NATAL AMARGO: Uma obra sobre cinema, sobre roteiristas e suas narrativas. Achei engraçada, com muito humor negro, autorreferente e, sobretudo, um pouco morna. Não sei se chegou perto ou superou "O Quarto ao Lado" (2024), também sobre a brevidade da vida e gravado em inglês, e o último trabalho do diretor que eu tinha visto.
Parece mais com o belo "Dor e Glória" (2019), não só porque fala do envelhecimento e da proximidade da morte, mas sobretudo pela questão do filme dentro do filme (aqui seria um roteiro dentro do outro). Mas, nesse aspecto e saindo do universo almodovariano, nem se aproximou de "Valor Sentimental" (2025), que para mim segue sendo o melhor do ano.
Mas, mesmo morno, um Almodóvar novo é um acontecimento. Vou querer, e precisar, assistir de novo, refletir, para falar com mais propriedade. Por hora, agradeço o privilégio de poder ter assistido a um lançamento de Almodóvar no telão do Cinesesc, ter meu cérebro e meus olhos alimentados por aquela estética, por aquela perspectiva de mundo, de cinema e das narrativas que moldaram minha juventude.
Coisas assim fazem a vida valer a pena.
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