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sábado, 11 de julho de 2026

ARQUIVO 81 :Terror psicológico e história

 


ARQUIVO 81 é uma série de suspense e terror psicológico da Netflix, lançada em 2022, e que achei muito boa. Não chega a ser algo no nível de Dark, mas tem grandes ambições narrativas e é extremamente envolvente.

A trama conta a história de Dan, um arquivista e restaurador que, nos dias atuais, é contratado para recuperar um conjunto de fitas de vídeo VHS que teria sobrevivido ao incêndio do edifício Visser, ocorrido em 1994. Nas gravações, Dan, e nós também, acompanhamos a rotina de Melody, uma doutoranda em História Oral cuja pesquisa se baseia nos relatos dos moradores do prédio. Por isso, ela registra constantemente entrevistas, observações e acontecimentos do cotidiano, produzindo inúmeros fragmentos que, aos poucos, nos permitem reconstruir sua história.

À medida que as fitas revelam relações obscuras envolvendo o edifício e seus moradores, a narrativa mergulha cada vez mais no terror. O resultado é uma trama muito envolvente.

Gostei de tudo. Como historiadora, senti-me particularmente próxima da premissa da série e da ideia de resgatar uma história a partir de fragmentos e indícios. Sim, sou ginzburgiana. Melody também parece seguir essa lógica: órfã, ela utiliza sua pesquisa de doutorado para buscar as próprias origens por meio de métodos da História Oral.

Os resultados dessa investigação chegam a Dan, e a nós espectadores, anos depois, na forma de gravações produzidas com a tecnologia dos anos 1990, repletas de falhas, ruídos e lacunas. Esse aspecto confere um charme especial à série.

Melody não está apenas investigando um mistério externo; ela tenta reconstruir a própria identidade. Dan, por sua vez, não está somente restaurando fitas: está remontando a história amaldiçoada do Visser e, de maneira surpreendente, a de sua própria família.

Foi uma pena que a série não tenha alcançado o sucesso esperado e não tenha ganhado uma segunda temporada. Eu adoraria continuar acompanhando essa história.

De qualquer forma, aos interessados no tema, recomendo vivamente.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Glintch: nada demais na sciecefi!




​Talvez por ser ficção científica, a Netflix me indicou a série Glitch (2015) e eu a maratonei. Não porque ela seja do tipo viciante, mas porque me divertiu mesmo. Trata-se de um produto desenvolvido para a TV australiana (como é bom ver um ambiente diferente dos EUA!) e conta a história de sete defuntos que levantaram do túmulo. Mas não se trata de uma série de zumbis ou terror: a tentativa de explicação, nem sempre desenvolvida com sucesso, vem primeiro da ciência, de um possível erro em experimentos com células-tronco, mas que deu origem a muitos conflitos, afinal, nenhum ressuscitado tinha deixado suas pendências resolvidas quando morreram na pequena cidade de Yoorana  e usam a segunda chance pra se resolverem . No polêmico final, do qual devo ter sido uma das poucas pessoas que até gostou no contexto aerado do roteiro, foi o mais perto de um final feliz possível, onde vida e morte se enfrentam.


​Não é um roteiro robusto, nem mesmo uma execução de encher os olhos. Não se compara às melhores séries de ficção científica, como Dark, mas me distraiu por algumas horas... passou meu tempo divertidamente.

UM PLUS : Assistindo essa série lembrei muito dos "ressurgidos" romance "oração para desaparecer" , de Socorro Acioli... especialmente pela forma como os sujeitos ressurgem da terra e depois ficam como corpos vazios de memória, consciência, significados...no livro a protagonista ressurgindo precisou até encomendar uma história do " vendedor de passados "...

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Matrix: Enfim posso dizer que assis

 
      

MATRIX (1999) - Mesmo sabendo que continua sendo uma referência, só fui assistir ao filme dirigido pelas irmãs Lana e Lilly  Wachowski porque soube que em poucos dias sairá do catálogo da Netflix e talvez fosse a melhor oportunidade para vê-lo. Não foi fácil, foi enfadonho. Apesar de a discussão filosófica proposta por ele ser inquestionável, tê-lo assistido não esclareceu mais do que já saber anres dessas ideias por terceiros . É que, apesar do conteúdo filosófico permanecer vivo, para meu gosto o filme envelheceu muito mal.

Primeiro, o senti  muito longo. Podiam encurtá-lo diminuindo as cenas de luta, jiu-jitsu, tiro, porrada e bomba. Que saco essa estética de ação, que também aparece em filmes como "Eu, robô ", que gostei muito mais,  e que não tem sequencias de ação  tão longas. Os efeitos especiais ficaram muito mais datados do que os de filmes ainda mais antigos que vi esse ano como Blade Runner.Na metade de Matrix,  aproveitando que assisti em casa, já senti vontade de pausar, lavar roupa, comer um lanche... Em geral, eu não gosto de filmes longos, mas prefiro aqueles em que nem percebo o tempo passar, o que não foi o caso.

Outra coisa que estranhei, mas depois entendi melhor por causa do contexto da época, foi a narrativa do escolhido. No século XXI, preferimos os anti-heróis das séries, não é mesmo? Em todo caso, agora já posso dizer que assisti  Matrix, mas preferi assistir a serie Dark, que nele se inspirou.

Sigamos!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

"O CASTELO ANIMADO", o Dark do Ghibli?

 


O CASTELO ANIMADO (2004) é uma animação de Hayao Miyazaki inspirada no romance homônimo da escritora britânica Diana Wynne Jones. Produzido pelo Studio Ghibli, o filme é uma das obras mais aclamadas do estúdio, sendo indicado ao Oscar de Melhor Animação e celebrado mundialmente por sua riqueza visual , filosófica e poética. Conta a história de Sophie, uma jovem transformada em idosa por uma maldição, que acaba encontrando abrigo no misterioso castelo ambulante do mago Howl, um homem lindo, onde se vê diante de questões envolvendo magia, guerra, identidade e amor.
Apesar da tradução ruim do título (Castelo Movente seria melhor), assisti ontem e fiquei maravilhada pela beleza estética e pela profundidade  existencial. A  presença da magia oferece uma sensação de movimentação temporal: repentinamente, Sophie é jovem, vira idosa e torna a ser jovem novamente, bastando sofrer alterações internas. Parecia um episódio de Dark, só que animado por Miyazaki! Com bruxas, fadas e demônios, cada um com sua carga simbólica bem robusta, típica do diretor. O  filme explora  voos e deslocamentos: tem aeroplanos, portas e portais para outros tempos (de novo Dark na minha mente) e dimensões. Um possível spoiler: quando acabou, o fim me levou a perguntar se, na cena em que Howl conhece Sophie no começo, ele  é desconhecido para ela, mesmo assim, o jovem  logo diz que a estava procurando fazia tempo. Não seria porque, como ficamos sabendo no final, ela já teria visitado seu passado? Talvez já fosse sua conhecida de lá! Mais Dark que isso, muito difícil 🤣😂
Mas achei belíssimo, romântico, engraçado... tudo de bom. Viva Miyazaki ❤️

terça-feira, 7 de abril de 2026

DARK : O inimigo é o tempo

 

 

DARK — Terminei de assistir a serie alemã e pirou meu cabeção!. Apesar do tema viagem no tempo ser muito batido, definitivamente ela se destaca. Passando-se em uma cidade alemã fictícia, onde está instalada uma usina nuclear, a história começa em 2019, quando o jovem Jonas tenta se recuperar da morte do pai, que se enforcou, enquanto outros garotos desaparecem, o que dá o mote para investigações nesse e em outros tempos.

Primeiro, um comentário técnico: que fotografia perfeita. Acompanhando o clima de tensão da série, é tudo sempre muito escuro: usina nuclear, bunker, floresta, cavernas... e chove tempestades na maior parte do tempo. Para completar a ambientação,  uma atenção uma trilha sonora incidental precisa, que imita discretamente uma sirene, nos fazendo lembrar que estamos perto da usina.

Foto da tela :"O homem pode,  de fato, fazer o quer, mas não pode querer o que quer"
Uma epígrafe 

Sobre a série em si, não esperem que eu faça nenhum comentário “explicativo”: há gente que está vendo há anos e ainda tenta entender. É que a ideia é muito boa, sustentada por teorias da física e da filosofia (alemães, né?), para colocar o Tempo como o vilão da trama. Claro que me lembrei da minha dissertação de mestrado sobre a negação do tempo e da história em Tutameia, de Guimarães Rosa. Muitos símbolos, muitas ideias. 

Ele não é citado na série, mas me lembrei muito da Wakter Benjamin assistindo.  Especialmente do conceito de Jetztzeit : o passado irrompe no presente como um relâmpago e ilumina presente passado futuro por alguns segundos.

Mais a cara de Dark que isso não há!

A  série é boa de assistir? Depende muito do tipo de espectador que você é. Como é labiríntica, digamos que não é só entretenimento: é preciso prestar muita atenção para tentar entender a trama, a árvore genealógica e, mesmo assim, toda hora nos perguntamos, junto com os personagens, muitas vezes tão perdidos quanto nós: “o que é isso?”, “quem é esse?” e, sobretudo, “quando foi isso?”.

Como história bem contada, tem muitas referências, como o teatro, o mito de Ariadne e cientistas, além de inúmeros detalhes. Soma-se a isso o fato de que todo mundo tem a mesma cara (alemães iguais) e cada personagem tem sua versão jovem, adulta, idosa e até em outra dimensão, e a cada momento estão em um tempo diferente. É muito bom para se confundir!

Como eu maratonei as três temporadas seguidas e, mesmo assim, me confundi, imaginei como foi assistir em tempo real, esperando dias, meses ou até um ano para a continuação. Dureza...

Mas é muito boa. Uma das melhores surpresas que o streaming me ofereceu!