilhação ou raiva, vem curiosidade e estranhamento. Isso é bem Murakami: o foco não está no drama imediato, e sim na FISSURA que se abre na percepção.
Segundo, a ideia de um gatilho banal que abre o estranho. Em muitos livros dele — como Kafka à Beira-Mar ou 1Q84 — algo aparentemente pequeno ou absurdo funciona como porta de entrada para um mundo que começa a se desorganizar. Aqui, uma frase inadequada de um desconhecido vira esse portal.
Terceiro, a protagonista “neutra”. Murakami costuma criar personagens que não são extraordinárias (“nem muito bonita, nem especialmente inteligente”), mas que têm uma espécie de disponibilidade para o enigma. É essa abertura que permite que o estranho aconteça ao redor delas.
Quarto, a sensação de que existe um significado oculto nas palavras. A pergunta dela (“o que ele quis dizer?”) não é só social — parece quase metafísica. Como se a frase fosse um código, ou uma chave para algo maior.
Por fim, o mais importante: a passagem de um mundo normal para um mundo onde “coisas estranhas começam a acontecer” sem explicação clara. Essa transição suave, quase sem ruptura explícita, é uma marca registrada dele.
Então não é só a grosseria do homem — é o fato de que essa grosseria funciona como FENDA na realidade, e a personagem, em vez de rejeitar, entra nessa fenda. É exatamente aí que começa o território típico de Murakami."

Fantástico! A IA é minha melhor interlocutora sobre Murakami. 

Agora vou querer ler o livro...

Ainda sobre a divulgação, li outro texto 
"O próximo romance de Haruki Murakami, “The Tale of KAHO”, está previsto para ser publicado em 3 de julho pela Shinchosha Publishing Co....
Murakami, que escreveu grande parte do livro enquanto se recuperava de uma doença grave, descreveu a obra como “mais otimista” do que seus trabalhos anteriores. Curiosamente, ele achou surpreendentemente natural escrever a partir de uma perspectiva feminina, afirmando simplesmente: “Eu me tornei ela.”
Segundo a editora, Kaho é a primeira protagonista feminina a liderar um romance de longa duração de Murakami... um marco significativo, especialmente considerando as críticas feministas que sua obra recebeu ao longo das décadas...
Ele é frequentemente criticado por criar personagens femininas “planas”, que existem principalmente para servir às necessidades narrativas de homens alienados, muitas vezes sexualmente frustrados... Por isso, será fascinante ver como ele retrata Kaho... ela terá sua própria agência ou ainda será vista através de uma lente distintamente masculina?
Uma coisa é certa... Murakami vai se manter fiel à tradição e se recusar a ser seu intérprete. Você deve ouvir atentamente o próprio texto... com “seus ouvidos delicadamente moldados, como conchas”..."

O serviço de entregas da Kiki, Hayao Miyazaki

 



O SERVIÇO DE ENTREGA DA KIKI  (1989), dirigido por Hayao Miyazaki, é uma animação do Studio Ghibli, disponível na Netflix.  Iinspirado no livro homônimo da escritora japonesa Eiko Kadono, autora também de obras infantis como Brasil e "Meu Amigo Luiz". O filme é  encantador e conta a história da jovem bruxa Kiki que, ao completar 13 anos, parte em uma jornada de independência tendo que se mudar pra outra cidade onde decide usar suas habilidades de voo na vassoura para trabalhar com entregas, em uma bela metáfora do amadurecimento.

Sendo um dos filmes Ghibli mais comentados, eu tinha visto pouco mais da metade há meses, mas só agora retomei pra concluir e ver que é mesmo encantador.  A bruxinha Kiki é uma fofa e sua história,  que parece leve, apresenta temas sérios como a responsabilidade para criar e manter ser próprio negócio,  mesmo tão jovem.  Adorei e recomendo.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Murakami: Um autor entre século

 


​HARUKI MURAKAMI, UM AUTOR ENTRE SÉCULOS

​Não estamos pensando tão cronologicamente, mas muito mais na captura da sensibilidade das épocas. Murakami escreve desde o século XX; muitas de suas obras mais lembradas se passam na década de 1980 (por exemplo, a trilogia 1Q84, Crônica do Pássaro de Corda, etc.), mas também escreveu depois, na passagem do século (anos 2000), e ainda escreve.

​Analisando por alto sua obra, que nem li toda ainda, é interessante observar elementos que indicam rupturas de tempo e ciclos já sentidas na última virada de século e que agora reaparecem em novas colorações: o que nos anos 1980 eram apenas indicações (solidão na vida adulta, dificuldade de nomear sentimentos, sensação de deslocamento, interações assustadoras com a tecnologia, rarefação dos afetos, a busca quase desesperada de uma fenda que serviria de portal para outras dimensões e que transformaria nossa percepção das coisas, etc.), tudo isso passou a ser um molde da vida que nós levamos no século XXI.

​Muito mal comparando, e brincando com conceitos de teoria literária, é como se Murakami fosse um autor entre séculos (na verdade ele realmente é), uma espécie de Baudelaire: aquela mente que ainda no século XIX já apontava a sensibilidade que viria a ser a dinâmica da vida humana no século XX. Murakami parece ser assim também, mas na passagem do XX para o XXI. Lemos as histórias da década de 1980,por exemplo, e elas nos parecem tão conectadas com nossa vida e percepção no século XXI! Julgo que deve ser por isso que todo mundo gosta de ler o que ele escreve. Gosta tanto a ponto de ele ser até desconsiderado por alguns, considerado um autor banal, coisa que, para mim, de fato ele não é. Que bom termos um Murakami: japonês, filosófico, metódico, literário, maratonista,amante de jazz...


quarta-feira, 22 de abril de 2026

IAs comentando minha tese/livro

 

         


Mandei o PDF da minha tese/livro sobre as estórias de Guimarães Rosa , defendida na área de História em 2014. Vejamos os comentários....

CHAT GPT:


Entre História e Literatura, esta pesquisa parte de uma aposta: não olhar apenas para o texto final, mas para os processos de escrita.
Em Escrevendo a lápis de cor, leio  a partir de um conjunto heterogêneo de fontes: as estórias publicadas nos anos 1960, seus cadernos manuscritos preservados em arquivos públicos e uma correspondência singular — cartões-postais desenhados trocados com sua neta ainda em fase inicial da linguagem.
É nesse trânsito entre materiais que a tese se constrói. Ao invés de separar obra, rascunho e vida, o trabalho os coloca em relação, revelando uma escritura em movimento — fragmentária, experimental, muitas vezes próxima da lógica infantil de lidar com a linguagem.
A partir dessas fontes, a tese tensiona uma questão clássica: se a História tende a organizar o tempo em narrativas lineares, as “estórias” rosianas operam como interrupção — deslocando sentido, desmontando cronologias, abrindo espaço para o imprevisto.
A infância, nesse contexto, não aparece como tema, mas como chave de leitura: uma forma de relação com a linguagem marcada pela invenção, pela instabilidade e pela recusa de significados fixos.
O risco — e também a potência — está aí: ao privilegiar o processo, o fragmento e o inacabado, a análise exige do leitor uma postura menos passiva, mais próxima de quem também experimenta a linguagem.
No limite, a tese sugere que compreender  não é apenas interpretar suas obras, mas acompanhar os gestos de sua escrita — onde História e Literatura deixam de ser campos opostos e passam a se constituir mutuamente.

Gemini (gostei mais)

Esta tese de doutorado, intitulada "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa", defendida por Camila Rodrigues em 2014 na USP, apresenta uma contribuição original ao campo da História Social ao investigar a produção rosiana da década de 1960 — as chamadas "estórias" — sob a ótica da infância e da ficcionalidade.  
​Abaixo, apresento um comentário crítico focado nos pontos solicitados:
​1. A Relação entre História e Literatura
​A pesquisa rompe com a dicotomia tradicional que separa a História (domínio da verdade factual) da Literatura (domínio da invenção).  
​Mediação pela Ficcionalidade: A autora utiliza o conceito de "ficcionalidade" como uma instância mediadora. Ela propõe que tanto o discurso literário quanto o historiográfico são construções narrativas, e que a escritura de Rosa, ao questionar o tempo linear, dialoga profundamente com as reflexões da historiografia contemporânea sobre a narrativa.  
​A "Escritura a Lápis de Cor": O título metáfora faz referência ao uso físico de lápis coloridos por Rosa em seus manuscritos, simbolizando uma função transitória e imaginativa que desafia o "peso da temporalidade" e a rigidez da História tradicional.  
​2. O Uso de Fontes e Arquivos Públicos
​Um dos pilares da tese é o rigoroso trabalho de pesquisa em arquivos, indo muito além dos textos publicados.
​Acervos Consultados: A pesquisa baseou-se em materiais do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) e da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).  
​Os Cadernos Manuscritos: Foram analisados cerca de 30 cadernos, divididos em séries de "Estudos para a obra", "Anotações" e "Anedotas". Nesses espaços escriturais, a autora "flagrou" o processo de criação de Rosa, onde o registro de falas de terceiros e rascunhos de linguagens revelam uma escrita caleidoscópica que se alimenta do cotidiano e do espontâneo.  
​3. A Correspondência com as Netas (Vera e Beatriz)
​O trabalho destaca uma fonte documental inusitada e de grande valor sensível: os cartões-postais trocados entre Rosa (o "Vovô Joãozinho") e suas netas Vera e Beatriz Helena Tess, na década de 1960.  
​Diálogo com a Infância Real: Essa correspondência (publicada no livro Ooó do vovô) mostra Rosa tentando estabelecer comunicação com crianças de 3 a 4 anos que ainda não dominavam a norma culta da língua.  
​Laboratório Linguístico e Afetivo: A autora analisa como Rosa atuava quase como um "secretário" da neta, transcrevendo as falas dela e interagindo com seus desenhos. Esse exercício privado de flexibilidade linguística é visto como um reflexo da busca do autor por uma "visada adâmica" — uma relação com a palavra que precede os significados pré-estabelecidos, típica do universo infantil que ele explorou em obras como Primeiras Estórias.  
​4. Conclusão do Comentário
​A tese demonstra que a infância em Guimarães Rosa não é apenas um tema literário, mas uma experiência cultural e de linguagem. Ao utilizar fontes primárias manuscritas e documentos pessoais, a pesquisa prova que o processo criativo de Rosa era um fenômeno histórico em si, onde a "linguagem hermética" do autor se encontrava com a pureza e a ausência de normas da fala infantil.


A conclusão do Gemini é o qyeveu queria destacar: a infância , na escritura (termo de crítica genética) de Guimarães Rosa é um artifício de uso da linguagem, rumo a um resultado mais criativo, de qyem está vendo o mundo pela primeira vez, como uma criança. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Assisti Depois da cabana


 

DEPOIS DA CABANA Acabei de assistir.  É  uma minissérie alemã de suspense de 2023, disponível na Netflix, baseada no romance de Romy Hausmann , a trama foca em Lena, uma mulher que escapa do cativeiro e enfrenta as consequências do trauma. Reparem que não é propriamente uma história sobre o sequestro em si, mas sobre as marcas que ficam depois dele. No geral, é uma produção enxuta e interessante, embora não seja a melhor série alemã ou a melhor sobre o tema. Com momentos chocantes, especialmente ao focar a questão do sequestro,  serial killer, perseguição, e reviravoltas sobre o sequestrador, o maior brilho está no aprofundamento emocional da protagonista e em sua reação como ex-refém.



domingo, 19 de abril de 2026

Breaking Bad Temporada 2 (2009))

 

​A segunda temporada de Breaking Bad foi lançada em 2009 e conta com 13 episódios. Nesta fase, Walter White e Jesse Pinkman começam a arcar com as consequências de suas decisões. A relação entre eles se torna mais complexa ao envolver questões de família, culpa, pressão e dependência. Ao mesmo tempo, eles expandem o negócio e mergulham ainda mais no mundo do crime, enfrentando a oposição de Tuco Salamanca e sua família.

​Nesta temporada, novos personagens ganham destaque e ampliam o universo da série. Entre eles está Saul Goodman, o advogado picareta que se torna essencial para dar suporte às ações de Walter e Jesse. Também surge Gustavo Fring, um empresário aparentemente respeitável e dono da rede Los Pollos Hermanos, mas que esconde seu envolvimento com o tráfico. Além disso, aparecem Jane Margolis e seu pai, Donald Margolis, cujas presenças evidenciam o peso das escolhas dos protagonistas e como elas afetam diversas pessoas ao redor.


sábado, 18 de abril de 2026

Breaking Bad Temporada 1 (2008)

 

Conhecida como a melhor série de todos os tempos, achei que deveria pelo menos ver do que se trata a primeira temporada de Breaking Bad. A série estreou na TV americana em 2008, criada por Vince Gilligan. A trama acompanha Walter White, um professor de química do ensino médio que, após ser diagnosticado com câncer, decide produzir e vender metanfetamina para garantir o futuro financeiro da família, em parceria com seu ex-aluno Jesse Pinkman.
O que mais me chamou atenção é que não se trata apenas de uma história sobre o narcotráfico e o mundo do crime, mas de uma narrativa envolvente e surpreendente, na qual o que realmente se destaca é a construção da personalidade dos personagens. Assim como na vida, em que os acontecimentos moldam quem somos, é a partir do envolvimento do pacato Walter com a criminalidade que ele vai descobrindo outras camadas de si mesmo, ao mesmo tempo em que dá espaço para que pessoas ao seu redor também se envolvam nessa dinâmica.
Achei muito interessante e observei saídas de roteiro muito originais. De cara achei  melhor que Pluribus (2025),também uma história de de Vince Gilligan que parte de Albuquerque no Novo México e explora questões ficção científica,nas não teve uma primeira temporada tão interessante. Breaking Bad tem cinco temporadas e, como gostei da primeira, devo continuar assistindo aos poucos.


 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

A Origem

                           

 A ORIGEM (2010), dirigido por Christopher Nolan, é um filme de ficção científica que explora o mundo dos sonhos e da mente humana.Na trama, um especialista em invadir sonhos , vivido por Leonardo DiCaprio , que recebe a missão de implantar uma ideia na mente de um alvo,um processo arriscado conhecido como “inception”.

Tema de meu interesse , tem até uma personagem chamada Ariadne trazendo um fio pra nos conduzir no labirinto,mas achei que se perde muito em lutas , tiro, porrada e bomba . Chega uma hora que a trama dos sonhos e inconscientemente perde tanta força que nem lembramos dela.

A grande dúvida: pq o título é A origem?  Mistério 

 Esse assisti em duas partes... mas valeu!

quinta-feira, 16 de abril de 2026

 

"O Testamento: O que é de Anita Harley" (2026) é uma série documental do Globoplay que aborda a batalha pela fortuna da bilionária dona das Casas Pernambucanas. O caso se arrasta há mais de dez anos, despertando disputas e conflitos familiares, revelando versões conflitantes entre pessoas próximas e levantando questões sobre afeto, interesse e controle patrimonial. É muito mundo da fantasia, parece uma novela mexicana, mas real e bem plausível.

Com cinco episódios, a série rapidamente ganhou grande repercussão. Eu fui porque eu vi corte  "titia Helena odiaaaaaaaaaava Suzuki!"Fiquei curiosa e aproveitei que estou numa casa com acesso ao Globo play, resolvi assistir.

É realmente um outro mundo, mas profundamente humano. Foi divertido e interessante!

terça-feira, 14 de abril de 2026

ZOOLANDER

 



ZOOLANDER: Depois de ver filmes densos e pesados como "Se eu tivesse pernas eu te chutaria" e "A passagem", assisti a Zoolander ontem. Essa comédia pastelão cult sobre um modelo masculino com Q.I. bastante limitado é cheia de participações especiais, como Lenny Kravitz e David Bowie. Morri de rir das besteiras... oxigenou o pensamento, adorei!




DRINKS Sandra e SUMERTIME: nossas "criações"


Em janeiro, fomos a um restaurante afro e provamos o drink degradê azul Rio Nilo. A bartender explicou que a composição é simples, licor Blue Curaçau e H2OH; só era preciso ter a técnica de montar. E tentamos. Até conseguimos mais ou menos, e ficou bom.

Outro dia, passamos por um restaurante. Não experimentamos nada ali, mas havia um drink lindo na mesa, imitando as cores do pôr do sol. Procurei na internet: é um drink famoso com suco de laranja e tequila. Achei pesado demais, então adaptamos para um pouco de vodka com groselha e, realmente, ficou lindíssimo.

A gente se diverte.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Um brinde com Marcos Nasser




Foi com enorme satisfação que, logo que cheguei à cidade de Niterói, pude acompanhar o sarau com brinde em homenagem ao pintor e poeta niteroiense Marcos Nasser, no Reservart.

Em memória de Teresa,poeta que infelizmente conheci depois de sua passagem


Na mesa, contamos com outros poetas da cidade, que eu também não conhecia ainda. Um deles contou um história triste mas bonita, sobre a poeta Tereza Cristina ( que eu também não conhecia), que morreu no dia 4 de abril. 

Contou ele que a encontrou em um evento literário no dia 31 de março,onde abriu-se uma ciranda e ele a viu dançar como nunca imaginou ver. Poucos dias depois, a notícia de sua morte. Achei poético: ele presenciou a apoteose da poeta!

Foi uma delícia adentrar no campo poético de Nikiti, conhecer poemas, ouvir música ao vivo e encontrar gente nova nessa galeria fofa que fica no espaço Reserva Cultural de Niterói.
Na Reservart: Esquerda caneca "na terra de Araribóia é que eu tenho quem me quer", ,trecho de samba "não sou daqui" , década de 1940. Direita placas legais ...


Depois da cerimônia, o brinde com espumante bem gelado e petiscos deliciosos, ofertados pelo artista poeta, proporcionou um ambiente ideal para fazermos novas amizades.
Tim Tim 🥂


Além dos envolvidos no evento, como Neide, promoter do Reserva, e os músicos que iluminaram a leitura dos poemas com um repertório delicioso de canções populares brasileiras, com destaque para composições de Gonzaguinha, que já não ouvimos tanto, mas que emocionam, como “Um Homem Também Chora” e “O Que É, O Que É”.
Esquerda pra direita: Luciana,eu, Neide e Silvana

Geraldo e eu fizemos amizade com duas mulheres sensacionais. Depois de algumas taças de espumante, ele resolveu me fazer um agrado, declarando-se a mim na frente das pessoas que acabamos de conhecer. Disse por que gosta tanto de mim, e como eu sou focada, verdadeira e íntegra, coisas que ele disse não ser.

Nessa conversa, nossa nova amiga Silvana, terapeuta corporal , espiritualista, sensível e inteligente, que acredita na força do vocabulário, tentou bravamente retirar a palavra “fracassado” da piada do Gê, por considerar que ela carrega um peso energético desnecessário. Talvez não tenha conseguido, já que a piada de ser um “escritor fracassado” funciona há tanto tempo, mas o questionamento foi válido. Rute, mais vivida do que nós, disse algo que homens não gostam de ouvir, mas que ela precisava falar: Geraldo, você é leve e gaiato, mas deve guardar a Camila num lugar especial. Você precisa da energia dela, ela é sua base, sua firmeza. Uau.

A outra nova amiga, Luciane, que tinha acabado de ler Grande Sertão, é poeta, mas não nasceu em Niterói, e sim em Lumiar, no interior do Rio. Como coincidências não existem, Geraldo deve ter achado mágico encontrar uma porta justamente de Lumiar!

De qualquer forma, valeu muito a pena o evento e ser introduzida no grupinho literário de Niterói.



terça-feira, 7 de abril de 2026

DARK : O inimigo é o tempo

 

 

DARK — Terminei de assistir a serie alemã e pirou meu cabeção!. Apesar do tema viagem no tempo ser muito batido, definitivamente ela se destaca. Passando-se em uma cidade alemã fictícia, onde está instalada uma usina nuclear, a história começa em 2019, quando o jovem Jonas tenta se recuperar da morte do pai, que se enforcou, enquanto outros garotos desaparecem, o que dá o mote para investigações nesse e em outros tempos.

Primeiro, um comentário técnico: que fotografia perfeita. Acompanhando o clima de tensão da série, é tudo sempre muito escuro: usina nuclear, bunker, floresta, cavernas... e chove tempestades na maior parte do tempo. Para completar a ambientação,  uma atenção uma trilha sonora incidental precisa, que imita discretamente uma sirene, nos fazendo lembrar que estamos perto da usina.

Foto da tela :"O homem pode,  de fato, fazer o quer, mas não pode querer o que quer"
Uma epígrafe 

Sobre a série em si, não esperem que eu faça nenhum comentário “explicativo”: há gente que está vendo há anos e ainda tenta entender. É que a ideia é muito boa, sustentada por teorias da física e da filosofia (alemães, né?), para colocar o Tempo como o vilão da trama. Claro que me lembrei da minha dissertação de mestrado sobre a negação do tempo e da história em Tutameia, de Guimarães Rosa. Muitos símbolos, muitas ideias. 

Ele não é citado na série, mas me lembrei muito da Wakter Benjamin assistindo.  Especialmente do conceito de Jetztzeit : o passado irrompe no presente como um relâmpago e ilumina presente passado futuro por alguns segundos.

Mais a cara de Dark que isso não há!

A  série é boa de assistir? Depende muito do tipo de espectador que você é. Como é labiríntica, digamos que não é só entretenimento: é preciso prestar muita atenção para tentar entender a trama, a árvore genealógica e, mesmo assim, toda hora nos perguntamos, junto com os personagens, muitas vezes tão perdidos quanto nós: “o que é isso?”, “quem é esse?” e, sobretudo, “quando foi isso?”.

Como história bem contada, tem muitas referências, como o teatro, o mito de Ariadne e cientistas, além de inúmeros detalhes. Soma-se a isso o fato de que todo mundo tem a mesma cara (alemães iguais) e cada personagem tem sua versão jovem, adulta, idosa e até em outra dimensão, e a cada momento estão em um tempo diferente. É muito bom para se confundir!

Como eu maratonei as três temporadas seguidas e, mesmo assim, me confundi, imaginei como foi assistir em tempo real, esperando dias, meses ou até um ano para a continuação. Dureza...

Mas é muito boa. Uma das melhores surpresas que o streaming me ofereceu!


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Emergência radioativa, NETFLIX



​EMERGÊNCIA RADIOATIVA (2016)

​Assisti à nova minissérie da Netflix sobre a tragédia real ocorrida em Goiânia, em 1987. Na ocasião, catadores de lixo encontraram uma cápsula de chumbo nos destroços de uma clínica de radioterapia desativada e a venderam para um ferro-velho. Lá, o chumbo foi cortado e encontraram o altamente radioativo Césio-137. Aquele pó azul e brilhante da morte contaminou uma família inteira, além de muitos outros moradores.

​Pode ser uma memória inventada, já que eu tinha apenas 6 ou 7 anos, mas acho que me lembro de ter visto o caso na TV. Depois  eu não conhecia os detalhes, e a série os explicou muito bem. A produção é muito fiel aos acontecimentos e mostra um Brasil completamente despreparado para uma situação assim, até porque ela foi sem precedentes, algo nunca visto antes na história, envolvendo pessoas tão simples e vulneráveis.

​Me emocionei em vários momentos. Só achei que poderiam ter estendido a obra por mais alguns episódios e explorado uma história ficcional dentro desse contexto. Como sugeriu Isabela Boscov, o encantamento daquelas pessoas simples ao verem um pó azul tão bonito : o "pó das estrelas" que parecia mágico ,  e o desejo de compartilhá-lo com quem amavam seria um gancho poderoso para retratar o que há de profundamente humano, mesmo em meio à tragédia.

​De qualquer forma, recomendo a obra.