Terminei de assistir à rápida e intensa segunda temporada de Cangaço Novo, série que adorei acompanhar, como comentei AQUI.
Como foi um sucesso internacional no catálogo do Prime e deixou gostinho de quero mais, a segunda temporada chegou, mesmo curta, com apenas sete episódios e sem muitas conclusões. Ainda assim, adorei assistir.
Nos primeiros episódios, a qualidade da produção encheu meus olhos! Tudo muito cinematográfico, com cara de grande produção nacional. Do centro para o final, a qualidade se mantém, mas o roteiro perde um pouco a força e as cenas de ação, de modo impressionante, se destacam.
MINHAS EXPECTATIVAS
Antes de assistir a segunda parte, já mantinha algumas expectativas.
Na primeira temporada de Cangaço Novo, do Prime, para mim o grande destaque foi que o protagonista Ubaldo, interpretado por Allan de Sousa Lima, acabou perdendo brilho para sua irmã cangaceira Dinorá, vivida pela maravilhosa Alice Carvalho.
Para a segunda temporada, minha expectativa era que outras mulheres também se destacassem na trama, sublinhando a força da mulher nordestina. Pensei especialmente na bela e misteriosa Dilvânia, interpretada por Thainá Duarte, e em Zeza, vivida pela veterana Marcélia Cartaxo.
Elas foram confirmadas nos primeiros episódios, muito bem produzidos esteticamente.
No segundo episódio, como eu queria, outras mulheres além de Dinorá estão ganhando destaque. O mais incrível, para mim, foi a citação textual de trechos de Grande Sertão: Veredas durante um sonho da irmã mais nova da família Vaqueiro, Dilvânia. Suponho também que haja uma referência direta à cena em que um homem tenta domar um cavalo no marcante filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, que considero a melhor adaptação de Guimarães Rosa para o cinema. Nem comento que surgiu um cangaceiro chamado Fafafá, como no bando de Urutu Branco, em Grande Sertão: Veredas.
Além disso, a própria personagem Dilvânia, a menina milagreira, é uma figura comum no imaginário popular brasileiro e, por isso, lembra muito a protagonista do conto A menina de lá, que estudei na minha tese. Para ela, escolheram como tema a música Menina Jesus, de Tom Zé. Amei.
FINAL DA TEMPORADA E DESTINO DA SÉRIE
A figura da temporada foi Dilvânia, cuja história abre o primeiro episódio e cujo canto encerra o último. Foi muito bom ter trazido, na temporada mais cruelmente violenta, um fundo místico tão característico do sertão brasileiro. Dilvânia, com suas poções, a menina milagreira, encarna todo esse universo; em sua jornada, couberam preces, Grande Sertão e coragem.
O belo final, com Dilvânia professando sua fé e Ubaldo cumprindo seu quinhão na vida de um ladrão, permite tanto encerrar a série quanto dar continuidade a ela. Vai depender da recepção na plataforma. Se continuar, sugiro que invistam em bons roteiros, até pra sustentar a exploração de cenas de ação.
Foi muito bom ver uma produção nacional tão boa.


